Autores: Elizabete Possidente e Giuliana Possidente
Autismo não é uma doença a ser “curada”, mas uma forma diferente de funcionamento do cérebro (neurodiversidade).
As dificuldades enfrentadas pelas crianças autistas muitas vezes não vêm delas em si, mas de um mundo pouco adaptado às suas necessidades.
Sobre comportamentos “difíceis
Crises, isolamento, agressividade ou explosões emocionais não são birra ou má educação.
São respostas do organismo a situações de estresse, medo ou sobrecarga (como “lutar, fugir ou congelar”).
Ou seja: a criança não está escolhendo se comportar mal. Ela está tentando lidar com algo que a sobrecarrega.
O que NÃO funciona bem
Estratégias baseadas em controle, punição ou recompensa para “corrigir” comportamento
Tentativas de fazer a criança parecer “normal”
Pressão para que ela ignore suas próprias necessidades
Essas abordagens podem:
– Aumentar sofrimento emocional
– Levar a criança a “mascarar” quem ela é
– Prejudicar a saúde mental no longo prazo
O que realmente ajuda
O artigo da referência abaixo destaca que pais e famílias têm mostrado melhores resultados com abordagens baseadas em:
– Empatia e curiosidade (tentar entender o que a criança está sentindo)
– Segurança emocional
– Aceitação da criança como ela é
– Relacionamento forte e acolhedor
Exemplo prático:
Em vez de tentar controlar o comportamento, pergunte-se: “O que está deixando meu filho inseguro ou sobrecarregado agora?”
Necessidades fundamentais da criança autista:
Um modelo citado (Autistic SPACE) destaca cinco pontos essenciais:
– Sensoriais (luz, som, textura)
– Previsibilidade (rotina, antecipação)
-Aceitação
-Comunicação adaptada
– Empatia
Muitas orientações tradicionais podem não funcionar, e isso não é culpa sua nem do seu filho.
O foco deve mudar de “corrigir comportamento” para compreender e apoiar
O que mais ajuda uma criança autista a se desenvolver não é controle, mas: Relação segura + compreensão + respeito à sua forma de ser
Referência:
The Lancet Child & Adolescent Health (2024).
Evidence-based kindness and empathy for autistic children.
https://doi.org/10.1016/S2352-4642(24)00080-4
