O Transtorno de Déficit de Atenção – TDAH – é uma doença que pode levar a desatenção, hiperatividade e impulsividade. Devido a impulsividade os pacientes com esse transtorno tendem a ter dificuldades nos relacionamentos e são mais propensos a negligências com a saúde física, abuso de álcool e outras drogas, acidentes de carro, doenças sexualmente transmissíveis e gravidez indesejada. Na maioria dos adultos, a procura pelo tratamento psiquiátrico se dá por essas comorbidades: ansiedade, depressão, abuso de álcool, bipolaridade, dependência de álcool, drogas e nicotina, baixa autoestima entre outros.  O TDAH é causado por uma combinação de genética e de ambiente, que causa alteração na estrutura e no funcionamento do córtex cerebral, responsável pela cognição e comportamento de uma pessoa.
O TDAH causa uma capacidade de atenção abaixo do que é esperado pelo potencial daquele indivíduo e uma expressão motora acima do que é se considera aceitável pela sua idade cronológica e seu grau cultural. Com isso, o indivíduo vive abaixo do seu potencial pessoal. Não necessariamente será um fracassado, ele pode ter sucesso, mas enfrenta mais obstáculos e tendem a ter maior sofrimento para alcançar o êxito.
É a doença psíquica com maior influência genética. Sabe-se que se um dos pais tem TDAH é oito vezes maior a chance do filho também ter. Sabe-se que gêmeos univitelinos têm 70% de concordância de ambos apresentarem TDAH.
Também já foi identificado a exposição intrauterina a nicotina ou álcool e o nascimento prematuro ou de baixo peso, como fatores que contribuem para os sintomas. Mas para isso a genética também tem que estar presente. É uma doença do neurodesenvolvimento, ou seja, trata-se de um problema que surge durante a maturação do cérebro, do nascimento até os 25 anos.
Pacientes com TDAH têm maior probabilidade de ter outros transtornos psiquiátricos do que as pessoas sem a doença. Por exemplo, cerca de 50% dos pacientes com TDAH relatam dependência de nicotina ou histórico de uso anterior, contra 18% da população sem o transtorno que usam nicotina.
Cerca de 70% dos pacientes com TDAH têm outra doença psiquiátrica associada e, geralmente, é essa comorbidade que os levam para a avaliação.  
Por todos esses motivos é muito importante o tratamento adequado do TDAH. É claro que também está associado nas consultas medidas cognitiva-comportamentais que complementam o tratamento medicamentoso.
Esse transtorno é citado desde 1775, quando Melchior Adam Weikard descreveu o quadro que hoje chamamos de TDAH. Em 1937, foi publicado o primeiro relato científico da patologia. Ou seja, não é uma doença inventada ou que surgiu recentemente ou apenas um modismo da sociedade moderna, como muitos dizem.
O diagnóstico de TDAH é feito através da entrevista psiquiátrica diretamente com o paciente. Pode complementar com dados colhidos com os pais, colégio ou cônjuge. Nenhum exame, seja, sangue, eletroencefalograma, testagem neuropsicológica, avaliação fonoaudiológica ou ressonância magnética são necessários para confirmar esse diagnóstico.  Algumas vezes, são solicitados para descartar outras patologias ou avaliar comorbidades.
O sintoma predominante em todos os pacientes e subtipos de TDAH é a dificuldade de manter a atenção. Essa função é muito complexa e precisamos dela para construir as nossas metas. Precisamos ter uma harmonia entre a capacidade de fixar a atenção, estabelecer metas, antecipar dificuldades, escolher o momento adequado para atuar e levar em consideração o tempo e as ferramentas necessárias para alcançar o objetivo. Além de fazer tudo isso, precisamos colocar os nossos objetivos em ordem de prioridade, porque a todo momento queremos alcançar muitas coisas e somos bombardeados por outras ideias, interrompidos por pessoas, distrações e fatos. A capacidade de dar conta disso é o que chamamos de função executiva, que, no TDAH, encontra-se prejudicada.
Outro sintoma é a hiperatividade que pode ser na esfera motora e verbal. Na esfera motora, pode ser de forma mais intensa, na qual a criança não consegue ficar sentada muito tempo ou tem muitos movimentos bruscos e desajeitados ou de forma menos intensa, na qual está sempre mexendo a mãos ou os pés. Pode disfarçar sempre mexendo no cabelo ou brincando de tirar e botar um anel, por exemplo. A hiperatividade também pode ser manifestada na forma verbal. Em outras palavras, é o caso do tagarela. Na adolescência e na vida adulta, tendem a melhorar esse sintoma e migrar a hiperatividade para a parte mental. Muitos desses sintomas são confundidos por ansiedade pelo próprio paciente, familiares e profissionais de saúde.
A impulsividade é o outro sintoma que prejudica muito o paciente com TDAH. Pode manifestar de diferentes formas. Pode surgir quando não consegue aguardar a sua vez para falar ou na fila de espera, interrompendo o locutor, ou já respondendo antes da pergunta ter sido terminada. Pode apresentar-se numa dificuldade em interromper alguma atividade prazerosa, mesmo tendo consciência da situação danosa que pode causar. Com isso, tem dificuldade, de desligar o jogo, se afastar das redes sociais, saber o momento de parar a ingestão alcóolica, por exemplo. Pode se envolver mais em situações de risco, como acidentes no trânsito, brigas, sexo inseguro, uso de drogas, compras e aplicações financeiras sem planejamento.
As consequências dessa impulsividade, muitas vezes, podem ser desde uma nota baixa por falta de estudo, acidentes graves, brigas, divórcios, desemprego ou perdas financeiras danosas para a sua economia.
Esses critérios diagnósticos são mundialmente divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pela Associação Americana de Psiquiatria através do DSM.
Apesar do início do quadro do TDAH ocorrer na Infância, o diagnóstico pode ser realizado em qualquer idade. Pode ocorrer em homens e mulheres. Tem maior diagnóstico em meninos na Infância porque geralmente são muito hiperativos e conduzidos para tratamento. A hiperatividade incomoda mais os pais e professores que o acabam encaminhando para avaliação. As meninas são geralmente mais desatentas e com isso, não dão trabalho e passam desapercebido. Nos adultos, as mulheres buscam mais tratamento pela queixa de baixa autoestima, ansiedade e depressão associado a dificuldade de conseguir dar conta de suas atividades do cotidiano por desatenção e disfunção executiva.
Esses pacientes com TDAH têm um transtorno do neurodesenvolvimento, levando a um atraso no desenvolvimento neurológico e emocional do que se espera para a idade deles e pelo incentivo cultural que recebem. O profissional leva em consideração os sintomas e avalia o contexto no qual vive esse paciente.
O tratamento do TDAH na maioria dos casos consiste na associação de tratamento farmacológico, psicoeducação e terapia cognitivo comportamental (TCC).
A TCC e a psicoeducação consistem em criar ferramentas para que o paciente consiga lidar e driblar muitas das suas dificuldades presentes pela patologia. Assim, como melhorar sentimentos associados a baixa autoestima tão comum nesses pacientes.
O tratamento farmacológico de primeira escolha no mundo é a classe de psicoestimulantes. Já se tem muitos estudos em diferentes centros de pesquisa no mundo com essa classe de medicamentos. Aqui no Brasil nós temos os seguintes medicamentos dessa classe disponíveis que são: Ritalina, Ritalina LA, Concerta e Venvanse. Esses estudos demonstram tanto eficácia como tolerância, ou seja, são eficientes e quando tem efeitos colaterais são bem toleráveis e tendem a reduzir com o tempo de uso. Quando for o caso de usar medicamento, o médico e o paciente devem conversar sobre todas as dúvidas e intercorrências como devem ocorrer quando há indicação de qualquer outro fármaco.
Também é recomendado tratar a comorbidade antes de iniciar o tratamento farmacológico do TDAH. Isso porque o uso de psicoestimulante pode piorar o sintoma da outra patologia e também porque já se tem estudos confirmando que ao tratar a comorbidade pode se resolver cerca de 30% dos sintomas de desatenção e hiperatividade. .
O mundo todo já percebeu a importância de tratar adequadamente o TDAH para evitar complicações muito danosas ao indivíduo, aos familiares e à sociedade. Se antes o TDAH era parte de uma discussão em congressos de Psiquiatria e Neurologia, atualmente tem congressos próprios. Há cada vez mais informativos sobre o TDAH, entrevistas com especialistas e pacientes e sites especializados para fornecer informação adequada e reduzir o preconceito sobre a doença. Essas ações resultaram na escolha de uma data no calendário, dia 13 de julho, como um marco da importância de se fazer o diagnóstico e tratamento adequado da doença. Portanto, não se deixe se influenciar por notícias falsas e sem embasamento do rigor científico segundo as quais o TDAH seria uma doença inventada.
 

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