Autora: Elizabete Possidente

Sabia que um dos “gatilhos” para bipolaridade pode ser alteração ao exame eletroencefalograma (EEG)?
Alterações no eletroencefalograma (EEG) podem estar associadas ao transtorno bipolar devido à relação complexa entre atividade cerebral e distúrbios do humor. O EEG é uma ferramenta que mede a atividade elétrica do cérebro, registrando padrões de ondas cerebrais que podem refletir diferentes estados mentais e neurológicos.

Aqui estão algumas maneiras pelas quais mudanças no EEG podem estar relacionadas ao transtorno bipolar:

  • Diferenciação de Estados de Humor: O transtorno bipolar é caracterizado por episódios alternados de mania e depressão. Estudos mostraram que os padrões de ondas cerebrais podem variar significativamente entre esses estados. Por exemplo, durante episódios maníacos, pode haver um aumento na atividade de alta frequência (como ondas beta), enquanto episódios depressivos podem estar associados a aumentos na atividade de baixa frequência (como ondas delta e teta).
  • Disfunção Cortical: Algumas pesquisas sugerem que o transtorno bipolar está relacionado a disfunções em áreas específicas do cérebro, como o córtex pré-frontal. Alterações na atividade elétrica detectadas pelo EEG podem refletir essas disfunções. Por exemplo, padrões anormais de atividade nas regiões frontal e temporal têm sido observados em pacientes bipolares.
  • Regulação do Ritmo Circadiano: Pessoas com transtorno bipolar frequentemente apresentam desregulação do ritmo circadiano, que é o ciclo de 24 horas de atividades biológicas. Alterações no EEG podem indicar problemas na regulação dos ciclos sono-vigília, que são comuns em pacientes bipolares e podem desencadear mudanças de humor.
  • Atividade Epileptiforme: Em alguns casos, indivíduos com transtorno bipolar podem apresentar atividade epileptiforme no EEG, mesmo na ausência de epilepsia clínica. Esta atividade anormal pode estar associada a sintomas como alterações rápidas de humor e irritabilidade, que são características do transtorno bipolar.
  • Respostas ao Estresse e Estímulos Sensoriais: O EEG pode revelar como o cérebro responde ao estresse e a estímulos sensoriais. Pessoas com transtorno bipolar podem ter respostas anormais a esses estímulos, o que pode ser detectado como alterações nos padrões de ondas cerebrais.

Portanto, as mudanças no EEG podem fornecer pistas sobre as anormalidades funcionais e estruturais no cérebro que estão associadas ao transtorno bipolar. Entender essas alterações pode ajudar no diagnóstico e no desenvolvimento de estratégias de tratamento mais eficazes para gerenciar o transtorno.

Publicado por Elizabete Possidente

Com uma trajetória multifacetada e dedicada à saúde mental, sou uma médica psiquiatra, cuja jornada profissional é marcada por conquistas e contribuições significativas. Formei-me em Medicina em 1994 e desde então tenho me destacado em diversas áreas da psiquiatria. Minha jornada acadêmica inclui uma residência no Instituto de Psiquiatria da UFRJ, onde aprimorei minhas habilidades e conhecimentos de 1995 a 1996. Prosseguindo em minha formação, obtive o título de Mestre pelo Departamento de Psiquiatria do mesmo instituto, entre os anos de 1997 e 1999, consolidando-me como uma profissional especializada e comprometida com a excelência em minha área de atuação. Ao longo de minha carreira, desempenhei papéis fundamentais em diferentes instituições e contextos. Como supervisora de psiquiatria pela Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, contribuí para o desenvolvimento e aprimoramento de políticas públicas voltadas à saúde mental. Minha expertise como médica perita em psiquiatria no Manicômio Heitor Carrilho e posteriormente na Vara de Execuções Penais da Secretaria Estadual de Justiça evidencia meu compromisso com a justiça e o bem-estar dos pacientes. Além disso, atuei como médica psiquiatra e perita em psiquiatria pelo Ministério da Defesa, tanto no Hospital Central do Exército quanto pela Auditoria Militar, onde minha competência e dedicação foram reconhecidas e valorizadas. Minha influência na comunidade médica estende-se também ao âmbito acadêmico, com participação ativa em congressos nacionais e internacionais, onde compartilho meu conhecimento e experiência com outros profissionais da área. Como autora do livro "Para Pais e Mães Preocupados: Cuidando da Saúde Mental dos Pequenos", publicado pela editora Viseu, demonstro meu compromisso em disseminar informações relevantes e acessíveis sobre saúde mental para um público amplo. Com uma sólida base acadêmica, vasta experiência prática e um compromisso contínuo com a atualização e aprimoramento profissional, sou uma referência respeitada na área da psiquiatria, dedicada a promover o bem-estar e a qualidade de vida de meus pacientes e da comunidade em geral.

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