Bioequivalência não significa o mesmo efeito no cérebro

Autores: Elizabete Possidente e Giuliana Possidente

Quando falamos de medicamentos, especialmente aqueles que atuam no sistema nervoso central, é comum acreditarmos que, se duas formulações são consideradas bioequivalentes, elas terão exatamente o mesmo resultado clínico. No entanto, essa conclusão pode ser precipitada.

Bioequivalência é um estudo que compara dois medicamentos para verificar se eles apresentam a mesma quantidade de princípio ativo no sangue, na mesma velocidade e extensão de absorção. Ou seja, mede o que acontece na corrente sanguínea, e não necessariamente no cérebro.

Mas aí está o ponto crucial:
Para os psicofármacos, o alvo não é o sangue, e sim o cérebro. Existem barreiras biológicas, como a barreira hematoencefálica, além de diferenças individuais no metabolismo, que influenciam quanto do medicamento realmente chega ao sistema nervoso central.

Portanto, embora dois medicamentos possam ser bioequivalentes, isso não garante, automaticamente, a mesma eficácia clínica, tolerabilidade ou efeitos no cérebro.

O que isso significa na prática?

  • Nem sempre uma troca entre medicamentos “equivalentes” será neutra para o paciente.
  • Pode haver mudança de resposta terapêutica ou efeitos colaterais.
  • A decisão de substituir um medicamento deve sempre ser avaliada por um profissional de saúde.

Conclusão

Bioequivalência é um parâmetro importante, mas não suficiente quando o alvo terapêutico é o cérebro. Para muitos pacientes, pequenas diferenças podem representar mudanças significativas na resposta ao tratamento.

Publicado por Elizabete Possidente

Com uma trajetória multifacetada e dedicada à saúde mental, sou uma médica psiquiatra, cuja jornada profissional é marcada por conquistas e contribuições significativas. Formei-me em Medicina em 1994 e desde então tenho me destacado em diversas áreas da psiquiatria. Minha jornada acadêmica inclui uma residência no Instituto de Psiquiatria da UFRJ, onde aprimorei minhas habilidades e conhecimentos de 1995 a 1996. Prosseguindo em minha formação, obtive o título de Mestre pelo Departamento de Psiquiatria do mesmo instituto, entre os anos de 1997 e 1999, consolidando-me como uma profissional especializada e comprometida com a excelência em minha área de atuação. Ao longo de minha carreira, desempenhei papéis fundamentais em diferentes instituições e contextos. Como supervisora de psiquiatria pela Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, contribuí para o desenvolvimento e aprimoramento de políticas públicas voltadas à saúde mental. Minha expertise como médica perita em psiquiatria no Manicômio Heitor Carrilho e posteriormente na Vara de Execuções Penais da Secretaria Estadual de Justiça evidencia meu compromisso com a justiça e o bem-estar dos pacientes. Além disso, atuei como médica psiquiatra e perita em psiquiatria pelo Ministério da Defesa, tanto no Hospital Central do Exército quanto pela Auditoria Militar, onde minha competência e dedicação foram reconhecidas e valorizadas. Minha influência na comunidade médica estende-se também ao âmbito acadêmico, com participação ativa em congressos nacionais e internacionais, onde compartilho meu conhecimento e experiência com outros profissionais da área. Como autora do livro "Para Pais e Mães Preocupados: Cuidando da Saúde Mental dos Pequenos", publicado pela editora Viseu, demonstro meu compromisso em disseminar informações relevantes e acessíveis sobre saúde mental para um público amplo. Com uma sólida base acadêmica, vasta experiência prática e um compromisso contínuo com a atualização e aprimoramento profissional, sou uma referência respeitada na área da psiquiatria, dedicada a promover o bem-estar e a qualidade de vida de meus pacientes e da comunidade em geral.

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