Autismo (TEA) e inteligência

Autores: Elizabete Possidente e Giuliana Possidente

Quando os pais recebem o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), uma das primeiras dúvidas que surge é:

E a inteligência do meu filho, como fica?”

Essa é uma pergunta legítima e importante. Mas a resposta não é simples, porque o autismo não define o nível de inteligência de uma pessoa.

O TEA não é deficiência intelectual. É uma inteligência em coisas diferentes.  Já a inteligência pode variar muito, assim como em qualquer pessoa.

 Como a inteligência se distribui no autismo?

Hoje sabemos que:

  • Cerca de 30% a 40% das pessoas com autismo têm também Deficiência Intelectual
  • Aproximadamente 40% a 50% têm inteligência dentro da média
  • Entre 5% e 10% apresentam altas habilidades ou superdotação

Ou seja, a maioria das crianças com autismo NÃO tem deficiência intelectual.

Nos quadros mais intensos de autismo, é mais comum haver também atraso cognitivo. Isso acontece porque:

  • o cérebro apresenta alterações mais amplas
  • há maior impacto no desenvolvimento global
  • a linguagem costuma ser mais comprometida

 E quando a criança tem altas habilidades? Sim, isso também pode acontecer.

Algumas crianças com autismo apresentam:

  • memória excepcional
  • facilidade para números
  • talento musical
  • interesse profundo por temas específicos

Em alguns casos, isso configura superdotação. Em outros, são chamadas de “ilhas de habilidade” , áreas específicas em que a criança se destaca muito.

No autismo, é comum que a criança tenha um perfil irregular:

  • pode ter grande capacidade em uma área
  • e dificuldade importante em outra

Por exemplo:

  • excelente memória → mas dificuldade social
  • vocabulário avançado → mas pouca comunicação funcional

Isso às vezes confunde os pais e até profissionais.

Alguns comportamentos podem dar uma impressão equivocada:

  • não falar → pode parecer falta de inteligência (e não é)
  • não responder → pode parecer desinteresse
  • dificuldade social → pode ser confundida com “não entender”

 O que mais importa na prática? Mais importante do que o “rótulo” da inteligência é observar:

  • como a criança aprende
  • como se comunica
  • como se adapta ao ambiente
  • quais são seus pontos fortes

 Cada criança com autismo é única.

Os pais têm um papel central:

  • valorizar as potencialidades
  • não comparar com outras crianças
  • buscar avaliação adequada
  • estimular sem pressionar
  • E principalmente, olhar para o filho além do diagnóstico.

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