Dificuldade no Reconhecimento do TDAH em Mulheres

Cada vez mais mulheres procuram tratamento médico ou psicológico para ansiedade, depressão e baixa autoestima. Muitas dessas pacientes tem a sua vida repleta de desorganização, disfunção executiva e desatenção, com todas as  características de  um TDAH (Transtorno de déficit de atenção e / ou hiperatividade).
Esses sintomas normalmente iniciaram na Infância e foram se agravando na vida adulta, quando precisa dar conta de muito mais afazeres. Esse quadro acaba levando a depressão, ansiedade, baixa autoestima e insônia. Essas queixas são o que motiva a busca de auxilio profissional.
O TDAH é um distúrbio neurobiológico crônico, que se desenvolve antes dos 12 anos de idade. Os sintomas vem desde a fase de criança  e se mantém  na vida adulta. Como se tem muitos anos de evolução, raramente a mulher adulta traz esses sintomas como um problema. Ela já aceita esse quadro como “o seu jeito de lidar com a vida”.
Ao entrevistar essas pacientes, percebo o prejuízo em sua vida. Entretanto, elas parecem “jogar a toalha” por achar que isso não tem solução, por fazer parte do seu temperamento. Vejo constantemente no meu consultório pacientem adultas que me procuram para depressão ou ansiedade, mas que seu diagnóstico principal é o TDAH.
O estudo publicado recentemente no Journal Psychiatry confirma o que venho percebendo na minha prática clínica. Veja o artigo publicado em 2015 no link abaixo.
Recomendo também a leitura dos seguintes artigos nesse blog.
Entenda o TDAH – 13/12/12

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3 comentários

  1. Olá. Tenho olhado o blog e encontrado assuntos bem interessantes. Atualmente, estudo para o vestibular de medicina. Tenho 18 anos. Estive há um tempo em dúvidas entre psiquiatria (medicina) e psicologia, e acabei por decidir ser psiquiatra. A minha maior preocupação era não poder estudar assuntos comportamentais, trabalhar com terapias com os meus pacientes, me restringindo à prescrição de medicamentos. Ao pesquisar, percebi que muitos são os psiquiatras que não se interessam por essa parte comportamental, mas há possibilidade de estudar sobre psicanálise. Gostaria de saber de você, que é da área, quais são as outras possibilidades de cursos que posso fazer futuramente para complementar os meus estudos com terapia, se é possível estudar a psicoterapia, dentre outras áreas similares que focam no aspecto comportamental. Pode parecer que estou me preocupando demais, mas acho que é pertinente, pois ainda me questiono às vezes se estou fazendo a escolha certa. Porém, me cativei pela oportunidade que a medicina oferece de o profissional saber \”de tudo um pouco\”, isto é, outros aspectos do corpo humano, e me vejo sendo um profissional nesse perfil. Ademais, quais são os limites dentro de especializações ou residência? Posso fazer duas áreas de residência relacionadas em seguida, junto, como psiquiatria e neurologia, ou uma em determinado momento e outra depois? O quão viável é essa ideia? Cheguei a pesquisar fora do país, e vi que existem lugares do mundo que oferecem uma residência unificada entre neurologia e psiquiatria. Sou apaixonado pela mente humana. Leio livros sobre o assunto, um atrás do outro. Estou ciente da competitividade para conseguir uma residência médica, mas isso para mim não é o problema, estou realmente motivado a assumir riscos e seguir esse sonho… Muito obrigado pela atenção!

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  2. Rodolfo, fico feliz por estar achando interessante os assuntos do blog.Para se formar em psiquiatria, inicialmente tem que se formar em Medicina. Depois fazer uma residência médica ou uma pós graduação em Psiquiatria. Deve buscar um curso que tenha aulas teóricas e prática. Essa prática deve incluir ambulatório, enfermaria e plantão. Assim, terá uma boa bagagem em pacientes em situações de emergência, internados e na manutenção das patologias. Vai ter uma visão mais completa de todas as patologias nas suas diferentes formas e gravidade de apresentação.Se também se interessar em psicoterapia fará também cursos e participará de grupos de estudos no tipo de psicoterapia que se identificará para trabalhar.os próprios professores na faculdade ou na residência dão orientação sobre isso também.É importante você sempre estar se atualizando e também ser analisado por um terapeuta para você entender o processo e se conhecer muito bem para poder melhor ajudar o outro.

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  3. Muito obrigado pelas informações, Elizabete! Tenho percebido que a psiquiatria é uma área que tem grande demanda no país, com poucas vagas sendo preenchidas, em relação a outras da medicina. Principalmente a partir da segunda metade do século XX, com um desenvolvimeto acentuado na área de medicamentos voltados a doenças mentais, passou a haver uma certa transição do modelo daquele psiquiatra antigamente voltado a área da psicanálise, para aquele que passou a medicar mais, deixando a terapia para outros profissionais, frequentemente. Dito isso, você acha viável conseguir se aprofundar depois na área comportamental? Digo isso, pois pelo que pesquisei, tem muita pressão econômica de convênios, em hospitais, digo, para quem não trabalha em consultório particular, para restringir o tempo de consulta e atender mais pacientes, muitas vezes em 15-20 minutos, prescrevendo somente medicamentos, deixando a terapia para psicólogos, cujo salário é menor, o que é muito comum na atualidade. Então teria uma pressão econômica para fazer isso, o que me preocupa. Porém, a psiquiatria na área particular não depende muito de convênoios, pelo que entendi, o que confere maior autonomia ao profissional, podendo ser o seu \”próprio chefe\”. Não pretendo simplesmente só fazer terapia em consultas de 40-50 minutos, pois isso também pode ser muito desgastante… Conheci um psiquiatra da UCLA, dos EUA, e ele me disse que não era para eu me preocupar, pois ele, mesmo representando a exceção, dizia amar conduzir psicoterapia, além de dar aula na faculdade de lá, e dedicar, pelo menos entre 65-70% do seu tempo para fornecer tratamento terapêutico. Ele disse que o psiquiatra só fica \”atrás do psicólogo\” para fazer terapia se ele quiser, pois tem cursos para isso, e terapia não é só psicólogo quem faz, podendo tornar o psiquiatra tão habilitado quanto aquele. Mas daí fiquei pensando: a realidade daqui pode ser bem diferente… Como é a vida de psiquiatra, depois da residência? Ele realmente tem mais flexibilidade mesmo, menor carga horária que outras especialidades, para depois conseguir investir em outros interesses, uma formação analítica? Vi que tem a possibilidade de estudar medicina integrativa, outra área tabém que foca no relacionamento médico-paciente. Com uma pós nessa área seria interessante para complementar o trabalho de um psiquiatra. Desculpe o incômodo, só gostaria de saber mais informações sobre uma profissional da área,sobre essas considerações, e acho que isso pode me acrescentar de alguma forma! Muito obrigado, novamente!

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