Autora: Elizabete Possidente

Decidi escrever esta nova postagem sobre o mesmo caso recente de um colégio católico no Rio de Janeiro. Um grupo de meninos publicou utilizando um aplicativo de inteligência artificial para criar nudes de 20 meninas, usando fotos que elas haviam publicado em suas redes sociais. Talvez tenham até mais meninas que foram afetadas por esse tipo de publicação por esses meninos. Decidi escrever porque fiquei muito triste ao ver pais comentando nas redes sociais que os meninos estão na idade de cometer erros. Não! Não estamos falando de erros infantis feitos no impulso, sem pensar. Estamos falando de um grupo de adolescentes que pesquisou o aplicativo, escolheu as meninas, as fotos que seriam usadas e, depois de feito isso, publicaram. Não foi feito sem pensar. Pensaram e planejaram cada etapa. Parecia-me que sabiam muito bem o que estavam fazendo. Parece que acreditavam que não seriam descobertos ou, se fossem, nada aconteceria.

Também com tristeza vi comentários culpando a internet. Claro que não, isso reflete a falta de empatia pelo próximo, a falta de respeito e a falta de consideração pelo impacto psicológico sobre o outro. Isso não tem nada a ver com a internet, tem a ver com a falta de conhecimento ético e cidadania que deveria ser cultivado desde a infância.

Agora, vamos voltar o olhar para essas meninas que tiveram a divulgação de nudes falsos do colégio por colegas do sexo masculino. Isso tem um impacto emocional profundo e devastador. Essas ações não apenas violam a privacidade das vítimas, mas também causam danos psicológicos significativos.

Em primeiro lugar, as meninas que têm suas imagens íntimas falsamente compartilhadas enfrentam uma sensação avassaladora de quebra de confiança e intimidade. Elas se sentem traídas pelos colegas que deveriam ser confiáveis, o que pode levar a sentimentos de isolamento e desamparo.

Além disso, o bullying e o estigma social que frequentemente acompanham a divulgação de nudes falsos podem resultar em problemas de autoestima, ansiedade e depressão nas vítimas. Elas podem se sentir envergonhadas e culpadas, mesmo que não tenham feito nada de errado.

O impacto emocional é agravado pelo fato de que as imagens podem se espalhar rapidamente nas redes sociais, tornando difícil controlar a situação e lidar com as consequências. Isso pode levar as meninas a se sentirem impotentes e com medo de frequentar a escola, o que afeta negativamente seu desempenho acadêmico e bem-estar geral.

É fundamental que as escolas e a sociedade como um todo estejam cientes desses problemas e tomem medidas para educar os jovens sobre o respeito à privacidade e o impacto devastador que a divulgação não consensual de imagens pode ter nas vítimas. Além disso, é necessário promover uma cultura de apoio e empatia para ajudar as meninas a se recuperarem emocionalmente dessas situações traumáticas.

Publicado por Elizabete Possidente

Com uma trajetória multifacetada e dedicada à saúde mental, sou uma médica psiquiatra, cuja jornada profissional é marcada por conquistas e contribuições significativas. Formei-me em Medicina em 1994 e desde então tenho me destacado em diversas áreas da psiquiatria. Minha jornada acadêmica inclui uma residência no Instituto de Psiquiatria da UFRJ, onde aprimorei minhas habilidades e conhecimentos de 1995 a 1996. Prosseguindo em minha formação, obtive o título de Mestre pelo Departamento de Psiquiatria do mesmo instituto, entre os anos de 1997 e 1999, consolidando-me como uma profissional especializada e comprometida com a excelência em minha área de atuação. Ao longo de minha carreira, desempenhei papéis fundamentais em diferentes instituições e contextos. Como supervisora de psiquiatria pela Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, contribuí para o desenvolvimento e aprimoramento de políticas públicas voltadas à saúde mental. Minha expertise como médica perita em psiquiatria no Manicômio Heitor Carrilho e posteriormente na Vara de Execuções Penais da Secretaria Estadual de Justiça evidencia meu compromisso com a justiça e o bem-estar dos pacientes. Além disso, atuei como médica psiquiatra e perita em psiquiatria pelo Ministério da Defesa, tanto no Hospital Central do Exército quanto pela Auditoria Militar, onde minha competência e dedicação foram reconhecidas e valorizadas. Minha influência na comunidade médica estende-se também ao âmbito acadêmico, com participação ativa em congressos nacionais e internacionais, onde compartilho meu conhecimento e experiência com outros profissionais da área. Como autora do livro "Para Pais e Mães Preocupados: Cuidando da Saúde Mental dos Pequenos", publicado pela editora Viseu, demonstro meu compromisso em disseminar informações relevantes e acessíveis sobre saúde mental para um público amplo. Com uma sólida base acadêmica, vasta experiência prática e um compromisso contínuo com a atualização e aprimoramento profissional, sou uma referência respeitada na área da psiquiatria, dedicada a promover o bem-estar e a qualidade de vida de meus pacientes e da comunidade em geral.

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