Por que Devemos Evitar Antidepressivos em Pacientes com Transtorno Bipolar?

Autora: Elizabete Possidente

O uso de antidepressivos em pacientes com transtorno bipolar (tipo I ou II) deve ser evitado ou avaliado com muita cautela, pois pode desencadear ou agravar certos aspectos da doença. Eis os principais motivos:

  1. Risco de virada maníaca ou hipomaníaca
    Em pessoas com transtorno bipolar, os antidepressivos podem induzir episódios de mania ou hipomania. Isso ocorre porque esses medicamentos podem aumentar a atividade dopaminérgica ou noradrenérgica, desequilibrando o humor.
    Esse efeito é mais comum no transtorno bipolar tipo I, mas também pode ocorrer no tipo II.
  2. Ciclagem rápida
    O uso de antidepressivos pode levar ao desenvolvimento de ciclos rápidos (quatro ou mais episódios de alteração de humor por ano). Isso torna o transtorno mais difícil de tratar e aumenta a instabilidade do humor a longo prazo.
  3. Efeito limitado na depressão bipolar
    Estudos sugerem que os antidepressivos isolados não são tão eficazes no tratamento da depressão bipolar quanto são na depressão unipolar. A base neurobiológica das duas condições é diferente, e os antidepressivos podem não tratar a depressão bipolar de forma adequada.
  4. Desregulação do humor
    Alguns pacientes experimentam maior instabilidade do humor ao longo do tempo com o uso de antidepressivos, incluindo aumento da frequência ou intensidade de episódios mistos (em que sintomas de mania e depressão ocorrem simultaneamente).
  5. Preferência por estabilizadores do humor
    Medicamentos como lítio, valproato, lamotrigina ou antipsicóticos atípicos são frequentemente preferidos para tratar a depressão no transtorno bipolar. Eles ajudam a estabilizar o humor sem os riscos associados aos antidepressivos.
    Quando os antidepressivos podem ser usados?
    Em casos muito selecionados, quando os sintomas depressivos são graves e outros tratamentos não funcionaram, antidepressivos podem ser usados combinados com estabilizadores de humor, como o lítio ou valproato, para reduzir o risco de virada maníaca ou ciclagem rápida.
    A escolha do antidepressivo também é importante, com os inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS) sendo geralmente preferidos por apresentarem menor risco de complicações.
    Conclusão:
    Evitar antidepressivos em bipolares é uma medida preventiva para minimizar os riscos de desestabilização do humor. O tratamento do transtorno bipolar requer uma abordagem personalizada, com prioridade para estabilizadores de humor e acompanhamento psiquiátrico cuidadoso.

Publicado por Elizabete Possidente

Com uma trajetória multifacetada e dedicada à saúde mental, sou uma médica psiquiatra, cuja jornada profissional é marcada por conquistas e contribuições significativas. Formei-me em Medicina em 1994 e desde então tenho me destacado em diversas áreas da psiquiatria. Minha jornada acadêmica inclui uma residência no Instituto de Psiquiatria da UFRJ, onde aprimorei minhas habilidades e conhecimentos de 1995 a 1996. Prosseguindo em minha formação, obtive o título de Mestre pelo Departamento de Psiquiatria do mesmo instituto, entre os anos de 1997 e 1999, consolidando-me como uma profissional especializada e comprometida com a excelência em minha área de atuação. Ao longo de minha carreira, desempenhei papéis fundamentais em diferentes instituições e contextos. Como supervisora de psiquiatria pela Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, contribuí para o desenvolvimento e aprimoramento de políticas públicas voltadas à saúde mental. Minha expertise como médica perita em psiquiatria no Manicômio Heitor Carrilho e posteriormente na Vara de Execuções Penais da Secretaria Estadual de Justiça evidencia meu compromisso com a justiça e o bem-estar dos pacientes. Além disso, atuei como médica psiquiatra e perita em psiquiatria pelo Ministério da Defesa, tanto no Hospital Central do Exército quanto pela Auditoria Militar, onde minha competência e dedicação foram reconhecidas e valorizadas. Minha influência na comunidade médica estende-se também ao âmbito acadêmico, com participação ativa em congressos nacionais e internacionais, onde compartilho meu conhecimento e experiência com outros profissionais da área. Como autora do livro "Para Pais e Mães Preocupados: Cuidando da Saúde Mental dos Pequenos", publicado pela editora Viseu, demonstro meu compromisso em disseminar informações relevantes e acessíveis sobre saúde mental para um público amplo. Com uma sólida base acadêmica, vasta experiência prática e um compromisso contínuo com a atualização e aprimoramento profissional, sou uma referência respeitada na área da psiquiatria, dedicada a promover o bem-estar e a qualidade de vida de meus pacientes e da comunidade em geral.

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