Autora: Elizabete Possidente
O uso de antidepressivos em pacientes com transtorno bipolar (tipo I ou II) deve ser evitado ou avaliado com muita cautela, pois pode desencadear ou agravar certos aspectos da doença. Eis os principais motivos:
- Risco de virada maníaca ou hipomaníaca
Em pessoas com transtorno bipolar, os antidepressivos podem induzir episódios de mania ou hipomania. Isso ocorre porque esses medicamentos podem aumentar a atividade dopaminérgica ou noradrenérgica, desequilibrando o humor.
Esse efeito é mais comum no transtorno bipolar tipo I, mas também pode ocorrer no tipo II. - Ciclagem rápida
O uso de antidepressivos pode levar ao desenvolvimento de ciclos rápidos (quatro ou mais episódios de alteração de humor por ano). Isso torna o transtorno mais difícil de tratar e aumenta a instabilidade do humor a longo prazo. - Efeito limitado na depressão bipolar
Estudos sugerem que os antidepressivos isolados não são tão eficazes no tratamento da depressão bipolar quanto são na depressão unipolar. A base neurobiológica das duas condições é diferente, e os antidepressivos podem não tratar a depressão bipolar de forma adequada. - Desregulação do humor
Alguns pacientes experimentam maior instabilidade do humor ao longo do tempo com o uso de antidepressivos, incluindo aumento da frequência ou intensidade de episódios mistos (em que sintomas de mania e depressão ocorrem simultaneamente). - Preferência por estabilizadores do humor
Medicamentos como lítio, valproato, lamotrigina ou antipsicóticos atípicos são frequentemente preferidos para tratar a depressão no transtorno bipolar. Eles ajudam a estabilizar o humor sem os riscos associados aos antidepressivos.
Quando os antidepressivos podem ser usados?
Em casos muito selecionados, quando os sintomas depressivos são graves e outros tratamentos não funcionaram, antidepressivos podem ser usados combinados com estabilizadores de humor, como o lítio ou valproato, para reduzir o risco de virada maníaca ou ciclagem rápida.
A escolha do antidepressivo também é importante, com os inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS) sendo geralmente preferidos por apresentarem menor risco de complicações.
Conclusão:
Evitar antidepressivos em bipolares é uma medida preventiva para minimizar os riscos de desestabilização do humor. O tratamento do transtorno bipolar requer uma abordagem personalizada, com prioridade para estabilizadores de humor e acompanhamento psiquiátrico cuidadoso.
