Obesidade é uma doença?

Obesidade é uma doença inflamatória crônica caracterizada pelo acúmulo de gordura corporal. Está altamente associada a distúrbios psiquiátricos, distúrbios metabólicos, distúrbios cardíacos, diversos tipos de cânceres e osteoartrites.

No Brasil, o número de pessoas com obesidade vem crescendo muito, sendo considerado um problema de saúde pública. Já contabilizam 12,5% dos homens adultos e 16,9% das mulheres adultas com obesidade. Fora que 50% dos adultos tem sobrepeso.

O Ministério da Saúde já refere que a cada 5 pessoas, uma é considerada obesa. Mais da metade das pessoas que vivem nas grandes capitais brasileiras já são obesas.  

Vejo que um dos grandes problemas é a conscientização sobre a obesidade. A população deve ser informada que a obesidade é uma condição crônica. Uma vez obeso sempre terá que ter a atenção a esta situação, assim como ocorre em outras patologias crônicas, como hipertensão arterial e diabetes. Alertar sobre isso é oferecer a chance do indivíduo se tratar e reduzir a chance de desenvolver diversas outras doenças. Alertar que a obesidade é uma doença não é estigmatizar a obesidade como alguns grupos defendem.

Teve uma pesquisa recente nos Estados Unidos que tem mais da metade dos adultos obeso em que só 64% reconheciam a obesidade como doença mas que apenas 54% acreditavam que realmente a obesidade poderia interferir na saúde.  

Portanto, todos os profissionais de saúde independente do que levou o paciente a buscar a ajuda deve avaliar se tem a obesidade e incentivar o paciente a se tratar de forma adequada.  

É fundamental o tratamento da obesidade por ocasionar outras doenças por diversos mecanismos:

  •  fatores mecânicos
  •  compressão de vias aéreas
  •  compressão de órgãos
  •  produção de interleucinas inflamatórias
  •  marcadores que podem levar a câncer
  •  doenças psiquiátricas
  •  redução da qualidade de vida
  •  redução da expectativa de vida

A obesidade está associada com múltiplas patologias. As mais comuns são:

  •  AVC
  • Infarto agudo do miocárdio
  • Apneia obstrutiva do sono
  • Síndrome de hipoventilação
  • Pancreatite
  • Doença do fígado gorduroso não alcoólico
  • Esteatose hepática/Esteatohepatite
  • Cirrose hepática
  • Doença da vesícula biliar
  • Hipertensão intracraniana idiopática
  • Catarata
  • Doença Cardíaca coronária
  • Diabetes mellitus
  • Dislipidemia
  • Hipertensão arterial sistêmica
  • Menstruação anormal
  • Infertilidade
  • Síndrome do ovário policístico
  • Câncer de mama
  • Câncer de útero
  • Câncer de cérvix
  • Câncer de próstata
  • Câncer renal
  • Câncer de cólon
  • Câncer de esôfago
  • Câncer de pâncreas
  • Câncer hepático
  • Alterações de pele
  • Gota
  • Osteoartrite
  • Osteoporose
  • Flebite
  • Estase venosa
  • Insônia
  • Depressão
  • Transtorno bipolar
  • Transtorno de personalidade borderline
  • Transtorno de ansiedade generalizada

O tratamento da obesidade deve ser realizado por uma equipe muitidisciplinar e a interação apropriada entre esses membros da equipe aumentam as chances de um resultado ao longo prazo.

Os membros dessa equipe incluem:

  • Psiquiatra
  • Psicólogo
  • Fisiologista do exercício
  • Educador físico
  • Nutricionista e nutrólogo
  • Endocrinologista
  • Alguns casos, cirurgião bariátrico

É fundamental que descubra o que está gerando o comportamento alimentar disfuncional, e a partir daí criar diversas estratégias para combater o alvo.

Lembrando que o objetivo é perder peso e manter a perda do peso para se tornar um indivíduo mais saudável, melhorando a qualidade de vida e prolongando sua expectativa de vida.

Foto por Gratisography em Pexels.com

Publicado por Elizabete Possidente

Com uma trajetória multifacetada e dedicada à saúde mental, sou uma médica psiquiatra, cuja jornada profissional é marcada por conquistas e contribuições significativas. Formei-me em Medicina em 1994 e desde então tenho me destacado em diversas áreas da psiquiatria. Minha jornada acadêmica inclui uma residência no Instituto de Psiquiatria da UFRJ, onde aprimorei minhas habilidades e conhecimentos de 1995 a 1996. Prosseguindo em minha formação, obtive o título de Mestre pelo Departamento de Psiquiatria do mesmo instituto, entre os anos de 1997 e 1999, consolidando-me como uma profissional especializada e comprometida com a excelência em minha área de atuação. Ao longo de minha carreira, desempenhei papéis fundamentais em diferentes instituições e contextos. Como supervisora de psiquiatria pela Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, contribuí para o desenvolvimento e aprimoramento de políticas públicas voltadas à saúde mental. Minha expertise como médica perita em psiquiatria no Manicômio Heitor Carrilho e posteriormente na Vara de Execuções Penais da Secretaria Estadual de Justiça evidencia meu compromisso com a justiça e o bem-estar dos pacientes. Além disso, atuei como médica psiquiatra e perita em psiquiatria pelo Ministério da Defesa, tanto no Hospital Central do Exército quanto pela Auditoria Militar, onde minha competência e dedicação foram reconhecidas e valorizadas. Minha influência na comunidade médica estende-se também ao âmbito acadêmico, com participação ativa em congressos nacionais e internacionais, onde compartilho meu conhecimento e experiência com outros profissionais da área. Como autora do livro "Para Pais e Mães Preocupados: Cuidando da Saúde Mental dos Pequenos", publicado pela editora Viseu, demonstro meu compromisso em disseminar informações relevantes e acessíveis sobre saúde mental para um público amplo. Com uma sólida base acadêmica, vasta experiência prática e um compromisso contínuo com a atualização e aprimoramento profissional, sou uma referência respeitada na área da psiquiatria, dedicada a promover o bem-estar e a qualidade de vida de meus pacientes e da comunidade em geral.

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