Autora: Elizabete Possidente

A Organização Mundial de Saúde (OMS) associa que cerca de  200 mil mortes por ano no Brasil ao tabagismo. Estima que um terço da população mundial adulta, isto é, 1 bilhão e 200 milhões de pessoas, são fumantes.

As consequências mais comuns  do tabagismo  são: infarto, derrame, câncer, bronquite, enfisema, aneurismas arteriais, úlcera, trombose vascular, disfunção sexual, osteoporose, infecções respiratórias, hipertensão arterial, redução de número de espermatozoides e óvulos (dificuldade em engravidar) e diversas patologias de vias respiratórias.

Quando as mulheres não conseguem parar de fumar durante a gravidez aumentam os riscos de problemas para a mãe e para o bebê. Nascimento prematuro, aborto, problemas na placenta, nascimento de bebês com baixo peso, danos nos vasos sanguíneos do feto, aumento de hipoglicemia e dislipidemia estão entre os principais. Ainda existe o risco do bebê nascer dependente da nicotina.   

A nicotina atua no sistema nervoso central muito rápido, entre 7 e 19 segundos, imitando a ação do neurotransmissor acetilcolina. A acetilcolina e seus receptores estão envolvidos em diversas funções, como movimento muscular de membros e face, na respiração, na frequência cardíaca, no aprendizado e na memória. Também influencia na liberação de diversos hormônios que atuam no humor e no apetite.

A nicotina também ativa áreas envolvidas na produção de dopamina, resultando na sensação de prazer e causando a dependência. Quando se fuma repetidamente, também há o desenvolvimento de tolerância pelo organismo, ou seja, se acostuma aquela quantidade de nicotina e, para ter a mesma sensação, é necessário aumentar a  quantidade da substância.

Quando o vício está formado é muito difícil abandonar o hábito. Uma em cada dez pessoas que decide parar de fumar consegue sucesso sem tratamento médico. Tabagistas podem apresentar diversas queixas ao suspender o uso da nicotina. As mais comuns são : ansiedade, depressão, irritabilidade, cefaleia, insônia, aumento do apetite e mal estar.

Os sintomas da síndrome de abstinência são ruins. Existe tratamento medicamentoso e terapia cognitivo comportamental, que podem atenuar as queixas dessa fase. Adotar  hábitos saudáveis também ajuda muito no tratamento, como uma boa higienização do sono e atividade física regular.

O INCA listou os 8 principais benefícios em parar de fumar e que precisam ser focado pelo tabagista para ajudar a superar a fase de abstinência:

• Após 20 minutos, a pressão arterial e a pulsação normalizam.

• Após 2 horas, não há nicotina no sangue.

• Após 8 horas, o nível de oxigênio normaliza.

• Após 12 a 24 horas, os pulmões melhoram.

• Após 48 horas, o olfato e o paladar melhoram.

• Após 21 dias, a respiração e a circulação melhoram.

• Após um ano, o risco de morte por infarto agudo do miocárdio reduz a 50 %.

• Após 10 anos, o risco de infarto é semelhante a um indivíduo que nunca fumou.

Para ter sucesso em parar de fumar, o dependente de nicotina tem que estar em estado de alerta para identificar e se proteger dos gatilhos que o levam a fumar no dia a dia. Por exemplo, estresse, café, álcool, uma reunião , sentar para escrever o relatório do trabalho etc. É preciso saber que a vontade de fumar dura apenas alguns minutos. Se distraia dessa vontade, por exemplo saindo para caminhar, escove os dentes, chupe gelo e sempre ocupe as mãos (tenha um elástico, papel e caneta , por exemplo), procure um amigo ou se distraia com a rede social para que esses minutos da vontade de fumar passem, e a vontade desapareça.

Não Quanto mais cedo você parar de fumar, menor o risco de doenças. A qualidade de vida melhora muito só em parar de fumar. Como é difícil parar de fumar sozinho, busque ajuda médica e psicológica.

Publicado por Elizabete Possidente

Com uma trajetória multifacetada e dedicada à saúde mental, sou uma médica psiquiatra, cuja jornada profissional é marcada por conquistas e contribuições significativas. Formei-me em Medicina em 1994 e desde então tenho me destacado em diversas áreas da psiquiatria. Minha jornada acadêmica inclui uma residência no Instituto de Psiquiatria da UFRJ, onde aprimorei minhas habilidades e conhecimentos de 1995 a 1996. Prosseguindo em minha formação, obtive o título de Mestre pelo Departamento de Psiquiatria do mesmo instituto, entre os anos de 1997 e 1999, consolidando-me como uma profissional especializada e comprometida com a excelência em minha área de atuação. Ao longo de minha carreira, desempenhei papéis fundamentais em diferentes instituições e contextos. Como supervisora de psiquiatria pela Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, contribuí para o desenvolvimento e aprimoramento de políticas públicas voltadas à saúde mental. Minha expertise como médica perita em psiquiatria no Manicômio Heitor Carrilho e posteriormente na Vara de Execuções Penais da Secretaria Estadual de Justiça evidencia meu compromisso com a justiça e o bem-estar dos pacientes. Além disso, atuei como médica psiquiatra e perita em psiquiatria pelo Ministério da Defesa, tanto no Hospital Central do Exército quanto pela Auditoria Militar, onde minha competência e dedicação foram reconhecidas e valorizadas. Minha influência na comunidade médica estende-se também ao âmbito acadêmico, com participação ativa em congressos nacionais e internacionais, onde compartilho meu conhecimento e experiência com outros profissionais da área. Como autora do livro "Para Pais e Mães Preocupados: Cuidando da Saúde Mental dos Pequenos", publicado pela editora Viseu, demonstro meu compromisso em disseminar informações relevantes e acessíveis sobre saúde mental para um público amplo. Com uma sólida base acadêmica, vasta experiência prática e um compromisso contínuo com a atualização e aprimoramento profissional, sou uma referência respeitada na área da psiquiatria, dedicada a promover o bem-estar e a qualidade de vida de meus pacientes e da comunidade em geral.

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