Grávidas que não se acham bonitas

Autora: Elizabete Possidente

Nem toda gestante se olha no espelho e vê beleza. Algumas se veem estranhas no próprio corpo, como se estivessem temporariamente habitando outra versão de si mesmas — uma versão que incha, muda de pele, de cabelo, de forma, de humor.

E está tudo bem.

A romantização da gravidez, com filtros e legendas inspiradoras, muitas vezes esconde o fato de que essa fase, para muitas mulheres, é repleta de ambivalência: amor e medo, alegria e insegurança, expectativa e exaustão. Sentir-se feia, ou deslocada da própria imagem, é bastante comum. Mas é também um sinal de que precisamos olhar com mais empatia para a saúde mental da gestante.

Como psiquiatra, vejo mulheres que se sentem culpadas por não estarem “radiantes”. Que se cobram um estado de plenitude que não aparece. Algumas estão lutando contra o próprio corpo, outras contra fantasmas antigos que a gravidez despertou.

A autopercepção muda, e nem sempre para melhor. E isso não significa falta de amor pelo bebê ou pela gestação. Significa apenas que aquela mulher continua sendo humana — com história, com traumas, com vaidade, com fragilidade.

Nem toda grávida se acha bonita. Mas toda grávida merece se sentir acolhida.

Publicado por Elizabete Possidente

Com uma trajetória multifacetada e dedicada à saúde mental, sou uma médica psiquiatra, cuja jornada profissional é marcada por conquistas e contribuições significativas. Formei-me em Medicina em 1994 e desde então tenho me destacado em diversas áreas da psiquiatria. Minha jornada acadêmica inclui uma residência no Instituto de Psiquiatria da UFRJ, onde aprimorei minhas habilidades e conhecimentos de 1995 a 1996. Prosseguindo em minha formação, obtive o título de Mestre pelo Departamento de Psiquiatria do mesmo instituto, entre os anos de 1997 e 1999, consolidando-me como uma profissional especializada e comprometida com a excelência em minha área de atuação. Ao longo de minha carreira, desempenhei papéis fundamentais em diferentes instituições e contextos. Como supervisora de psiquiatria pela Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, contribuí para o desenvolvimento e aprimoramento de políticas públicas voltadas à saúde mental. Minha expertise como médica perita em psiquiatria no Manicômio Heitor Carrilho e posteriormente na Vara de Execuções Penais da Secretaria Estadual de Justiça evidencia meu compromisso com a justiça e o bem-estar dos pacientes. Além disso, atuei como médica psiquiatra e perita em psiquiatria pelo Ministério da Defesa, tanto no Hospital Central do Exército quanto pela Auditoria Militar, onde minha competência e dedicação foram reconhecidas e valorizadas. Minha influência na comunidade médica estende-se também ao âmbito acadêmico, com participação ativa em congressos nacionais e internacionais, onde compartilho meu conhecimento e experiência com outros profissionais da área. Como autora do livro "Para Pais e Mães Preocupados: Cuidando da Saúde Mental dos Pequenos", publicado pela editora Viseu, demonstro meu compromisso em disseminar informações relevantes e acessíveis sobre saúde mental para um público amplo. Com uma sólida base acadêmica, vasta experiência prática e um compromisso contínuo com a atualização e aprimoramento profissional, sou uma referência respeitada na área da psiquiatria, dedicada a promover o bem-estar e a qualidade de vida de meus pacientes e da comunidade em geral.

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