Vício em chiclete – Quando mastigar chiclete vira uma necessidade constante

Autora: Elizabete Possidente

O termo “vício em chiclete” pode parecer inofensivo à primeira vista, mas quando o consumo se torna compulsivo, ele pode sinalizar algo maior, como uma forma de aliviar ansiedade, regular a atenção ou até mesmo fazer parte de um padrão comum em pessoas com TDAH. 

Possíveis causas por trás do consumo excessivo de chiclete:

✅ Ansiedade ou estresse
Mastigar chiclete pode ser uma maneira inconsciente de aliviar a tensão. A ação repetitiva e o estímulo oral funcionam como um “escape” emocional.

✅ TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade
Pessoas com TDAH têm uma necessidade maior de movimento e estímulo sensorial constante. O ato de mascar pode ajudar na regulação da atenção por movimento,  funcionando como uma autoestratégia para manter o foco em determinadas tarefas, principalmente em situações de tédio, longas reuniões ou durante os estudos.

Além disso, o chiclete pode ter um efeito que ajudanda a aliviar a inquietação física.

✅ Compulsão oral
Há pessoas que, independentemente de diagnóstico, têm uma tendência a manter a boca ocupada (roer unhas, morder objetos, etc.). O chiclete acaba sendo uma substituição socialmente aceitável.

✅ Transtornos alimentares disfarçados
Algumas pessoas usam o chiclete para enganar a fome, controlar a vontade de comer ou até como uma forma de compensação após episódios de compulsão alimentar.

✅ Comportamentos compulsivos (TOC ou outros)
A repetição pode fazer parte de um quadro maior de compulsão, como TOC ou Transtorno de Controle de Impulsos.

✅ Sensação de prazer momentâneo
O sabor intenso e o ato de mastigar geram uma recompensa sensorial rápida, que pode criar uma busca automática e frequente.

Possíveis riscos do consumo excessivo:

  • Problemas gastrointestinais: Engolir ar (aerofagia) ao mascar pode causar gases e distensão abdominal.
  • Dor ou desgaste na mandíbula (ATM): O uso contínuo pode gerar dor, estalos ou travamento da mandíbula.
  • Problemas dentários: Mesmo os chicletes sem açúcar podem irritar a mucosa bucal ou aumentar a sensibilidade dentária.
  • Distúrbios intestinais: Chicletes com sorbitol  podem causar efeito laxativo se consumidos em excesso.

Quando se preocupar?

Se a pessoa:

  • Não consegue ficar sem chiclete por períodos prolongados;
  • Usa o chiclete de forma automática e excessiva para lidar com emoções ou para manter o foco;
  • Apresenta sintomas físicos relacionados ao uso (dor de cabeça, mandíbula, intestino);
  • Sente angústia ou irritabilidade se não tem um chiclete por perto.

E o que fazer?

✔️ Entender o contexto emocional e comportamental: O que está por trás da necessidade de mascar? Ansiedade? TDAH? Tédio?

✔️ Reduzir gradualmente: Estabelecer um número limite por dia e buscar alternativas.

✔️ Buscar outras formas de autorregulação: Para quem tem TDAH, o ideal é trabalhar estratégias que ajudem no foco e na inquietação física (atividade física, técnicas de atenção plena, uso de objetos de manipulação – os famosos “fidgets”).

✔️ Se necessário, buscar ajuda profissional: Psicólogo, psiquiatra e nutricionista podem ajudar a abordar o problema de forma multidisciplinar.

Publicado por Elizabete Possidente

Com uma trajetória multifacetada e dedicada à saúde mental, sou uma médica psiquiatra, cuja jornada profissional é marcada por conquistas e contribuições significativas. Formei-me em Medicina em 1994 e desde então tenho me destacado em diversas áreas da psiquiatria. Minha jornada acadêmica inclui uma residência no Instituto de Psiquiatria da UFRJ, onde aprimorei minhas habilidades e conhecimentos de 1995 a 1996. Prosseguindo em minha formação, obtive o título de Mestre pelo Departamento de Psiquiatria do mesmo instituto, entre os anos de 1997 e 1999, consolidando-me como uma profissional especializada e comprometida com a excelência em minha área de atuação. Ao longo de minha carreira, desempenhei papéis fundamentais em diferentes instituições e contextos. Como supervisora de psiquiatria pela Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, contribuí para o desenvolvimento e aprimoramento de políticas públicas voltadas à saúde mental. Minha expertise como médica perita em psiquiatria no Manicômio Heitor Carrilho e posteriormente na Vara de Execuções Penais da Secretaria Estadual de Justiça evidencia meu compromisso com a justiça e o bem-estar dos pacientes. Além disso, atuei como médica psiquiatra e perita em psiquiatria pelo Ministério da Defesa, tanto no Hospital Central do Exército quanto pela Auditoria Militar, onde minha competência e dedicação foram reconhecidas e valorizadas. Minha influência na comunidade médica estende-se também ao âmbito acadêmico, com participação ativa em congressos nacionais e internacionais, onde compartilho meu conhecimento e experiência com outros profissionais da área. Como autora do livro "Para Pais e Mães Preocupados: Cuidando da Saúde Mental dos Pequenos", publicado pela editora Viseu, demonstro meu compromisso em disseminar informações relevantes e acessíveis sobre saúde mental para um público amplo. Com uma sólida base acadêmica, vasta experiência prática e um compromisso contínuo com a atualização e aprimoramento profissional, sou uma referência respeitada na área da psiquiatria, dedicada a promover o bem-estar e a qualidade de vida de meus pacientes e da comunidade em geral.

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