Pedágio no Banheiro: Isso é Escola?

Autora: Elizabete Possidente

O ambiente escolar, que deveria ser um espaço de crescimento, respeito e aprendizado, está sendo cada vez mais transformado em palco de disputas de poder e demonstrações de autoridade distorcida. Quando quatro adolescentes se sentem no direito de cobrar “pedágio” para que colegas possam usar o banheiro como ocorreu em uma escola da zona sul do Rio, não estamos apenas diante de uma brincadeira de mau gosto. Estamos assistindo, atônitos, à naturalização da opressão dentro de um espaço que deveria acolher, proteger e educar.

O que esses jovens estão aprendendo sobre convivência, empatia e responsabilidade? Que impor, dominar e humilhar são mais eficazes do que dialogar, cooperar e respeitar? Onde estão os adultos: pais, educadores, gestores que deveriam ser referência de autoridade saudável e limites éticos?

Não se trata apenas de um ato isolado. É reflexo de uma falência mais ampla: quando famílias terceirizam a educação emocional dos filhos e escolas hesitam em exercer seu papel formativo, a consequência é o surgimento de pequenos tiranos, testando os limites do aceitável, confundindo coragem com crueldade e liderança com abuso.

Precisamos, com urgência, resgatar o valor da autoridade que educa e da presença adulta que orienta. Uma escola que permite esse tipo de conduta precisa refletir sobre seus mecanismos de proteção, supervisão e construção de valores. E famílias que minimizam comportamentos agressivos ou desrespeitosos dos filhos precisam entender que estão formando pessoas para viver em sociedade e não para vencer os outros a qualquer custo.

Educar é ensinar que a liberdade de um termina onde começa a dignidade do outro. E que ser forte de verdade é saber usar essa força para proteger, e não para humilhar.

Publicado por Elizabete Possidente

Com uma trajetória multifacetada e dedicada à saúde mental, sou uma médica psiquiatra, cuja jornada profissional é marcada por conquistas e contribuições significativas. Formei-me em Medicina em 1994 e desde então tenho me destacado em diversas áreas da psiquiatria. Minha jornada acadêmica inclui uma residência no Instituto de Psiquiatria da UFRJ, onde aprimorei minhas habilidades e conhecimentos de 1995 a 1996. Prosseguindo em minha formação, obtive o título de Mestre pelo Departamento de Psiquiatria do mesmo instituto, entre os anos de 1997 e 1999, consolidando-me como uma profissional especializada e comprometida com a excelência em minha área de atuação. Ao longo de minha carreira, desempenhei papéis fundamentais em diferentes instituições e contextos. Como supervisora de psiquiatria pela Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, contribuí para o desenvolvimento e aprimoramento de políticas públicas voltadas à saúde mental. Minha expertise como médica perita em psiquiatria no Manicômio Heitor Carrilho e posteriormente na Vara de Execuções Penais da Secretaria Estadual de Justiça evidencia meu compromisso com a justiça e o bem-estar dos pacientes. Além disso, atuei como médica psiquiatra e perita em psiquiatria pelo Ministério da Defesa, tanto no Hospital Central do Exército quanto pela Auditoria Militar, onde minha competência e dedicação foram reconhecidas e valorizadas. Minha influência na comunidade médica estende-se também ao âmbito acadêmico, com participação ativa em congressos nacionais e internacionais, onde compartilho meu conhecimento e experiência com outros profissionais da área. Como autora do livro "Para Pais e Mães Preocupados: Cuidando da Saúde Mental dos Pequenos", publicado pela editora Viseu, demonstro meu compromisso em disseminar informações relevantes e acessíveis sobre saúde mental para um público amplo. Com uma sólida base acadêmica, vasta experiência prática e um compromisso contínuo com a atualização e aprimoramento profissional, sou uma referência respeitada na área da psiquiatria, dedicada a promover o bem-estar e a qualidade de vida de meus pacientes e da comunidade em geral.

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