Autora: Elizabete Possidente e Giuliana Possidente

Amor no Espectro é uma série/documentário da Netflix, em 5 episódios, que aborda jovens autistas buscando um namoro, na Austrália.
Sabemos que pacientes do Transtorno do Espectro Autista (TEA) têm dificuldades de comunicação, interação social, além de comportamentos e interesses repetitivos. A maioria dos jovens entrevistados nunca tiveram um relacionamento, apesar do desejo. Relatam as dificuldades que têm para conseguir investir numa relação de proximidade com alguém e de encontrar seu par romântico dentro das características que idealizam.
Duas especialistas abordam com esses jovens, em atendimentos individuais e em grupos, ferramentas para desenvolver habilidades sociais necessárias para uma amizade ou namoro. Com isso, conseguem trabalhar a confiança e ajudar no enfrentamento do medo do primeiro encontro. Elas dão dicas a cada um deles de como se apresentar, conversar, demonstrar interesse e evitar aquele “silêncio constrangedor” do primeiro encontro.
Enxerguei muitos aspectos positivos nessa série, na direção de reduzir o estigma do TEA. Mostra que eles são pessoas diferentes entre si, com características próprias, o que é desconhecido pela maioria das pessoas. Têm empatia e querem ser respeitados como qualquer outra pessoa. Têm interesses próprios, em muitos casos restritivos, que podem ser trabalhados, para a melhora de autoestima pessoal e profissional. Vemos as dificuldades que apresentam para manter relacionamentos, que podem ser atenuadas com a ajuda profissional e apoio familiar. O sofrimento que muitos enfrentam na maioria dos casos se deve ao diagnóstico tardio e por não serem atendidos por profissionais treinados.
Quando recebem o diagnóstico precocemente o prognóstico é muito favorecido. Ganham a oportunidade de aprender técnicas que facilitam a comunicação verbal e não verbal. Podem entender que são diferentes, mas não são “errados” por se comportarem de modo pouco usual ou terem determinados interesses específicos. Podem conviver com família e amigos que entendem alguns comportamentos normalmente evitados por todos, ou algumas manias que podem incomodar pessoas desinformadas. Algumas situações do cotidiano se tornam estressoras, esses pacientes precisam de ajuda para reduzir a ansiedade e facilitar o enfrentamento.
Muitas mensagens favoráveis são passadas nesse programa, entretanto fiquei um pouco incomodada pela forma infantilizada que foram apresentados alguns personagens da história, como se fosse uma característica do TEA. Mostrar que os jovens com TEA buscam ser amados como qualquer outro jovem é o principal ponto do programa. Poder dar voz a eles vale muito, todos deveriam assistir.

Publicado por Elizabete Possidente

Com uma trajetória multifacetada e dedicada à saúde mental, sou uma médica psiquiatra, cuja jornada profissional é marcada por conquistas e contribuições significativas. Formei-me em Medicina em 1994 e desde então tenho me destacado em diversas áreas da psiquiatria. Minha jornada acadêmica inclui uma residência no Instituto de Psiquiatria da UFRJ, onde aprimorei minhas habilidades e conhecimentos de 1995 a 1996. Prosseguindo em minha formação, obtive o título de Mestre pelo Departamento de Psiquiatria do mesmo instituto, entre os anos de 1997 e 1999, consolidando-me como uma profissional especializada e comprometida com a excelência em minha área de atuação. Ao longo de minha carreira, desempenhei papéis fundamentais em diferentes instituições e contextos. Como supervisora de psiquiatria pela Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, contribuí para o desenvolvimento e aprimoramento de políticas públicas voltadas à saúde mental. Minha expertise como médica perita em psiquiatria no Manicômio Heitor Carrilho e posteriormente na Vara de Execuções Penais da Secretaria Estadual de Justiça evidencia meu compromisso com a justiça e o bem-estar dos pacientes. Além disso, atuei como médica psiquiatra e perita em psiquiatria pelo Ministério da Defesa, tanto no Hospital Central do Exército quanto pela Auditoria Militar, onde minha competência e dedicação foram reconhecidas e valorizadas. Minha influência na comunidade médica estende-se também ao âmbito acadêmico, com participação ativa em congressos nacionais e internacionais, onde compartilho meu conhecimento e experiência com outros profissionais da área. Como autora do livro "Para Pais e Mães Preocupados: Cuidando da Saúde Mental dos Pequenos", publicado pela editora Viseu, demonstro meu compromisso em disseminar informações relevantes e acessíveis sobre saúde mental para um público amplo. Com uma sólida base acadêmica, vasta experiência prática e um compromisso contínuo com a atualização e aprimoramento profissional, sou uma referência respeitada na área da psiquiatria, dedicada a promover o bem-estar e a qualidade de vida de meus pacientes e da comunidade em geral.

Deixe um comentário