Amor no Espectro é uma série/documentário da Netflix, em 5 episódios, que aborda jovens autistas buscando um namoro, na Austrália.
Sabemos que pacientes do Transtorno do Espectro Autista (TEA) têm dificuldades de comunicação, interação social, além de comportamentos e interesses repetitivos. A maioria dos jovens entrevistados nunca tiveram um relacionamento, apesar do desejo. Relatam as dificuldades que têm para conseguir investir numa relação de proximidade com alguém e de encontrar seu par romântico dentro das características que idealizam.
Duas especialistas abordam com esses jovens, em atendimentos individuais e em grupos, ferramentas para desenvolver habilidades sociais necessárias para uma amizade ou namoro. Com isso, conseguem trabalhar a confiança e ajudar no enfrentamento do medo do primeiro encontro. Elas dão dicas a cada um deles de como se apresentar, conversar, demonstrar interesse e evitar aquele “silêncio constrangedor” do primeiro encontro.
Enxerguei muitos aspectos positivos nessa série, na direção de reduzir o estigma do TEA. Mostra que eles são pessoas diferentes entre si, com características próprias, o que é desconhecido pela maioria das pessoas. Têm empatia e querem ser respeitados como qualquer outra pessoa. Têm interesses próprios, em muitos casos restritivos, que podem ser trabalhados, para a melhora de autoestima pessoal e profissional. Vemos as dificuldades que apresentam para manter relacionamentos, que podem ser atenuadas com a ajuda profissional e apoio familiar. O sofrimento que muitos enfrentam na maioria dos casos se deve ao diagnóstico tardio e por não serem atendidos por profissionais treinados.
Quando recebem o diagnóstico precocemente o prognóstico é muito favorecido. Ganham a oportunidade de aprender técnicas que facilitam a comunicação verbal e não verbal. Podem entender que são diferentes, mas não são “errados” por se comportarem de modo pouco usual ou terem determinados interesses específicos. Podem conviver com família e amigos que entendem alguns comportamentos normalmente evitados por todos, ou algumas manias que podem incomodar pessoas desinformadas. Algumas situações do cotidiano se tornam estressoras, esses pacientes precisam de ajuda para reduzir a ansiedade e facilitar o enfrentamento.
Muitas mensagens favoráveis são passadas nesse programa, entretanto fiquei um pouco incomodada pela forma infantilizada que foram apresentados alguns personagens da história, como se fosse uma característica do TEA. Mostrar que os jovens com TEA buscam ser amados como qualquer outro jovem é o principal ponto do programa. Poder dar voz a eles vale muito, todos deveriam assistir.

Publicado por Elizabete Possidente

Formou -se em Medicina em 1994. Foi médica residente do Instituto de Psiquiatria da UFRJ de 1995 a 1996. Defendeu Mestrado em 1997 a 1999 pelo Departamento de Psiquiatria do Instituto de Psiquiatria da UFRJ. Durante muitos anos foi supervisora de Psiquiatria pela Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro. Foi médica perita em Psiquiatria no Manicômio Heitor Carrilho pela Vara de Execuções Penais da Secretaria Estadual de Justiça. Foi médica Psiquiatra e perita em Psiquiatria pelo Ministério da Defesa no Hospital Central do Exército e pela Auditoria Militar. Foi médica Psiquiatra e chefe do serviço de Saúde Mental da Policlínica Newton Alves Cardoso. Tem diversos artigos publicados em revistas médicas. Diversos trabalhos publicados em congressos nacionais e internacionais. Está sempre se atualizando e participando de eventos médicos nacionais e internacionais em Psiquiatria.

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