O vício em jogos eletrônicos vem crescendo muito em todo o mundo. Isto se deve à disponibilidade de acesso (24 horas ao dia) que existe atualmente e a facilidade de não ser necessário sair de casa para jogar.

O vício em games é chamado de “gaming disorder” e é reconhecido como uma doença pela Organização Mundial de Saúde. A 11ª edição da Classificação Diagnóstica Internacional de Doenças, o CID 11 já inclui essa patologia e entrará em vigor a partir do dia 1 de janeiro de 2022.  

O jogador compulsivo de jogos eletrônicos é definido como um padrão de comportamento em que há perda de controle sobre o tempo de jogo, a prioridade dada à atividade em detrimento de outras tarefas e manter o vício apesar de consequências negativas associadas a ele.

A Entertainment Software Association estima que 2,6 bilhões de pessoas no mundo jogam games eletrônicos. A Associação Americana de Psiquiatria calcula que cerca de 1% da população mundial já sofre com esse vício.

Estão mais vulneráveis a dependência em jogos eletrônicos aqueles que iniciaram nos jogos na adolescência, do sexo masculino, deprimidos, ansiosos e de baixa autoestima. Essas pessoas se sentem validadas quando conseguem passar a fase do jogo, é como se o jogo dissesse como ele é incrível.

O tratamento consiste em tratamento psicoterápico cognitivo comportamental e psiquiátrico com uso de drogas psicoativas (especialmente antidepressivos). Também é recomendado o grupo de autoajuda para o dependente e o familiar.

Recentemente o Computer Gamaing Addicts Anonymous (CGAA) chegou no Brasil com duas reuniões semanais pelo zoom. Está previsto encontros presenciais ainda este ano no Rio de Janeiro.  

O CGAA foi formado nos Estado Unidos em 2004, quando um grupo de jogadores compulsivos compartilharam num fórum como os jogos estavam atrapalhando as suas vidas. Durante esses anos foram percebendo que essa ajuda mútua fazia bem. Trocavam dicas para reduzir ou suspender o uso dos jogos eletrônicos. Assim como, auxílio no manejo da ansiedade e dos sintomas de abstinência e do controle dos gatilhos.

 Em 2014 os membros do CGAA decidiram que adaptariam os 12 passos dos Alcoólicos Anônimos (AA) que é baseado no reconhecimento do vício e dos prejuízos causados por ele. Atualmente, o grupo ocorre em diversas partes do mundo, com reuniões on line em inglês, português, espanhol, alemão e russo.

Fique atento alguns sinais que indicam dependência:

– Jogar mais tempo que o razoável com prejuízo nas outras atividades

– A pessoa  não consegue parar para comer ou até esquece de comer.

– Problemas no rendimento escolar ou profissional.

– Aumento nos conflitos familiares

– Não consegue colocar limites no tempo ou na frequência.

– Se afasta das pessoas ou cancela compromissos para jogar.

– Negligencia os cuidados de higiene pessoal para não deixar de jogar.

– Diminuição do tempo de sono

– Irritabilidade quando fica afastado do jogo (sinal de abstinência)

Se você se identificou é tentar diminuir a dose do game e aumentar o impacto positivo de outras atividades que anteriormente gostava no dia a dia, para que o jogo vá perdendo a importância. Se não está conseguindo busque ajuda.  

Publicado por Elizabete Possidente

Com uma trajetória multifacetada e dedicada à saúde mental, sou uma médica psiquiatra, cuja jornada profissional é marcada por conquistas e contribuições significativas. Formei-me em Medicina em 1994 e desde então tenho me destacado em diversas áreas da psiquiatria. Minha jornada acadêmica inclui uma residência no Instituto de Psiquiatria da UFRJ, onde aprimorei minhas habilidades e conhecimentos de 1995 a 1996. Prosseguindo em minha formação, obtive o título de Mestre pelo Departamento de Psiquiatria do mesmo instituto, entre os anos de 1997 e 1999, consolidando-me como uma profissional especializada e comprometida com a excelência em minha área de atuação. Ao longo de minha carreira, desempenhei papéis fundamentais em diferentes instituições e contextos. Como supervisora de psiquiatria pela Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, contribuí para o desenvolvimento e aprimoramento de políticas públicas voltadas à saúde mental. Minha expertise como médica perita em psiquiatria no Manicômio Heitor Carrilho e posteriormente na Vara de Execuções Penais da Secretaria Estadual de Justiça evidencia meu compromisso com a justiça e o bem-estar dos pacientes. Além disso, atuei como médica psiquiatra e perita em psiquiatria pelo Ministério da Defesa, tanto no Hospital Central do Exército quanto pela Auditoria Militar, onde minha competência e dedicação foram reconhecidas e valorizadas. Minha influência na comunidade médica estende-se também ao âmbito acadêmico, com participação ativa em congressos nacionais e internacionais, onde compartilho meu conhecimento e experiência com outros profissionais da área. Como autora do livro "Para Pais e Mães Preocupados: Cuidando da Saúde Mental dos Pequenos", publicado pela editora Viseu, demonstro meu compromisso em disseminar informações relevantes e acessíveis sobre saúde mental para um público amplo. Com uma sólida base acadêmica, vasta experiência prática e um compromisso contínuo com a atualização e aprimoramento profissional, sou uma referência respeitada na área da psiquiatria, dedicada a promover o bem-estar e a qualidade de vida de meus pacientes e da comunidade em geral.

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  1. Como faço para acessar e participar das reuniões semanais? “Recentemente o Computer Gamaing Addicts Anonymous (CGAA) chegou no Brasil com duas reuniões semanais pelo zoom”

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