Hoje uma situação me chamou a atenção, uma como paciente e outra como médica.

Como paciente entrei na farmácia para comprar Fiumicil ID 600 mg, que custava cerca de R$ 70,00. Eu já concluía a compra quando o balconista da farmácia, sem questionamento de minha parte, me mostra uma caixa de medicamento genérico que custa R$ 19,00. Ele insistia e parecia incomodado de eu preferir medicamento do laboratório de minha confiança e de valor mais alto. Lembrei logo de algumas reportagens que vi sobre a bonificação pela venda dos produtos genéricos de algumas indústrias pelos balconistas ou donos de farmácia. Nunca tive a certeza dessanegociação ser realidade, mas por que espontaneamente,com uma farmácia lotada, o balconista estaria tão preocupado com os meus custos?

Em um momento diferente, recebo contato de três pacientes que não estavam bem e que referiram troca por medicamento de receita controlada por genérico, por indicação do balconista. Eu não autorizei nem recomendei a troca, mas as farmácias o fazem. Alegam que tem equivalência farmacêutica, mas não sabem nada nem levam em consideração a equivalência terapêutica.

Vamos dar alguns exemplos situações que poderíamos analisar por essa ética, genérico ou similar. Tem perfume francês que é uma delícia, cheiro agradável, fixa bem na pele. Tem outros são similares, baseado na mesma fragrância, mas o cheiro não é igual e se fixa pouco, logo some. Custa menos da metade do original, será que o balconista também vai falar da sua equivalência? Tem marca de feijão que vem limpinho, cozinha fácil. Existem similares que também tem a mesma quantidade na embalagem. Porém vem cheio de sujeira, às vezes com bichinhos, quebrado e demora muito mais tempo para cozinhar. São iguais, então vale a pena comprar o mais barato?


E assim poderíamos dar muitos exemplos que nos permeiam no nosso cotidiano e que conseguimos enxergar bem as diferenças. Quando falamos em medicamento, o médico faz a adequação ao remédio baseado na quantidade de princípio ativo daquele produto. Se o produto é trocado por um similar, que por lei não precisa ter 100 % de “equivalência” terapêutica será que isso não afeta o tratamento? Claro que sim.

Segue link para reportagem no Fantástico, que abordou esse tema, caso tenham o interesse em assistir.

https://globoplay.globo.com/v/5611541/

Publicado por Elizabete Possidente

Com uma trajetória multifacetada e dedicada à saúde mental, sou uma médica psiquiatra, cuja jornada profissional é marcada por conquistas e contribuições significativas. Formei-me em Medicina em 1994 e desde então tenho me destacado em diversas áreas da psiquiatria. Minha jornada acadêmica inclui uma residência no Instituto de Psiquiatria da UFRJ, onde aprimorei minhas habilidades e conhecimentos de 1995 a 1996. Prosseguindo em minha formação, obtive o título de Mestre pelo Departamento de Psiquiatria do mesmo instituto, entre os anos de 1997 e 1999, consolidando-me como uma profissional especializada e comprometida com a excelência em minha área de atuação. Ao longo de minha carreira, desempenhei papéis fundamentais em diferentes instituições e contextos. Como supervisora de psiquiatria pela Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, contribuí para o desenvolvimento e aprimoramento de políticas públicas voltadas à saúde mental. Minha expertise como médica perita em psiquiatria no Manicômio Heitor Carrilho e posteriormente na Vara de Execuções Penais da Secretaria Estadual de Justiça evidencia meu compromisso com a justiça e o bem-estar dos pacientes. Além disso, atuei como médica psiquiatra e perita em psiquiatria pelo Ministério da Defesa, tanto no Hospital Central do Exército quanto pela Auditoria Militar, onde minha competência e dedicação foram reconhecidas e valorizadas. Minha influência na comunidade médica estende-se também ao âmbito acadêmico, com participação ativa em congressos nacionais e internacionais, onde compartilho meu conhecimento e experiência com outros profissionais da área. Como autora do livro "Para Pais e Mães Preocupados: Cuidando da Saúde Mental dos Pequenos", publicado pela editora Viseu, demonstro meu compromisso em disseminar informações relevantes e acessíveis sobre saúde mental para um público amplo. Com uma sólida base acadêmica, vasta experiência prática e um compromisso contínuo com a atualização e aprimoramento profissional, sou uma referência respeitada na área da psiquiatria, dedicada a promover o bem-estar e a qualidade de vida de meus pacientes e da comunidade em geral.

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