Autora: Elizabete Possidente

Cigarros eletrônicos são também conhecidos como vape, jull e pod. Têm em formato de uma caneta ou de um pen drive. Seu uso se popularizou especialmente entre os jovens.

Os fabricantes propagam que seria uma alternativa aos cigarros convencionais e que poderiam servir para redução do tabagismo. Não existe estudo que comprove isso e nem se há segurança do seu uso.

Os cigarros eletrônicos operam a partir da calefação do líquido, que lança o vapor inalado pelos usuários. A composição do aerossol é determinada pela temperatura e pelas substâncias encontradas no líquido. É comum que o líquido tenha nicotina e outras substâncias como glicerina, aromatizantes, acroleína, propilenoglicol e outras não-nicotínicos. É importante saber que essas substâncias estão presentes mesmo nos cigarros eletrônicos que não contêm nicotina.

O vapor emitido pelos dispositivos pode causar ou elevar as chances a infecções pulmonares conforme o INCA. Pesquisas indicam que os vapes fazem mal à saúde, mesmo no caso das opções sem nicotina.

Os cigarros eletrônicos podem provocar dermatite, doenças cardiovasculares e câncer. 

Os dispositivos  eletrônicos admitem a pessoa a dar mais tragadas em um curto período do que com o cigarro convencional. A nicotina chega no cérebro entre 7 e 19 segundos após a tragada, ocasionando o prazer e levando a dependência e os efeitos nocivos cerebrais mais rapidamente.

Outro risco está relacionado às toxinas presentes no líquido, que estão ligadas a maior risco de câncer de pulmão, estômago e esôfago, formação de placas ateroscleróticas, que eleva a complicações como  acidente vascular cerebral (especialmente em mulheres em uso de  anticoncepcional oral).

Há também indícios de que o vapor emitido pelos cigarros eletrônicos leve metais pesados ao organismo, mas ainda não se sabe exatamente as possíveis consequências desse fator.

Os cigarros eletrônicos não são inofensivos. Além disso está provocando um aumento da experimentação de cigarros eletrônicos entre não fumantes, especialmente os adolescentes, o que leva dependência de nicotina e a maior probabilidade de se tornar um fumante convencional também.

Como médica recomendo os pais e responsáveis a se informarem e conversarem sobre esses dados alarmantes de risco a saúde pelo consumo de vapes. Também reforço que até o momento no Brasil toda comercialização, importação e propaganda de todos os cigarros eletrônicos são proibidos.

Publicado por Elizabete Possidente

Formou -se em Medicina em 1994. Foi médica residente do Instituto de Psiquiatria da UFRJ de 1995 a 1996. Defendeu Mestrado em 1997 a 1999 pelo Departamento de Psiquiatria do Instituto de Psiquiatria da UFRJ. Durante muitos anos foi supervisora de Psiquiatria pela Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro. Foi médica perita em Psiquiatria no Manicômio Heitor Carrilho pela Vara de Execuções Penais da Secretaria Estadual de Justiça. Foi médica Psiquiatra e perita em Psiquiatria pelo Ministério da Defesa no Hospital Central do Exército e pela Auditoria Militar. Foi médica Psiquiatra e chefe do serviço de Saúde Mental da Policlínica Newton Alves Cardoso. Tem diversos artigos publicados em revistas médicas. Diversos trabalhos publicados em congressos nacionais e internacionais. Está sempre se atualizando e participando de eventos médicos nacionais e internacionais em Psiquiatria.

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