Amor e Diálogo Familiar no Dia dos Namorados

Autora: Elizabete Possidente

Hoje, Dia dos Namorados, celebramos o amor adulto – mas também é dia de falar sobre o primeiro amor dos nossos filhos. 💖
Nossos adolescentes vivem descobertas, dúvidas e até sofrimentos no namoro. Mais do que vigiar, precisamos orientar, escutar e acolher.
Pergunte com curiosidade, ouça com respeito e mostre que amor saudável se aprende em casa. 🌹
Compartilhe aqui: como você conversa sobre relacionamentos com seus filhos?”

Importância do Sono das Crianças e Adolescentes

Autora: Elizabete Possidente

Muitas vezes, os pais concentram seus esforços em escolher o melhor curso de idiomas, planejar a alimentação ou estimular atividades extracurriculares — mas acabam deixando de lado um dos pilares mais fundamentais do desenvolvimento: a qualidade do sono. É durante o sono profundo que o “pessoal da faxina” do cérebro entra em ação, eliminando toxinas acumuladas nos neurônios. Nesse mesmo período:

  • Hormônio do Crescimento (GH): há maior liberação, essencial para o crescimento físico.
  • Sistema Imunológico: suas defesas são reforçadas, ajudando a prevenir doenças.
  • Aprendizado e Memória: as novas informações são consolidadas, facilitando a retenção do que foi aprendido durante o dia.

Investir em uma rotina de sono adequada pode prevenir ou atenuar uma série de distúrbios — psicológicos, psiquiátricos e até físicos.

Horas de Sono Recomendadas por Faixa Etária
– Recém-nascido (0–3 meses) 14–17 h
– Bebê (4–11 meses) 12–15 h
– Crianças pequenas (1–2 anos) 11–14 h
– Crianças em idade escolar (6–13 anos) 10–13 h
– Adolescentes (14–17 anos) 8–10 h

Atenção: Crianças raramente apresentam sonolência diurna explícita como os adultos quando sofrem privação de sono.

Consequências da Privação de Sono:

  • Cansaço crônico
  • Desaceleração do crescimento
  • Desânimo e desmotivação
  • Maior número de acidentes por desatenção
  • Irritabilidade e impulsividade
  • Aumento dos níveis de gordura no sangue
  • Sobrepeso e obesidade
  • Piora na regulação emocional
  • Percepção negativa ampliada de estímulos neutros
  • Maior sensibilidade à dor
  • Prejuízo na memória
  • Redução da capacidade de resolução de problemas
  • Risco elevado de insônia crônica na vida adulta

Recomendações para uma Rotina de Sono Saudável:
– Estabeleça horários fixos de dormir e acordar, inclusive nos fins de semana.

-Desligue eletrônicos (tablets, celulares, televisores) pelo menos 1 hora antes de deitar.

-Evite atividades muito estimulantes à noite (brincadeiras agitadas, estudos intensos).

-Crie um ambiente tranquilo: iluminação suave, temperatura amena e ruídos reduzidos.

-Incentive rituais de relaxamento, como leitura leve, música calma ou um banho morno.

  • Monitore a rotina diurna: exercícios físicos regulares (mas não logo antes de dormir) e alimentação equilibrada.

Como responsáveis pela rotina dos filhos, os pais têm um papel fundamental em garantir essas condições. Cuidar do sono desde a infância não só promove saúde física e mental imediata, mas também estabelece bases sólidas para o bem-estar ao longo de toda a vida.

A “Epidemia” de Suplementos Alimentares e o Papel da Ciência

Autora: Elizabete Possidente


🧪💊 Um tema polêmico, atual e urgente.

Na edição do dia 07 de junho de 2025  de O Estado de S. Paulo, a colunista Desirê Coelho aborda uma prática que vem crescendo nas redes sociais: profissionais de saúde que utilizam o jaleco e o discurso pseudocientífico para indicar suplementos sem respaldo, prometendo soluções milagrosas.

🔬 A matéria traz casos reais, como o de uma paciente saudável que recebeu a prescrição de 29 suplementos diferentes. Isso mesmo: vinte e nove.

💰 O lucro se sobrepondo à ética.
📉 A ciência sendo distorcida para convencer e vender.
⚠️ E o mais preocupante: pacientes confiando cegamente nesses discursos, muitas vezes em detrimento da própria saúde.

💬 “A palavra ciência virou escudo para práticas sem evidência.”

📚 Como profissional da saúde, acredito que é nosso dever reforçar o compromisso com a medicina baseada em evidências e o cuidado responsável.

🧠 Informação de qualidade salva vidas. O resto é marketing.

Por que dizer não aos vapes?

Autora: Elizabete Possidente

Vapes são muito nocivos à saúde!

Me preocupa apesar de todo brasileiro saber que o cigarro faz mal a saúde vejo os cigarros eletrônicos ou vapes estarem se disseminando em escalas progressivas entre os jovens.

Assista o vídeo:

TDAH e a Vida Militar: Desafios e Oportunidades

Autora: Elizabete Possidente


O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é caracterizado por sintomas de desatenção, impulsividade e, em alguns casos, hiperatividade, que podem interferir significativamente no dia a dia. Quando associamos tais sintomas às particularidades do ambiente militar — marcado por disciplina, rotina rígida e exigência de foco constante — surgem desafios específicos, porém também oportunidades de manejo e crescimento.
Em ambientes militares, espera‑se que o indivíduo siga rotinas estritas, execute tarefas com alto grau de detalhamento e mantenha atenção sustentada mesmo sob situações de estresse. Para pessoas com TDAH, isso pode significar:

– Dificuldades na adaptação a horários rígidos, levando a atrasos ou esquecimentos de compromissos;

– Baixa tolerância a tarefas repetitivas ou monótonas, prejudicando atividades rotineiras de patrulha ou inspeção;

– Oscilações na capacidade de concentração, especialmente em operações longas que requerem vigilância constante;

– Potencial aumento do estresse, caso o indivíduo perceba repetidas falhas ou receba cobranças por desempenho abaixo do esperado.


Durante recrutamento e seleção, as forças armadas avaliam a aptidão mental e comportamental dos candidatos. A presença de TDAH pode ser considerada em função do grau de comprometimento:

TDAH leve a moderado: muitas vezes não impede a seleção, especialmente se houver controle adequado dos sintomas;

TDAH grave ou não tratado: pode levar à inaptidão para funções que exigem elevada concentração e controle emocional sob pressão, como pilotagem ou comando de equipes em operações críticas.


O sucesso de militares com TDAH depende, em grande parte, de intervenções direcionadas:

– Medicação: estimulantes e não‑estimulantes podem melhorar a atenção e reduzir a impulsividade.

– Terapia comportamental: técnicas de autocontrole, estabelecimento de metas claras e reforço positivo auxiliam na manutenção do foco.

– Manejo de tempo: uso de agendas visuais, alarmes e lembretes eletrônicos para cumprimento de rotinas.

– Treinamento de habilidades executivas: exercícios que desenvolvem planejamento e organização.

Com essas estratégias, muitos indivíduos aprendem a canalizar seus pontos fortes — como energia, capacidade de reação rápida e criatividade sob pressão — em prol de suas atribuições militares.


Paradoxalmente, o ambiente altamente organizado das Forças Armadas pode oferecer elementos benéficos para quem convive com TDAH:

– Rotina e previsibilidade reduzem a sobrecarga de decisões espontâneas;

– Hierarquia clara estabelece regras e limites, facilitando a compreensão de expectativas;

– Sentido de missão e trabalho em equipe promovem engajamento e reforço social positivo, fatores que podem aumentar a motivação e a persistência.


Há um movimento crescente para conscientização e inclusão nas forças armadas:

– Capacitar oficiais e instrutores a reconhecer sinais de TDAH;

– Implementar protocolos de suporte psicológico, garantindo acesso a acompanhamento e acolhimento;

– Promover campanhas educativas que desmistifiquem o transtorno e estimulem uma cultura de inclusão.

Essas iniciativas visam não apenas prevenir a exclusão de candidatos qualificados, mas também otimizar o desempenho e a saúde mental de todos os militares.


Embora o TDAH apresente desafios específicos em contextos militares, o equilíbrio entre tratamento adequado e recursos estruturais das Forças Armadas pode transformar dificuldades em oportunidades de desenvolvimento. Com apoio multidisciplinar — incluindo médicos, psicólogos e instrutores treinados — é possível que indivíduos com TDAH não apenas se adaptem, mas também prosperem em carreira militar, contribuindo de forma única para a missão e o espírito de corpo.

Sugestão de Rotina para Criança com TDAH nos Dias de Aula

A organização, previsibilidade e equilíbrio entre atividades são fundamentais para ajudá-la a se concentrar e desenvolver bons hábitos.

Rotina diária para criança com TDAH:

Manhã (Antes da Escola)

– Acordar no mesmo horário todos os dias

– Higiene pessoal (escovar os dentes, lavar o rosto, pentear o cabelo)

– Tomar café da manhã saudável e nutritivo

– Vestir a roupa da escola (já separada na noite anterior)

– Revisar mochila (checar materiais escolares e lição de casa)

– Tempo livre curto (pode ser música tranquila ou brincadeira rápida antes de sair)

– Sair para a escola com antecedência

Tarde (Após a Escola)

– Almoçar em um ambiente tranquilo

– Pausa de 30-40 min para relaxar (atividade calma, sem telas)

– Hora da lição de casa e estudo (em um local organizado, sem distrações)

– Dividir as tarefas em blocos curtos (20-30 min) com pequenas pausas

– Usar cronômetro ou técnica do pomodoro se necessário

– Revisar o que foi aprendido na escola com supervisão leve dos pais

– Tempo livre estruturado (atividade física, leitura, brincar)

Noite (Rotina de Sono)

– Jantar leve e sem estimulantes (evitar cafeína e muito açúcar)

– Tempo de tela limitado e encerrado pelo menos 1h antes de dormir

– Higiene noturna (banho, escovar os dentes, preparar pijama)

– Preparar mochila e roupa para o dia seguinte

– Atividade calma antes de dormir (leitura, música relaxante, conversa tranquila)

– Hora de dormir regular (Exemplo: entre 20h30 e 21h30)

Essa rotina pode ser adaptada conforme a idade e as necessidades da criança. A consistência e o reforço

Redução de Jornada de Trabalho para Servidores Públicos com Dependentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA)

Autora: Elizabete Possidente

A Lei nº 13.370, de 27 de dezembro de 2016, reconhece o direito dos servidores públicos federais que tenham cônjuge, filho ou dependente portador de deficiência a reduzir sua jornada de trabalho em até 50%, sem necessidade de compensação de horas e sem prejuízo da remuneração. Embora seja norma direcionada ao âmbito federal, decisões judiciais vêm ampliando esse benefício a servidores estaduais e municipais.

Em agosto de 2024, por exemplo, a Justiça autorizou uma servidora da Prefeitura de Limeira (SP) a reduzir sua jornada em 25% para dedicar-se aos cuidados do filho com transtorno do espectro autista, mantendo integralmente seu salário. Da mesma forma, algumas câmaras municipais já editaram legislação própria — como ocorreu em Vitória (ES), onde, em junho de 2021, foi aprovado projeto de lei que concede o mesmo direito aos servidores municipais com filhos autistas.

Como a aplicação efetiva dessa prerrogativa depende de regulamentos locais e de eventuais precedentes judiciais, recomenda-se consultar:

A legislação específica de sua prefeitura ou estado;

Decisões recentes dos tribunais regionais do trabalho ou de justiça administrativa;

Assessoria jurídica especializada, caso não haja norma local ou se for necessário reivindicar esse direito por via judicial.

Grávidas que não se acham bonitas

Autora: Elizabete Possidente

Nem toda gestante se olha no espelho e vê beleza. Algumas se veem estranhas no próprio corpo, como se estivessem temporariamente habitando outra versão de si mesmas — uma versão que incha, muda de pele, de cabelo, de forma, de humor.

E está tudo bem.

A romantização da gravidez, com filtros e legendas inspiradoras, muitas vezes esconde o fato de que essa fase, para muitas mulheres, é repleta de ambivalência: amor e medo, alegria e insegurança, expectativa e exaustão. Sentir-se feia, ou deslocada da própria imagem, é bastante comum. Mas é também um sinal de que precisamos olhar com mais empatia para a saúde mental da gestante.

Como psiquiatra, vejo mulheres que se sentem culpadas por não estarem “radiantes”. Que se cobram um estado de plenitude que não aparece. Algumas estão lutando contra o próprio corpo, outras contra fantasmas antigos que a gravidez despertou.

A autopercepção muda, e nem sempre para melhor. E isso não significa falta de amor pelo bebê ou pela gestação. Significa apenas que aquela mulher continua sendo humana — com história, com traumas, com vaidade, com fragilidade.

Nem toda grávida se acha bonita. Mas toda grávida merece se sentir acolhida.

Responsabilidade Digital: O Papel das Plataformas na Proteção da Adolescência

Autora: Elizabete Possidente

Neste episódio do Anima Podcast Adolescência, discutimos a crucial responsabilidade das plataformas digitais na proteção dos jovens. Conversamos sobre como é essencial que essas empresas se unam aos pais na criação de um ambiente seguro e saudável para os adolescentes. A tecnologia deve ser uma aliada, e a responsabilização das plataformas é um passo fundamental para garantir um futuro mais seguro para nossas crianças. Junte-se a nós para entender como todos podemos contribuir nessa missão!

Pais que Compreendem, Filhos que Confiam

Autora: Elizabete Possidente

Falando sobre Adolescência no Anima Podcast

Autora: Elizabete Possidente

Tive a alegria de participar do Anima Podcast para conversar sobre um tema que me acompanha diariamente — profissional e pessoalmente: a adolescência.

Foi um bate-papo muito rico, em que exploramos os dilemas dessa fase tão intensa da vida, os desafios enfrentados pelos pais, a importância de uma escuta verdadeira e empática, e tantos outros pontos que considero fundamentais para quem convive com adolescentes — seja em casa, na escola ou na clínica.

A adolescência é um período de transformações profundas, e compreendê-la é essencial para construir vínculos mais saudáveis e acolhedores. Nosso objetivo com esse episódio foi justamente lançar luz sobre esse momento da vida e oferecer reflexões práticas e afetivas.

O episódio já está no ar! Fica aqui o convite para assistir, compartilhar com quem possa se beneficiar e, se puder, deixar um comentário no vídeo contando o que achou. Vou adorar saber suas impressões!

Ah, e se tiver sugestões de temas que gostaria de ver por lá, elas também são muito bem-vindas!

Adolescência: mini série

Autora: Elizabete Possidente

A minissérie Adolescência, da Netflix, trouxe à tona discussões fundamentais sobre o mundo dos jovens e a desconexão crescente entre pais, educadores e adolescentes. Inspirada em casos reais de violência juvenil, a trama acompanha Jamie Miller, um garoto de 13 anos acusado de assassinar uma colega de escola, também vítima de bullying e exclusão. No entanto, mais do que o crime em si, o que impacta na narrativa é a ausência de vínculos emocionais genuínos entre Jamie e os adultos ao seu redor. Pais, professores, terapeutas e policiais parecem viver em um mundo onde a escuta e o cuidado se tornaram escassos, enquanto a tensão se acumula sem encontrar espaço para expressão. Em um cenário dominado por algoritmos, mensagens cifradas e influencers misóginos, a série provoca uma reflexão urgente: o que estamos deixando de ver?

A recepção da série entre os pais revelou algo inquietante: muitos perceberam que desconhecem profundamente o que seus filhos pensam, sentem e consomem na internet. Em consulta, relataram espanto ao se darem conta de que não entendem os códigos, emojis e abreviações usados pelos adolescentes. Esse distanciamento não se restringe ao mundo digital; reflete uma desconexão emocional crescente dentro das próprias famílias.

Um dos personagens centrais da série é um policial, pai de um adolescente, que só percebe o quanto desconhece a vida do filho quando decide escutá-lo de verdade. Ele adota uma postura de evitação de conflitos, delegando decisões difíceis à esposa e mantendo-se distante das questões emocionais do filho. Esse comportamento é um reflexo comum da parentalidade moderna, onde a culpa e o medo de impor limites fazem com que muitos pais oscilem entre permissividade excessiva e autoritarismo ineficaz. A dificuldade de encontrar um equilíbrio entre acolhimento e autoridade é um dos maiores desafios da educação na era digital.

Escola: espelho da desorientação adulta

A desorganização emocional dos adultos também se reflete no ambiente escolar. A série retrata uma escola caótica, onde os alunos não se respeitam e os professores perderam a autoridade. As relações são marcadas por tensão e hostilidade, enquanto os jovens criam laços subterrâneos em espaços digitais radicais.

Um dos aspectos mais impactantes é a naturalização do uso irrestrito de celulares. As ameaças, os códigos de exclusão e os vínculos violentos se articulam nessas ferramentas, muitas vezes sem que pais e educadores percebam. Esse fenômeno revela uma impotência institucional preocupante: a proibição formal contrasta com a incapacidade real de mediar e orientar o uso dessas tecnologias, expondo a crise mais ampla da autoridade adulta.

A série também evidencia como padrões de violência simbólica e emocional se perpetuam de maneira sutil. O pai de Jamie, por exemplo, foi vítima de violência física na infância e, sem perceber, reproduziu com o filho a mesma dinâmica de repressão emocional. Ele tentou moldar Jamie como um menino “normal”, forçando-o a praticar esportes e ignorando suas habilidades sensíveis, como o desenho. Essa negação do afeto e da escuta perpetua um ciclo de distanciamento que pode gerar profundas sequelas emocionais.

O apagamento feminino também é um elemento forte na trama. A mãe de Jamie é retratada como uma presença silenciosa, absorvida pelo cansaço e sobrecarga emocional. Essa invisibilidade remete à análise de Byung-Chul Han sobre a ‘sociedade do cansaço’, onde a exaustão transforma a presença feminina em um suporte funcional, sem espaço para a expressão autêntica do cuidado.

Para onde vamos?

Ao longo das últimas semanas, a discussão sobre Adolescência tem sido constante. A série expõe a falência das relações entre adultos e adolescentes e nos leva a refletir sobre a necessidade de uma parentalidade mais consciente e conectada.

Houve um tempo em que os pais se preocupavam com seus filhos ao saírem para festas ou conversarem com amigos na praça do bairro. Hoje, no entanto, muitos sentem uma falsa segurança ao verem os filhos em casa, sem perceberem que estão se perdendo para as redes sociais, expostos a influências nocivas e dinâmicas de exclusão silenciosa. O impacto desse afastamento é evidente no aumento dos casos de ansiedade, depressão e outras condições psiquiátricas entre adolescentes.

A solução passa por construir laços mais fortes dentro de casa, valorizar a escuta ativa e estabelecer um verdadeiro diálogo intergeracional. Mais do que nunca, é essencial que pais e educadores acompanhem de perto a vida dos adolescentes, compreendam seus desafios e estejam presentes de maneira ativa e responsiva.

A pergunta que a série nos deixa é: o que estamos dispostos a fazer para reencontrar nossos jovens antes que seja tarde demais?

Dica de Série: Vinagre de Maçã

Autora: Elizabete Possidente

A minissérie Vinagre de Maçã, baseada em fatos reais, expõe os bastidores obscuros de um caso de charlatanismo médico que ganhou notoriedade. A trama acompanha a ascensão e queda de uma suposta paciente de câncer que se curou com tratamento alternativo, que promoveu tratamentos milagrosos sem qualquer comprovação científica. O caso real por trás da série serve como alerta para o crescimento desenfreado da desinformação na área da saúde, impulsionada por redes sociais e influenciadores que vendem promessas vazias a um público vulnerável.

Esse fenômeno não é isolado. Com a explosão do número de faculdades de medicina e a formação acelerada de profissionais sem especialização adequada, vemos um aumento alarmante de médicos sem RQE (Registro de Qualificação de Especialista) que se autodenominam especialistas. Paralelamente, cresce a influência de figuras midiáticas que promovem tratamentos questionáveis, como suplementos com efeitos milagrosos, soroterapia para qualquer tipo de problema e até práticas duvidosas como enemas “detox”.

Na Psiquiatria, esse problema é ainda mais grave. A promessa de “curas naturais” para transtornos mentais muitas vezes leva pacientes a abandonarem tratamentos baseados em evidências, trocando-os por abordagens sem respaldo científico. Isso coloca vidas em risco, especialmente no caso de transtornos como depressão maior, transtorno bipolar e esquizofrenia.

O avanço do charlatanismo exige uma resposta firme da comunidade médica e das entidades reguladoras. É fundamental que se promova a educação científica da população, desmistificando pseudotratamentos e reforçando a importância de buscar profissionais qualificados. Afinal, saúde não pode ser tratada como um produto de marketing, e muito menos como um espetáculo digital sem responsabilidade.

Quer ouvir meu livro indo para o trabalho?

A Alexa pode fazer isso por você!

Se você comprar a versão e-book do meu livro, pode pedir para a Alexa ler em voz alta. Basta acessar o aplicativo Kindle no celular ou outro dispositivo compatível e solicitar que a assistente leia o livro para você.

Dessa forma, você pode aproveitar o conteúdo enquanto realiza outras atividades, seja em casa, no carro ou em qualquer lugar!

Garanta já o seu e aproveite essa praticidade.

Internação Psiquiátrica

Autora: Elizabete Possidente

A internação psiquiátrica ainda é cercada de estigma, muitas vezes sendo retratada como algo distante ou assustador. No entanto, transtornos mentais devem ser tratados com a mesma seriedade e respeito que qualquer outra condição de saúde. Como médica psiquiatra , vejo diariamente a importância do acolhimento adequado e do acesso a tratamentos especializados, que podem fazer toda a diferença na recuperação. Precisamos avançar no debate sobre saúde mental, combatendo preconceitos e promovendo uma visão mais humanizada do cuidado psiquiátrico.

Tédio: Um Problema ou Uma Oportunidade?

Autora: Elizabete Possidente

O tédio é fundamental para o desenvolvimento da criatividade e da autonomia das crianças. Se seu filho está sempre entediado, isso não significa que você precise entretê-lo o tempo todo—pelo contrário! Ensinar a lidar com o tempo livre ajuda a desenvolver resiliência, imaginação e até habilidades sociais.

No mundo digital de hoje, muitas vezes recorremos às telas para “resolver” o tédio, mas será que isso é realmente benéfico? No meu livro, abordo justamente esse desafio da parentalidade moderna: como equilibrar o uso da tecnologia na infância e adolescência sem abrir mão do desenvolvimento saudável. Se você quer entender melhor como guiar seus filhos nesse cenário, meu livro pode te ajudar!

Possíveis Riscos com Medicamentos Manipulados

Autora: Elizabete Possidente

Os medicamentos manipulados podem ser uma alternativa em algumas situações específicas, mas é fundamental entender os riscos envolvidos. Diferentemente dos medicamentos industrializados, que passam por rigorosos testes de eficácia, estabilidade térmica e esterilidade antes de serem aprovados pela Anvisa, os manipulados são produzidos individualmente, sem a mesma padronização e controle de qualidade.

Isso significa que pode haver variação na concentração dos princípios ativos, comprometendo a eficácia do tratamento. Além disso, a estabilidade do medicamento pode não ser garantida da mesma forma, especialmente quando há exposição a variações de temperatura ou umidade. A ausência de testes rigorosos para cada lote manipulado também aumenta o risco de contaminação ou degradação da fórmula.

Por isso, sempre que possível, prefira medicamentos aprovados pela Anvisa e disponíveis em farmácias de grandes redes, que seguem padrões rígidos de segurança. Investir na sua saúde significa escolher tratamentos confiáveis, com qualidade garantida e respaldo científico.

Limites no Tratamento Psiquiátrico

Autora: Elizabete Possidente

É essencial que o médico estabeleça limites em diversas situações com o paciente, especialmente na Psiquiatria. Assim como os pais precisam impor limites aos filhos para que cresçam com responsabilidade, o psiquiatra também deve manter um equilíbrio entre acolhimento e rigor para garantir o melhor cuidado.

Recentemente, vivi uma situação que ilustra bem essa questão relatada no vídeo abaixo.

Agora, cabe uma reflexão: o que eu, como médica psiquiatra, ganharia ao negar uma receita a uma paciente? Nada. Mas, ao manter um princípio ético e profissional, eu garanto a segurança da paciente e o respeito às normas. Ceder ao desejo imediato de um paciente, em certas situações, pode reforçar comportamentos prejudiciais e até colocar sua saúde em risco.

Estabelecer limites não é sobre autoritarismo, e sim sobre cuidado e responsabilidade.

Inversão de Papéis

Autora: Elizabete Possidente

Quando a mãe permite que o filho adolescente dite a escolha do psiquiatra com base em critérios emocionais ou resistências ao tratamento, pode ocorrer uma inversão de papéis. Isso pode refletir dificuldades na função materna de estabelecer limites e direcionar cuidados. Embora seja importante considerar a opinião do adolescente, cabe ao responsável garantir que a escolha do profissional seja baseada na competência e na necessidade clínica, e não apenas na preferência do jovem.

Por que Devemos Evitar Antidepressivos em Pacientes com Transtorno Bipolar?

Autora: Elizabete Possidente

O uso de antidepressivos em pacientes com transtorno bipolar (tipo I ou II) deve ser evitado ou avaliado com muita cautela, pois pode desencadear ou agravar certos aspectos da doença. Eis os principais motivos:

  1. Risco de virada maníaca ou hipomaníaca
    Em pessoas com transtorno bipolar, os antidepressivos podem induzir episódios de mania ou hipomania. Isso ocorre porque esses medicamentos podem aumentar a atividade dopaminérgica ou noradrenérgica, desequilibrando o humor.
    Esse efeito é mais comum no transtorno bipolar tipo I, mas também pode ocorrer no tipo II.
  2. Ciclagem rápida
    O uso de antidepressivos pode levar ao desenvolvimento de ciclos rápidos (quatro ou mais episódios de alteração de humor por ano). Isso torna o transtorno mais difícil de tratar e aumenta a instabilidade do humor a longo prazo.
  3. Efeito limitado na depressão bipolar
    Estudos sugerem que os antidepressivos isolados não são tão eficazes no tratamento da depressão bipolar quanto são na depressão unipolar. A base neurobiológica das duas condições é diferente, e os antidepressivos podem não tratar a depressão bipolar de forma adequada.
  4. Desregulação do humor
    Alguns pacientes experimentam maior instabilidade do humor ao longo do tempo com o uso de antidepressivos, incluindo aumento da frequência ou intensidade de episódios mistos (em que sintomas de mania e depressão ocorrem simultaneamente).
  5. Preferência por estabilizadores do humor
    Medicamentos como lítio, valproato, lamotrigina ou antipsicóticos atípicos são frequentemente preferidos para tratar a depressão no transtorno bipolar. Eles ajudam a estabilizar o humor sem os riscos associados aos antidepressivos.
    Quando os antidepressivos podem ser usados?
    Em casos muito selecionados, quando os sintomas depressivos são graves e outros tratamentos não funcionaram, antidepressivos podem ser usados combinados com estabilizadores de humor, como o lítio ou valproato, para reduzir o risco de virada maníaca ou ciclagem rápida.
    A escolha do antidepressivo também é importante, com os inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS) sendo geralmente preferidos por apresentarem menor risco de complicações.
    Conclusão:
    Evitar antidepressivos em bipolares é uma medida preventiva para minimizar os riscos de desestabilização do humor. O tratamento do transtorno bipolar requer uma abordagem personalizada, com prioridade para estabilizadores de humor e acompanhamento psiquiátrico cuidadoso.