Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio – 10 de outubro

Autora: Elizabete Possidente

Essa não é uma data de comemoração, mas sim de conscientização sobre esse problema de saúde pública.

Todos os anos cerca de um milhão de pessoas no mundo morrem por suicídio por ano. Isso representa que a cada 40 segundos uma pessoa se mata.  No Brasil temos registrado cerca de 12 mil mortes ao ano por suicídio. É sabido que para cada suicídio, há mais de 20 tentativas.

Cerca de 96,8% dos casos de suicídio estão relacionados a transtornos mentais. As doenças  mais comumente envolvidas são: depressão, bipolaridade, abuso de álcool e de outras substâncias.

O suicídio encontra-se como a segunda causa de mortes entre jovens adultos.

Sabemos que entre 50 e 60% desses casos nunca buscaram tratamento psiquiátrico e cerca de 8 em cada 10 pessoas que comentem suicídio demonstraram algum sinal antes.

Se você se preocupa com alguém e não sabe como ajudá-la. Primeiramente precisa estar disposto a ouvir, com atenção e sem julgamento, deixando a pessoa a vontade para falar sobre os seus sentimentos.  Mostre a ela que alguém se importa com ela. Leve- a s a sério.  É importante saber que uma boa conversa pode ser transformador, mas não substitui o tratamento psiquiátrico.

Em 10 de setembro, convido a todos a levar informações, apoiando a campanha e divulgando na sua rede de amigos matéria sobre o tema. A informação é a melhor forma de prevenção.

Setembro Amarelo: Por que devemos falar sobre suicídio?

Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização sobre a prevenção ao suicídio. Tem como objetivo alertar a população a respeito da realidade do suicídio no Brasil e no mundo, apresentando suas formas de prevenção.
Eu e a neuropsicologa Andrea Silva conversamos sobre o suicídio e o alerta do aumento de mortes por suicídio no Brasil e no mundo.
Falamos de onde surgiu o receio de que falar de suicídio poderia influenciar a outra a cometer ato semelhante?
Como uma publicação de Goethe de 1774 pode estar associado a essa falsa crença? E a ópera de Mozart?
Qual é o impacto na população após o noticiário de mortes por suicídio de famosos na mídia? Como surgiu o Setembro Amarelo? O Por que a fita amarela é o símbolo da campanha? Quando foi que a OMS iniciou a campanha do Setembro Amarelo? Quando o Brasil aderiu a essa campanha? Quais são os fatores de risco para suicídio?
Quais as taxas de Suicídio no mundo e no Brasil?
Quais são as faixas etárias mais comuns?
Quais são os sinais de alerta que devemos ter?
Quais as profissões são mais acometidas por esse tipo de morte?
E muito mais…
A informação é a melhor forma de prevenção. A pessoa que está sofrendo precisa ter noção de que seu sentimento é doença e procurar a ajuda.

Os Maiores Mitos Sobre o Suicídio

Autora: Elizabete Possidente

Nesse artigo cito os principais mitos envolvidos com o tema suicídio e que prejudicam as pessoas buscarem ou serem levadas ao tratamento médico adequado.

  • Se eu perguntar sobre o suicídio, poderei induzir o paciente a isso.    
  • Pessoas que sempre falam que vão se matar, fazem isso para chamar a atenção apenas.
  • Quem quer se matar, faz e não fala. 
  • Se alguém sobrevive à tentativa de suicídio é sinal de que vai ficar tudo bem.
  • Criança não se mata.
  • Quem quer se matar fica triste o tempo todo.
  • Quem se mata é diferente de quem fica só tentando.
  • Nunca vi um caso de suicídio. Acho que nunca vai acontecer próximo a mim.
  • Pessoas religiosas não se matam.
  • Pessoas inteligentes não se matam.
  • Uma vez suicida, sempre suicida, independente do que faço a ele para ajuda -lo.
  • Dificuldades econômicas que levam a uma pessoa a suicídio, se não tem, não cometerá suicídio.
  • Suicídio é coisa de rico, pobre não tem tempo para isso.
  • Suicídio é para pessoas desempregadas, se tem um bom emprego, não cometerá.
  • Quem tenta suicídio é porque não amadureceu ainda, o tempo vai resolver.

Logo, a importância de divulgar informações corretas sobre o Suicídio. A Campanha do Setembro Amarelo criado em 2014 pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e o Conselho Federal de Medicina (CFM) tem como objetivo levar informações para aumentar o conhecimento que é essencial para a prevenção de novos casos, conforme descontróis esses mitos.

Por que Não Usar Cigarro Eletrônico?

Autora: Elizabete Possidente

Hoje é o Dia Nacional de Combate ao Fumo, comemorado em 29 de agosto. A data foi criada em 1986 e marca o reconhecimento do Estado que o tabagismo deva ser enfrentado como um problema de saúde coletiva.  A partir deste ano o Brasil instituiu uma política nacional de combate ao tabagismo em lei.

Isso foi tão importante que em 2021, a população maior de 18 anos que se declarava fumante era de 9% conforme o Ministério da Saúde. Essa mesma pesquisa realizada em 1989 constatava que 35% da população adulta era fumante.

Isso ocorreu graças as campanhas educativas, limites de publicidade e a inserção de fotos nos maços de cigarros e nos locais que têm venda.

Me preocupa apesar de todo brasileiro saber que o cigarro faz mal a saúde vejo os cigarros eletrônicos ou vapes estarem se disseminando em escalas progressivas entre os jovens.

O cigarro tem apresentado uma queda no número de vendas nos últimos anos, mas o inverso está ocorrendo com os cigarros eletrônicos. Apesar de proibido no Brasil, ele já é consumido por quase 20% dos jovens com 18 a 24 anos conforme o Ministério da Saúde.

Os fabricantes e os usuários propagam que seria uma alternativa “menos nociva”. Não é verdade.

Os cigarros eletrônicos operam a partir da calefação do líquido, que lança o vapor inalado pelos usuários. A composição do aerossol é determinada pela temperatura e pelas substâncias encontradas no líquido. É comum que o líquido tenha nicotina e outras substâncias como glicerina, aromatizantes, acroleína, propilenoglicol e outras não-nicotínicos. É importante saber que essas substâncias estão presentes mesmo nos cigarros eletrônicos que não contêm nicotina.

O vapor emitido pelos dispositivos pode causar ou elevar as chances a infecções pulmonares conforme o INCA. Pesquisas indicam que os vapes fazem mal à saúde, mesmo no caso das opções sem nicotina.

Os cigarros eletrônicos podem provocar dermatite, doenças cardiovasculares e câncer. 

Os dispositivos  eletrônicos admitem a pessoa a dar mais tragadas em um curto período do que com o cigarro convencional. A nicotina chega no cérebro entre 7 e 19 segundos após a tragada, ocasionando o prazer e levando a dependência e os efeitos nocivos cerebrais mais rapidamente.

Outro risco está relacionado às toxinas presentes no líquido, que estão ligadas a maior risco de câncer de pulmão, estômago e esôfago, formação de placas ateroscleróticas, que eleva a complicações como  acidente vascular cerebral (especialmente em mulheres em uso de  anticoncepcional oral).

Os cigarros eletrônicos não são inofensivos. Além disso está provocando um aumento da experimentação de cigarros eletrônicos entre não fumantes, especialmente os adolescentes, o que leva dependência de nicotina e a maior probabilidade de se tornar um fumante convencional também.

Como médica no Dia Nacional de Combate ao Fumo reforço que pais   se informem e conversem sobre esses dados alarmantes de risco a saúde pelo consumo de vapes. Também avigoro que até o momento no Brasil toda comercialização, importação e propaganda de todos os cigarros eletrônicos são proibidos.

Depoimento de Duas Meninas com TDAH

Autora: Elizabete Possidente

No dia 13 de julho fui surpreendida por esse vídeo de duas lindas pacientes minhas publicados no Instagram do colégio do Centro Educacional de Toledo. Os pais me contaram que foi uma iniciativa delas de quando souberam que nesse dia é o Dia Mundial do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

São duas irmãs que estão sob meus cuidados para TDAH. No tratamento do TDAH é fundamental o processo de psicoeducação, que consiste no paciente e familiares a conhecerem a patologia TDAH, para criar estratégias para lidar com os sintomas e garantir maior adesão e eficácia do tratamento. Elas deixaram bem claro como o TDAH se manifesta na vida delas, o que me deixou orgulhosa e com a certeza de que estou no caminho certo na ajuda aos meus pacientes.

É fundamental todos saberem que o TDAH impacta negativamente a vida do paciente, podendo levar a consequências ruins durante toda a vida se não houver tratamento.

O Tratamento leva à mudanças positivas na vida dos pacientes acometidos.

Achei incrível essas duas lindas pessoinhas poderem falar sobre o TDAH e receberem apoio dos pais e do colégio.

https://drive.google.com/file/d/1KPeqZ2FcMRdcYaMtEFSTpWnSzBCW-xh8/view

Novo Remédio Para Insônia Aguardando Liberação da Anvisa.

Autora: Elizabete Possidente

Você tem dificuldade para dormir?

Segundo a Associação Brasileira do Sono (ABS), 73 milhões de brasileiros sofrem com insônia. Nos casos mais moderados, pequenas mudanças na rotina bastam para conseguir uma boa noite de sono. Enquanto que nos casos mais graves, é necessário fazer uso de medicamentos prescritos pelo médico.

Muitos desses remédios causam efeitos adversos ou dependência. Isso criou uma demanda por novos fármacos, e abriu espaço para o surgimento do lemborexant, vendido pelo nome comercial de Dayvigo.

O Dayvigo foi aprovado nos Estados Unidos pelo FDA em 2019 e está aguardando a liberação da Anvisa para ser comercializado no Brasil. Pelos estudos parece ser um medicamento eficaz e com melhor tolerabilidade que outros.

Fobia de avião: como acontece e o que podemos fazer para superar esse medo?

Autora: Elizabete Possidente

Você já sentiu medo exagerado de viajar de avião? Esse é um tipo de fobia chamada aerofobia.

Apesar de ser o meio de
transporte mais rápido,
seguro e econômico para
percorrer longas distâncias,
cerca de 35% da
população sofre de medo de viajar de avião.

No Programa Ligado em Saúde , eu e a jornalista Monica Bittencourt conversamos sobre o que diferencia o medo
comum da fobia, como esse
fenômeno acontece e o que
podemos fazer para superar
as fobias.

Assista o programa exibido em 23 de setembro de 2015 :

https://www.canalsaude.fiocruz.br/canal/videoAberto/fobia-medo-de-voar-LES-1806?fs=e&s=cl#

Jornada de Psiquiatria

A APERJ (Associação Psiquiátrica do Estado do Rio de Janeiro) e a ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria) promoveram nos dias 5 e 6/08, no Hotel Hilton, em Copacabana, a Jornada de psiquiatria ‘Estresse, Resiliência e Psicopatologia’. O encontro reuniu especialistas, que palestraram sobre temas como “O Manejo de Estresse, Resiliência e Psicopatologia. o evento reuniu médicos e profissionais da saúde, com o objetivo de disseminar conhecimento e discutir o estresse crônico, que invadiu o mundo nos últimos anos, abrindo portas para inúmeras doenças no campo mental.

https://zeronaldo.com.br/2022/a-jornada-de-psiquiatria-estresse-resiliencia-e-psicopatologia-lota-o-hotel-hilton-em-copacabana/

“Um estudo da OMS de março desse ano mostrou que doenças e transtornos mentais aumentaram em 25% nos últimos anos e pesquisa do instituto Ipsos, encomendada pelo fórum econômico mundial e cedida pela BBC, mostra que 53%, dos brasileiros declarou que seu estado mental piorou muito no último ano, daí a importância de realizar encontros como este, para discutir o tema e compartilhar aprendizados”, comentou Dr. Marcos Gebara, psiquiatra, Presidente da APERJ.

Agosto Lilás

Autora: Elizabete Possidente

O Congresso lançou no dia 3 de agosto a campanha “Agosto Lilás” para comemorar os 16 anos da Lei Maria da Penha e reforçar o combate à violência contra a mulher.

Nesse evento, em mensagem , Maria da Penha, ativista que dá nome à Lei, destacou a importância da educação para que ocorra uma transformação cultural capaz de incentivar o respeito às mulheres e aos seus direitos.

A cada dois minutos uma mulher é agredida no Brasil, e a cada oito horas uma é morta.
Em 2006 foi sancionada a Lei nº 11.340, conhecida por todo o país como Lei Maria da Penha, que busca proteger e assegurar a vida de milhões de mulheres que são vítimas de violência física, moral, sexual, psicológica ou patrimonial.


Não se cale contra a violência doméstica !

Ministério da Saúde Aprova Protocolo para Diagnóstico e Tratamento do TDAH

Autora: Elizabete Possidente

No dia 3 de agosto , o Ministério da Saúde publicou no Diário Oficial da União a aprovação de um protocolo para a realização de diagnóstico, tratamento, controle e avaliação do transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH).

O TDAH é um distúrbio do neurodesenvolvimento e as principais características são: desatenção, hiperatividade e impulsividade. Os sintomas do transtorno iniciam na infância e podem acompanhar a pessoa durante toda a vida.

De acordo com esse documento,as dificuldades costumam surgir quando a criança entra em uma rotina escolar. “As dificuldades, muitas vezes, só se tornam evidentes a partir do momento em que as responsabilidades e a independência se tornam maiores, como quando a criança começa a ser avaliada no contexto escolar ou quando precisa se organizar para alguma atividade ou tarefa sem a supervisão dos pais”, explicou o protocolo.

O diagnóstico de TDAH é frequentemente diagnosticada na infância, mas podem ocorrer casos onde o transtorno pode apresentar sinais mais notórios durante a vida adulta. O diagnóstico do TDAH só pode ser feito por um médico psiquiatra, pediatra ou neurologista conforme o Ministério da Saúde.

Segue o protocolo publicado no Diário Oficial: https://in.gov.br/web/dou

Semana de Aleitamento Materno 2022

Autora: Elizabete Possidente

Entre 1 e 7 de agosto temos a semana de valorização do aleitamento materno.
A amamentação até os seis meses de vida reduz em 13% a mortalidade infantil até os cinco anos, evita diarreia e infecções respiratórias, diminui o risco de alergias, diabetes, colesterol alto e hipertensão, leva a uma melhor nutrição e reduz a chance de obesidade.

A amamentação nessa etapa da vida é de grande importância, pois é o único alimento que contém anticorpos que protegem a criança de infecções comuns enquanto ela estiver sendo amamentada, além de prevenir o surgimento de diversas patologias na vida adulta.

O tema deste ano é “ Educação e Apoio” . O objetivo é que todos sejam envolvidos em proteger, promover e apoiar o aleitamento materno.

Desde 2016, a WAVA alinhou a Semana Mundial do Aleitamento Materno aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas. A amamentação é uma estratégia de melhorar a nutrição, ter segurança alimentar e reduzir as desigualdades entre os países.

sua duração ainda é menor do que a recomendada.

Conforme o Guia Alimentar para Crianças Brasileiras mostra que apesar da amamentação ter elevado no Brasil ainda é muito abaixo do nível desejado pela OMS.

Em 2019, o Estudo Nacional de Alimentação Infantil mostrou que a prevalência da amamentação exclusiva em menores de seis meses foi de apenas 45,8% no Brasil.

O mesmo ocorre no restante do mundo em que as estatísticas estão baixas. Apenas 44% das crianças são amamentadas exclusivamente nos primeiros seis meses de vida, segundo dados de Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) de 2021.

Os 2 primeiros anos de vida são os mais importantes para o crescimento e desenvolvimento da criança, com repercussões ao longo de toda a vida. A recomendação é que o bebê seja amamentado na primeira hora de vida e que seja exclusivo até os 6 meses. Não é recomendado ofertar outros alimentos antes dos seis meses de idade, pois eleva o risco do bebê adoecer e prejudica a absorção de nutrientes importantes existentes no leite materno, como o ferro e o zinco.

É importante também observar e investir na saúde mental da mãe. Nesse momento, é necessário que a mãe e o bebê contem com uma rede de apoio formada por familiares, amigos e instituições, dividindo responsabilidades como tarefas domésticas e cuidados com o bebê.

Metilfolato no Tratamento da Depressão

Autora: Elizabete Possidente

Assista o vídeo onde eu explico em poucos minutos sobre o papel do metilfolato no nosso organismo e no tratamento da depressão.

youtube.com/watch

Mutações no gene da Metilenotetrahidrofolato Redutase (MTHFR) e transtornos psiquiátricos

O gene MTHFR está associado a metabolização da vitamina B9 – ácido fólico. Este gene codifica uma enzima de mesmo nome, a metileno tetrahidofolato que  auxilia na metabolização do ácido fólico em L metilfolato.

O L metilfolato é fundamental em diversas funções do organismo.

O L metilfolato  regulariza a produção de três neurotrasmissores monoaminas: serotonina,dopamina e noradrenalina. Ou seja, o L metilfolato está associado diretamente ao equilíbrio neuroquímico do cérebro. A deficiência de L metilfolato pode estar associado a diversas doenças psiquiátricas, como depressão e ansiedade.

Pacientes portadores de variantes genéticas de MTHFR vão apresentar redução da atividade da enzima MTHFR. Dependendo da mutação pode haver uma redução de 30 a 90% dessa atividade.

O teste genético investiga mutações no gene MTHFR, se existe a presença de polimorfismo C677T e A1298C. A partir disso identificamos o nível da atividade enzimática do MTHFR.

Se houver mutação haverá baixa de L metilfolato que ocasiona baixas dos neurotransmissores serotonina, dopamina e noradrenalina.  Isso pode contribuir para o surgimento de algumas doenças psiquiátricas ou uma resistência a antidepressivos.

Qualidade de Vida e Psiquiatria

O L-metilfolato é um derivado do ácido fólico. Sete vezes mais biodisponível, consegue atravessar a barreira hematoencefálica para atuação cerebral. O ácido fólico, para formar o L–metilfolato, precisa ser processado em diversas cascatas bioquímicas e a chance de problemas na reposição é enorme.

O L-metilfolato ganhou importância com a realização de alguns testes genéticos em pacientes psiquiátricos, que demonstravam gravidade, cronicidade ou resistência medicamentosa. Pode-se observar na prática que algumas mutações nos genes MTHFR C667T e MTHFR A1298C, que são relacionados à diversas doenças psiquiátricas como depressão, ansiedade, TEA, esquizofrenia e transtornos de humor. Pacientes que apresentam essa alteração podem ter, dependendo da mutação, um comprometimento até 70% menor na produção da forma ativa do folato do que outros indivíduos.

Os resultados são bastante promissores quando se utiliza o L-Metilfolato associado com certos medicamentos psiquiátricos. O CanMat (Canadin Network for Mood and Anxiety Treatments) recomenda L-Metilfolato para certos perfis de…

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Não Há Evidências Para Uso da Cannabis Contra Doenças Mentais, diz Associação Brasileira de Psiquiatria

Autora: Elizabete Possidente

A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) publicou um posicionamento oficial em 17 de julho de 2022 sobre o uso de produtos com substâncias extraídas da maconha (cannabis sativa) em tratamentos psiquiátricos.

A ABP recomenda cautela na utilização de derivados da planta, como o canabidiol e o tetrahidrocarbinol (THC). Isso porque até o momento não existem evidências científicas que provem a sua eficácia contra doenças mentais.

O presidente da ABP também ressalta que o uso de substâncias psicoativas da cannabis pode causar dependência química, encadear quadros psiquiátricos ou agravar sintomas de patologias  já diagnosticadas.

O psiquiatra presidente da ABP critica as propagandas que “endossam estudos sobre os possíveis ‘benefícios’ da cannabis, corroborando para interpretações equivocadas e contribuindo para a impressão de que a maconha é um produto totalmente seguro e inofensivo para o consumo, sobretudo pelos mais jovens”.

Esse tipo de propaganda lembra à época em que os cigarros eram comercializados e indicados por parte dos médicos pelo marketing de aumento do bem-estar e redução do estresse.

Não há evidência científica de que o uso de canabidiol possa ter efeito terapêutico nos transtornos mentais. Não se conhece os efeitos colaterais e a probabilidade de dependência.

O médico deve prescrever apenas uma substância quando está garantido a eficácia e a segurança para o paciente e nos seus transtornos psiquiátricos.

O médico em nenhum local do mundo pode se usar medicamento off label. Temos um exemplo recente que foi o uso da cloroquina para o Covid-19 num momento de desespero da pandemia que foi um insucesso.  

A Associação de Psiquiatria Brasileira alerta que faltam de estudos científicos sobre a eficácia e os riscos do uso de cannabis para doenças mentais. Têm estudos demonstrando que o uso de cannabis podem levar a dependência, causar ou agravar doenças mentais.

A ABP alerta “O uso de cannabis está associado à alteração de humor, à depressão, ao transtorno bipolar, aos transtornos de ansiedade, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e à ideação suicida”.

 Publicações científicas estão surgindo mostrando os efeitos negativos na saúde mental dos usuários após a sua legalização.  Recentemente foi publicado na revista científica International Journal of Methods in Psychiatric Research que os surtos psicóticos ligados à cannabis cresceram 30 vezes em Portugal em atendimentos nos hospitais públicos nos últimos 15 anos.

A Anvisa em 2015 publicou uma resolução que pacientes com prescrição médica poderiam importar medicamentos à base de canabidiol. Em 2017, o órgão regulamentou a produção do 1º medicamento com derivado da Cannabis sativa.

Em 2019, a Anvisa aprovou a importação dos extratos de canabidiol e THC para a fabricação no Brasil. Na época foi definido que por causarem risco de dependência e de tolerância (necessidade de aumentar a dose para atingir o mesmo efeito) por isso se trataria de um  remédio de tarja preta.

A Anvisa já liberou 18 produtos com prescrição por médicos em situações de crises convulsivas refratárias e de dores crônicas por doenças oncológicas. O Conselho Federal de Medicina autoriza o uso do CBD (canabidiol) apenas para crianças e adolescentes com epilepsia de difícil tratamento.

Não existem ensaios clínicos publicados em revistas científicas sérias, exceto nos casos de crises convulsivas.

Há um forte interesse econômico. Segundo a projeção realizada pela New Frontier Data, a estimativa do uso medicinal de canabidiol foi estimada em R$ 4,7 bilhões em 36 meses.   

A Gazeta do Povo em agosto de 2021 referiu sobre o interesse do mercado financeiro global na maconha. Conforme análise da consultoria BDSA, publicada em março de 2021, as vendas mundiais cresceram 48% em 2020, em comparação com 2019, e alcançaram US$ 21,3 bilhões. A perspectiva é chegar a 2026 em US$ 55,9 bilhões, uma taxa composta de crescimento anual da ordem de 17%.

Temos que ter muita cautela porque o poder econômico aliado as propagandas nas redes sociais e nos consultórios médicos tem elevado muito o número de prescriçãos apesar da ausência de evidências científicas até o momento.  

Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/nao-ha-evidencias-para-uso-da-cannabis-contra-doencas-mentais-diz-associacao-de-psiquiatria/

Jovens que bebem antes dos 15 anos

Fatores que contribuem para a dependência:

⁃ Fácil acesso

⁃ Associação a diversão e ser “ descolado”.

⁃ História familiar de abuso de álcool

⁃ Contato precoce com a bebida

⁃ Doenças psiquiátricas não controladas

Autora: Elizabete Possidente

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