Autora: Elizabete Possidente

Existe uma correlação significativa entre fibromialgia e os transtornos psiquiátricos.
A fibromialgia é uma doença que atinge cerca de 0,2 % a 5% da população. Afeta mais mulheres, entre 35 e 44 anos de idade. Há dor generalizada nos músculos, tendões e ligamentos, sem inflamação. Existem alguns pontos com maior sensibilidade a dor.
A causa da fibromialgia é multifatorial e se manifesta, principalmente por dores difusas, cansaço, sono não reparador, problemas cognitivos, sintomas ansiosos e/ou depressivos.
Há um fator de herdabilidade de cerca de 50%, sendo que existe 13 vezes maior chance de desenvolver a fibromialgia em parentes de 1º grau.
Vários neurotransmissores parecem estar envolvidos no processo de sensibilização a nível central, que acabam influenciando na modulação da dor, cognição e humor.
O quadro clínico de fibromialgia é a presença de dor crônica por pelo menos 3 meses caracterizado por pontos dolorosos sensíveis a palpação em locais específicos a palpação pelo examinador. Há pelo menos 11 pontos de 18 pontos estabelecidos como critérios diagnósticos da fibromialgia. Sabemos que existem muitas pessoas com o diagnóstico errôneo de fibromialgia realizados por profissionais pouco familarizados com os critérios diagnósticos para a dor da fibromialgia.
Também é necessário a presença de fadiga crônica associado a dor para o diagnóstico. A alteração do sono do tipo não reparador é a disfunção do sono comum e que intensifica a dor quando não corrigido. Sintomas depressivos e/ou ansiosos também estão evidentes. Esses sintomas agravam o quadro de dor, assim como a dor agrava os sintomas de humor.
Também é necessário fazer a exclusão de outras patologias para se firmar o diagnóstico de fibromialgia, como, lúpus, polimialgia reumática, miopatias, espondilite anquilosante, hipotireoidismo, transtorno somatoforme, transtorno depressivo com dor, neuropatias anquilosantes, dentre outros.
O objetivo do tratamento é aliviar a dor e o sono reparador para a qualidade de vida do paciente.
O tratamento não farmacológico consiste em psicoterapia, psicoeducação e atividade física regular. Para aliviar a dor o exercício físico aeróbico deve ser realizado por pelo menos 20 minutos por 2 a 3 vezes na semana.
O tratamento medicamentoso varia conforme o sintoma alvo e o transtorno psiquiátrico presente. Dependendo do caso, pode ser indicado anticonvulsivantes, antidepressivos, ansiolíticos, analgésicos e indutores do sono.
A psicoterapia é sempre indicada para que o paciente consiga identificar e lidar com os estressores que contribuem com o quadro álgico da fibromialgia.
Existe uma correlação significativa entre fibromialgia e os transtornos psiquiátricos, sendo necessário o tratamento multidisciplinar para este paciente.

Publicado por Elizabete Possidente

Com uma trajetória multifacetada e dedicada à saúde mental, sou uma médica psiquiatra, cuja jornada profissional é marcada por conquistas e contribuições significativas. Formei-me em Medicina em 1994 e desde então tenho me destacado em diversas áreas da psiquiatria. Minha jornada acadêmica inclui uma residência no Instituto de Psiquiatria da UFRJ, onde aprimorei minhas habilidades e conhecimentos de 1995 a 1996. Prosseguindo em minha formação, obtive o título de Mestre pelo Departamento de Psiquiatria do mesmo instituto, entre os anos de 1997 e 1999, consolidando-me como uma profissional especializada e comprometida com a excelência em minha área de atuação. Ao longo de minha carreira, desempenhei papéis fundamentais em diferentes instituições e contextos. Como supervisora de psiquiatria pela Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, contribuí para o desenvolvimento e aprimoramento de políticas públicas voltadas à saúde mental. Minha expertise como médica perita em psiquiatria no Manicômio Heitor Carrilho e posteriormente na Vara de Execuções Penais da Secretaria Estadual de Justiça evidencia meu compromisso com a justiça e o bem-estar dos pacientes. Além disso, atuei como médica psiquiatra e perita em psiquiatria pelo Ministério da Defesa, tanto no Hospital Central do Exército quanto pela Auditoria Militar, onde minha competência e dedicação foram reconhecidas e valorizadas. Minha influência na comunidade médica estende-se também ao âmbito acadêmico, com participação ativa em congressos nacionais e internacionais, onde compartilho meu conhecimento e experiência com outros profissionais da área. Como autora do livro "Para Pais e Mães Preocupados: Cuidando da Saúde Mental dos Pequenos", publicado pela editora Viseu, demonstro meu compromisso em disseminar informações relevantes e acessíveis sobre saúde mental para um público amplo. Com uma sólida base acadêmica, vasta experiência prática e um compromisso contínuo com a atualização e aprimoramento profissional, sou uma referência respeitada na área da psiquiatria, dedicada a promover o bem-estar e a qualidade de vida de meus pacientes e da comunidade em geral.

Deixe um comentário