Limites no Tratamento Psiquiátrico

Autora: Elizabete Possidente

É essencial que o médico estabeleça limites em diversas situações com o paciente, especialmente na Psiquiatria. Assim como os pais precisam impor limites aos filhos para que cresçam com responsabilidade, o psiquiatra também deve manter um equilíbrio entre acolhimento e rigor para garantir o melhor cuidado.

Recentemente, vivi uma situação que ilustra bem essa questão relatada no vídeo abaixo.

Agora, cabe uma reflexão: o que eu, como médica psiquiatra, ganharia ao negar uma receita a uma paciente? Nada. Mas, ao manter um princípio ético e profissional, eu garanto a segurança da paciente e o respeito às normas. Ceder ao desejo imediato de um paciente, em certas situações, pode reforçar comportamentos prejudiciais e até colocar sua saúde em risco.

Estabelecer limites não é sobre autoritarismo, e sim sobre cuidado e responsabilidade.

Inversão de Papéis

Autora: Elizabete Possidente

Quando a mãe permite que o filho adolescente dite a escolha do psiquiatra com base em critérios emocionais ou resistências ao tratamento, pode ocorrer uma inversão de papéis. Isso pode refletir dificuldades na função materna de estabelecer limites e direcionar cuidados. Embora seja importante considerar a opinião do adolescente, cabe ao responsável garantir que a escolha do profissional seja baseada na competência e na necessidade clínica, e não apenas na preferência do jovem.

Por que Devemos Evitar Antidepressivos em Pacientes com Transtorno Bipolar?

Autora: Elizabete Possidente

O uso de antidepressivos em pacientes com transtorno bipolar (tipo I ou II) deve ser evitado ou avaliado com muita cautela, pois pode desencadear ou agravar certos aspectos da doença. Eis os principais motivos:

  1. Risco de virada maníaca ou hipomaníaca
    Em pessoas com transtorno bipolar, os antidepressivos podem induzir episódios de mania ou hipomania. Isso ocorre porque esses medicamentos podem aumentar a atividade dopaminérgica ou noradrenérgica, desequilibrando o humor.
    Esse efeito é mais comum no transtorno bipolar tipo I, mas também pode ocorrer no tipo II.
  2. Ciclagem rápida
    O uso de antidepressivos pode levar ao desenvolvimento de ciclos rápidos (quatro ou mais episódios de alteração de humor por ano). Isso torna o transtorno mais difícil de tratar e aumenta a instabilidade do humor a longo prazo.
  3. Efeito limitado na depressão bipolar
    Estudos sugerem que os antidepressivos isolados não são tão eficazes no tratamento da depressão bipolar quanto são na depressão unipolar. A base neurobiológica das duas condições é diferente, e os antidepressivos podem não tratar a depressão bipolar de forma adequada.
  4. Desregulação do humor
    Alguns pacientes experimentam maior instabilidade do humor ao longo do tempo com o uso de antidepressivos, incluindo aumento da frequência ou intensidade de episódios mistos (em que sintomas de mania e depressão ocorrem simultaneamente).
  5. Preferência por estabilizadores do humor
    Medicamentos como lítio, valproato, lamotrigina ou antipsicóticos atípicos são frequentemente preferidos para tratar a depressão no transtorno bipolar. Eles ajudam a estabilizar o humor sem os riscos associados aos antidepressivos.
    Quando os antidepressivos podem ser usados?
    Em casos muito selecionados, quando os sintomas depressivos são graves e outros tratamentos não funcionaram, antidepressivos podem ser usados combinados com estabilizadores de humor, como o lítio ou valproato, para reduzir o risco de virada maníaca ou ciclagem rápida.
    A escolha do antidepressivo também é importante, com os inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS) sendo geralmente preferidos por apresentarem menor risco de complicações.
    Conclusão:
    Evitar antidepressivos em bipolares é uma medida preventiva para minimizar os riscos de desestabilização do humor. O tratamento do transtorno bipolar requer uma abordagem personalizada, com prioridade para estabilizadores de humor e acompanhamento psiquiátrico cuidadoso.

Final de Ano: Reflexões, Conflitos e a Oportunidade de Recomeçar

Autora: Elizabete Possidente

O final de ano é um período de reflexões intensas, onde sentimentos acumulados ao longo do tempo vêm à tona. É comum revisitar emoções guardadas, questionar relacionamentos e lidar com conflitos pessoais e familiares. Muitos enfrentam sentimentos de angústia, insatisfação e pressão social, exacerbados pela comparação nas redes sociais e pela expectativa de reavaliação de suas vidas. Essa fase pode gerar ansiedade, insônia e comportamentos compensatórios, como consumo excessivo, comer e beber compulsivo  ou isolamento. Porém, também é uma oportunidade para organizar as “gavetas emocionais”, rever prioridades, resolver pendências e estabelecer um novo equilíbrio para o próximo ciclo.

Você já se sentiu perdido ao lidar com as birras de seu filhos?

Autora: Elizabete Possidente

Muitos pais e cuidadores enfrentam dificuldades ao tentar impor limites sem abrir mão do carinho, mas é possível equilibrar firmeza e afeto na educação.

Meu livro foi pensado para oferecer estratégias práticas e cientificamente embasadas para lidar com esses momentos desafiadores. Aqui, você encontrará ferramentas para educar sem reforçar comportamentos negativos, promovendo um ambiente onde o respeito e o amor caminham juntos.

Educar é muito mais que disciplinar: é um ato de amor e coragem. Ao compreender melhor o comportamento infantil e adaptar sua abordagem, você pode transformar conflitos em momentos de aprendizado e conexão.

Descubra como enfrentar esses desafios e construir uma relação mais saudável e fortalecedora com seu filho!

Superproteção: Quando o Cuidado Excede e Prejudica o Desenvolvimento Infantil

Autora: Elizabete Possidente

Proteger os filhos é uma responsabilidade natural dos pais, mas a superproteção pode trazer mais prejuízos do que benefícios ao desenvolvimento deles. A superproteção, apesar de ser bem-intencionada, pode impedir que as crianças aprendam a lidar com frustrações, a desenvolver autonomia e a adquirir habilidades importantes para a vida.

O Cérebro em Formação: Cuidando das Informações e Sentimentos das Crianças

Autora: Dra Elizabete Possidente


O cérebro é o único órgão que nasce em formação e cresce com base nas experiências, informações e emoções que vivenciamos. É fundamental termos cuidado com os registros emocionais e cognitivos que oferecemos aos nossos filhos, pois esses momentos moldam não apenas o presente, mas também a saúde mental e emocional futura deles. 🌱🧠 Compartilho aqui um trecho da palestra onde abordo essa temática essencial para pais, educadores e profissionais da saúde. Vamos juntos refletir e construir um futuro mais consciente!

Palestra: Como Cuidar da Saúde Mental dos Filhos

Autora: Elizabete Possidente

Em novembro tive a honra de realizar a palestra “Como cuidar da saúde mental dos filhos” na Igreja Batista Marapendi. Foi um momento muito especial, com a presença de diversas pessoas na plateia e uma transmissão ao vivo pelo canal do YouTube da igreja, ampliando o alcance desse tema tão importante.

Durante a palestra, discutimos estratégias práticas e reflexões sobre como promover um ambiente emocionalmente saudável para as crianças e adolescentes, destacando a importância do diálogo, da empatia e do cuidado integral. A participação ativa do público, com perguntas e comentários, tornou o evento ainda mais rico e interativo.

Para quem não pôde estar presente ou deseja rever os momentos, a palestra está disponível no canal da Igreja Batista Marapendi no YouTube. Confira e compartilhe com outras famílias que possam se beneficiar deste conteúdo.

Agradeço à Igreja Batista Marapendi pela oportunidade e a todos que participaram presencialmente ou online. Juntos, podemos construir um futuro mais saudável para nossas famílias!

Ansiedade de Performance

Autora: Elizabete Possidente

Ansiedade de performance é o medo intenso ou preocupação com a avaliação negativa ao realizar uma tarefa, geralmente em situações de alta pressão, como apresentação. Isso pode prejudicar o desempenho e causar sintomas físicos e emocionais.

Um Narcisista que Reflete ás Dinâmicas Tóxicas dos Relacionamentos: JP de Mal de Família

Autora: Elizabete Possidente

J P, na série da Apple TV de Mal de Família, é um exemplo clássico de um narcisista, cujas ações e comportamentos refletem características centrais desse traço de personalidade. Ele demonstra uma necessidade de ser o centro das atenções e de controlar as dinâmicas ao seu redor. Seu incômodo com a felicidade alheia é causado pela insegurança que frequentemente está por trás do narcisismo.
Características do Narcisismo de JP

  1. Incapacidade de sentir empatia
JP parece incapaz de se alegrar pelas conquistas ou momentos felizes dos ouros,mesmo da própria família. Isso acontece porque ele enxerga a felicidade dos outros como uma ameaça à sua posição de destaque. Para um narcisista, tudo é uma competição e o sucesso ou alegria dos outros reduz o seu brilho.
  2. Comportamento manipulador
Ele tende a sabotar ou minimizar momentos de alegria dos outros, seja com comentários sarcásticos, seja criando situações que desviem a atenção para si. Essa manipulação geralmente é sutil, como uma crítica disfarçada de preocupação, ou explícita, quando ele causa conflitos familiares para assumir o controle.
  3. Busca incessante por validação
JP frequentemente busca elogios ou reconhecimento, mas não retribui essas atitudes. Ele exige que a sua superioridade seja reafirmada, e a felicidade dos outros o lembra de sua própria fragilidade emocional.
  4. Inveja e ressentimento
A felicidade ou o sucesso dos outros desperta em JP um sentimento de inveja. Esse ressentimento pode se manifestar em tentativas de desqualificar os outros, ridicularizar suas conquistas ou criar situações que tirem deles o protagonismo.

O comportamento de um narcisista cria um ambiente tóxico, onde os membros da família se sentem constantemente julgados ou em alerta. Sua dificuldade em lidar com a felicidade alheia faz com que os outros suprimam seus momentos de alegria para evitar conflitos. Isso gera um ciclo de tensão, com a família tentando acomodar JP, enquanto ele perpetua sua visão egocêntrica.

O narcisismo pode corroer os laços familiares. Embora o personagem provavelmente tenha motivações mais profundas, como inseguranças e traumas não resolvidos, sua incapacidade de ver a alegria dos outros sem reagir negativamente é um elemento que reforça o conflito na série.

Convite Especial: Palestra “ Como Cuidar da Saúde Mental dos Filhos”

Olá, pais, futuros pais e avós,

É com imensa alegria que convido vocês para um encontro especial, onde abordaremos juntos um tema essencial: a saúde mental das crianças.
Sabemos que criar e cuidar dos pequenos é um grande desafio, e entender como protegê-los emocionalmente é uma das chaves para um desenvolvimento saudável e feliz.

Data: 30 de novembro
Horário: 10h
Local: O2 Corporate & Offices
Av. Paisagista José Silva de Azevedo Neto, nº 200, Bloco 09 – Subsolo (ao lado da academia BodyTech) na Igreja Batista Marapendi

Será um momento de troca e aprendizado, e quero compartilhar com vocês os principais insights do meu livro: “Para pais e mães preocupados: cuidando da saúde mental dos pequenos”.

Entrada franca.
Sejam muito bem-vindos, e tragam suas dúvidas e experiências para enriquecer ainda mais nossa conversa.

Espero por vocês!

Dra. Elizabete Possidente
Médica Psiquiatra
Mestre em Psiquiatria pela UFRJ

Diferenças Entre Canabidiol Medicamento e Suplemento Alimentar: Regulamentação, Segurança e Eficácia

Autora: Elizabete Possidente


O canabidiol (CBD), um composto não psicoativo da planta Cannabis sativa, tem movido crescente relevância por sua possível capacidade terapêutica em algumas situações, epilepsia e dor crônica. No entanto, o CBD pode ser comercializado de duas formas diferentes como medicamento ou como suplemento alimentar. Entender as diferenças entre essas esferas é fundamental para quem deseja fazer uso seguro e eficaz desse produto. Resumo as principais diferenças entre o canabidiol como medicamento e suplemento alimentar, incluindo sua regulamentação, segurança e disponibilidade nas farmácias.

  1. Regulamentação e Aprovação
    Canabidiol Como Medicamento
    O CBD como medicamento passa por processos rigorosos de regulamentação e aprovação por autoridades sanitárias, como a ANVISA no Brasil, e a FDA, nos Estados Unidos. Essas agências exigem que o medicamento passe por ensaios clínicos e testes extensivos para assegurar a segurança, eficácia e qualidade do produto.

Processo de aprovação: Testes clínicos rigorosos em humanos são necessários, garantindo que o produto seja seguro e eficaz para o tratamento de uma condição específica.
Controle de qualidade: Esses medicamentos são fabricados com um padrão de qualidade controlado e passam por testes que verificam a concentração exata de CBD, garantindo a ausência de contaminantes, como metais pesados, pesticidas e fungos.
Prescrição médica: É necessário obter receita médica para adquirir o CBD como medicamento. No Brasil, medicamentos à base de canabidiol estão disponíveis em grandes redes de farmácias mediante prescrição.

Canabidiol Como Suplemento Alimentar
Por outro lado, o CBD vendido como suplemento alimentar segue regulamentações menos rigorosas na maioria dos países, incluindo o Brasil. Suplementos não precisam de aprovação para eficácia antes de entrarem no mercado, o que pode comprometer a qualidade e a padronização dos produtos.

Processo menos rigoroso: Em geral, não há necessidade de ensaios clínicos para comprovar a segurança e a eficácia do suplemento.
Menor controle de qualidade: Muitos suplementos de CBD apresentam variação na concentração do princípio ativo, podendo conter concentrações diferentes do que está declarado no rótulo, além de possíveis contaminantes.
Disponibilidade: Suplementos de CBD podem ser encontrados em lojas de produtos naturais ou online, sem a necessidade de prescrição médica controlada, azul ou amarela. Podem ser importados também.

  1. Concentração de CBD e Componentes Adicionais
    O canabidiol como medicamento é padronizado para conter uma concentração exata de CBD, enquanto os suplementos podem ter variações. Medicamentos à base de canabidiol frequentemente contêm apenas CBD, sem a presença de THC (tetra-hidrocanabinol), que é o composto responsável pelos efeitos psicoativos. Suplementos, por outro lado, podem conter quantidades traço de THC, além de outros canabinoides e terpenos, apesar de não estar escrito no rótulo.
  2. Eficácia e Indicações Terapêuticas
    Medicamento
    Os medicamentos de CBD são desenvolvidos para tratar condições específicas, como epilepsia refratária, esclerose múltipla e sintomas relacionados a dores crônicas e ansiedades graves. O uso como medicamento permite doses controladas e específicas para cada condição, oferecendo maior previsibilidade e segurança quanto aos efeitos terapêuticos.

Suplemento Alimentar
Como suplemento, o CBD é amplamente utilizado por pessoas que buscam benefícios para o bem-estar geral, como redução do estresse e melhora do sono. No entanto, a eficácia dos suplementos de CBD para essas indicações é menos documentada, com poucos estudos clínicos que avaliem seus efeitos nessas doses não padronizadas.

  1. Segurança e Efeitos Colaterais
    Medicamento
    Como medicamento, o canabidiol é submetido a testes que também identificam potenciais efeitos colaterais. Estudos clínicos permitem aos médicos identificar interações medicamentosas e contraindicações específicas para determinados grupos de pacientes, especialmente em crianças e idosos.

Suplemento Alimentar
Por não passarem por testes clínicos extensivos, os suplementos de CBD têm uma base de segurança mais limitada. Consumir suplementos com concentrações incertas pode resultar em efeitos colaterais inesperados, como sonolência, alterações no apetite e até interação com outros medicamentos. Em certos casos, a presença de contaminantes nos suplementos de CBD pode representar riscos adicionais para a saúde.

  1. Disponibilidade em Grandes Redes de Farmácia
    No Brasil, os medicamentos à base de canabidiol podem ser encontrados nas principais redes de farmácias, mediante prescrição médica. Isso inclui produtos importados e nacionalmente regulamentados pela Anvisa, que são liberados para condições específicas e supervisionados em termos de qualidade e procedência. A compra em farmácias também garante que o produto está acordado com as regulamentações sanitárias.

Os suplementos de CBD, por sua vez, não são encontrados em farmácias tradicionais e, geralmente, estão disponíveis apenas em lojas importadas, ou de produtos naturais ou online. A aquisição desses produtos fora de farmácias aumenta o risco de obter produtos sem qualidade garantida ou até falsificados.

Embora o canabidiol medicamento e suplemento alimentar possam parecer equivalentes, as diferenças em regulamentação, concentração, eficácia e segurança são importantes. Para quem busca um tratamento com CBD, o uso do medicamento é recomendado, pois oferece segurança, eficácia comprovada e padronização.

Optar por CBD como medicamento, especialmente disponível em grandes redes de farmácias, é a escolha mais segura para quem busca um tratamento com respaldo científico e supervisão médica.

Hipersensibilidade Sensorial: O Que é, Causas, Diagnóstico Diferencial e Tratamento

Autora: Elizabete Possidente e Giuliana Possidente
A hipersensibilidade sensorial é uma condição em que a pessoa apresenta uma reação exagerada a estímulos sensoriais como som, luz, toque, cheiro ou sabor. Esse fato pode impactar em damasia a qualidade de vida e está associado a vários transtornos neuropsiquiátricos, sendo especialmente prevalente em condições como o transtorno do espectro autista (TEA), transtorno de processamento sensorial (TPS), transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e alguns transtornos de ansiedade.

Na hipersensibilidade sensorial, estímulos sensoriais comuns se tornam incômodos, avassaladores ou até dolorosos. Por exemplo, uma pessoa com hipersensibilidade auditiva pode se incomodar com ruídos considerados normais, como o barulho de um liquidificador ou mesmo conversas em voz alta. Da mesma forma, uma pessoa com hipersensibilidade ao toque pode sentir desconforto ao vestir certos tecidos ou ao ser tocada levemente.

Esse fenômeno decorre de um processamento sensorial exacerbado no sistema nervoso, onde o cérebro interpreta estímulos comuns como ameaçadores, levando a uma resposta de alarme que pode resultar em ansiedade, irritação e evasão de certos ambientes ou situações.

As causas exatas da hipersensibilidade sensorial ainda não são completamente compreendidas, mas alguns fatores conhecidos incluem:

  • Condições neurológicas: A hipersensibilidade sensorial é bastante comum em pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) e pode estar associada a dificuldades no processamento sensorial.
    – Genética: Estudos sugerem que a genética desempenha um papel na forma como o sistema nervoso processa os estímulos sensoriais.
    – Distúrbios de saúde mental: Indivíduos com transtornos de ansiedade, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e TDAH frequentemente apresentam hipersensibilidade a estímulos específicos.
    – Experiências traumáticas: Experiências traumáticas podem exacerbar a percepção sensorial, levando a uma hipersensibilidade em ambientes que remetam ao evento traumático.
    – Alterações no sistema nervoso central: Alterações na estrutura e função do cérebro podem influenciar o modo como os estímulos são processados e percebidos, resultando em hipersensibilidade.

A avaliação e o diagnóstico diferencial são essenciais para distinguir a hipersensibilidade sensorial de outras condições sensoriais e neurológicas. Entre as condições que podem ser confundidas com a hipersensibilidade sensorial estão:

  • Transtorno do Espectro Autista (TEA)
    – Transtorno de Processamento Sensorial (TPS)
    – Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)
    – Ansiedade Generalizada e Transtornos de Ansiedade
    – Sinestesia

O diagnóstico é realizado através de uma avaliação clínica completa, que inclui entrevista com o paciente, observação comportamental e, em alguns casos, testes sensoriais.

O tratamento da hipersensibilidade sensorial é multidisciplinar e envolve diferentes abordagens, incluindo:

Terapia Ocupacional: A terapia ocupacional, especialmente com um terapeuta especializado em integração sensorial, é uma das abordagens mais eficazes. Técnicas de dessensibilização e exercícios de integração sensorial são utilizados para ajudar o paciente a tolerar melhor certos estímulos.


Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): A TCC pode ajudar o indivíduo a desenvolver estratégias de enfrentamento para lidar com a hipersensibilidade, além de reduzir a ansiedade associada.


Exposição Controlada: A exposição gradual e controlada aos estímulos desencadeantes pode ajudar o cérebro a se acostumar com eles, diminuindo gradualmente a resposta exagerada.


Medicação: Em alguns casos, medicações como ansiolíticos e antidepressivos podem ser prescritas para reduzir os sintomas de ansiedade ou depressão que surgem como resposta à hipersensibilidade.


Modificações no Ambiente: Reduzir estímulos sensoriais no ambiente pode ajudar a minimizar o desconforto, como uso de fones de ouvido, luzes de baixa intensidade, filtros auditivos e roupas com tecidos confortáveis.


Educação e Apoio Familiar: O suporte de familiares e amigos e a compreensão sobre a condição são essenciais para criar um ambiente seguro e acolhedor para a pessoa com hipersensibilidade sensorial.

A hipersensibilidade sensorial é uma condição complexa que pode levar a um prejuízo na qualidade de vida mas com um tratamento adequado, é possível desenvolver uma melhor adaptação aos estímulos sensoriais.

Procrastinação

Autora: Elizabete Possidente

A procrastinação é um comportamento comum em pessoas com TDAH e pode ter um impacto significativo na vida delas. Uma curiosidade interessante é que a procrastinação não é simplesmente uma questão de preguiça ou falta de organização, mas pode estar relacionada à dificuldade de regular as emoções e o tempo. Pessoas com TDAH muitas vezes procrastinam porque tarefas podem parecer avassaladoras ou não suficientemente estimulantes, o que dificulta o início ou a conclusão. Esse atraso pode aumentar o estresse e a ansiedade, criando um ciclo vicioso que reforça ainda mais a procrastinação.

O alerta aqui é que, para quem tem TDAH, é essencial buscar estratégias específicas para gerenciar o tempo e as tarefas, como dividir grandes projetos em etapas menores, utilizar lembretes frequentes, e buscar suporte terapêutico para aprender a lidar melhor com essas dificuldades. Reconhecer que a procrastinação pode ser uma manifestação do TDAH é o primeiro passo para quebrar esse ciclo e melhorar a produtividade e o bem-estar.

Transtorno Opositor Desafiador (TOD) em Adultos

Autora: Elizabete Possidente

Transtorno Opositor Desafiador (TOD) é mais frequentemente diagnosticado em crianças e adolescentes. Em alguns casos, pode persistir na vida adulta ou ser reconhecido tardiamente, especialmente quando não tratado na infância.

Sintomas comuns do TOD em adultos:

  • Comportamento desafiador e provocador: Tendem a se opor a figuras de autoridade.
  • Irritabilidade e raiva: Frequentemente respondem de forma exacerbada a frustrações, com explosões verbais ou discussões.
  • Dificuldade em aceitar críticas: Demonstram reatividade e resistência a feedbacks.
  • Negativismo constante: Tendem a ser pessimistas ou expressar insatisfação contínua.
  • Recusa em seguir regras sociais: Podem apresentar dificuldades em seguir normas no ambiente de trabalho, acadêmico ou familiar.

Geralmente, indivíduos com TOD buscam ajuda não por reconhecerem os sintomas acima, mas por dificuldades nos relacionamentos interpessoais, seja no trabalho, na família ou com amigos.

É essencial que o profissional de saúde mental avalie a presença de comorbidades psiquiátricas, como:

  • Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)
  • Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)
  • Transtorno Afetivo Bipolar
  • Depressão
  • Transtornos de personalidade

Além disso, é necessário realizar o diagnóstico diferencial com Transtorno de Personalidade Borderline e Transtorno de Personalidade Antissocial.

Tratamento

O tratamento inclui uma combinação de psicoterapia e, quando necessário, medicamentos para comorbidades associadas, pois não há fármacos específicos para o TOD.

  • Psicoterapia: Ajuda a desenvolver habilidades sociais e estratégias para controle da raiva.
  • Treinamento em habilidades sociais: Melhora a assertividade e a comunicação sem agressividade.
  • Envolvimento da família e parceiros: Contribui para a compreensão e o manejo do transtorno.

Muitos adultos com TOD não recebem diagnóstico na infância e apenas percebem o impacto do transtorno quando enfrentam dificuldades significativas na vida adulta, especialmente em relacionamentos e no trabalho. O tratamento adequado é fundamental para evitar que o comportamento opositor leve ao isolamento ou a prejuízos sociais e profissionais.

Já Ouviu Falar em Atenção Seletiva?

Autora: Elizabete Possidente

Você já ouviu falar em atenção seletiva? Esse vídeo demonstra perfeitamente como ela funciona. No início, somos convidados a contar quantos passes de bola são feitos pelos jogadores de camisa branca. Estamos tão concentrados na tarefa que muitos de nós não percebemos algo impressionante. Algo que está lá o tempo todo, mas a nossa atenção focada nos impede de enxergá-lo. Isso nos faz refletir sobre como, na vida cotidiana, podemos estar deixando passar coisas importantes simplesmente porque não estamos prestando atenção nelas.

Existem Regras Para Educação dos Filhos?

Autora: Elizabete Possidente


Por que muitos falam sozinho?

Autora: Elizabete Possidente

Simone Biles: Superando o TDAH e Inspirando Gerações

Autora: Elizabete Possidente

Simone Biles, a renomada ginasta olímpica, compartilhou seu depoimento sobre o tratamento do Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Desde jovem, Biles foi diagnosticada com TDAH e tem falado abertamente sobre como o tratamento adequado a ajudou a gerenciar os sintomas e a manter o foco necessário para suas conquistas esportivas. Seu relato destaca a importância do diagnóstico precoce e do tratamento contínuo, servindo como inspiração para muitos que enfrentam desafios semelhantes. A coragem de Biles em discutir sua experiência ajuda a desmistificar o TDAH e promove a conscientização sobre a saúde mental.

Como o Comportamento dos Pais Afeta a Saúde Mental das Crianças: Um Relato Real

Aurora: Elizabete Possidente

Neste vídeo, compartilho o relato de uma paciente de 10 anos que percebe diferenças no comportamento da mãe em casa e na casa da avó. Como isso impacta a saúde mental dela? Vamos entender os sinais e como podemos apoiar nossas crianças. Para saber mais, confira meu livro “ Para Pais e Mães Preocupados: Cuidando da Saúde Mental dos Pequenos”