Autora: Elizabete Possidente

Janeiro é o período do ano que é marcado por planos e metas para a maioria das pessoas. Muitos tem preocupação com a saúde e planeja uma vida mais saudável, iniciar uma atividade física e ter uma dieta mais equilibrada. Com isso surgiu um movimento no Reino Unido chamado “Dry January” em 2013 e que já foi adotado por muitos outros países.  O “Janeiro Seco” é o incentivo de não consumir bebidas alcóolicas durante todo esse mês.

O consumo de bebida alcóolica aumentou muito em todo o mundo desde o início da pandemia. Segundo a OMS no Brasil houve um crescimento mais rápido que a média mundial, especialmente entre os mais jovens.

Ainda que o consumo de bebidas alcoólicas tenha aumentado ao longo dos últimos dois anos, o projeto “Dry January” tem efeitos no longo prazo.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Britânico demonstrou que após a Campanha, 7 entre 10 pessoas diminuíram a ingesta de bebida alcóolica, e ¼ das pessoas que bebiam em níveis “prejudiciais” mudavam para a categoria de “baixo risco” após Campanha.

Não será de um dia para outro que o organismo sinta o benefício de “sem  álcool”, pois, sabemos que o álcool permanece em torno de 72 horas no organismo.  

O sucesso da Campanha está associado a percepção pelo próprio indivíduo do impacto positivo no seu bem-estar. Os participantes percebem melhora na qualidade do sono, na disposição para atividade física e maior performance, melhora na concentração, no humor, na imunidade, no funcionamento do intestino e na sensação de bem-estar físico e mental. Também tem impacto positivo na estética por levar a perda de gordura, melhora na queda de cabelo, da pele e na redução de celulite.

O governo britânico percebeu que havia uma melhora na qualidade de saúde observados nos atendimentos a comunidade. Resolveu incentivar ainda mais a Campanha que lançou um aplicativo chamada “Try Dry” para os participantes. Através desse aplicativo há um monitoramento do consumo de álcool, definindo metas individuais e oferecendo informações sobre calorias e economia de dinheiro como estímulo a adotar medidas na redução ou suspensão de ingesta alcóolica durante todo o ano.

Recentemente o Instituto Britânico publicou que os participantes da Campanha Janeiro Seco notaram diversos benefícios nas finanças e na saúde física e mental, tais como:

  • 88% economizaram dinheiro que seria gasto em bebidas.
  • 82% relataram ter maior consciência do prejuízo que o álcool tinha em suas vidas.
  • 80% passaram a ter maior controle na quantidade da ingesta alcoólica.
  • 93% se sentiram realizados por conseguirem um mês sem álcool, aumentando a autoestima.
  • 76% conseguiram entender o motivo que faziam o beber e assim podem criar estratégias para proteger desse mal hábito.
  • 71% entenderam que podem se divertir sem álcool.
  • 58% perderam peso.
  • 57% notaram melhora na concentração
  • 54% notaram melhora na pele.

A grande maioria dos participantes relataram que se sentiram mais seguros a tomar decisões se vale a pena beber ou não e ter controle no tipo de bebida e na quantidade.

Recomendo a todos escolherem um mês para adotarem essa campanha de não ingerir bebida alcoólica. Substitua por sucos, chás gelados e drinks sem álcool. Tem muitas receitas de drinks gostosos e lindos na internet. Vamos cuidar da nossa saúde, pois, merecemos uma qualidade de vida melhor.

Publicado por Elizabete Possidente

Com uma trajetória multifacetada e dedicada à saúde mental, sou uma médica psiquiatra, cuja jornada profissional é marcada por conquistas e contribuições significativas. Formei-me em Medicina em 1994 e desde então tenho me destacado em diversas áreas da psiquiatria. Minha jornada acadêmica inclui uma residência no Instituto de Psiquiatria da UFRJ, onde aprimorei minhas habilidades e conhecimentos de 1995 a 1996. Prosseguindo em minha formação, obtive o título de Mestre pelo Departamento de Psiquiatria do mesmo instituto, entre os anos de 1997 e 1999, consolidando-me como uma profissional especializada e comprometida com a excelência em minha área de atuação. Ao longo de minha carreira, desempenhei papéis fundamentais em diferentes instituições e contextos. Como supervisora de psiquiatria pela Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, contribuí para o desenvolvimento e aprimoramento de políticas públicas voltadas à saúde mental. Minha expertise como médica perita em psiquiatria no Manicômio Heitor Carrilho e posteriormente na Vara de Execuções Penais da Secretaria Estadual de Justiça evidencia meu compromisso com a justiça e o bem-estar dos pacientes. Além disso, atuei como médica psiquiatra e perita em psiquiatria pelo Ministério da Defesa, tanto no Hospital Central do Exército quanto pela Auditoria Militar, onde minha competência e dedicação foram reconhecidas e valorizadas. Minha influência na comunidade médica estende-se também ao âmbito acadêmico, com participação ativa em congressos nacionais e internacionais, onde compartilho meu conhecimento e experiência com outros profissionais da área. Como autora do livro "Para Pais e Mães Preocupados: Cuidando da Saúde Mental dos Pequenos", publicado pela editora Viseu, demonstro meu compromisso em disseminar informações relevantes e acessíveis sobre saúde mental para um público amplo. Com uma sólida base acadêmica, vasta experiência prática e um compromisso contínuo com a atualização e aprimoramento profissional, sou uma referência respeitada na área da psiquiatria, dedicada a promover o bem-estar e a qualidade de vida de meus pacientes e da comunidade em geral.

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5 Comments

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  1. Olá Dra. Beth.
    Mas como fica aquele grupo de pessoas que tomam 1/2 cálice de vinho todo dia? Eles dizem que isso faz bem para a saúde.
    Agora, embolou…

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