Antidepressivos podem fazer mal?

Como qualquer outra classe de remédio se não forem bem indicados, podem trazer malefícios à saúde do indivíduo. Por exemplo, um anti hipertensivo se for prescrito para uma pessoa que não é hipertensa, vai levar a todos os malefícios de uma hipotensão.
Fico muito assustada com o uso indiscriminado de antidepressivos por psiquiatras e especialmente, por outros especialistas.
Todo dia recebo pacientes novos no consultório e, que na sua história já fizeram na maioria das vezes, uso de mais de um antidepressivo. Também na sua grande maioria prescrito por não psiquiatras e não neurologistas.
Ontem mesmo recebi um paciente de primeira vez que tem uma história de altos e baixos de humor acompanhado de irritabilidade que vem prejudicando o seu convívio familiar. Se trata de um adulto não sedentário e que vem também sofrendo estresse no trabalho. Apresentou um pico hipertensivo e, saiu com uma receita de anti hipertensivo e do antidepressivo fluoxetina. O mesmo paciente já tinha feito uso no passado de escitalopram prescrito por não especialista.
Vamos lá, se o psiquiatra que deve estar constantemente se atualizando com participação em congressos, cursos e artigos comete erros e tem dificuldades no diagnóstico e na prescrição do melhor fármaco, como pode ser visto na reportagem no link abaixo, imagine-se que existe um maior risco de erro por não especialistas. Assim como, a escolha do melhor anticoncepcional por um não ginecologista , por exemplo.
Nessa reportagem, psiquiatra prescreveu um antidepressivo para um jovem que talvez tenha o diagnóstico de Esquizofrenia, Esquizoafetivo, Transtorno de Personalidade ou Transtorno Bipolar, e que parece pelo julgamento do seu crime que o antidepressivo provocou um quadro de agressividade, falta de juízo crítico e, talvez, um delírio associado.
http://www.bbc.com/portuguese/geral-40751859?SThisFB
Como psiquiatra, fico cautelosa ao prescrever o antidepressivo para o paciente e  na escolha do tipo de antidepressivo que melhor responderá ao quadro, fico cada vez mais assustada com a quantidade de antidepressivos prescritos pelos meus colegas médicos não especialistas.
O meu objetivo é alertar aos colegas para serem mais cautelosos. Assim, como provocar a atenção a todos que tomam antidepressivos a buscarem informações com o médico especialista. É claro, que o caso desse paciente agressor descrito na reportagem, é um caso muito severo e menos comum. Mas muitos antidepressivos levam a muitas interações medicamentosas, alteração do sono, aumento da irritabilidade, aumento da desinibição e que causam prejuízos no seu dia a dia, sem haver a percepção da mudança de quadro associado ao mau emprego do antidepressivo.

Os Pais Precisam Preparar os Filhos para a Vida

Autora: Elizabete Possidente

No O Globo de 8 de agosto de 2017 na sessão do Ancelmo Gois a nota “Madame não educa” em que uma mãe não sabendo dizer “não” ao filho, pede à escola para não autorizar a presença do pipoqueiro na saída da escola.
O pior que não representa um caso isolado porque vemos isso no nosso dia a dia essa necessidade dos pais de agradarem os filhos o tempo todo.
Os pais precisam deixar os seus filhos se frustrarem ainda na Infância como papel educador.
Se a criança não perceber que a vida é feita de momentos bons e ruins, não vai saber que aquele momento ruim vai passar também.
Deixar o seu filho decepcionar-se com coisas normais do seu cotidiano, como, receber um “não” para comprar pipoca na saída da escola.
Deixe ele saber que a vida tem regras. Precisamos respeitá-las. Nesse exemplo, a mãe criou a regra que não tem pipoca na saída da escola. Essa é uma oportunidade de saber que precisa cumprir uma regra por mais desagradável que possa parecer.
Se isso não ocorrer, a criança cresce achando que tudo na vida tem que dar certo e que precisa ser feliz o tempo todo.
Quando crescer, ele vai receber muitos “não” na vida. Ele vai achar que o mal estar de receber a negativa será o fim mundo e que nunca irá acabar a sensação de angústia ao ser frustrado. Isto porque ele não foi educado pelos pais a ser preparado para a vida desde pequeno. Com isso, cada vez mais recebemos no dia a dia do consultório, jovens que tem crises de agressividade, ideias suicidas, se cortam ou ingerem álcool em grande quantidade ou drogas por não saber aceitar que o “não” faz parte da vida. Que esse mal estar passa e que precisa focar no plano B para essa fase passar mais rápido.
Caso queira ler mais sobre isso, recomendo as seguintes postagens sobre o tema:
http://vidaepsiquiatria.blogspot.com.br/search?q=Limites&m=1
http://vidaepsiquiatria.blogspot.com.br/2013/01/a-importancia-de-deixar-os-filhos-terem.html?m=1

Fim do Preconceito à Saúde Mental

De acordo com a Healthline, cerca de 5 milhões de americanos receberam algum diagnóstico psiquiátrico.
A melhor maneira de ajudá-los é não estigmatizar.
Uma das grandes divulgadoras em quebrar esse tabu é a cantora Demi Lobato que foi ao público falar que sofre de Transtorno Bipolar. Ela falou de suas crises e da melhora com o tratamento adequado.
Porém também falou sobre não gostar de ser rotulada como “bipolar”. A bipolaridade faz parte da vida dela, mas ela não pode ser resumida a essa doença.
Veja no link abaixo a reportagem:
https://estilo.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2017/08/03/demi-lovato-explica-motivo-de-nao-querer-ser-rotulada-como-bipolar.htm

Outro post que recomendo para complementar a leitura foi publicado nesse blog: http://vidaepsiquiatria.blogspot.com.br/2017/07/quebrando-o-tabu-sobre-doenca-mental.html?m=1

Como a cafeína pode afetar o cérebro de um TDAH?

A cafeína é uma substância estimulante do Sistema Nervoso Central. É muito comum pacientes com TDAH sem tratamento, passarem a se “auto medicar ” com cafeína para melhorar o foco nos estudos e trabalho. 
Temos que ficar muito atentos aos pacientes adultos que diagnosticamos e iniciamos o tratamento medicamentoso com psicoestimulantes. Isto porque por já ter o hábito de tomar cafeína haverá um sinergismo. 
E por que não se usa cafeína para tratar o TDAH? 
A cafeína leva a problemas de ansiedade, insônia e irritabilidade. A sua eficácia dura muito pouco tempo, o que faz a pessoa cada vez mais aumentar a quantidade ingerida e reduzir os intervalos entre uma dose e outra. Com isso, torna-se muito viciante e pode trazer outros efeitos colaterais. 
Além disso, sua redução ou suspensão traz efeitos de abstinência, como tremores e cefaleia (dores de cabeça). 
Por isso, não existem investimentos em pesquisas a longo prazo do uso da cafeína em pacientes com TDAH porque já se sabe do grande risco de vício e todos os malefícios de altas doses de cafeína no organismo.

Excesso de Açúcar e Depressão

Para o Professor Paulo Mattos, neurocientista do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino e professor da UFRJ, é preciso pesquisar mais para uma conclusão definitiva. “O estudo se refere a quadros de ansiedade e depressão bastante leves e gradativos. Mesmo em um estudo que abrange mais de 20 anos, é difícil dizer se antes desse recorte as pessoas já tinham sintomas.”
Veja a reportagem que foi publicado no O Estado de São Paulo publicado em 27 de julho de 2017: http://saude.estadao.com.br/noticias/geral,excesso-de-acucar-pode-levar-a-depressao,70001909798


Cinco hábitos para a hora de acordar

  Na Revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios de julho de 2017 foi publicado hábitos que devem ser adotados nos primeiros 20 minutos do dia para ajudar a ter um dia mais produtivo.
Vou reproduzir aqui e recomendo a todos:

1 – Não ative o “soneca” do despertador.
Se você faz isso, já está autorizando o seu cérebro a procrastinar.

2 – Arrume a sua cama.
Seu quarto já vai aparecer mais organizado e, você vai estar vencendo uma barreira. Essa pequena conquista já reverbera no cérebro que o dia já começou produtivo.

3 – Mantenha uma agenda ou um bloco de anotações.
Pela manhã já escreva tudo que precisará fazer naquele dia, desde e-mails, telefonemas e compromissos.

4 – Reflita sobre os seus objetivos.
Você sempre deve estar planejando o seu dia ou semana, considerando as suas metas a curto, médio ou longo prazo. Essas metas são relacionados à sua vida profissional, pessoal, familiar e social.
Por exemplo, se estou insatisfeito com o meu peso, por exemplo, já devo ter em mente alguma atitude que já contribua para a meta de emagrecimento. Pode ser uma atitude pequena, como, hoje, vou usar escada ou soltarei uma estação antes para uma caminhada.

5 – Crie e repita os seus ” mantras”.
Vale a pena escrever no bloco de anotações esses mantras e repetir ao longo do dia.
Como por exemplo, “Vou pensar só no dia de hoje” ou “vou fazer dar certo a minha listinha”. Ou ainda “Só por hoje, não vou me aborrecer com a papelada que preciso preencher”.

5 hábitos para adotar nos 20 primeiros minutos após acordar e ter dias mais produtivos.

"Doenças são o resultado de escolhas que fazemos"

Na sessão do jornal O Globo, Conte algo que não sei, de 21 de julho de 2017 foi entrevistado o professor da Universidade da Faculdade de Medicina de Harvard Edward Phillips.
O professor Edward Phillips foi o fundador do Institute of Lifestyle Medicine que funciona na Universidade de Harvard e onde estimula medidas que devem ser tomadas para se combater diversas doenças, como, a maioria das doenças cardiovasculares, acidentes vasculares cerebrais, diabetes e muitos tipos de câncer.
Ele conta que todos sabem que atividade física regular, bons hábitos alimentares, não fumar, não beber demais e uma boa noite de sono só fazem bem.
Apesar desse conhecimento, a maioria das pessoas não conseguem manter um estilo de vida que inclua essas recomendações. A correria do dia a dia, a pressão no trabalho, a competitividade, os aborrecimentos e a má administração do seu tempo fazem com que as pessoas deixem de colocar em prática esses hábitos saudáveis.
O professor sugere que esses temas sejam sempre ressaltados para que todos se esforcem para manter no seu dia a dia essas atividades.
Recomenda também que desde as escolas até as universidades estimulem e prezem por esses hábitos.
As empresas devem fazer esse tipo de investimento em seus funcionários. Incentivar um comportamento mais saudável em seu estabelecimento só trará funcionários mais dispostos e ativos.
O médico deve reforçar o fato que para se manter saudável, o próprio paciente precisa fazer parte do tratamento, assumindo responsabilidades da mudanças de hábitos. O paciente tem de perceber que ele precisa fazer essa parceria com o médico para a melhora clinica.
Acredita-se que investindo nos princípios de Medicina de Estilo de Vida haverá uma prevenção de muitas doenças e uma redução do orçamento governamental e familiar.

https://oglobo.globo.com/sociedade/edward-phillips-professor-de-medicina-de-harvard-doencas-sao-resultado-de-escolhas-que-fazemos-21613411

Medidas Preventivas de Demência

Ontem foi publicado na revista médica Lancet que quase 50 milhões de pessoas sofrem de demência no mundo. Nela também foram destacadas intervenções para prevenir, apesar das pessoas estarem vivendo mais.
As medidas destacadas no artigo foram apresentadas na Conferência Internacional da Associação de Alzheimer, onde especialistas do mundo todo se encontraram para discutir as pesquisas na área.
Vinte e quatro especialistas em demência revisaram os estudos de demência com embasamento científico e sintetizaram os resultados para prevenção do Alzheimer que resultaram no artigo publicado em 20 de julho de 2017 e disponível no link no final dessa postagem.
Relataram que um em cada 3 casos de demência poderiam ser evitados com algumas medidas simples a serem adotadas:
        ⁃ Aumentar a escolaridade na fase inicial da vida.
        ⁃ Atividade física regular.
        ⁃ Tratar perda auditiva que apareça na meia idade.
        ⁃ Tratar adequadamente hipertensão arterial.
        ⁃ Combater obesidade.
        ⁃ Tratamento adequado de depressão.
        ⁃ Tratamento adequado para diabetes.
        ⁃ Abandonar o tabagismo.
        ⁃ Aumentar o contato social na terceira idade.
Também avaliaram a importância do diagnóstico precoce para se iniciar as medicações, terapias de estimulação cognitiva e aumento dos exercícios físicos.
É de grande importância discutimos e ficarmos atentos a esse tema porque a população cada vez envelhece mais, e a maioria dos casos surge após 75 anos.

https://oglobo.globo.com/sociedade/edward-phillips-professor-de-medicina-de-harvard-doencas-sao-resultado-de-escolhas-que-fazemos-21613411

Quantas horas você dorme?

É fundamental que um adulto durma em média 8 horas de sono por noite. 
O sono não representa apenas um período em que o corpo descansa das atividades cotidianas. O sono representa o período que os neurônios entram em intensa atividade. Essa atividade é responsável pela memorização, pela liberação do hormônio do crescimento (nos adultos, retarda o envelhecimento celular), produção de insulina, reforço do sistema imunológico e regularização do sistema de temperatura. 
Com a correria do dia a dia, as pessoas têm dormido cada vez menos. Chegam à noite, buscam atividades que despertam o sono, como assistir TV e navegar na internet. Alegam não terem tempo durante o dia e que esse é o seu momento de lazer. 
Muitos não se alimentam adequadamente à noite. Comem grandes quantidades, abusam de comidas gordurosas, ricas em açúcares e carboidratos que atrapalham a qualidade do sono. 
Também há um aumento da ingesta alcoólica, o que também interfere muito na noite de sono. 
Sem a liberação dos hormônios de forma correta enquanto dormimos, aumenta-se o risco de ganho de peso, doenças cardiovasculares e envelhecimento precoce. 
Muitos pacientes comentam que não precisa das 8 horas de sono para ficar bem. É mentira. Ele pagará essa conta do prejuízo ao organismo com o passar dos anos. 
Outros afirmam não adiantar ir para a cama cedo porque já estão acostumados a dormir tarde.
Diante dos 100% dos casos devemos aplicar as seguintes medidas para potencializar e revigorar o sono: 
– Manter uma rotina de sono, ou seja, manter um horário fixo para dormir e acordar.
– Não cochilar durante o dia.
– Manter no quarto um ambiente agradável.
-Evitar TV, relógio, som e computador do quarto.
– Procurar jantar pelo menos duas horas antes de deitar, preferir pratos leves.
– Evitar ingesta de estimulantes (café, cigarro, drogas, chá, coca cola, chocolate).
– Deve-se pensar nos problemas e na agenda do dia seguinte antes de ir para o quarto.
– Deve-se evitar pensamentos durante o dia do tipo “será que vou conseguir dormir” pensando “Vou dormir o necessário para me manter bem”.
-Adotar técnicas de relaxamento. A mais usada é de tensionar e relaxar os grandes grupos musculares de modo seqüencial, atento às sensações de tensão e relaxamento.
– Não culpe todas as dificuldades durante o dia com a noite mal dormida, assim você acaba valorizando e reforçando a insônia em sua vida.
– Não coloque o sono como o tema central de sua vida.
– Vá para a cama apenas quando estiver com sono. Não leia, não assista TV, música ou computador. Esvazie o pensamento e boa noite de sono. 
Se essas medidas não resolverem o problema da noite mal dormida você deve buscar ajuda médica para a avaliação da insônia e tratamento adequado. 
Também Recomento assistir esse vídeo em que o profissional Reinaldo Erdman fala abertamente sobre a importância do sono:

Quebrando o Tabu Sobre a Doença Mental

É muito importante que pessoas famosas, ou seja, belas, inteligentes ou de sucesso falem sobre a doença mental que tiveram ou tem.
É preciso mostrar que a doença mental existe e não significa fraqueza pessoal. É uma doença que acomete pessoas que já possuem uma predisposição genética e passam por estressores.
Como qualquer outra doença deve-se procurar o especialista, nesse caso o psiquiatra. Se sentisse dores no peito, buscaria auxílio do cardiologista. Se estivesse com lesões na pele, buscaria o dermatologista. Se sente alterações psíquicas, deverá ser avaliado pelo psiquiatra.
Em cada caso, o psiquiatra avaliará se a queixa é normal pelo momento que está vivendo ou se tem uma doença psíquica por trás do questionamento. O diagnóstico da doença poderá determinar a melhor estratégia terapêutica para auxiliar o paciente.

Veja nos links abaixo pessoas famosas que declaram a necessidade da intervenção para uma doença psiquiátrica

http://m.huffpostbrasil.com/2016/07/14/homens-famosos-estereotipos-saude-mental_n_10987240.html

https://www.google.de/amp/s/noticias.uol.com.br/saude/album/2012/10/11/veja-famosos-que-enfrentam-ou-ja-enfrentaram-transtornos-psiquiatricos.amp.htm

http://segredosdomundo.r7.com/15-famosos-que-revelaram-ter-doencas-mentais/

Impacto do Transtorno de Humor Não Tratado

 
O Transtorno Bipolar ou Transtorno de Humor é uma doença crônica que se manifesta por fases de depressão, euforia e normalidade. Ás vezes, podem ter episódios mistos, ou seja depressão e euforia concomitante, o que se confunde com quadros de ansiedade.
A maioria dos pacientes só buscam ajuda nas fases depressivas, o que faz com que a doença se agrave. A conscientização de que a doença evolui em fases e que precisará ser tratada com estabilizador de humor para toda a vida é fundamental para a adesão ao tratamento e para identificar os sinais e sintomas de seu quadro.
Outro fator importante para não agravar a doença é evitar diversos fatores desencadeantes, como uso de alguns remédios (certos antidepressivos e  anorexígenos), abuso de álcool, drogas,
energéticos e de alguns estimulantes para aumentar performance nos exercícios físicos, privação de sono e diversos estressores familiares e a suspensão de medicamentos por conta própria.
Muitos pacientes são estimulados por amigos, familiares e até profissionais de saúde a abandonarem a medicação por desconhecerem a fisiopatologia da doença. Não sabe que a pessoa está bem porque faz uso do psicofarmaco. Outros casos por se identificar com algumas características da doença e não saber que também tem a doença em uma menor intensidade, incentivam que isso é da normalidade ou temperamento da pessoa.
Outras situações que vejo são muitos profissionais ou “entendidos” lerem bulas ou verificarem alguma alteração ao exame e associarem ao uso de remédio. Vou citar alguns exemplos que vi em meu consultório na última semana. Paciente já fazia uso do medicamento há alguns meses e apareceu uma lesão dermatológica, talvez alérgica. Já afirmou ser do remédio, mas não investigou a misturada de bebidas e energéticos mais os suplementos vitamínicos que tinha ingerido na véspera. Outro caso, surgiu uma pequena alteração ao exame de sangue que não significa doença hepática, apenas que o fígado está metabolizado alguma nova substância e essa também foi imediatamente atribuída ao remédio. Não investiga o que mais está sendo usado, como, ingesta abusiva de álcool ou anticoncepcional, por exemplo. É claro, que sem fazer o contato direto com o profissional que conhece o histórico da doença psiquiátrica. Com isso, o paciente abandona o tratamento, agravando a sua doença e abala a relação médico paciente tão difícil de acontecer nos pacientes com algum distúrbio mental.
Essas recaídas fazem com que tenham um grande prejuízo na sua vida . Muitos abandonam ou repetem a faculdade, entram de licenças médicas no trabalho, perdem promoções ou emprego, relacionamentos familiares e conjugais ruins, aumentam a ingestão de álcool ou drogas, buscam tratamentos de “terapia alternativa” sem comprovação científica, abandonam projetos extracurriculares (aulas de músicas, academias etc.).
Além do que, existem muitos estudos científicos publicados por grandes centros universitários no mundo que o Transtorno de Humor não tratado aumenta a prevalência de doenças cardiovasculares e doenças metabólicas. Isso leva a mais limitações e mais custos financeiros com medicamentos.
Há uma grande associação a Transtorno de Humor e mortalidade precoce. Há relatos de que reduz em dez ou mais anos de vida um bipolar sem tratamento adequado. Essa morte ocorre por consequência das doenças físicas que surjam, como hipertensão arterial, diabetes, dislipidemia, infarto e acidentes vasculares. Fora o risco de suicídio, acidentes automobilísticos, abuso de álcool ou drogas e se colocar em situações de risco, como brigas, esportes radicais, etc.
É fundamental as pessoas se informarem mais sobre o Transtorno de Humor ou Transtorno Bipolar. Com a consciência da doença, o paciente poderá conquistar uma boa qualidade de vida. Essa informação deve ser compartilhada por toda a população para que todos possam identificar e encaminhar os que sofrem da doença ao tratamento adequado. Podem ter episódios mistos, ou seja depressão e euforia concomitante, o que se confunde com quadros de ansiedade.

Dia Mundial da Consciência do TDAH

O Dia Mundial da Consciência do TDAH é o dia 13 de julho. Foi criado pela Organização Mundial de Saúde para chamar a atenção para esta patologia. 
O TDAH é um distúrbio neurobiologico que acomete 3 a 7 % das crianças e 4 % dos adultos . 
Estudos demonstram que a carga genética tem um fator importante . 
Infelizmente pela desinformação muitas crianças e adultos sofrem sem o tratamento adequado, causando um prejuízo na sua vida. 




Oxitocina em crianças autistas

Publicado no periódico “Proceedings ou The National Academy of Sciences” de 10 de julho de 2017 um estudo com 32 crianças de 6 a 12 anos com Transtorno do espectro autista (TEA) em que observaram melhora no seu relacionamento social após administração intra nasal de oxitocina. 
A melhora ocorreu no grupo que tinha dosagem baixa desse hormônio antes das duas aplicações diárias da pesquisa. 
A melhora foi observada através de preenchimento de escala de resposta social (SRS) pelos pais. 
Apesar do resultado ser favorável ainda estamos longe de descobrir uma droga específica para o autismo com a melhora da linguagem, comportamento e socialibilidade. Temos ainda que ter cautela nessa indicação por ter sido utilizado num grupo pequeno e precisará ainda ser replicado. 
Veja reportagem que saiu hoje (dia 11/07) no O Globo 
Veja reportagem que saiu hoje no O Globo: 

Idosos com demência demandam cuidados no ambiente doméstico

Com o aumento da expectativa de vida, a incidência de demência vem aumentando bastante. Dos casos de demência, o Alzheimer representa 60% dessa população. As medicações que temos atualmente só melhoram os estágios iniciais da doença. Portanto, cada vez mais é importante associarmos medidas para tentar reduzir ou retardar ao máximo alterações da função cognitiva, comportamental e do funcionamento global.  
Algumas dessas estratégias são realizadas pelo familiar no ambiente doméstico que o idoso vive.
Sabemos que o esquecimento sempre vai ocorrer. Deve-se manter os objetos do seu cotidiano, móveis e porta retratos da forma como sempre foram acostumados. Deve-se evitar mudanças na arrumação dos móveis do quarto para não acelerar o esquecimento e provocar agitação. Se sempre curtiu uma prateleira no quarto onde mantinha os objetos de viagem que colecionava, deixe para ativar as suas memórias.
Para também reforçar as lembranças é sugerido manter álbuns de fotografia de fácil acesso ao idoso. Se gostava de músicas, estimule-o a ter contato com as músicas que apreciava. Assim como, assistir os programas de TV que apreciava. Por exemplo, gostava de ver programa esportivo, ligar a TV nesse horário.
Manter alguns hábitos, mesmo que não peça mais. Por exemplo, gostava de tomar o seu chá sentado numa determinada poltrona. Quando possível, ofereça seu chá nessa poltrona.
Deixar relógio e calendário de fácil acesso no seu quarto. Isso deve ser estimulado pelo familiar e cuidador para manter-se ligado aos horários e dias da semana e perceber as diferenças dos turnos no cotidiano. O quarto deve estar mais claro de dia preferencialmente com luz natural para auxiliar na diferenciação do dia para noite. É importante deixar claro as datas de visita para evitar angustia e espera. Por exemplo, seu neto nunca irá em uma terça no meio tarde visitá-la porque está trabalhando.
Em estágios moderados ou avançados, algumas mudanças podem deixar o idoso mais agitado e inseguro. Cores podem confundí-los e, por isso, deve-se preferir tonalidades mais uniformes e utilizar menos estampas em cortinas, colchas e toalhas de mesa. Casa com muitos espelhos podem assustar os idosos porque muitas das vezes não se reconhecem no próprio reflexo.
Sua autonomia deve ser estimulada ao máximo. Para tentar isso muitas vezes, é preciso etiquetar as gavetas do armário do quarto, banheiro e cozinha para poder se achar. Mesmo que antes era óbvio, que na gaveta do banheiro ficava a escova do cabelo e seu creme, coloque escrito. Assim, quando se esquecer o que fazer após escovar os dentes, poderá ler e se recordar, que tinha o hábito de escovar os cabelos e passar o creme.
Deve-se colocar barras de apoio no corredor, no box e ao lado do vaso sanitário. Assim, cria-se um apoio e a dependência física de um cuidador pode ser evitada por mais tempo. Deve deixar uma cadeira de plástico com braços dentro do box. Quando se cansar de ficar em pé no banho, pode sentar e relaxar.  O piso deve ser antiderrapante e a porta do box deve-se abrir para fora para evitar acidentes.
Deve se evitar tapetes e escadas para não tropeçar. Se são inevitáveis as escadas, devem colocar iluminação e marcas para chamar atenção para o final de cada degrau.
Deve ser mantida uma iluminação branca durante a noite. Muitos problemas são decorrentes de tombos ou batidas em móveis por não enxergar adequadamente. Uma outra sugestão é iluminação com sensor de movimento, assim, não vai precisar procurar o interruptor para acender a luz do banheiro, por exemplo.
Em fases mais avançadas, devem ser trocadas louças e copos de vidro por plástico. Assim como, proteger as quinas dos móveis para evitar acidentes.
Barulhos geralmente agitam muito o idoso e pioram sua confusão mental. Portanto, é recomendável um ambiente com isolamento acústico para reduzir o barulho que vem da rua ou do próprio movimento da casa.
Essas são algumas das medidas que devem ser tomadas para melhorar a qualidade de vida dos pacientes com demência.
   

Gene no Cérebro e Depressão

Já é conhecido que a depressão é uma doença de causa multifatorial, ou seja, é necessário diversos fatores para que a doença se desenvolva. Sabemos que é necessário a associação de estresse, temperamento e genética.
Em 2006, foi descoberto o gene SLc6a15 e, em 2011, foi confirmado a sua relação com o Transtorno depressivo.
Agora, em 2017, foi publicado na revista Journal  of Neuroscience em 06 de julho de 2017, cientistas do Departamento de Anatomia e Neurobiologia da Escola de Medicina da Universidade Americana, que o gene SLc6a15 ativado em determinadas áreas do cérebro, especialmente no nucleus acumbens, desencadeia a doença.
A pesquisa liderada pela cientista Mary Kay demonstra que ativando esse gene há maior risco para depressão e outras doenças relacionadas ao estresse.
Além de diversos testes em camundongos, foram examinandos cadáveres que morreram por suicídio. Eles notaram que os nucleus acumbens exibiam desativação desse gene.
Ainda não se sabe como exatamente esse gene SLc6a15 atua no cérebro, mas se sabe que ele tem um papel fundamental na regularização de vários neurotransmissores associados ao humor.
Pesquisas futuras podem levar ao desenvolvimento de novas drogas que possam atuar mais rapidamente no tratamento da depressão e melhorar a qualidade de vida de milhões de pessoas que sofrem de depressão.

TDAH

Um campeão com ajuda profissional passou a entender o que é o TDAH e passou a potencializar o seu futuro.

Vários antidepressivos na gravidez não estão associados a problemas cardíacos

Esse dado é de extrema importância no momento de decidir se descontinuamos o antidepressivo quando a paciente encontra-se grávida ou se prescrevemos o antidepressivo numa depressão durante uma gestação.
Já se tem estudos publicados pelo FDA mostrando que uma grávida em depressão não tratada tem maior chance de mal formação congênita. Além de que, o bebê receberá tudo dessa mãe, ou seja, perceberá todas as alterações da depressão, como, maior sensibilidade ao cortisol, por exemplo. 
Segue abaixo o resumo do artigo publicado na revista médica New England Journal Medicine: 
ANTIDEPRESSANTS IN PREGNANCY NOT ASSOCIATED WITH CARDIAC DEFECTS
There are concerns about a possible association between antidepressant use during pregnancy, particularly SSRIs, and cardiac defects. This US study involving almost 1 million pregnant women—of  which  64,389 had used antidepressants during the first trimester—found no substantial increase in the risk of cardiac malformations attributable to antidepressant use.
 
Huybrechts KF al. Antidepressant Use in Pregnancy and the Risk of Cardiac Defects. N Engl J Med 2014; 370:2397-2407June 19, 2014DOI: 10.1056/NEJMoa1312828
Nesse mesmo blog temos dois artigos já publicados sobre a importância do tema e que recomendo a leitura: 
– Gravidez e medicamentos controlados . 
– Neurodesenvolvimento em crianças expostas á depressão em mulheres não tratadas ou em uso de antidepressivos. 

Esquizofrenia? Bipolaridade ou Transtorno de Humor?

Saiu ontem na Folha de SP uma reportagem sobre um brasileiro que teve a sua primeira crise aos 26 anos. Recebeu erradamente o diagnóstico de esquizofrenia. 

Foi apresentando diversas crises pelo diagnóstico errado e pela falta de conhecimento sobre a necessidade de tratamento medicamentoso e psicoterápico regular.
Devido à presença de sintomas psicóticos, recebeu o diagnóstico de esquizofrenia. 
Existe um subtipo do Transtorno de Humor ou Transtorno Bipolar que pode cursar com quadro psicótico caracterizado por delírios e/ou alucinações mas que ao ver no decorrer da história tem ciclos depressivos. Esses ciclos podem variar por horas, semanas, meses ou até mesmo anos. Esse subtipo é menos prevalente e, por isso, torna-se mais difícil de ser reconhecido e devidamente tratado.
É muito importante o diagnóstico correto e a conscientização do que é a doença para a adesão ao tratamento.

A importância da Rede para o aleitamento materno

Artigo escrito em parceria com a Dra Eliane Caldas de Oliveira Nascimento, psicóloga e pesquisadora em Saúde Pública, pós doutoranda no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.
Pensar em Rede para que o aleitamento materno aconteça é entender, a princípio, que essa ação não depende só da mulher, mas também da sociedade, de outras pessoas ao seu redor, da equipe de profissionais e do bebê, no mínimo.
Dar de mamar não é simples, não é fácil e, muito menos, não é só prazeroso. Depende de vários fatores, é complexo e, em várias oportunidades, a mãe e o bebê necessitam de ajuda.
Deixo algumas pistas para que o aleitamento materno possa acontecer com a participação de uma rede (network):
1. O Aleitamento Materno depende de vários atores para acontecer.
2. Há necessidade de informações, ainda na gestação, para devida tranquilidade na hora de amamentar.
3. As pessoas que conhecemos e as pessoas que podemos contar influenciam o nosso estilo de vida, os nossos sucessos e insucessos. Amamentar depende de todos.
4. Esse acontecimento é histórico, social e, ao mesmo tempo, individual. Depende dos participantes da rede e dos laços da mesma.
5. Ser acompanhado por um profissional competente no assunto, no momento de amamentar, é essencial  para se seguir adiante, principalmente, quando surgem dificuldades.
6. As mulheres precisam ser ouvidas nos seus desejos para poderem dar de mamar.
Essas pistas são fundamentais de serem compreendidas e vivenciadas por aqueles que querem ver os bebês sendo amamentados.
E aqui ainda vale lembrar que o vínculo mãe-bebê é fortalecido com a amamentação. O leite, o calor, o colo da mãe, o contato com o corpo da mãe, o cheiro, o som dos batimentos cardíacos, a voz, o carinho, as trocas de fraldas e muito mais acontecimentos fazem com que o bebê comece a descobrir o mundo e ter consciência de si. O prazer proporcionado pelo ato de sugar e o amparo da mãe fazem com que o bebê se sinta acolhido e seguro.
Atenção para o fato de que aquelas mães, que não podem amamentar, por várias razões, também transmitem acolhimento e segurança ao seu bebê. Desde que mantenham a tranquilidade e oferecem a mamadeira com o contato próximo a mãe para que possa sentir o cheiro, o carinho e os batimentos cardíacos da mãe. 
Sempre há oportunidade de se  criarem vínculos através do relacionamento contínuo, seguro e afetivo para o bebê se desenvolver.

VI Congresso Mundial de TDAH – 2017

O VI Congresso Mundial de TDAH foi realizado em Vancouver entre 20 e 23 de abril de 2017. Nele foram discutidos diversos temas relacionados ao TDAH na infância, adolescência e vida adulta.

O TDAH é um distúrbio neurobiológico diagnosticado através de uma entrevista clínica bem detalhada, associado a informações de familiares e escola (quando criança). É uma doença em que os sintomas começam na Infância e acompanham o paciente na vida adulta, com redução de uns ou mudança de outros.

O Congresso enfatizou a avaliação do TDAH na vida adulta. Esse adulto chegará no consultório médico com queixas explícitas da comorbidade, na maioria dos casos. Ele procurará o neuropsiquiatra por causa de sintomas compatíveis com o diagnóstico de bipolaridade, depressão, ansiedade, fobia social, abuso de álcool ou drogas, entre outros. O profissional deve estar capacitado para, na entrevista e consultas subsequentes, avaliar também o TDAH.

Muito se falou do TDAH como uma doença crônica que acompanhará o indivíduo por toda a sua vida adulta, influenciando a sua qualidade de vida. Também se discutiu sobre gravidez e TDAH, com adoção ou não de tratamento com psicoestimulantes.

Professores e pesquisadores de TDAH sempre referem que a primeira linha de tratamento da grávida deve ser através de medidas cognitivo–comportamentais, redução da carga de trabalho (quando possível), um bom suporte familiar e atividade física regular. Todas as gestantes devem seguir esse tratamento no início, e sendo mantida a estabilidade clínica, deve se interromper o uso do psicoestimulante. Caso se mantenha uma disfunção executiva acentuada, impulsividade, alterações de humor, desatenção, aumento do uso de álcool, drogas e nicotina, o especialista deve considerar o uso do medicamento.

Foi citado que no Canadá e Europa existem muitos acompanhamentos de grávidas em uso de psicoestimulante durante toda a gestação. Os dados encontrados apontam para haver nenhum prejuízo à mãe grávida e ao seu bebê. Foram encontrados alguns casos de parto prematuro, mas sem comprovação de que causado pelo uso do medicamento. A razão pode ter sido a evolução natural obstétrica, o próprio TDAH ou o uso de nicotina (desses, a maioria fumava durante toda ou parte da gravidez). Existem muitos dados de gestantes que tiveram o psicoestimulante suspenso e que tiveram complicações durante a gestação, em decorrência do aumento de peso acentuado, pela falta de controle na dieta, pelo aumento da ingesta de álcool ou drogas, piora do tabagismo, alterações de humor, desatenção com prejuízo no trabalho e estudos e menor adesão aos cuidados de pré-natal.

A discussão do tema foi importante pois nos leva à reflexão dos aspectos positivos e negativos que devem ser considerados diante de cada gestante com TDAH que chegam ao nosso consultório.