Terapia Cognitivo Comportamental – TCC


Este artigo, escrito em parceria com a neuropsicóloga Marcia Ferreira, fala sobre TCC e sua importância no tratamento de vários quadros e distúrbios.
A Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) é a abordagem psicoterápica que mais cresceu nos últimos anos junto com a Neurociência. Existem muitos estudos comprovando a sua eficácia através de abordagens clínicas com entrevistas semiestruturadas, questionários específicos e neuroimagem funcional.
A TCC foi criada em 1960 por Aaron T. Beck e desenvolvida com a ajuda de diversos psiquiatras e psicólogos da época. Ela se baseia na função cognitiva se responsabilizando pelo aspecto emocional e comportamental do indivíduo. 
Desde a Antiguidade até os tempos atuais, filósofos descreviam o indivíduo como decorrente do seu pensar (função cognitiva). Pesquisas demonstram a eficácia da terapia cognitiva comportamental na mudança das cognições de medo, depressão e ansiedade. Portanto, para muitos pacientes o tratamento ideal consiste na associação TCC e medicamentos específicos para sua patologia.
A Terapia Cognitivo comportamental é utilizada a curto prazo, geralmente por cerca de vinte sessões.  Quando existem diferentes comorbidades, situações de cronicidade ou dificuldade de compreensão da doença, é necessário estender esse projeto terapêutico por mais tempo. Sempre esse trabalho é feito em conjunto, neuropsicólogo e psiquiatra, para determinar a melhor estratégica para cada paciente, levando em consideração sua história de vida passada e atual, doença, estressores do meio, ausência ou presença de apoio familiar.
A TCC é basicamente trabalhar o aqui e o agora. Com isso, mais rápido o indivíduo alcança a sua qualidade de vida. É claro que mesmo enfatizando o momento atual a TCC não perde a perspectiva longitudinal do indivíduo. Para ajuda-lo e ter uma eficácia no presente é preciso também avaliar a primeira infância do paciente, histórico familiar, traumas, experiências positivas e negativas, educação, história de trabalho e influências sociais, para que possamos compreender melhor o paciente. Desse modo podemos planejar o tratamento mais adequado a esse indivíduo. 
O terapeuta de TCC é bem ativo nos atendimentos. Ele ajuda a estruturar a sessão, dá feedback da evolução e passa atividades a serem feitas dentro e fora da sessão, para que seja atingida mais rápido a melhora. Os pacientes também são orientados a todo o momento de como a TCC exercita a sua cognição e aprendem a utilizar essas técnicas no seu dia a dia. Ela trabalha o autoconhecimento, onde o paciente percebe e identifica os seus pensamentos disfuncionais.  Aprende a usar técnicas para a detecção e modificação de pensamentos que desencadeiam os sintomas patológicos, de medos, ansiedade, depressão, compulsões, raiva e outros.  

Dislexia

A dislexia ocorre em 10% das crianças, geralmente confundidas como preguiçosas.
É caracterizada por uma dificuldade de aprendizado na decodificação de símbolos escritos e reconhecimento de palavras.
Recomendo ler artigo publicado neste Blog em 13 de maio de 2011.
Segue abaixo link de um vídeo onde um professor explica o que significa a Dislexia. Ele dismistifica o distúrbio através de dislexicos famosos.

Transtorno Afetivo Bipolar ou Transtorno de Humor

O Transtorno Afetivo Bipolar acomete homens e mulheres. Inicia-se na adolescência e em adultos jovens, podendo também acometer crianças. É a sexta maior causa de afastamento de atividades profissionais pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e se encontra em cerca de 4% da população mundial.
A sua causa é multifatorial, através da associação de componentes genéticos, psicológicos e ambientais. 
Não se trata de desvio de caráter ou falha de educação, é uma doença, e normalmente algum familiar vai ter também.
Quando alguém próximo apresenta esse diagnóstico, deve-se ficar atento ao desenvolvimento, sobretudo se for uma criança. É importante evitar diversos fatores ambientais, como uso de drogas, e diversos efeitos psicológicos, como alguns fatores estressores.
A atenção a esses pacientes deve ocorrer sempre, mesmo quando eles se acham bem e que não se sentem doentes. Esse grupo tem 19% de mortes causadas por suicídio. Isso significa trinta vezes mais chances de suicídio de que qualquer outra pessoa.
O diagnóstico deve ser feito por um psiquiatra, que fará entrevista detalhada da história de vida desse paciente. O tratamento deve ser imediato para combater a alteração neurobiológica que se manifesta no comportamento.
Existem em algum momento de vida desses pacientes episódios depressivos. Geralmente a procura de ajuda profissional ocorre nesse momento. A depressão é caracterizada por tristeza, dificuldade de organização, dificuldade de planejamento, falta de energia, falhas de memória, dificuldade em se concentrar, dores, insônia etc.
Na fase de euforia ou mania, temos humor eufórico ou expansivo, insônia e com necessidade de poucas horas de sono, irritabilidade, raiva, hiperatividade (se envolve em diferentes atividades ao mesmo tempo), busca de atividades prazerosas, impulsividade (muitas das vezes se lançam em  projetos mais ousados), maior gastos em  compras, maior ingesta de  álcool ou  drogas, prejuízo do senso de perigo, aumento de energia física ou do pensamento, maior necessidade de sexo (aumento da libido), sintomas psicóticos (nos casos, mais graves), entre outros. Existem também os quadros de hipomania, que são os sintomas da euforia (sem sintomas psicóticos) de forma mais branda.
O curso é muito variado. Pode haver ciclos rápidos ou ciclos bem determinados com fases de ausência de mudança de humor no decorrer dos anos. Existem os estados mistos em que podem ocorrer esses sintomas ao mesmo tempo. Por exemplo, queixa de depressão, mas também relata pensamento acelerado. Nesse caso é muito comum ter confusão diagnóstica, porque normalmente o paciente relata apenas a depressão. 
Se o médico não for experiente não investiga os outros sinais, como o pensamento estar muito rápido. Com isso muitos são  tratados erroneamente como apenas um quadro de  depressão. Isso só faz piorar o seu quadro, pois nesse caso na maioria das vezes se utiliza apenas o antidepressivo.
O tratamento consiste em tirar o paciente da mania ou da depressão na fase aguda em um primeiro momento. Depois é preciso manter o paciente estável, sem oscilar nas mudanças de humor. Nesse caso, utilizam-se os estabilizadores de humor.
Os estabilizadores de humor são sais de lítio, alguns anticonvulsivantes (divalproato, lamotrigina, carbamazepina, oxcarbamazepina) ou antipsicóticos atípicos (risperidona, aripiprazol, quetiapina).
Como a maioria dos pacientes demora muito a receber o diagnóstico e o tratamento correto,  demora um pouco para se definir o melhor estabilizador de humor ou a melhor associação deles para cada paciente.
É fundamental estar associado uma terapia para que possam ser trabalhados aspectos psicológicos e estressores, associado a uma psicoeducação do Transtorno Afetivo Bipolar. Nessa parceria Psiquiatria e Psicologia é muito importante que ambos estejam trabalhando em sintonia para estabilidade do quadro de bipolaridade do paciente.
O tratamento é para toda a vida, pois se trata de uma doença neurobiológica. Outras dicas importantes, além de aliar o tratamento psiquiátrico e o psicológico do Transtorno Afetivo Bipolar, é evitar ingesta álcool, nunca usar drogas, sempre dormir bem, atividade física regular e evitar os estressores psicológicos e ambientais determinados na terapia.
Sugiro assistir o vídeo abaixo. Um programa de Bipolar com participação de professores e pesquisadores da área e relato de pacientes. Assim como ler os artigos publicados nesse blog em 28 de junho de 2011, 25 de setembro de 2012, 28 de abril de 2014, 6 de fevereiro de 2014, 28 de abril de 2014 e 5 de fevereiro de 2014.

Dificuldades em Aprender

As dificuldades no aprendizado constituem um problema de saúde.

Sabemos que cada criança tem seu tempo, mas existe uma faixa de flexibilidade para se considerar normal para cada faixa etária. Além desse tempo pode ser necessário realizar uma avaliação clínica, pois seu filho pode estar precisando de ajuda profissional. Quanto mais precocemente for diagnosticado mais rápido se fará a intervenção adequada ao seu filho.

Foi publicado na revista Pais e Filhos uma reportagem sobre esse tema. 

Dicas Para Pais Diante de Filhos com Irritabilidade do TDAH

Autora: Elizabete Possidente
A irritabilidade no Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) tende a acontecer em situações em que a criança ou adolescente foi contrariado ou frustrado. É necessário que os pais identifiquem o que antecede a irritabilidade do filho, e registrem com o profissional que está atendendo seu filho.
Deve ser conversado com o filho que foi observado que ele tem ficado muito irritado diante de determinadas situações. Por exemplo, sempre que a mãe desliga o vídeo-game, no horário de desligar a TV para dormir, ou quando recebe um não para alguma solicitação, a irritação aparece.
Essa conversa não pode ser no momento em que seu filho está irritado. Isso só vai desgastar a relação. No momento da crise de irritabilidade, os pais devem deixar os filhos sozinhos. Deve-se dizer claramente que haverá consequencias, por exemplo, ficar no quarto só, até se controlar e poder voltar ao convívio familiar. Não é um castigo, mas uma medida educativa, para ele aprender a lidar melhor com as suas emoções. Se for uma criança maior ou adolescente pode se combinar que ele coloque na porta do quarto um aviso de que precisa de um tempo controlar a irritabilidade.
Dentro dessa relação pais e filhos deve sempre haver o respeito. É sempre melhor ter a conversa em um momento de tranquilidade, abordando os fatores que predispõe essa irritabilidade. Com isso as crianças portadoras de TDAH vão ficar mais atentas às situações e melhorar o controle emocional, cada vez mais.
Os pais devem sempre valorizar os pontos positivos dos filhos e os progressos que vem apresentando.    Assim como fazer alguns acordos (“combinados”), onde melhorando em suas obrigações e na forma de lidar com as suas frustrações, ele possa conquistar alguns direitos e desejos.
Sempre é recomendado ser acompanhado e orientado por um profissional qualificado, que possa acompanhar seu filho e ajudar nesse crescimento.

Disfunções Sexuais associadas ao Transtorno de Pânico e/ ou Fobia Social

Durante meu Mestrado participei de um estudo sobre disfunções sexuais associadas ao quadro clínico do Transtorno de Pânico e Fobia Social. O link abaixo contem detalhes da publicação numa revista internacional especializada.

http://link.springer.com/article/10.1023%2FA%3A1010257214859

Adolescentes com Pais Fumantes tem o Dobro de Risco de Se Tornar dependente de Nicotina

Uma pesquisa da Universidade de Columbia e do Instituto de Psiquiatria de Nova York mostra que o adolescente tem maior risco de dependência de nicotina quando pelo menos um dos pais fuma. A relação ficou mais evidente quando se tratava da filha adolescente com a mãe fumante.
Esse estudo abordou 35 mil pares de adolescentes e pais.
Os adolescentes que não tinham pais fumantes admitiram já ter experimentado nicotina em 13% dos casos. Desses 5% se tornaram dependentes de nicotina. Já nos que tinham pelo menos um dos pais fumantes, 38% já tinham fumado na adolescência. Desses, 15% se tornaram dependentes da nicotina.
Esse estudo comprovou a influência direta dos pais nos seus filhos no hábito e dependência de fumar. Veja o link da reportagem publicada no o Globo em 4 de outubro de 2015

Sono Ruim Aumenta Risco de Doença Cardiovascular

Vários estudos tem relacionado sono insuficiente ou de má qualidade a um aumento do risco de doenças cardiovasculares, como o infarto e o acidente vascular cerebral.
Os adultos com sono ruim têm artérias mais rígidas. Portanto, deve se dar valor a uma boa noite de sono. Se você não está conseguindo deve buscar uma avaliação médica.
Veja no link abaixo a reportagem sobre um dos estudos realizados por cientistas coreanos com 47000 adultos com média de idade de 42 anos e publicado pela sociedade Americana de Cardiologista.

A Importância do Sono das Crianças

Autora: Elizabete Possidente
O objetivo desse artigo é que os pais saibam da importância que o sono tem para os seus filhos, e resolvam suas dificuldades de coloca-los para dormir.
Escuto muito nos meus atendimentos pais que se sentem culpados quando seus filhos querem curtir com os pais à noite. Se colocarem eles para dormir estariam sendo pais ruins. Ouço muitos dos responsáveis que ficam longe o dia todo a frase “…ele só pede para ficar comigo e não consigo dizer não..”.
Lembre-se que seu filho é uma criança, ele não sabe o que é melhor para ele. Os pais é que devem definir qual será a melhor rotina para o seu desenvolvimento. A criança pede o que ela acha que vai ser mais legal para ela, não tem conhecimento de vida nem maturidade para discernir sobre certas coisas, ainda. Dando um exemplo extremo, se ele cismar que o melhor para ele é comer pipoca em substituição ao jantar, você deixaria?
Vejo na avaliação das crianças e adolescentes que cada vez mais eles dormem  mais tarde. Ou seja, cada vez mais os filhos dormem menos.
Em paralelo a visão de prejuízo que os filhos têm por dormirem menos, também existe um déficit no tempo  que os pais teriam para se organizar,  planejar e conversar (inclusive  sobre a educação de seus filhos, o que não deve ser discutidos na frente da criança). Já estão super cansados e se desdobram junto às crianças depois de um dia exaustivo. Isso também causa um impacto negativo na relação dos pais que acaba levando um aspecto negativo no relacionamento com os filhos.
Os pais devem se informar sobre o número de horas de sono recomendado pela Academia Americana de Pediatria, que pouco se diverge de outras sociedades médicas. Se você como pai está tendo dificuldade de dizer para o seu filho vá dormir, busque informações médicas sobre isso.
O guia refere que as crianças devem:
– dormir de 16 a 20 horas por dia quando o bebê tem até seis meses.
– dormir de 14 a 15 horas por dia quando a criança tem de 6 a 12 meses.
– dormir de 10 a 12 horas por dia quando a criança tem de 1 a 3 anos.
– dormir cerca de 10 horas por dia quando a criança tem entre 11 e 12 anos.
– dormir cerca de 9 horas por dia na adolescência.
Quando isso não ocorre você impõe ao seu filho as seguintes consequências:
– desatenção
– desânimo e desmotivação
– cansaço
– maior probabilidade de acidentes por distração e redução de reflexos
– desaceleração do crescimento
– irritabilidade e impulsividade
– baixa tolerância á frustração
– deficiência de memória
– aumento de pesadelos
– aumento de risco para obesidade
– aumento de risco para dislipidemia
É muito importante manter a rotina de dormir de seu filho. Para isso é preciso ter uma boa higienização do sono. Deve se reduzir as luzes da casa, falar mais baixo, buscar atividades relaxantes, descartas atividades que a deixam mais excitadas noite (vídeo games, correr pela casa, filmes de terror etc) e rotina no horário do banho, jantar e de deitar. São medidas que já funcionam para avisar ao cérebro que já está na hora de dormir e o sono chegar mais rápido . Não basta falar para a criança está na hora de dormir porque são “X” horas e pronto, deve se preparar a criança e o ambiente doméstico para que isso aconteça no horário desejado. Crie uma rotina de sono, seu filho merece esse cuidado.
Nesse blog existem dois artigos que são complementares a esse tema: “Sono das Crianças”, publicado em 9 de março de 2011, “Insônia” em 18 de março de 2011, e  “Meu filho não quer dormir na sua cama”, de 4 de outubro de 2011.

Medo de Voar


Participei do programa “Ligado em Saude”, da TV Fiocruz, dia 24/09/2015, onde falamos a respeito do medo de voar e fobia de avião. Segue o link:
Publiquei um post sobre Fobia de Avião neste Blog em 28/03/2011.

Dicas para Melhorar a Secura na Boca Provocada por Efeito de Medicamento


Sabemos que a maioria das medicações usadas pela Psiquiatria podem provocar o efeito adverso de secura na boca. Além disso existem diversas outras medicações clínicas que também provocam esse mesmo sintoma, que se agrava ao associar o uso de um antidepressivo, ansiolítico ou estabilizador de humor.
Seguem algumas dicas para atenuar a secura na boca nessas situações:
– evite bebidas alcoólicas
– evite enxague bucais com álcool
– evite bebidas com cafeína, tais como, café, chá e refrigerantes.
– usar umidificador á noite
– usar lubrificantes para os lábios
– use um estimulador de saliva
– aumente a ingesta hídrica diária
São medidas que ajudam a atenuar a secura na boca e facilitar a adesão ao tratamento medicamentoso.

Anabolizantes: efeitos e dependência


Anabolizantes são hormônios sintéticos utilizados para aumentar a massa muscular, força física e resistência. Atualmente, devido ao culto ao corpo perfeito, tem aumentado muito o uso de anabolizantes. Essas pessoas desconhecem os efeitos negativos do uso dessas substâncias.
Os anabolizantes são encontrados na forma de injetáveis, comprimidos e cápsulas. Apesar do seu uso não ser recomendado no Brasil, eles vem sendo prescritos por profissionais de educação física, fisioterapeutas  e médicos.
Os principais efeitos colaterais são:
– acne
– aumento do pelo no rosto e corpo
– engrossamento da voz
-ciclo menstrual irregular
– redução do testículo
– redução da produção de esperma
– alteração de humor: euforia, irritabilidade, agressividade
– insônia
– redução da libido
– incapacidade de manter a ereção
– aumento da frequência cardíaca
– aumento da pressão arterial
– calvície
– limitação do crescimento pelo fechamento prematuro dos discos dos crescimentos ósseos em adolescentes
– aumento do colesterol
– hipertrofia do clitóris
– hepatoxidade
– problemas de tendão e ligamentos pelo desenvolvimento acelerado
– ginecomastia (aumento das mamas nos homens)
– super crescimento gengival
Os usuários passam a se tornar dependentes de seu uso. Eles ficam mais focados e felizes com o resultado de verem o seu corpo se transformando. Evolui para a dependência física e psicológica.
A Sociedade Brasileira de Medicina Esportiva refere que 80% dos usuários são homens entre 16 e 30 anos. Tem alto poder aquisitivo e boa escolaridade.
Aproximadamente metade dos pacientes, mesmo que já apresentem muitos efeitos adversos pelo uso de anabolizantes e serem alertados que precisam parar imediatamente, persistem no uso. Apesar de diversos artigos mostrarem que as mulheres não gostam de homens tão musculosos, esses homens continuam a usar anabolisantes e não se importam em se tornarem feios para a maioria. Consideram-se sempre mais bonitos a cada ganho de massa muscular.
O Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID) revelou que o uso de anabolizantes aumentou 75% nos últimos seis anos no Brasil. É necessária a divulgação de informações sobre os efeitos de seu uso, combate a venda ilegal, que na maioria das vezes ocorre dentro da academia, além de alertar as famílias para orientarem seus filhos que cultuam muito o corpo e que vem ganhando rápido massa muscular.

Prevenção ao Suicídio: Setembro Amarelo

O dia 10 de setembro é o dia mundial de combate ao suicídio. O Mês de setembro foi o escolhido para se ter campanhas e foi denominado como mês Amarelo.
Diversas reportagens têm surgidos para informar a população. No Rio de Janeiro o Cristo Redentor no dia 10 desse mês estava iluminado por uma luz amarela. É muito assustador o aumento de casos de suicídio. Só no último ano, houveram 12000 casos de suicídios no Brasil. Esses são os dados oficiais, sabendo que muitos casos não entraram nessa estatística. Não foi incluído, por exemplo, se a pessoa que morreu atropelada na estrada, mesmo se ela se jogou na frente do veículo. 
Sabemos que 90% dos casos de suicídio são decorrentes de doenças psiquiátricas. Entre 50% e 60% desses casos nunca buscaram tratamento psiquiátrico.
A informação é a melhor forma de prevenção. A pessoa que está sofrendo precisa ter noção de que seu sentimento é sintoma de doença e procurar ajuda. Ou o familiar ou amigo precisa identificar os sinais e sintomas e levar o paciente para um especialista.
Recomendo ler o artigo sobre Suicídio em jovens como a terceira causa de morte publicado nesse blog em 10 de julho de 2012. 
Assim como ler no link abaixo a cartilha publicada para combater o suicídio publicado pela Associação Brasileira de Psiquiatria.

Ansiedade dos pais contagia os seus filhos com medo da matemática

Autora: Elizabete Possidente

Uma deficiência comum em adultos refere dificuldades em matemática. No caso dos pais, mesmo que ele não conviva mais com matemática, os seus medos durante sua vida escolar continuam presentes. Muitas das vezes, esse medo passa para os filhos, e eles absorvem essa ansiedade, mesmo sem a percepção dos pais.
Essa “transferência” ocorre antes mesmo da criança se perceber com dificuldades na matemática. Vejo muito mensagens como essas sendo passado pelos pais as crianças: “Tadinho, já está aprendendo conta”. Nesse exemplo já está sendo passado para a criança que fazer cálculos é um trabalho árduo. 
Outro exemplo que percebo no começo do ano letivo: “Coitado, já vai ter até livro de matemática”. Na escola todos temos livros de matemática, português, geografia etc. Mas a ênfase negativa já é dada para matemática.
A criança funciona como uma esponja, absorvendo tudo de positivo e negativo que passam a ela. Com essas mensagens negativas sendo passadas, a chance dessa criança já encarar a matemática com temor é enorme. Se já começa a estudar com medo, vai ter maiores chances de notas baixas. Com as notas baixas, os pais irão reviver mais ainda seus medos e passarão maior ansiedade aos seus filhos, e assim vai se formando a bola de neve.
Várias pesquisas já comprovaram como a ansiedade à matemática contagia os seus filhos. É claro que os pais não querem sabotar os seus filhos, são os seus medos incipientes que acabam influenciando. Diversos outros estudos demonstram o efeito positivo quando o ambiente doméstico está modelado a passar como a matemática pode ser interessante ou que funciona como uma disciplina tão interessante como qualquer outra.
Se os pais têm essa ansiedade devem tentar não demonstrar, ou até evitar se envolver nessas atividades dos filhos. 
Muitos desses estudos já publicados em revistas especializadas. Veja abaixo um artigo publicado na Folha de São Paulo sobre esse tema.   

Estratégias Terapêuticas Para Crianças e Adolescentes com TDAH


Algumas sugestões que podem ajudar:
– Converse e tire dúvidas com o profissional sobre TDAH
– Solicite que a escola faça contato com o profissional que atende a criança com TDAH para elaborar um projeto escola/aluno mais adequado ao quadro de seu filho.
– Crie uma rotina – horário de acordar, ir ao colégio, refeições, estudos, atividades extra-classes, banho e dormir. De segunda a sexta, tudo bem definido.
– Deixe essa rotina escrita num quadro de avisos. Deve ser bem visível para que a criança possa consultar. Ou o responsável apontar para o quadro e ensinar a ele a consulta-lo, não simplesmente falar a todo o momento “agora é hora disso … hora daquilo … “.
– Com crianças maiores criar o hábito da agenda – anotar todos os compromissos e tarefas.
– Não permitir o uso de eletrônicos em horários não apropriados. Não pode estar almoçando e mexendo no tablet, por exemplo. Isso incentiva a desatenção.
– Não permita eletrônicos no horário próximo de dormir. Isso dificulta ou perturba a noite de sono. Buscar atividades mais tranquilas no período noturno.
– Organizar a casa e especialmente o seu quarto / local de estudos.
– Motivar sempre a manter em dia suas tarefas escolares, apesar das dificuldades. Insistir que faça sozinho, o responsável deve apenas ajudar nas dúvidas.
– Estimular a realizar as suas tarefas sozinhas, sejam escolares ou pessoais (por exemplo a organização do quarto). Quando os filhos são muito jovens, os pais podem supervisionar e ensina-los a serem independentes.
– Trabalhar a passagem de tempo. As crianças com TDAH tem dificuldade na percepção do tempo. Incentivar a acompanhar suas atividades com o tempo. Por exemplo, defina que o banho deve durar até 10 minutos. Após esse período, tocará um alarme. No início, é comum muitos nem iniciarem o banho no prazo. Se perderam no tempo com apenas brincadeiras e devaneios. Mas com o condicionamento, vai essa percepção vai sendo dominada.
É fundamental adquirir essa percepção de tempo para não ter prejuízo em distribuir o tempo na feitura das questões de uma prova, por exemplo.
Recomendo também ler no blog “Dicas para melhorar a concentração nos estudos” publicado em 10/09/12, e “Medidas Terapêuticas Praticadas pelos Pais de crianças com TDAH diante das notas baixas” de 06/06/12.

Alteração do Sono na Menopausa


A Menopausa é uma fase da vida da mulher em que ocorre uma queda de diversos hormônios, levando a alterações físicas e psíquicas (veja o artigo “Manifestações Psíquicas na Menopausa” publicado nesse blog em 19/09/14). Isso resulta na redução dos estrógenos e no aumento na síntese de Monoamina, pelas alterações das vias serotoninérgicas e noradrenérgicas. Nem sempre a reposição hormonal é suficiente para restauração completa dessas vias.
A insônia é uma das alterações comportamentais que podem ocorrer. Essa queixa pode surgir anos antes da interrupção da menstruação e se agravar depois disso. Outra alteração do sono comum na mulher é a apneia do sono. Com a superficialização do sono e diversos despertares, a mulher se sente muito cansada, por não ter um sono reparador.
A mulher com insônia e menopausa deve ser avaliada por ginecologista e psiquiatra. O ginecologista avalia as alterações hormonais e a possível reposição hormonal. O psiquiatra ao avaliar a insônia percebe se é sintoma de um quadro de ansiedade ou de depressão, podendo ser indicado antidepressivo.
Se a insônia for consequência da apnéia do Sono é indicado o CPAP (Continuous Positive Airway Pressure) pelo especialista. Se não for é indicado um indutor do sono por um período curto.
É claro, sempre essas medidas devem estar associados a controle de peso, atividade física e suporte emocional, para que a mulher enfrente melhor essa mudança de fase de vida.

Acumulador de Animais (Hoarding)


Acumulador de animais (ou Hoarding) é uma patologia que leva as pessoas a acumularem animais e negligenciarem sua vida pessoal, profissional e social.
Esse quadro pode fazer parte de outra patologia, especialmente Transtorno afetivo bipolar, Fobia Social e TOC. É caracterizado por um grande número de animais que são cuidados pela mesma pessoa. São tantos animais que, apesar da intensão de protegê-los e amá-los, acaba havendo descuido pela superlotação e condições de higiene desfavorável.
Em alguns casos há acúmulo de fezes e urina nas áreas sociais da casa. O acumulador perde a percepção da sujeira e da falta de higiene. Outros casos são tão graves que podemos encontrar animais mortos acumulados junto com os outros, despercebidos pelo acumulador. 
A maioria dos acumuladores de animais são mulheres com mais de 60 anos e que vivem sozinhas ou solteiras.
Este quadro coloca a saúde do acumulador e dos animais em risco. Essa pessoa deve buscar tratamento psiquiátrico e psicoterápico para melhora clínica.

Enxaqueca


A Enxaqueca ou Cefaleia Migrânea é a quarta doença crônica incapacitante do mundo, conforme a OMS (Organização Mundial de Saúde), como publicado no “O Globo” em dois de agosto de 2015.
Caracteriza-se por uma dor de cabeça, idiopática, recorrente, pulsátil e geralmente acompanhada de náusea, aumento da sensibilidade a barulho e luz.
A incidência da Enxaqueca em mulheres fica entre 15% e 20% e nos homens varia entre 5% e 10%.
Os principais fatores desencadeantes de enxaqueca são:
– Alimentação (queijos amarelos, salsichas e outros alimentos em conserva da cor vermelha, frituras, chocolate, álcool e cafeína).
– Uso excessivo de analgésicos.
– Estresse
– Variações bruscas de temperatura (quando subitamente sai de um ambiente quente para um ambiente frio ou vice versa; também pode ocorrer quando se ingere líquido gelado num momento em que o corpo está quente).
– Alterações hormonais
– Privação abrupta de cafeína em pessoas que faziam uso exagerado.
– Aumento grande do intervalo entre as refeições.
– Sono prolongado.
O tratamento é dividido em atacar a crise e prevenir que aconteça uma recidiva. Existem analgésicos apropriados para enxaqueca em momento de crises e outros para prevenir a enxaqueca. Tudo isso aliado ao combate aos fatores desencadeantes (ver artigo de enxaqueca nesse blog em 15/12/11).

Acumulador Compulsivo (Disposofobia)


O Acumulador compulsivo é o indivíduo incapaz de descartar objetos por achar que poderá ser útil em algum momento. Ele recolhe bens e objetos que a maioria das pessoas descartam.
Com o tempo, acaba vivendo em condições insalubres, porque com a aquisição excessiva não tem espaço e nem a limpeza adequada do local onde mora.
É capaz de dividir a casa em função dos objetos acumulados, mesmo causando prejuízos. Por exemplo, não usa o banheiro ou a cozinha porque está lotado de objetos. É claro que no início abre mão de um móvel, como uma mesa ou um sofá. Sem o tratamento, vai se estendendo pela casa.
Pode ter muitos animais de estimação e sem o cuidado apropriado. Acumula sucatas ou lixo (como embalagens) e vai amontoando em pilhas pela casa. O acumulador nega que esse comportamento seja exagerado, apesar de ter vergonha do hábito. Não consegue controlar o seu impulso.
Acabam se afastando e se isolando por causa do problema, o que dificulta o processo de ajuda.
Não existe uma necessidade de acumular, apenas o desejo.  Ou seja, não existe necessidade física ou real do compulsivo adquirir aquele objeto. Tive contato com um paciente que chegava a guardar pregos usados e enferrujados, porque um dia poderiam ser úteis. Chegou a fazer uma obra em casa e armazenar toda a sucata. A satisfação vinha só com o fato de saber que guardava o material.
Para que o tratamento aconteça é preciso ter consciência de que existe uma doença. Serão necessárias intervenções terapêuticas, associado à medicação, para se quebrar o ciclo de acumular coisas desnecessárias.

Compulsão Por Compras (Oniomania)

Autora: Elizabete Possidente

Publiquei um artigo com a definição e o quadro clínico dessa patologia nesse blog em 20 de março de 2011.

É uma patologia que acomete entre 5% a 6% da população. É caracterizada por:

– Preocupação excessiva e perda de controle por comprar.
– Tentativa frustrada de reduzir o ato de comprar
– Mentiras para encobrir as compras.
– Buscam comprar para aliviar frustrações, tristeza ou ansiedade.

A maioria das pessoas que sofrem de compulsão ou descontrole por compras só buscam esse tratamento quando estão com um grave prejuízo social, profissional e financeiro.

Por isso divulgo a pesquisa do Instituto de Psiquiatria do HCFMUSP, de grande importância e ajuda para pessoas que sofrem dessa patologia. A instituição busca pessoas de 21 a 60 anos que apresentam compulsão ou descontrole por compras para participar do estudo. Os selecionados receberão o tratamento médico, os medicamentos e a psicoterapia.

Os interessados devem entrar em contato pelo tel (11) 26617805 ou por email: compradorescompulsivos.hc@gmail.com

Site: www.amiti.com.br

https://www.facebook.com/hospitaldasclinicasdafmusp/photos/a.1398287123773264.1073741828.1391979501070693/1587938034808171/?type=1&theater