A Importância de Deixar os Filhos Terem Frustrações

Autora: Elizabete Possidente
Atendo muitos pais no consultório sofrendo porque não querem que os seus filhos tenham nenhum tipo de decepção. Na tentativa de serem super-pais se desdobram para que os seus filhotes não sofram. Pena que eles não sabem que é fundamental existirem frustrações, para que eles saibam que a vida é feita de momentos bons e ruins. Aprenderem que os momentos ruins passam também. Os pais devem perceber que também atendo muitas crianças e jovens encaminhados por escolas, pais e médicos em emergências (por se cortarem, se baterem, tentativas de suicídio, abuso de álcool, drogas etc.) porque não sabem lidar com a frustração.
Por exemplo, seu filho, ainda bebê, chora porque não pode brincar com o controle remoto da TV. Sempre que o responsável diz não numa situação com essa, o bebê aprende que deve respeitar seus pais e, que aquela tristeza diante da frustração passa. Quando um pouquinho maior, o responsável diz não e ele chora de soluçar, faz birra, muitas das vezes desaba de cansaço de tanto chorar. Ele acorda novinho em folha, ele aprende que aquele momento ruim passa.
Agora, se os pais não permitirem que seus filhos aprendam essa lição da vida, de que existem momentos ruins e que essa dor é passageira, quando maiores, e problemas como esse ocorrerem, vão achar que a vida acabou e a dor será muito maior, pensarão que não terá fim. Por mais que os pais digam que enquanto forem vivos protegerão sua prole, isso não será verdade, quando eles forem adultos existirão muitos momentos que os pais não poderão interferir.
Certos comportamentos são decorrentes dessa baixa tolerância à frustração. Atendo crianças e jovens que estão descontentes com a sua aparência, e esse problema passa a tomar a vida dela. Ou ainda, querem ser aceitos por um grupo ou namorar uma determinada pessoa, e ao receberem a negativa sofrem. Todos nós passamos por isso, mas a diferença que quando já tivemos frustrações na Infância, sabemos que o tempo é um bom remédio para aliviar esse sofrimento. Quando o indivíduo nunca sentiu dor ou angústia, diante de uma decepção, acredita-se que aquele sofrimento é muito assustador e é eterno. Essa sensação de dor e a crença de que nunca irá acabar leva a comportamentos depressivos, impulsivos ou até ao uso de álcool ou drogas na tentativa de aliviar a sensação ruim.
Deixe o seu filho se decepcionar ainda na Infância com coisas normais da vida. Não ter o presente que queria em um passeio no shopping, não comprar tudo que deseja durante uma viagem, não dormir na casa de um amigo ou não trazer um amigo, em dia inconveniente para a família, não ir à festa que todos vão, devem ser experiências de vida, são situações de negativa normais na vida de todos. Ele, com o tempo, vai aprender a conviver com esse “não”, e até entender que aquela negativa teve motivos para acontecer.
Faça bem ao seu filho, deixe se decepcionar com as coisas comuns na idade, enquanto pode aprender no seu colo.   

Mamada de Gêmeos – Ansiedade da Mãe

Talvez pelo aumento da população de gêmeos (de 1% para 3% no Brasil), passei a receber no consultório muitas grávidas e mães de gêmeos com queixas de ansiedade e preocupação sobre como lidar com esse desafio.

É claro que ser pai de gêmeos é muito cansativo. Associado a isso existe uma adaptação do casal aos bebês, ao aumento dos gastos e a falta de tempo. Para atenuar essa fase de adaptação é importante tentar simplificar a rotina com os gêmeos (ou trigêmeos, quadrigêmeos etc.) para ter menos impacto na vida conjugal e reduzir a ansiedade dessa nova fase.
Muitas pacientes se queixam de que se perdem em quem tomou banho, arrotou ou trocou fralda, e isso gera insegurança e medo de fracassar como mãe. Sugiro criar tabelas, para saber quem mamou, tomou banho, trocou fralda etc. Para quem nunca teve filhos ou teve, mas não gêmeos, pode parecer bobagem essa ideia da tabela, mas para quem está cansada, muitas noites sem dormir e com vários bebês em casa, isso ajuda bastante.
Outra dica é tentar uma posição confortável para tentar amamentar os gêmeos ao mesmo tempo. Com isso, há reforço na produção de leite, e se cria uma rotina mais semelhante de dormida para os bebês. Deve-se tentar que os dois (ou três, ou quatro) durmam no mesmo horário, para que a mãe possa descansar junto. Se cada um mamar num horário, a mãe não fará outra coisa e não descansará.
É necessário também criar momento de interação dos pais com cada gêmeo separado e juntos, para aprofundar a ligação, à medida que forem crescendo. Isso ajuda na identificação de cada bebê como indivíduo, já que eles não se reconhecem como único, pois ficaram muito tempo juntos no útero.

Essas medidas são importantes para atenuar o estresse dos pais de gêmeos. Se começarem a vida como pais com ansiedade e sensação de fôlego curto, essa empreitada trará consequências na vida familiar a médio a longo prazo. 

Entenda o TDAH

Veja o excelente vídeo sobre TDAH apresentado em outubro de 2012 em http://www.tdah.org.br/br/noticias/videos.html

Para complementar recomendo a leitura nesse blog dos comentários publicados em 05/04/2011, em que há definição do que é a patologia e dos tipos e tratamento. Em 03/06/2012 há um artigo que comenta a lei Municipal que beneficia os portadores de TDAH.

Há medidas terapêuticas praticadas pelos pais de crianças com TDAH publicadas em junho de 2012 também nesse blog.

É importante se compreender a doença e as consequências da ausência de tratamento, reduzindo assim o preconceito por falta de informação.   

Depressão

Um vídeo publicado pela Organização Mundial de Saúde tenta mostrar como uma pessoa com depressão se sente, como vê a vida nesse prisma da depressão e como são as mudanças com o tratamento medicamentoso e psicoterápico.

Veja no link:  http://vimeo.com/27358492

Vale a pena assistir e devido à clareza na apresentação. Ele serve para ilustrar a depressão para adultos, adolescentes e crianças.

Recomendo também a leitura dos artigos comentados nesse Blog nos dias 13 e 24 /04/2011 e 10/07/2012, para complementar a compreensão.  

Pesquisadores afirmam que 625 mil crianças com TDAH não são diagnosticadas no Brasil

Pesquisadores avaliaram 6,3 mil crianças de 5 a 12 anos, em 18 estados brasileiros. Essa avaliação foi realizada através de questionários, aplicados aos pais e professores.

Os resultados foram analisados por médicos da USP, UNICAMP, do Albert Einstein College of Medicine (EUA) e pelo Instituto de Neurociência de Ribeirão Preto. O resultado foi que 3,3% da população infantil nunca trataram o TDAH e outros 2,3% nem sabiam que tinham a doença. Ou seja, 625 mil crianças não são diagnosticadas no Brasil.

Esses índices são preocupantes. Diversas crianças podem ter as suas relações sociais e de estudo prejudicadas pela ausência de tratamento. É sabido que uma criança com TDAH tem sete vezes mais chances de sofrer um acidente doméstico, e nove vezes mais chances de ser hospitalizada por contusões e fraturas, do que crianças sem o distúrbio.

É também conhecido que esses pacientes tem maior chance de abandono escolar, de sexo precoce, gravidez indesejada, de uso de drogas e álcool.

Viver com ansiedade ou depressão reduz expectativa de vida

Pesquisa publicada no hyperscience.com mostra que viver com ansiedade ou depressão reduz expectativa de vida. Esse estudo ocorreu entre 1994 e 2004 através de informações colhidas com mais de 68 mil adultos.
Foi concluído que quem sofre de ansiedade ou depressão, mesmo que leve, é 29% mais propenso a morrer por doenças cardiovasculares ou acidentes vasculares cerebrais (AVC). Quando se estende para outros transtornos psiquiátricos englobados, a incidência de morte sobe para 43%. Quando em graus elevados de ansiedade e depressão 94% das pessoas morrem por doenças cardíacas ou AVC.
Se você sofre ou conhece alguém que sofra de ansiedade ou depressão é fundamental conhecer as consequências da ausência de tratamento, para destacar a importância de buscar ajuda médica.

Álcool com energético causa problemas cardíacos

Um estudo feito pela Universidade de Tasmânia, na Austrália, demonstrou que a associação de energético com bebida alcoólica aumenta alteração do sono e palpitações cardíacas.
Foram avaliados 400 homens e mulheres entre 18 e 35 anos. Concluiu-se que os que faziam essa mistura tinham seis vezes mais chances de ter taquicardia, hipertensão arterial e disfunção do sono. Acredite-se que esse fenômeno ocorra pela alta concentração de cafeína nesses energéticos.

Portanto não devemos aceitar livremente o depoimento das pessoas que afirmam ser benéfico associar energético com álcool, já que assim seria reduzida a quantidade de ingesta alcoólica. Na verdade existe um problema, graças ao aumento significativo das chances de complicações, também associado a essa “mistura”.
Veja o estudo na íntegra.

Transtorno Bipolar

A bipolaridade é uma doença bastante comum na população e causa grande prejuízo na qualidade de vida. 
São necessários entre 8 e 12 anos para o paciente buscar o tratamento adequado. Muitas vezes ele é definido como uma pessoa de temperamento forte, e isso faz com que adie ainda mais o tratamento. Veja neste blog a publicação de junho de 2011 sobre o assunto.
O Transtorno Bipolar é considerado uma doença como outra qualquer, sendo preciso manter a medicação para conseguir a estabilidade.
Abaixo alguns vídeos apresentados em setembro de 2012 no programa Fala Brasil com apoio da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) para divulgação e conhecimento do Transtorno Bipolar.



Dicas Para Melhorar a Concentração nos Estudos

Veja no link abaixo dicas publicadas recentemente no guia do estudante para melhorar a concentração na hora dos estudos:
Vamos destacar algumas dessas dicas:
– Não apenas leia a matéria, escreva também.
– Prefira escrever a mão e não digitar.
– Faça resumos ou coloque em tópicos os dados importantes da matéria estudada.
-Revise a matéria que aprendeu no mesmo dia dado em aula para facilitar a memorização.
– Estude sozinho.
– Desligue aparelhos eletrônicos. Não fique dando uma espiadinha para verificar as novidades no Facebook, por exemplo.
– Estude em local organizado e tranquilo.
– Use marca texto ou canetas coloridas para facilitar manter o foco nos dados mais importantes da matéria.
– Respeite o seu tempo. Por exemplo, se é mais produtivo pela manhã, deixe para estudar o que é mais difícil nesse horário.

Caso, mesmo assim esteja com muita dificuldade, procure um especialista para uma avaliação. Você pode estar apresentando doenças físicas (por exemplo, anemia e hipotireoidismo), de aprendizado (dislexia, discalculia etc) e neuropsiquiátricas ( TDAH, ansiedade, depressão, bipoloaridade etc)   

Amamentação e Uso de Medicamentos Controlados pela Mãe

Muitos psicofarmacos são compatíveis com a amamentação. Alguns são contra indicados devido à sonolência excessiva ou por risco de dependência. Outros devem ser utilizados com  cautela por causa de efeitos adversos nos lactentes ou por reduzir o volume de leite.

Deve ser feito uma análise conjunta do psiquiatra e do pediatra para avaliar os riscos e benefícios do uso da medicação para a mãe e o seu bebê, assim como os riscos de se suspender a medicação durante a amamentação para a mãe, o que pode prejudicar o desempenho emocional dessa parceria mãe e bebê .

Gravidez e Medicamentos Controlados

É comum chegar ao meu consultório gestantes sofrendo de depressão ou ansiedade. Essas pacientes ou nunca fizeram tratamento e tiveram o início (ou agravamento) de seu quadro com o estressor emocional da gestação, ou tiveram o seu tratamento prévio interrompido por orientação do obstetra ou conselho da família.
Esse conselho de que não se deve usar medicamento controlado na gravidez porque pode fazer mal ao bebê, na maioria das vezes, é acompanhado de outra recomendação, a de tentar calmantes naturais para controlar a ansiedade. Esses calmantes naturais (a maioria deles) não se baseiam em nenhum estudo científico, e ainda tem procedência duvidosa. Ou seja, desses não se conhece os seus efeitos colaterais na gestação e no feto. Não é porque é natural que não faz mal, temos como exemplo o chá de cogumelos, que é altamente alucinógeno e é natural, ou ainda a maconha, uma folha, que prejudica a memória, entre outros.
Na maioria das vezes, conviver com a depressão ou ansiedade é muito mais prejudicial à mãe e ao bebê do que fazer o tratamento medicamentoso. Isto porque a gestante, nessa situação, libera cortisol, hormônio do estresse, que fica circulante na mãe e no feto. O cérebro em formação do feto, ao ser acostumado com altas doses de cortisol, passa a ter menos receptores para esse hormônio, dificultando para toda a sua vida o enfrentamento nas situações de estresse.
Por isso, é muito importante procurar ajuda de um profissional Psiquiatra, com experiência e conhecimento das medicações não contraindicadas pelo FDA, e que junto com o obstetra possa  avaliar o risco / benefício para a grávida e seu bebê.

Ler no Computador no Escuro à Noite Aumenta a Chance de Depressão


Pesquisadores da Universidade de Ohio nos Estados Unidos observaram que pessoas que leem no computador ou assistem televisão á noite, num cômodo escuro, tem maior chance de terem depressão.


Esses pesquisadores realizaram experiencias com hamsters em laboratório, obtendo resultados semelhantes.


Segundo esse estudo devemos evitar ler ou ficar com a atenção voltada para um foco de luz em ambientes escuros.

Estudo demonstra que 62% dos usuários de maconha são jovens com menos de 18 anos

A Folha de São Paulo publicou em 2/08/2012 o segundo levantamento Nacional de Álcool e Drogas. Esse estudo foi feito por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo e do Inpad (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para políticas Públicas de Àlcool e Drogas), durante o período compreendido entre janeiro e março. Foram feitas entrevistas domiciliares em 149 cidades brasileiras.
O Resultado foi que aproximadamente 1,5 milhão de jovens usam maconha diariamente, e que 62% deles são jovens menores de 18 anos.

Isso é alarmante, pois tem nos mostrado o aumento grande no consumo de drogas por adolescentes.

Apoio : Psicofobia como crime previsto no Código Penal Brasileiro

Psicofobia é uma expressão que está sendo usada por todos os profissionais de Saúde Mental, como forma de combater o preconceito à existência de doença mental. Pode se manifestar de diferentes formas: negar a própria existência de doença mental, tratar a doença  como menos importante que outras ou apenas por repulsa de quem sofre desse mal.

Assim como o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Dr. Antonio Geraldo da Silva, devemos todos manifestar esse apoio através da divulgação da psicofobia e das doenças mentais.
No momento a psicofobia está incluída no anteprojeto de revisão do novo Código Penal Brasileiro, que já está em mãos do presidente do Senado Federal, José Sarney.

Todos nós devemos acompanhar e apoiar essa inclusão

Manifesto de Esclarecimento à Sociedade sobre o TDAH – Diagnóstico e Tratamento

Devido a diversas reportagens em revistas, jornais e televisão, em que diferentes profissionais de saúde e leigos dão suas opiniões pessoais, a maioria sem embasamento científico, a Associação Brasileira de Déficit de Atenção, Associação Brasileira de Psiquiatria, Associação Brasileira de Neurologia e outras entidades,  fizeram um manifesto para esclarecer a sociedade sobre o assunto.

O objetivo é que os pacientes com Transtorno de Défict de Atenção e Hiperatividade possam receber o diagnóstico e tratamento corretos para sua qualidade de vida.

Veja no link do manifesto, de 13 de julho de 2012:

Alerta : Suicídio é a Terceira Causa de Morte mais Frequente nos Jovens

No Brasil, o suicídio é a terceira causa de morte entre os jovens. Perde apenas para morte por acidentes ou homicídios. E essa taxa vem subindo absurdamente. Estudos mostram que no Brasil 24 pessoas morrem por suicídio a cada dia, sem contar os muitos que tentam e não o conseguem.

Na maioria das vezes, os jovens não buscam ajuda por medo de serem ridicularizados, ou de que todos saberão de seu problema. Deve-se estar atento a mudanças de comportamento nos adolescentes, como se automutilarem, se desfazer de pertences queridos doando aos amigos, mudança de humor, isolamento. São sinais que os pais, amigos, professores e profissionais de saúde devem ficar atentos.

Veja também a matéria que foi veiculada no dia 22/06/12 na Folha de São Paulo sobre esse tema.

Neurolink em SP – Conversa com Jeffrey Halperin

Foi discutido no evento Neurolink realizado nos dias 23 e 24 de junho em São Paulo a importância da abordagem multidisciplinar no tratamento do Transtorno de déficit atenção (TDAH).

Dentro dos profissionais palestrantes tivemos a oportunidade de ouvir o psicólogo norte americano Jeffrey Halperin.  Ele nos ensinou jogos que trabalham a atenção, a memória, habilidades motoras e de planejamento, para se fazer junto a criança. A intenção é ajudar os pais, através de brincadeiras, a melhorar a atenção dos filhos.

A revista Crescer, sabendo a importância de se tratar as crianças com TDAH, aproveitou a oportunidade de entrevistar o neuropsicologo.

Veja no site:

 http://www.facebook.com/l.php?u=http%3A%2F%2Frevistacrescer.globo.com%2FRevista%2FCrescer%2F0%2C%2CEMI310838-15327%2C00-MAIS%2BCAMINHOS%2BPARA%2BO%2BTDAH.html&h=SAQGvM0Ce 

Dicas para Reduzir o estresse dos pais e dos filhos com TDAH diante das notas baixas

Agora novamente veio o boletim da escola. Apesar do tratamento do TDAH, as notas ainda não foram boas. O que devo fazer?
– Veja se as notas baixas são decorrentes de perda de material ou conteúdo escolar. Ajude a se organizar e tenha em casa um kit reserva do material escolar. Por exemplo, monte um kit com canetas, réguas, transferidor etc. Tenha em casa para emergências.

– Deixe tudo pronto na noite anterior. Veja o quadro de horário e identifique todo o material que deve ser levado. Lembre-se que com todos os livros ele já tem desatenção, pior será assistir aula sem o material didático para acompanhar.

– Organize junto com o seu filho a sua rotina de estudo. Além dos horários do dia a dia, quais são as matérias que precisará priorizar no seu tempo de estudo para recuperar a nota.

– Reveja o plano de educação do seu filho. Marque uma reunião com a escola. Veja se ele precisa de auxilio em comportamento ou no plano de estudo. Trace com a escola estratégia para identificar e auxiliar em que disciplinas ele precisa melhorar. Pergunte se é preciso comprar material didático extra ou aula com professor para reforço.

– Reveja com o profissional e com a escola se a nota baixa foi por falta de tempo suficiente em realizar as provas. Nesse caso, o profissional deve junto à escola traçar metas de tempo para a realização de provas, conforme as características da evolução individual naquele momento.

– Se seu filho tem baixa autoestima, coloque atividades extras que reforcem os seus pontos fortes. Por exemplo, adora música, então o coloque para aprender um instrumento.

– Tenha em mente que seu filho precisa de ajuda para fazer o dever de casa, por ser muito lento. Converse com a escola sobre o que pode ser feito para auxiliá-lo. Lembre-se que é fundamental essa criança ter o seu canto de estudo na casa, bem organizado e num lugar bem tranquilo.

– Faça junto com o seu filho um calendário semanal em que coloque todas as suas atividades, inclusive as sociais. Com isso, ele terá noção de tempo e como administrá-lo diante dos compromissos.

– Ajude a seu filho colocar metas e traçar planos para melhoria das notas. Sempre colocando na sua realidade, tendo os seus pontos fortes e fracos para melhorar.

– Reavalie junto ao profissional se está sendo feito o tratamento mais adequado: medidas terapêuticas, medicamento e dosagem.

E, o mais importante: nunca desista de seu filho. Ele precisa de ajuda.

MedidasTerapêuticas Praticadas pelos Pais de Crianças com TDAH

Depois de seu filho receber o diagnóstico de Transtorno de déficit atenção e hiperatividade (TDAH) é recomendado os pais tomarem algumas medidas.

– Ler bastante sobre TDAH. Pegue dicas de leitura com o profissional que atende o seu filho.

– É importante fazer uma autoavaliação. Lembre-se que TDAH é uma doença genética. É muito comum pelo menos um dos pais se dizerem parecidos em menor ou maior intensidade. Caso, isto aconteça, busque ajuda para você melhorar e poder ajudar mais o seu filho.

– Converse com a escola sobre o diagnóstico e o tratamento. Deixe o contato do profissional com a escola para que o professor possa tirar dúvidas de como lidar com o seu filho na sala de aula.

– Saiba que o seu filho tem dificuldade de se organizar. Ajude-o a se organizar e manter a sua organização. Não faça as tarefas por ele, apenas auxilie. Por exemplo, ao fazer o dever de casa, ele nunca acha o material que precisa. Ensine a organizar a sua escrivaninha, de forma que tudo esteja organizado e com fácil acesso.

– Saiba que seu filho tem facilidade em esquecer compromissos. Ajude a anotar os dados importantes numa agenda, como deveres de casa, provas, consultas, aniversários dos amigos e familiares. Não seja a agenda dele, auxilie a criar uma organização, e supervisione apenas.

– Fale com o seu filho olhando nos olhos dele. Se for criança pequena, se abaixe e fale.

– Fale devagar e com tranquilidade. Caso esteja gritando, chamará a atenção para o seu nervosismo e não para o que é dito.

– Se o seu filho não consegue parar de falar e não consegue aceitar interrupção, deixe falar. Ao terminar seu discurso diga que agora é a sua vez e que ele precisa ouvi-lo.

– Nunca continue falando quando o seu filho está na fase de que não consegue parar de falar. Isso apenas vai deixar ele mais distraído e você desgastado.

– Combine com ele que quando não conseguir que ele perceba que não está se controlando ao falar demasiadamente, sempre mostrará com um sinal. Por exemplo, com um levantar de mão.

– Fique atento ao que é desatenção ou birra. Por exemplo, pede para sempre fechar a porta do armário. Quando ele deixar aberto, não grite ou feche a porta, apenas o conduza para fazer. Isso deve ser repetido todas as vezes que se fizer necessário. Se for birra, ele não vai querer voltar para fazê-lo. Nesse caso repreenda ou coloque de castigo, como deve ser feito com qualquer criança.

– Se ele se distrai muito no banho, ajude determinando um tempo.

– Se ele perde a noção de tempo, coloque despertador ou celular para despertar.

– Se ele se perde no tempo com mensagens e facebook, perdendo o horário das suas atividades, determina horários para que possa falar com os amigos e ficar no faceboook após os deveres.

– Ajude com lembretes para que não esqueça das tarefas. Por exemplo, arrumar a mochila e separar o uniforme antes de dormir. Caso se esqueça, faça pensar. Diga o que é preciso fazer antes de dormir ou leia o lembrete.

– As regras da casa devem estar bem claras. Devem existir horários e funções bem definidas para a criança. Por exemplo, horário de fazer dever de casa, dormir e jogar vídeo game. Não pode ser cada dia de uma forma, é necessário manter a regra para ajuda-lo a se organizar na vida. A rotina é importante.

– Ajude seu filho a apender a arrumar o seu quarto. Muitas das vezes, é mais fácil arrumar por ele, mas é necessário ensiná-lo a arrumar cada cantinho do seu quarto. Você pode ajudá-lo, ou seja, fazer junto dele, ou ficar ao lado dele dizendo como deve ser feito.

– Saiba que nos momentos de birra não adianta gritar, o que só vai deixa-lo mais agitado. Seja firme e converse sobre os detalhes dessa situação, depois que tudo acabar.

– Sente com o seu filho cinco minutos e coloque as metas da semana. Registre o que precisa melhorar e o que você como pai pode fazer para auxiliá-lo nas tarefas.

– Crie uma lista com os principais objetivos que deseje melhora antes de começar o ano letivo. Também deixe registrado por escrito.

– Trace um plano para melhorar o ano letivo, como médias, organização, deveres de casa e cumprir horários. Prometa a ele que estará presente para ajudá-lo a cumprir o plano para melhoria.

– Sente com ele regularmente avaliando as propostas feitas. Veja o que vem melhorando e pontue com elogias e recompensas. Identifique o que não vem sendo cumprido e tente mostrar o que pode ser feito no dia a dia para melhorar.

– Sempre identifique as evoluções: elogie, elogie e elogie.

Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC)

O Transtorno obsessivo compulsivo (TOC) é a quarta doença mental entre as mais comuns. Cerca de 1% das crianças em idade escolar sofrem de TOC. Dos adultos com TOC, cerca da metade teve início dos sintomas na Infância ou adolescência.

Quando ocorre em adultos, os pacientes sabem que seu comportamento é estranho e sem sentido. Tentam esconder. Sabem que racionalmente deveriam controlar o impulso ou o pensamento, mas não conseguem. Já na criança, pode não existir nenhum tipo de crítica. Podem perceber que tem um comportamento exagerado, mas sem a crítica. Muitas tem medo de serem repreendidas ou não entendidas pelos adultos e amigos; com isso, não contam o que consideram a sua “ brincadeirinha”  pessoal.

O TOC se caracteriza pela presença de obsessões e/ou compulsões e que causam prejuízo funcional ou sofrimento para o indivíduo. Obsessões são pensamentos repetitivos que “penetram” na mente da pessoa sem a sua vontade, sem sentido ou de forma exagerada. Já as compulsões são comportamentos repetitivos, em geral para reduzir o desconforto ou para evitar que algo aconteça.

Um exemplo bem recente que ocorreu na minha sala de espera. O paciente, aguardando para o atendimento, ouviu uma música cuja cantora já tinha falecido. Ele tinha a crença de que ao  ouvir alguém morto, precisava bater com as mãos cerradas na madeira para evitar que a pessoa mais próxima a ele morresse. Como a música não cessou, ele não suportou e precisou aguardar no corredor, mas batendo no portal da sala de espera, incessantemente.
Noventa e cinco por cento de todos os pacientes com TOC, quando chegam ao consultório, tem outro diagnóstico psiquiátrico associado, como depressão, ansiedade e Transtorno Bipolar. Os adultos chegam ao consultório trazendo o TOC como queixa principal. Relatam que sabem ser irracional, mas que não conseguem parar os pensamentos e impulsos.

As crianças chegam ao consultório muitas das vezes com outras queixas como principal, como depressão, dificuldade de aprendizado, isolamento social e falta de apetite. O médico deve investigar esses sintomas. Por exemplo, não come direito porque alguém tocou no prato, que ele acha que está contaminado ou sujo. Não consegue acompanhar a escola porque precisa ficar controlando o tamanho das letras quando escreve, ou precisa fazer contas mentais sempre quando a professora fala uma determinada palavra.

O tratamento vai depender da presença de comorbidade, mas sempre é necessário uso de medicamentos, psicoeducação e psicoterapia. Os medicamentos dependem da avalição do quadro, como uso de antidepressivos, antipsicóticos e estabilizadores de humor.