Baixa Autoestima

Autora: Elizabete Possidente

Autoestima é um conjunto formado por percepções, crenças, avaliações, sentimentos e pensamentos que temos sobre nós mesmos. A baixa autoestima implica numa visão negativa que a pessoa tem de si mesma e que a prejudica em todos os setores de sua vida. Em certas ocasiões a pessoa se envolve tanto na preocupação relacionada à falhas que nem percebe o problema.

Alguns pensamentos que rodeiam a baixa autoestima:

  • Eu não consigo;
  • Não falo o que penso por medo da rejeição;
  • Preciso muito da aprovação dos outros;
  • Nunca estou realizada porque sempre acho que poderia ter sido melhor;
  • Não me sinto feliz porque sempre foco nos aspectos negativos;
  • Tenho dificuldade em dizer não e impor limites;
  • Destaco sempre fraquezas e erros;
  • É difícil ter iniciativa;
  • Sempre me sinto avaliada nas situações sociais;
  • Sempre me sinto culpada;
  • Não tenho nenhuma contribuição a dar em situação social;
  • Me acho feia, esquisita;
  • Não sou nem um pouco interessante.
Se você se identificou, vale a pena buscar um psicólogo para iniciar uma terapia. Também uma avaliação psiquiátrica, para avaliar a presença de depressão, ansiedade generalizada e fobia social, entre outros quadros.
Segue abaixo um link de um exercício que pode ser feito para atenuar essa baixa autoestima.

Não Tenha Filhos

Para os pais é necessário abraçar o ônus, para os filhos alcançarem o bônus.

https://www.revistaversar.com.br/nao-tenha-filhos/

Prevenção da Automutilação e do Suicídio

No dia 26 de abril de 2019 o presidente Jair Bolsonaro sancionou a Lei nº 13.819, que instala a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio. O texto é de autoria do ministro Osmar Terra e foi publicado em 29 de abril no Diário Oficial da União.

A lei determina que as escolas públicas e privadas notifiquem toda suspeita ou ocorrência de violência autoprovocada ao Conselho Tutelar. As unidades de saúde ficam obrigadas a avisar às autoridades sanitárias. O governo federal deseja atualizar os registros da incidência de automutilação e de suicídios em todo o país.

No Brasil houve 106.374 mortes por suicídio entre 2007 e 2016, conforme o Ministério da Saúde publicou na Campanha do Setembro Amarelo, em 2018. Nesse período observou um aumento de 16,8% do número de mortes por suicídio.

Também está previsto nessa lei a criação de um serviço telefônico gratuito para atendimento ao público.

Link com mais informações:


 

TDAH e Problemas na Esfera Sexual

O Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é manifestado por diversas alterações comportamentais, na atenção e na hiperatividade. Algumas dessas alterações comportamentais podem se manifestar na esfera sexual, podendo se apresentar de diferentes formas.
As disfunções na vida sexual afetam a auto estima do próprio ou do parceiro, indicam maior incidência de doenças sexualmente transmissíveis (DST), gravidez indesejada,  dificuldades no relacionamento conjugal, maior frequência de compulsão por sexo,  masturbações e pornografia. Essas disfunções sexuais podem ocorrer em relacionamentos em que pelo menos um dos parceiros tem TDAH. É comum a queixa nessa esfera sexual com discrepância do desejo sexual para mais ou menos.
Vários estudos já demonstraram que homens com TDAH, com predomínio de desatenção e sem baixa de auto estima, tem uma necessidade maior de sexo por impulsividade. Muitos também se envolvem mais em masturbação e vício em pornografias. Devido a maior compulsão na área sexual podem cobrar de mais do parceiro, se envolver em outros relacionamentos e mostrar maior tendência ao abandono de métodos anticoncepcionais.
Existem diversos artigos que referem parte da população de TDAH podendo, por procrastinação e por perda de noção de tempo, evitar sem perceber a vida sexual. São pessoas que podem passar para o parceiro a falsa impressão de que não há interesse nele. Na verdade acaba se envolvendo tanto em outros projetos que parece não sobrar espaço para investir nesse aspecto.
Outros pacientes com TDAH tem uma hipersensibilidade motora, quando o contato físico pode ser incômodo. Com isso, acaba tendo um comportamento que evita o toque, sem consciência disso. Parece para o parceiro que não há o desejo sexual, o que não é verdade.
Na prática, esse componente da vida do portador de TDAH deve ser investigado pelo profissional que o atende. O especialista será sensível na avaliação da melhor abordagem para cada paciente. Haverá  indicação medicamentosa e psicoterápica adequada, além do estimulo à conversa do casal, para a compreensão de que essa disfunção é decorrência do TDAH e que necessita de acompanhamento.  


 
 
 

Uso da Maconha em Adolescentes e o Risco de Depressão e Ideação Suicida na Vida Adulta


Estudo revisa a longo prazo o uso de maconha em   23.317 adolescentes:

 Foi encontrado os seguintes resultados:

– risco de 37% maior de depressão na idade  adulta;

– risco de 50% maior de ideação suicida na idade adulta e

– risco triplicado de tentativa de suicídio na idade adulta

Veja o artigo na íntegra no link abaixo:

 

Portadores de TDAH no Rio de Janeiro Tem Mais Um Direito em Sala de Aula

A Lei 8192/18 | Lei nº 8192 de 04 de dezembro de 2018 do Rio de Janeiro
Publicado por Governo do Estado do Rio de Janeiro  obriga as escolas públicas e privadas a disponibilizarem cadeiras em locais determinados aos portadores de TDAH – Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade no estado do Rio de Janeiro. É necessário que os pais apresentem um laudo de especialista em TDAH psiquiatra ou neurologista para solicitar esse direito.

Faço saber que a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º As unidades escolares públicas e privadas, no âmbito do Estado do Rio de Janeiro, ficam obrigadas a disponibilizar, em suas salas de aula, assentos na primeira fila aos alunos com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade – TDAH assegurando seu posicionamento afastado de janelas, cartazes e outros elementos, possíveis potenciais de distração. Ver tópico

Parágrafo único. É direito do aluno diagnosticado a realizar as atividades de avaliação e provas durante o ano letivo, em local diferenciado, com o auxílio preferencialmente do Professor Especializado e com maior tempo para a sua realização. Ver tópico

Art. 2º Para o atendimento ao art. 1º, será necessária a apresentação, por parte dos pais ou responsáveis pelo aluno, de laudo médico comprovante de TDAH, emitido por médico especialista em neurologia ou psiquiatria. Ver tópico

Art. 3º As escolas das redes pública e privada deverão prever e prover, na organização de suas classes, flexibilizações e adaptações curriculares que considerem o significado prático e instrumental dos conteúdos básicos, metodologias de ensino e recursos didáticos diferenciados e processos de avaliação adequados ao desenvolvimento dos alunos que apresentam necessidades educacionais especiais, em consonância com o projeto pedagógico da escola, respeitada a frequência obrigatória. Ver tópico

Parágrafo único. Deverão também promover formação continuada sobre os temas relacionados à escolarização de pessoas com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, para que o profissional docente e o corpo técnico-pedagógico tenham maior compreensão acerca das questões pertinentes às adaptações e flexibilização curriculares, metodologias, recursos didáticos e processos avaliativos de que trata o caput. Ver tópico

Art. 4º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Ver tópico

Rio de Janeiro, em 04 de dezembro de 2018.

FRANCISCO DORNELLES

Receita Médica Passará a Valer em Todo Território Nacional

A partir de fevereiro de 2019 os receituários de medicamentos, inclusive os controlados pela Vigilância Sanitária, terão validade em todo o Brasil, independente do estado que foi emitido.
A Lei número 13.732 ajudará os pacientes que estão em tratamento e precisam viajar.
Veja a reportagem e a lei no link abaixo publicado pelo Conselho Regional de Medicina da Bahia.

http://www.cremeb.org.br/index.php/noticias/receita_medica/

Internet – Sabendo usar é uma ferramenta importante

Autora: Elizabete Possidente   
Falta aos responsáveis orientarem e acompanharem seus filhos no uso da Internet, da mesma forma como orientam sobre a melhor forma de se vestir, de se alimentar e de fazer os deveres de casa. Como a maioria desses pais aprenderam sozinhos, acreditam que aos seus filhos também podem. Ignoram a evolução da Internet ao longo do tempo, o que acabou potencializando o malefício que pode proporcionar a esses jovens, quando usada de forma incorreta.
Os pais devem ficar atentos ao seu próprio comportamento, porque podem estar estimulando seus filhos a se tornarem dependentes da Internet. Pais são “espelhos” para as crianças, principalmente na primeira idade, mas ao longo de toda a vida e crescimento. Precisamos ter consciência de que somos observados, e até admirados, o tempo todo por nossos filhos. A nossa mais simples ação tem influência enorme na formação de nossas crianças, e em relação a isso temos que estar sempre atentos.
Muitas vezes, os pais estão brincando com o seu filho, ou assistindo o desenho, ou conversando com ele, porém com a atenção dividida pelo celular, Ipad ou computador. Outra atitude ruim que vejo muito são pais usando o celular como uma espécie de “Rivotril” dos seus pequenos. Afirmam que só ficam calmos e “controláveis” no caso de haver uma tela em frente aos olhos. Para poderem conversar entre si ou com amigos, fazer sua refeição com tranquilidade ou ter a criança comportada numa sala de espera precisam “plugar” os pimpolhos em dispositivos eletrônicos, desde muitos pequenos.
Nisso, existe uma certa preguiça envolvida, que normalmente nós (estou me incluindo nesse grupo, afinal sou mãe), devido a nossa rotina acelerada hoje em dia, procuramos sempre usar elementos que ajudem nessa administração do tempo. Conversar com os filhos durante as refeições (em casa ou no restaurante), estar presente nos momentos em que eles demandam atenção (na maioria das vezes é só atenção mesmo, alguém para ouvir o que têm a dizer) e repreender em momentos de mau comportamento é o caminho a ser seguido. Apesar de mais trabalhoso, é o que vai ensiná-los a serem pessoas melhores no futuro. Acreditem, vale a pena.
Abaixo algumas ações importantes.
– Os pais não devem utilizar o eletrônico como babá.
– Marque horário para o uso e supervisione o cumprimento desse horário.
– Não associe finalizar obrigações e deveres com o uso do eletrônico. Isso estimula a fazer rápido e sem qualidade para ir rápido para a atividade prazerosa, além de reforçar essa sensação de prazer.
– Participe de algumas atividades na Internet que envolvam pais e filhos. Assim você aproveita para ensinar a usar e conhecer o interesse que ele tem na rede.
– Utilize as ferramentas que ele use no cotidiano. Por exemplo, seu filho fica no Instagram, tenha uma conta e siga o que ele gosta. Assim poderá orientá-lo melhor e saber dos interesses de seus filhos.
– Tenha a senha dos eletrônicos de seu filho, mas de forma que ele saiba que você tem. É necessário saber que você está acompanhando as suas atividades, se necessário. A privacidade  tem que ser conquistada de acordo com maturidade e responsabilidades.
– Não autorize de forma alguma a ele mentir a idade para poder participar de algum grupo ou ferramenta. Se existe um limite de idade é porque existe razão para isso.
– Quando o seu filho se cansar do jogo, não facilite a compra de outro imediatamente. Aproveite esse momento para estimular outros interesses fora da Web.
– Estimule programa com amigos e família. Convide amigos para ir a sua casa brincar com os seus filhos, assista séries, desenhos ou filmes com eles, estimule brincadeiras ou jogos em família, frequente livrarias, ouça música etc.
– Faça pelo menos uma refeição em família ao dia (mesmo que nem todos os integrantes estejam), sem TV ligada ou eletrônicos a mesa. Deixe a conversa fluir.
– Programe pelo menos uma atividade de final de semana em família. Todos curtindo a programação, como a escolha de um restaurante, uma série em casa, uma praia etc.
– Não fique preocupado se reclamar que está entediado por não ter nada interessante para fazer. É importante ele aprender a lidar com esse “tédio”. Nesse momento irá trabalhar a imaginação para driblar essa situação desconfortante. Também é nesse momento que ele vai refletir sobre o que ocorreu no dia a dia e vai crescer.
– Se necessário, utilize filtros parentais e bloqueio de acesso.
– Estimule sempre atividade física regular, levando em consideração a aptidão e a necessidade de atividade individual ou coletiva, com amigos ou familiares.
– Determine horário regular para dormir e atividades mais tranquilas a noite.

Os Riscos do Uso Exagerado da Internet para Crianças e Adolescentes

Autora: Elizabete Possidente  

A Infância é um período importante na formação da personalidade e do caráter. Vai determinar como indivíduo vai agir e pensar durante a vida adulta.
Com o avanço da tecnologia e da internet acreditava-se que esses novos estímulos seriam responsáveis por desenvolver uma neuroplasticidade nas crianças. As tornaria muito mais curiosas, determinadas na busca de conhecimentos e integradas na coletividade.
Entretanto, na prática, o que assistimos são jovens “hipnotizados” por uma tela, buscando apenas conhecimento superficial e se afastando de atividades do mundo real.
Passou a ser uma preocupação mundial o impacto da Internet nos jovens que integram a geração Z, aqueles chamados de nativos digitais (os nascidos entre 1990 e 2010). A China já considera um problema de saúde pública. Existem mais de 150 centros de tratamento psiquiátrico especializados em dependência de Internet no país, em regime de internação e ambulatório. No Brasil essa geração Z tem cerca de 22 milhões de pessoas. Temos observado mudanças nesses jovens, com prejuízo no seu desempenho social e acadêmico.
Mas o que fazer? Será que devemos proibir as crianças terem acesso à internet?
Não acredito na proibição como solução para o problema. O caminho é orientar os responsáveis de como ensinar e como apresentar a internet aos filhos. Os pais precisam supervisionar o uso da Internet de crianças e adolescentes bem de perto. Pontuar sempre que existe responsabilidade sobre o conteúdo disponível. Regrar o tempo dedicado de seus filhos nos eletrônicos, de acordo com idade e maturidade de cada um.
Normalmente o que traz prejuízo na vida de uma pessoa é o excesso, devemos buscar sempre o equilíbrio. Isso nas crianças é ainda mais grave, pois estão em fase de formação do Sistema Nervoso Central. Não só em relação à internet, mas em praticamente tudo. Se a criança só pensa em jogar futebol, por exemplo, vai negligenciar outras atividades de sua vida e isso provavelmente trará algum prejuízo no futuro.
Não podemos deixar de acreditar que a Internet é uma ferramenta bastante útil nos tempos atuais, e bem usada será um auxílio importante na educação continuada junto ao colégio e no aumento de conhecimento geral. Ela faz parte da nossa realidade e devemos considera-la uma ferramenta importante, se usarmos da maneira correta.
A Academia Americana de Pediatria e a Sociedade Canadense recomendam que o tempo de uso por faixa etária deve seguir as seguintes recomendações.
– Bebês de 0 a 2 anos: não devem ter contato com exposição a esse tipo de tecnologia.
– Crianças de 3 a 5 anos: acesso por até uma hora ao dia, com supervisão.
– Crianças de 6 a 18 anos: acesso por até duas horas ao dia, com supervisão.
A internet usada de forma correta pode auxiliar as crianças e adolescentes em diversas ocasiões, como:
– Auxílio no aprendizado;
– Estímulo na curiosidade com aprofundamento de temas;
– Criação de habilidades e memorização;
– Desenvolvimento de habilidades motoras;
– Comunicação;
– Facilidade na busca de informações e na pesquisa;
– Capacidade de orientação espacial;
– Socialização.
Outro fator que o responsável precisa estar atento é que o seu filho não está seguro na Internet. Com essa onda de violência que vivemos nas ruas muitos pais ficam tranquilos quando seus filhos estão em casa, acreditam que estão seguros. Isso nem sempre é verdade. é um grande engano. Os pais precisam   saber com quem eles estão conversando, o que estão postando e o que estão pesquisando.
Antigamente era comum crianças brincando nas ruas de seu bairro. Pais ensinavam a ter cuidado ao atravessar a rua, a não falar com estranhos e não aceitar convite para estar na casa de vizinhos que os pais não conheciam. Atualmente seus filhos estão na Internet, jogando com estranhos, conversando em salas virtuais, publicando no Facebook ou Instagram informações pessoais e seguindo diversas páginas e pessoas que os pais nem imaginam. É preciso ensinar os filhos a se proteger também na Internet e não apenas nas ruas. Na maioria das vezes estão vulneráveis pois estão numa idade de muita curiosidade e em constante formação. Se antes os pais ficavam preocupados que seu filho poderia fazer amizade com um vizinho psicopata na rua, hoje é possível estar no quarto de casa, porem virtualmente numa sala com dezenas de psicopatas.
Uma pesquisa feita pelo Comitê Gestor da Internet (CGI) e o Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade de Informação (Cetic.br) constatou que de 29,7 milhões de crianças entre 9 e 17 anos no país, cerca de 23,7 milhões são usuários assíduos de Internet e 83% deles tem o celular como principal dispositivo. O resultado dessa pesquisa serve como alerta sobre os riscos de dependência pela internet e por vídeos games nas crianças e adolescentes.
Devemos observar alguns desses sinais abaixo, para identificar uma possível dependência.
– Muitas horas diárias
– Prefere contatos online aos presenciais
– Não tem atividades de lazer no mundo real
– Isolamento social
– Dificuldade de atenção
– Sono perturbado ou dificuldade para iniciar o sono
– Alteração de humor
– Irritabilidade, tristeza, ansiedade ou birra quando sem acesso à Internet ou videogame
– Queda do rendimento escolar
– Problemas físicos como tendinite, dores musculares, esqueléticas ou sobrepeso.
Os responsáveis devem ficar atentos também a alguns fatores que contribuem para o desenvolvimento de dependência de internet ou vídeo game da criança ou adolescente.
– Evite publicar fotos dos seus filhos ou postar a todo momento no grupo de família. Você mesmo ensina ao seu pequeno que é muito bacana compartilhar tudo e ficar aguardando as curtições ou elogios.
– Falta de motivação para atividades do seu cotidiano, como colégio, curso, amigos, conversa com os pais etc.
– Carência afetiva
– Falta de limites – não tem rotina estabelecida de quando, como e quanto tempo usar no cotidiano.
– Sensação de liberdade – acreditam que podem fazer o que quiserem na frente do eletrônico e que não tem a vigilância dos responsáveis.
– Influência de amigos para postarem, e seguirem links de diferentes temas.
– Usarem a internet para se sentir incluídos a um grupo de amigos – muitos acreditam que quanto maior o número de seguidores ou de comentários mais ele é querido.
– Dormir com o celular ligado e com alertas para poder acompanhar, mesmo na madrugada, o que vem ocorrendo – tem a sensação de que se não ver ou comentar algo não estará mais no grupo.
– Usar exemplos de experiência de vida ou de opiniões próprias o que recebe online, sem ter críticas ou ponderações, relatar tudo como verdade.
– Estar mais preocupada com o que vai postar do que com momento vivido.
Algumas pesquisas e artigos já referem que a cada cinco crianças, uma já é dependente da Internet. Quando se fala de dependência não se trata apenas do usuário que usa muito, mas já com traços semelhantes à de um dependente químico. Podem apresentar comportamento antissocial manifestado por mentiras, baixo rendimento escolar, pensamento constante em estar utilizando a internet ou o jogo, alteração do sono, ansiedade, irritabilidade, tristeza e angústia.
O tratamento da dependência de internet ou vídeo games é multiprofissional, ou seja, envolve diversas especialidades. Muitas vezes, é necessário administrar medicamentos para reduzir os sintomas de abstinência de alteração do sono, desatenção, ansiedade e humor após a avaliação de um psiquiatra infantil.
A família precisa ser envolvida nesse tratamento. É fundamental que compreenda a patologia e as causas que contribuíram para o seu filho se tornar dependente. É preciso ajudar a cumprir atividades propostas na consulta com o profissional e família. É necessário ter disponibilidade para despertar novos interesses nesse jovem.
Se você percebe que o seu filho já apresenta alguns desses sinais descritos está na hora de realizar mudanças e buscar ajuda profissional.
 

Câmara Aprova Programa Para Dislexia e TDAH

O Projeto de Lei 7.081/10 para TDAH e Dislexia estava desde 2010 para ter a sua aprovação e ocorreu em 7 de novembro de 2018. 
Essa lei obriga o Estado a manter programa de acompanhamento de dislexia e de Transtorno do Deficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) ou outro transtorno de aprendizagem para estudantes do ensino básico.
Proporcionará diversos aspectos positivos, como: 
  • Formação de programas para avaliação, diagnóstico e tratamento de crianças com TDAH e Dislexia;
  • Divulgar informação para redução do preconceito e de falsas notícias sobre as patologias;
  • Qualificar os professores para observação, encaminhamento e criação de estratégias para auxiliar o aluno no aprendizado.
  • Aquisição de material didático apropriado para TDAH, dislexia e outros distúrbios de aprendizado. 
Segue o link com a reportagem e a lei : 

Como surgiu o Setembro Amarelo?

O casal Dale Emme e Darlene Emme deram início à campanha de divulgação a prevenção de suicídio chamada “fita amarela” (“Yellow Ribbon”). 
Em 1994, seu filho Mike Emme, de 17 anos se suicidou. Mike era conhecido por sua habilidade mecânica. Ele restaurou um Mustang 68 e pintou-o de amarelo. 
Ele amava aquele carro e o desfilava por toda a cidade. O seu carro era conhecido como “Mustang Mike”.
Seus parentes e amigos não perceberam os sinais do distúrbio psíquico e foram surpreendidos pela notícia de seu suicídio. 
No seu funeral, havia uma cesta de cartões com fitas amarelas que estavam disponíveis para quem quisesse pegá-los. Foram 500 cartões e fitas feitos pelos amigos de Mike que possuíam uma mensagem: “Se você precisar de ajuda, peça”. 
Os cartões se replicaram pelos Estados Unidos. Em poucas semanas, diversos telefonemas ou cartões chegavam com pedido de ajuda nas famílias, amigos e escolas, vindo especialmente de jovens. 
A fita amarela foi escolhida como símbolo da campanha de prevenção ao suicídio em razão dessa história, estimulando a todos que sofrem a buscar ajuda. 
A Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2003 instituiu o dia 10 de setembro para ser o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, e o amarelo do mustang de Mike como a cor representativa. 
A OMS depois estendeu a campanha para todo o mês de setembro. O mês passa, então, a ser dedicado ao tema suicídio, buscando quebrar o tabu, saciar dúvidas sobre o tema e compartilhar informações importantes sobre seu combate.
Acredita-se que essa é a melhor forma de conscientização. 
Segundo dados da OMS, nove em cada dez casos de suicídios poderiam ser prevenidos. 

Por isso, é imprescindível que todos apoiem essa campanha do Setembro Amarelo. 

Os riscos do uso exagerado da internet e jogos virtuais para crianças e adolescentes

Autora: Elizabete Possidente

No link abaixo a entrevista realizada no dia 31 de agosto de 2018, na Rádio Roquette Pinto / 94 FM, no programa Painel da Manhã.

https://drive.google.com/file/d/1rC-FuGl75fw7mRDkzldkBbGRuOIsYKVc/view?usp=sharing

Importância do Tratamento do TDAH

O Transtorno de Déficit de Atenção – TDAH – é uma doença que pode levar a desatenção, hiperatividade e impulsividade. Devido a impulsividade os pacientes com esse transtorno tendem a ter dificuldades nos relacionamentos e são mais propensos a negligências com a saúde física, abuso de álcool e outras drogas, acidentes de carro, doenças sexualmente transmissíveis e gravidez indesejada. Na maioria dos adultos, a procura pelo tratamento psiquiátrico se dá por essas comorbidades: ansiedade, depressão, abuso de álcool, bipolaridade, dependência de álcool, drogas e nicotina, baixa autoestima entre outros.  O TDAH é causado por uma combinação de genética e de ambiente, que causa alteração na estrutura e no funcionamento do córtex cerebral, responsável pela cognição e comportamento de uma pessoa.
O TDAH causa uma capacidade de atenção abaixo do que é esperado pelo potencial daquele indivíduo e uma expressão motora acima do que é se considera aceitável pela sua idade cronológica e seu grau cultural. Com isso, o indivíduo vive abaixo do seu potencial pessoal. Não necessariamente será um fracassado, ele pode ter sucesso, mas enfrenta mais obstáculos e tendem a ter maior sofrimento para alcançar o êxito.
É a doença psíquica com maior influência genética. Sabe-se que se um dos pais tem TDAH é oito vezes maior a chance do filho também ter. Sabe-se que gêmeos univitelinos têm 70% de concordância de ambos apresentarem TDAH.
Também já foi identificado a exposição intrauterina a nicotina ou álcool e o nascimento prematuro ou de baixo peso, como fatores que contribuem para os sintomas. Mas para isso a genética também tem que estar presente. É uma doença do neurodesenvolvimento, ou seja, trata-se de um problema que surge durante a maturação do cérebro, do nascimento até os 25 anos.
Pacientes com TDAH têm maior probabilidade de ter outros transtornos psiquiátricos do que as pessoas sem a doença. Por exemplo, cerca de 50% dos pacientes com TDAH relatam dependência de nicotina ou histórico de uso anterior, contra 18% da população sem o transtorno que usam nicotina.
Cerca de 70% dos pacientes com TDAH têm outra doença psiquiátrica associada e, geralmente, é essa comorbidade que os levam para a avaliação.  
Por todos esses motivos é muito importante o tratamento adequado do TDAH. É claro que também está associado nas consultas medidas cognitiva-comportamentais que complementam o tratamento medicamentoso.
Esse transtorno é citado desde 1775, quando Melchior Adam Weikard descreveu o quadro que hoje chamamos de TDAH. Em 1937, foi publicado o primeiro relato científico da patologia. Ou seja, não é uma doença inventada ou que surgiu recentemente ou apenas um modismo da sociedade moderna, como muitos dizem.
O diagnóstico de TDAH é feito através da entrevista psiquiátrica diretamente com o paciente. Pode complementar com dados colhidos com os pais, colégio ou cônjuge. Nenhum exame, seja, sangue, eletroencefalograma, testagem neuropsicológica, avaliação fonoaudiológica ou ressonância magnética são necessários para confirmar esse diagnóstico.  Algumas vezes, são solicitados para descartar outras patologias ou avaliar comorbidades.
O sintoma predominante em todos os pacientes e subtipos de TDAH é a dificuldade de manter a atenção. Essa função é muito complexa e precisamos dela para construir as nossas metas. Precisamos ter uma harmonia entre a capacidade de fixar a atenção, estabelecer metas, antecipar dificuldades, escolher o momento adequado para atuar e levar em consideração o tempo e as ferramentas necessárias para alcançar o objetivo. Além de fazer tudo isso, precisamos colocar os nossos objetivos em ordem de prioridade, porque a todo momento queremos alcançar muitas coisas e somos bombardeados por outras ideias, interrompidos por pessoas, distrações e fatos. A capacidade de dar conta disso é o que chamamos de função executiva, que, no TDAH, encontra-se prejudicada.
Outro sintoma é a hiperatividade que pode ser na esfera motora e verbal. Na esfera motora, pode ser de forma mais intensa, na qual a criança não consegue ficar sentada muito tempo ou tem muitos movimentos bruscos e desajeitados ou de forma menos intensa, na qual está sempre mexendo a mãos ou os pés. Pode disfarçar sempre mexendo no cabelo ou brincando de tirar e botar um anel, por exemplo. A hiperatividade também pode ser manifestada na forma verbal. Em outras palavras, é o caso do tagarela. Na adolescência e na vida adulta, tendem a melhorar esse sintoma e migrar a hiperatividade para a parte mental. Muitos desses sintomas são confundidos por ansiedade pelo próprio paciente, familiares e profissionais de saúde.
A impulsividade é o outro sintoma que prejudica muito o paciente com TDAH. Pode manifestar de diferentes formas. Pode surgir quando não consegue aguardar a sua vez para falar ou na fila de espera, interrompendo o locutor, ou já respondendo antes da pergunta ter sido terminada. Pode apresentar-se numa dificuldade em interromper alguma atividade prazerosa, mesmo tendo consciência da situação danosa que pode causar. Com isso, tem dificuldade, de desligar o jogo, se afastar das redes sociais, saber o momento de parar a ingestão alcóolica, por exemplo. Pode se envolver mais em situações de risco, como acidentes no trânsito, brigas, sexo inseguro, uso de drogas, compras e aplicações financeiras sem planejamento.
As consequências dessa impulsividade, muitas vezes, podem ser desde uma nota baixa por falta de estudo, acidentes graves, brigas, divórcios, desemprego ou perdas financeiras danosas para a sua economia.
Esses critérios diagnósticos são mundialmente divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pela Associação Americana de Psiquiatria através do DSM.
Apesar do início do quadro do TDAH ocorrer na Infância, o diagnóstico pode ser realizado em qualquer idade. Pode ocorrer em homens e mulheres. Tem maior diagnóstico em meninos na Infância porque geralmente são muito hiperativos e conduzidos para tratamento. A hiperatividade incomoda mais os pais e professores que o acabam encaminhando para avaliação. As meninas são geralmente mais desatentas e com isso, não dão trabalho e passam desapercebido. Nos adultos, as mulheres buscam mais tratamento pela queixa de baixa autoestima, ansiedade e depressão associado a dificuldade de conseguir dar conta de suas atividades do cotidiano por desatenção e disfunção executiva.
Esses pacientes com TDAH têm um transtorno do neurodesenvolvimento, levando a um atraso no desenvolvimento neurológico e emocional do que se espera para a idade deles e pelo incentivo cultural que recebem. O profissional leva em consideração os sintomas e avalia o contexto no qual vive esse paciente.
O tratamento do TDAH na maioria dos casos consiste na associação de tratamento farmacológico, psicoeducação e terapia cognitivo comportamental (TCC).
A TCC e a psicoeducação consistem em criar ferramentas para que o paciente consiga lidar e driblar muitas das suas dificuldades presentes pela patologia. Assim, como melhorar sentimentos associados a baixa autoestima tão comum nesses pacientes.
O tratamento farmacológico de primeira escolha no mundo é a classe de psicoestimulantes. Já se tem muitos estudos em diferentes centros de pesquisa no mundo com essa classe de medicamentos. Aqui no Brasil nós temos os seguintes medicamentos dessa classe disponíveis que são: Ritalina, Ritalina LA, Concerta e Venvanse. Esses estudos demonstram tanto eficácia como tolerância, ou seja, são eficientes e quando tem efeitos colaterais são bem toleráveis e tendem a reduzir com o tempo de uso. Quando for o caso de usar medicamento, o médico e o paciente devem conversar sobre todas as dúvidas e intercorrências como devem ocorrer quando há indicação de qualquer outro fármaco.
Também é recomendado tratar a comorbidade antes de iniciar o tratamento farmacológico do TDAH. Isso porque o uso de psicoestimulante pode piorar o sintoma da outra patologia e também porque já se tem estudos confirmando que ao tratar a comorbidade pode se resolver cerca de 30% dos sintomas de desatenção e hiperatividade. .
O mundo todo já percebeu a importância de tratar adequadamente o TDAH para evitar complicações muito danosas ao indivíduo, aos familiares e à sociedade. Se antes o TDAH era parte de uma discussão em congressos de Psiquiatria e Neurologia, atualmente tem congressos próprios. Há cada vez mais informativos sobre o TDAH, entrevistas com especialistas e pacientes e sites especializados para fornecer informação adequada e reduzir o preconceito sobre a doença. Essas ações resultaram na escolha de uma data no calendário, dia 13 de julho, como um marco da importância de se fazer o diagnóstico e tratamento adequado da doença. Portanto, não se deixe se influenciar por notícias falsas e sem embasamento do rigor científico segundo as quais o TDAH seria uma doença inventada.
 

Uma vida sem foco – TDAH

Rodrigo Resende, portador de TDAH descreve de uma forma divertida como funciona o cérebro de um TDAH. 

TDAH : miopia de tempo

O TDAH cria uma miopia do tempo. O portador de TDAH não consegue organizar o futuro distante, apenas o futuro breve.

Pode ser visto pelos familiares, amigos e profissionais de saúde que não conhecem o TDAH como preguiçosos e provocadores de auto boicote. 
Esse Transtorno o impede de se organizar no tempo por um fracasso da função executiva provocado pelas alterações neuroquímicas. 
Essa pessoa tem essa dificuldade e se sente um fracassado na maioria das vezes. Ele não consegue organizar o seu comportamento numa hierarquia de tempo para conseguir o seu objetivo, a sua intenção. 
A pessoa tem o conhecimento do que precisa fazer mas não consegue executar pelo distúrbio do lobo Frontal.
É um prejuízo na sua performance. Tem um contraste do que sabe fazer para o que consegue executar. 
O portador de TDAH não tem nenhum distúrbio de conhecimento. Ele tem prejuízo na execução. Não consegue usar seus conhecimentos com a eficácia plena. 
Veja o vídeo aula do psicólogo Russel Barkley, uma das autoridades em TDAH no mundo sobre o tema. 

Privação do Sono Associado a Sensibilidade a Insulina e Ganho de Peso

Existem diversos estudos sobre o assunto, sendo já encarado como um problema mundial. Todas as pessoas vêm dormindo menos a cada ano devido aos diferentes estímulos modernos”: redes sociais (WhatsApp, Instagram, Facebook etc.)oferta de entretenimento digital variadíssimo e em grande quantidade (séries de TVfilmes, web vídeos etc.), estresse, ingesta de álcool e por distúrbios psíquicos. No Brasil, 60% dos adultos dormem entre 4 e 6 horas por dia. 
É considerável o pouco tempo de sono que as crianças têmao acompanhar os pais nesse ritmo. Esses pais acabamsem entender a importância do sono e permitindo que seus filhos durmam menos que o indicado para a idade, prejudicando seu desenvolvimento.
Nós profissionais vemos essa associação direta no dia a dia do nosso consultório, pacientes com sensibilidade a insulina e que dormem pouco, por falta de higienização do sono, ansiedade e alteração de humor.
Um estudo publicado em dezembro de 2017 na revista The Phisiological Society selecionou dez jovens saudáveis, randomicamente, para participação em duas etapas. Naprimeira etapa dormiam normalmente por duas noites. Na segunda, reduziam em 50% o número de horas de sono por duas noites seguidas. 
Os exames colhidos foram de tolerância à glicose e de tolerância à insulina (por via oral e amostras do tecido muscular esquelético para avaliação PKB). Essas amostras foram colhidas após a segunda noite e após a quarta noitedo estudo. 
Foram observados que após duas noites de privação de sono já se observava redução à sensibilidade de insulina. Esse dado já aumenta a chance de ganho de peso e de diabetes com apenas duas noites mal dormidasOs testes de enzima no músculo esquelético foram inconclusivosnesse estudo (seriam necessárias mais pesquisas com mais tempo de privação de sono).
Com apenas duas noites de privação de sono em jovens saudáveis já se comprova prejuízo na saúde. Se projetarmos isso por meses, anos ou até a vida inteira,podemos esperar consequências bem sérias.
Veja o artigo na íntegra abaixo.

Você conhece a geração " SNOWFLAKE?

Artigo publicado na Gazeta do Povo em 5 de março, 2018 no blog do Rodrigo Constantino e escrito pelo psiquiatra Gustavo Teixeira .

Pais que superprotegem e que não dão limites a seus filhos são o pano de fundo para o desenvolvimento da Geração “Snowflake”, ou floco de neve como os americanos gostam de descrever. Os filhos são descritos como seres únicos, frágeis e perfeitos, o que justificaria esse excesso de zelo por parte dos pais para que suas autoestimas não sejam machucadas.

Os filhos “flocos de neve” podem tudo, pois são especiais demais para ouvir um “não”, são sensíveis, se ofendem por qualquer coisa e logicamente há de se ter cuidado redobrado para não machucar seus sentimentos, pois não queremos que fiquem tristes e deprimidos.

Nesse alicerce assombroso, temos a versão tupiniquim dos “snowflakes”, a Geração Mimimi, que nasce com pais que acham um absurdo a escola ranquear os alunos por desempenho acadêmico ou premiar apenas os três primeiros colocados no campeonato de futsal, exigindo que o filho receba a medalha de vigésimo oitavo colocado com a mesma pompa do campeão.

A infância e adolescência é uma fase de proteção e cuidado, mas há de se diferenciar cuidado com superproteção. Enriquecer a vida e o ambiente em que nossos filhos vivem é muito importante, mesmo que tenham que se machucar, se frustrar, ficar tristes e sofrer.
Não há como manter os filhos em uma bolha irracional objetivando que sejam poupados dos perigos inerentes da vida em sociedade.

Para alguns pais, o excesso de zelo é amor, mas também há de se evitar a confusão entre amor e culpa. Excesso de trabalho e falta de tempo com os filhos têm servido de pano de fundo para uma preocupação frenética com segurança. A incapacidade de criar oportunidades de convívio e formar vínculos afetivos com a prole abre caminho para ceder a todos os desejos da criança a fim de sanar sua culpa pela incapacidade e incompetência de exercer a paternidade e maternidade.

Com o decorrer do tempo os problemas dessa superproteção se tornam mais evidentes, pois o encarceramento social e emocional imposto pelos pais acaba prejudicando muito a socialização ao impedir a exposição dos filhos aos perigos da vida.

Segundo a educadora Julie Lythcott-Haims, ex-reitora para calouros na Universidade Stanford, vivemos em um mundo onde os “pais helicóptero” temem o futuro dos filhos em um mundo perigoso, violento e com a economia ruim. Então eles se posicionam no sentido da superproteção: “sempre estaremos aqui para você, meu filho, consertando tudo e sendo sua rede de segurança emocional e financeira eterna”.

Desta forma, estamos criando uma geração de egocêntricos, que acreditam que são especiais e que podem tudo. Daí eles crescem achando que merecem ser premiados pelo simples fato de existirem, não aprendem conceitos de ética, respeito, disciplina e de que para se conquistar alguma coisa na vida é preciso lutar e trabalhar muito! Se tornam “soft”, fracos, raquíticos e vulneráveis como um floco de neve.

Quando percebem que o mundo real não é aquele ensinado pelo seus pais, já é tarde demais. Agora não basta apenas pedir para o papai ou para a mamãe para terem seus desejos atendidos e como não aprenderam a lidar com a frustração, nem aprenderam a lutar para conquistar algo na vida, resta apenas reclamar e culpabilizar a sociedade ou o universo pelo seu fracasso pessoal, profissional e emocional. Então vamos deprimir, pessoal!

Frente a esse padrão problemático de criação parental fica fácil de entender que a Geração Mimimi agrega um número imenso de jovens do grupo “nem-nem” (nem estuda e nem trabalha). Eis 2 exemplos clássicos:

Exemplo 1: Luciano, 27 anos de idade, mora com os pais, não trabalha, não estuda, fuma maconha o dia inteiro e o hobby principal é postar críticas nas redes sociais contra o governo golpista que não faz nada pela segurança pública para conter o avanço da criminalidade, a violência urbana e o tráfico na favela. Ah, e última que escutei semana passada: a culpa é dessa sociedade conservadora e retrógrada que não aceita descriminalizar a maconha, sendo esse o motivo principal da existência do tráfico de drogas.

O floco de neve não percebe que financia o crime organizado, que retroalimenta a violência urbana. Mas isso pouco importa, pois é o orgulho do papai que tem o filho “inteligente e politizado”. Ah, papai não se importa que fume maconha em casa, pois é mais seguro que o faça dentro da fortaleza doméstica, afinal, a violência lá fora é grande e a maconha é substância natural, inofensiva.

Exemplo 2: Daniela, 22 anos de idade, mora com os pais, estuda em faculdade particular e reclama que não consegue ficar em estágios por mais de 6 meses. Tem dificuldade em trabalhar em equipe, não aceita crítica, não aceita ordens, se julga competente, mas considera que é “perseguida” no estágio, pois é incompreendida por ser mais inteligente e melhor capacitada que todos os colegas na empresa.

Daniela atrasa todos os trabalhos, comete muitos erros e normalmente abandona os estágios antes de ser mandada embora: “Muita pressão, não sou respeitada e não posso me estressar, quero qualidade de vida”.

Isso mesmo!!! 22 anos de idade e quer “qualidade de vida”, trabalhar para que? Vamos para o colinho de papai e de mamãe, por favor!

Claro que a culpa disso tudo não é apenas do Luciano ou da Daniela. Está claro que esses padrões de comportamento são as únicas possibilidades esperadas e eles são reflexos de decisões e escolhas malfeitas, embasadas em um alicerce pobre e rudimentar construído por seus pais durante anos.

No caso da Daniela, ela é a soma de tudo que aprendeu na vida. Seus pais nunca deram limite, nunca cobraram nada da filha e a superprotegeram para que não sofresse nesse mundo cruel e machista!

Olha, a conta chega um dia, papai e mamãe… não se pode colocar um filho sobre um pedestal, dentro de uma redoma de vidro e achar que a filhota vai se dar bem na vida. Desta forma você não está oferecendo ferramentas e habilidades para que ela crie asas e voe. Ao invés de protegê-la, estás a condenar sua filha à infelicidade!

A vida é dura e tudo é uma questão de merecimento.  Para se conquistar algo tem que lutar, trabalhar muito. Com vinte e poucos anos de idade é preciso ter sangue nos olhos e olhos de tigre para vencer profissionalmente e emocionalmente.

Infelizmente, os jovens da Geração Mimimi são grandes vítimas da incompetência e da arrogância de pais inábeis que desde muito cedo cerceiam o direito e a possibilidade de desenvolvimento de seus filhos.
Portanto, é preciso humildade para aceitar que não é possível controlar as variáveis universais da vida. Sofrer não é um sentimento bom, mas é preciso sofrer para que exista aprendizagem e crescimento. Parcimônia e equilíbrio na hora de educar os filhos é fundamental para que eles desenvolvam asas para voar… sem mimimi!

O Grande Desafio dos Pais e de colocar limites nos filhos hoje em dia

A palestra ministrada pela pediatra Dra. Filó em fevereiro de 2018 vale a pena ser assistida. Ela ressalta, como pediatra, a importância dos pais na criação da autoestima das crianças e de como limites são importantes para evitar diversos transtornos mentais.

Ela exemplifica de forma bem clara casos em seu consultório que servem de alerta a todos os responsáveis. As observações podem ajudar a não cometer os mesmos erros.
Segue abaixo o áudio:

Comportamento dos Pais e Risco de Suicídio dos Filhos

A conferência anual da Associação Americana de Saúde Pública realizada em outubro de 2017 mostrou o resultado de um estudo sobre a importância do comportamento dos pais no risco de suicídio dos filhos.
Nos EUA há uma preocupação muito grande dos pais nesse momento sobre o suicídio. Isso vem ocorrendo devido ao grande aumento de suicídio em crianças e adolescentes nos últimos anos.
Já se sabia que a doença mental, estímulos pela internet do tema, uso de álcool e drogas e bullying aumentam o risco de suicídio. Mas agora foi encontrado por pesquisadores da Universidade de Cincinnati que o comportamento dos pais influenciam na capacidade de planejamento de suicídio dos filhos.
Nessas pesquisas pais que nunca elogiam os seus filhos ou que raramente os ajudam em tarefas mais difíceis tem maior chance de cometer suicídio diante dos estressores já previamente sabidos.
Filhos de pais que não estão presentes em suas vidas tem maior chance de consumo abusivo de álcool e drogas que funcionam como gatilhos para o ato suicida.
Veja a reportagem no link: https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2017/12/05/estudo-vincula-comportamento-dos-pais-a-risco-de-suicidio-dos-filhos.htm

Associação Enxaqueca e Déficit de Atenção em Crianças

Vários estudos já mostraram a associação entre enxaqueca e déficit de atenção. Aqui no Brasil, a Unifesp publicou em 2015 uma pesquisa que comprova essa relação.
Saber disto nos alerta sobre investigar a atenção em crianças que se queixam de enxaqueca regularmente…
A enxaqueca pode aparecer por diferentes motivos. Pode ser um componente genético ou até uma dieta rica em alimentos gordurosos e laticínios (como chocolate e queijos) que representam 20% dos desencadeantes da enxaqueca. O restante é representado por desgaste em atividades físicas intensas, barulhos, cheiro forte e estresse emocional.
A enxaqueca é uma dor de cabeça intensa e que pode vir acompanhada de outros sinais físicos, como vertigens, náusea, vômitos, fotofobia e sensibilidade a barulhos.
É comum a cefaleia em crianças só aparecer no colégio, onde, geralmente, está a sua situação estressante seja ela testes, cobranças, convívio social.  A queixa de dor de cabeça pela criança é, muitas vezes, confundida como irresponsabilidade e uma tentativa de fugir da rotina escolar.
Quando se avalia melhor as crianças que chegam com queixa de enxaqueca pode-se confirmar que a dificuldade de atenção encontra-se quase sempre presente, contribuindo mais para a situação de estresse em manter a atenção na escola ou desencadeando a própria dor de cabeça.
Muitas crianças ao sair da sala de aula para ir à enfermaria ou à casa, descansam ou dormem e tem a dor cessada, fazendo com que não percebam que essa criança tem enxaqueca e não simplesmente um aspecto psicológico associado a escola.
A revista Crescer que é de circulação a pais de crianças publicou reportagem com o estudo da Unifesp. A predisposição à enxaqueca está relacionada a comportamentos como distração e desatenção, tornando-se comum em crianças.
É recomendável procurar ajuda profissional para desvendar a verdadeira causa da dor de seus filhos e realmente ajudá-los a sentirem-se melhor no ambiente escolar.
Veja no link: http://revistacrescer.globo.com/Criancas/Saude/noticia/2015/11/enxaqueca-em-criancas-pode-estar-relacionada-deficit-de-atencao.html