Você conhece a geração " SNOWFLAKE?
Artigo publicado na Gazeta do Povo em 5 de março, 2018 no blog do Rodrigo Constantino e escrito pelo psiquiatra Gustavo Teixeira .
Pais que superprotegem e que não dão limites a seus filhos são o pano de fundo para o desenvolvimento da Geração “Snowflake”, ou floco de neve como os americanos gostam de descrever. Os filhos são descritos como seres únicos, frágeis e perfeitos, o que justificaria esse excesso de zelo por parte dos pais para que suas autoestimas não sejam machucadas.
Os filhos “flocos de neve” podem tudo, pois são especiais demais para ouvir um “não”, são sensíveis, se ofendem por qualquer coisa e logicamente há de se ter cuidado redobrado para não machucar seus sentimentos, pois não queremos que fiquem tristes e deprimidos.
Nesse alicerce assombroso, temos a versão tupiniquim dos “snowflakes”, a Geração Mimimi, que nasce com pais que acham um absurdo a escola ranquear os alunos por desempenho acadêmico ou premiar apenas os três primeiros colocados no campeonato de futsal, exigindo que o filho receba a medalha de vigésimo oitavo colocado com a mesma pompa do campeão.
A infância e adolescência é uma fase de proteção e cuidado, mas há de se diferenciar cuidado com superproteção. Enriquecer a vida e o ambiente em que nossos filhos vivem é muito importante, mesmo que tenham que se machucar, se frustrar, ficar tristes e sofrer.
Não há como manter os filhos em uma bolha irracional objetivando que sejam poupados dos perigos inerentes da vida em sociedade.Para alguns pais, o excesso de zelo é amor, mas também há de se evitar a confusão entre amor e culpa. Excesso de trabalho e falta de tempo com os filhos têm servido de pano de fundo para uma preocupação frenética com segurança. A incapacidade de criar oportunidades de convívio e formar vínculos afetivos com a prole abre caminho para ceder a todos os desejos da criança a fim de sanar sua culpa pela incapacidade e incompetência de exercer a paternidade e maternidade.
Com o decorrer do tempo os problemas dessa superproteção se tornam mais evidentes, pois o encarceramento social e emocional imposto pelos pais acaba prejudicando muito a socialização ao impedir a exposição dos filhos aos perigos da vida.
Segundo a educadora Julie Lythcott-Haims, ex-reitora para calouros na Universidade Stanford, vivemos em um mundo onde os “pais helicóptero” temem o futuro dos filhos em um mundo perigoso, violento e com a economia ruim. Então eles se posicionam no sentido da superproteção: “sempre estaremos aqui para você, meu filho, consertando tudo e sendo sua rede de segurança emocional e financeira eterna”.
Desta forma, estamos criando uma geração de egocêntricos, que acreditam que são especiais e que podem tudo. Daí eles crescem achando que merecem ser premiados pelo simples fato de existirem, não aprendem conceitos de ética, respeito, disciplina e de que para se conquistar alguma coisa na vida é preciso lutar e trabalhar muito! Se tornam “soft”, fracos, raquíticos e vulneráveis como um floco de neve.
Quando percebem que o mundo real não é aquele ensinado pelo seus pais, já é tarde demais. Agora não basta apenas pedir para o papai ou para a mamãe para terem seus desejos atendidos e como não aprenderam a lidar com a frustração, nem aprenderam a lutar para conquistar algo na vida, resta apenas reclamar e culpabilizar a sociedade ou o universo pelo seu fracasso pessoal, profissional e emocional. Então vamos deprimir, pessoal!
Frente a esse padrão problemático de criação parental fica fácil de entender que a Geração Mimimi agrega um número imenso de jovens do grupo “nem-nem” (nem estuda e nem trabalha). Eis 2 exemplos clássicos:
Exemplo 1: Luciano, 27 anos de idade, mora com os pais, não trabalha, não estuda, fuma maconha o dia inteiro e o hobby principal é postar críticas nas redes sociais contra o governo golpista que não faz nada pela segurança pública para conter o avanço da criminalidade, a violência urbana e o tráfico na favela. Ah, e última que escutei semana passada: a culpa é dessa sociedade conservadora e retrógrada que não aceita descriminalizar a maconha, sendo esse o motivo principal da existência do tráfico de drogas.
O floco de neve não percebe que financia o crime organizado, que retroalimenta a violência urbana. Mas isso pouco importa, pois é o orgulho do papai que tem o filho “inteligente e politizado”. Ah, papai não se importa que fume maconha em casa, pois é mais seguro que o faça dentro da fortaleza doméstica, afinal, a violência lá fora é grande e a maconha é substância natural, inofensiva.
Exemplo 2: Daniela, 22 anos de idade, mora com os pais, estuda em faculdade particular e reclama que não consegue ficar em estágios por mais de 6 meses. Tem dificuldade em trabalhar em equipe, não aceita crítica, não aceita ordens, se julga competente, mas considera que é “perseguida” no estágio, pois é incompreendida por ser mais inteligente e melhor capacitada que todos os colegas na empresa.
Daniela atrasa todos os trabalhos, comete muitos erros e normalmente abandona os estágios antes de ser mandada embora: “Muita pressão, não sou respeitada e não posso me estressar, quero qualidade de vida”.
Isso mesmo!!! 22 anos de idade e quer “qualidade de vida”, trabalhar para que? Vamos para o colinho de papai e de mamãe, por favor!
Claro que a culpa disso tudo não é apenas do Luciano ou da Daniela. Está claro que esses padrões de comportamento são as únicas possibilidades esperadas e eles são reflexos de decisões e escolhas malfeitas, embasadas em um alicerce pobre e rudimentar construído por seus pais durante anos.
No caso da Daniela, ela é a soma de tudo que aprendeu na vida. Seus pais nunca deram limite, nunca cobraram nada da filha e a superprotegeram para que não sofresse nesse mundo cruel e machista!
Olha, a conta chega um dia, papai e mamãe… não se pode colocar um filho sobre um pedestal, dentro de uma redoma de vidro e achar que a filhota vai se dar bem na vida. Desta forma você não está oferecendo ferramentas e habilidades para que ela crie asas e voe. Ao invés de protegê-la, estás a condenar sua filha à infelicidade!
A vida é dura e tudo é uma questão de merecimento. Para se conquistar algo tem que lutar, trabalhar muito. Com vinte e poucos anos de idade é preciso ter sangue nos olhos e olhos de tigre para vencer profissionalmente e emocionalmente.
Infelizmente, os jovens da Geração Mimimi são grandes vítimas da incompetência e da arrogância de pais inábeis que desde muito cedo cerceiam o direito e a possibilidade de desenvolvimento de seus filhos.
Portanto, é preciso humildade para aceitar que não é possível controlar as variáveis universais da vida. Sofrer não é um sentimento bom, mas é preciso sofrer para que exista aprendizagem e crescimento. Parcimônia e equilíbrio na hora de educar os filhos é fundamental para que eles desenvolvam asas para voar… sem mimimi!
O Grande Desafio dos Pais e de colocar limites nos filhos hoje em dia
A palestra ministrada pela pediatra Dra. Filó em fevereiro de 2018 vale a pena ser assistida. Ela ressalta, como pediatra, a importância dos pais na criação da autoestima das crianças e de como limites são importantes para evitar diversos transtornos mentais.
Comportamento dos Pais e Risco de Suicídio dos Filhos
A conferência anual da Associação Americana de Saúde Pública realizada em outubro de 2017 mostrou o resultado de um estudo sobre a importância do comportamento dos pais no risco de suicídio dos filhos.
Nos EUA há uma preocupação muito grande dos pais nesse momento sobre o suicídio. Isso vem ocorrendo devido ao grande aumento de suicídio em crianças e adolescentes nos últimos anos.
Já se sabia que a doença mental, estímulos pela internet do tema, uso de álcool e drogas e bullying aumentam o risco de suicídio. Mas agora foi encontrado por pesquisadores da Universidade de Cincinnati que o comportamento dos pais influenciam na capacidade de planejamento de suicídio dos filhos.
Nessas pesquisas pais que nunca elogiam os seus filhos ou que raramente os ajudam em tarefas mais difíceis tem maior chance de cometer suicídio diante dos estressores já previamente sabidos.
Filhos de pais que não estão presentes em suas vidas tem maior chance de consumo abusivo de álcool e drogas que funcionam como gatilhos para o ato suicida.
Veja a reportagem no link: https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2017/12/05/estudo-vincula-comportamento-dos-pais-a-risco-de-suicidio-dos-filhos.htm
Associação Enxaqueca e Déficit de Atenção em Crianças
Vários estudos já mostraram a associação entre enxaqueca e déficit de atenção. Aqui no Brasil, a Unifesp publicou em 2015 uma pesquisa que comprova essa relação.
Saber disto nos alerta sobre investigar a atenção em crianças que se queixam de enxaqueca regularmente…
A enxaqueca pode aparecer por diferentes motivos. Pode ser um componente genético ou até uma dieta rica em alimentos gordurosos e laticínios (como chocolate e queijos) que representam 20% dos desencadeantes da enxaqueca. O restante é representado por desgaste em atividades físicas intensas, barulhos, cheiro forte e estresse emocional.
A enxaqueca é uma dor de cabeça intensa e que pode vir acompanhada de outros sinais físicos, como vertigens, náusea, vômitos, fotofobia e sensibilidade a barulhos.
É comum a cefaleia em crianças só aparecer no colégio, onde, geralmente, está a sua situação estressante seja ela testes, cobranças, convívio social. A queixa de dor de cabeça pela criança é, muitas vezes, confundida como irresponsabilidade e uma tentativa de fugir da rotina escolar.
Quando se avalia melhor as crianças que chegam com queixa de enxaqueca pode-se confirmar que a dificuldade de atenção encontra-se quase sempre presente, contribuindo mais para a situação de estresse em manter a atenção na escola ou desencadeando a própria dor de cabeça.
Muitas crianças ao sair da sala de aula para ir à enfermaria ou à casa, descansam ou dormem e tem a dor cessada, fazendo com que não percebam que essa criança tem enxaqueca e não simplesmente um aspecto psicológico associado a escola.
A revista Crescer que é de circulação a pais de crianças publicou reportagem com o estudo da Unifesp. A predisposição à enxaqueca está relacionada a comportamentos como distração e desatenção, tornando-se comum em crianças.
É recomendável procurar ajuda profissional para desvendar a verdadeira causa da dor de seus filhos e realmente ajudá-los a sentirem-se melhor no ambiente escolar.
Veja no link: http://revistacrescer.globo.com/Criancas/Saude/noticia/2015/11/enxaqueca-em-criancas-pode-estar-relacionada-deficit-de-atencao.html
A Sensação ruim que vem com o Natal
Muitos pacientes e amigos comentam que não gostam do mês de dezembro, devido ao Natal. Falam sobre insegurança, tristeza e exclusão do clima natalino. A cada dezembro, preciso atender muitos telefonemas e consultas de emergência, em número claramente maior que nos outros meses do ano. E por que isso ocorre?
Existem diversos fatores que influenciam as pessoas sobre essa sensação desagradável associado ao Natal. A relação infância e família, por exemplo. Há reverberação da memória por flashbacks de muitos natais passados, quando criança. Revive-se uma inocência que não existe mais. Antes problemas familiares se amorteciam com a esperança natalina da reunião familiar, da ceia gostosa e da farra dos presentes. Agora, a situação é outro, somos adultos, responsáveis, e compreendemos mais a vida “como ela é”.
O Natal nos faz reviver várias sensações negativas que pensávamos estivessem guardadas no fundo do nosso baú de recordações. Por exemplo, quando a pessoa passa por um momento de crise dos pais, mas lembra do tempo que todos passavam juntos e felizes. Lembra-se de discussões familiares que muitas vezes acontecem nessa data. Vão para os encontros de família carregando mágoas e sensações ruins, que explodem quando associadas a ingesta alcóolica.
O Natal também reacende vários problemas que a pessoa tenta esconder durante o ano. Muitos conflitos com pais, filhos, sogros, cunhados e outros membros familiares com quem passará o Natal. Problemas familiares que já existiam e que não foram resolvidos durante o ano ressurgem nesse momento. Surgem as desavenças e as vaidades pessoais, problemas financeiros são reforçados. No Natal normalmente lembramos de pessoas queridas já falecidas. Vivemos esse luto reforçado por saudades dos momentos felizes. Mesmo que não passassem o Natal conosco, todas as propagandas, outdoors, programas de televisão e conversas com amigos nos remetem a lembrar.
Esse sentimento ruim deve ser encarado como uma mensagem positiva. Primeiro não reforce a falta de espírito festivo no Natal, que fica deprimido por essa razão. Quando faz essa afirmativa você envia um estímulo para o cérebro de que esse é um fato e que nada pode ser feito para mudar.
Outro comportamento comum é que quando se sentem estranhas as pessoas interpretam esse sentimento como fracasso. Você pode não estar feliz pelo natal e não ser um perdedor. É como num dia de sol todos estarem curtindo uma piscina ou uma praia, mas você pode não estar nesse clima e preferir outra atividade.
Faça uma reflexão para identificar e entender seus conflitos emocionais, e tentar a resolução. Na correria do dia a dia é comum as pessoas não se permitirem parar e pensar nos seus problemas. É como se não conseguisse tempo para arrumar os armários, e fosse colocando o que não sabe a utilidade numa gaveta ou prateleira da bagunça. Com essa atitude, a casa parece estar bem arrumada, mas vai se acumulando entulhos. Os “entulhos” surgem nessa fase do ano e muitas vezes são novamente mascarados por consumo excessivo, encontros sociais diversos e aumento da ingesta alcoólica e de guloseimas. Assim a bagunça volta para aquela gaveta, e reaparece no próximo Natal.
Aproveite essa fase para “arrumar a gaveta”, colocando o passado a limpo e revendo pessoas e situações que merecem ser valorizadas ou resolvidas.

Uma leitura arquitetônica dos transtornos psiquiátricos
A postagem original foi no Designboom , onde o ilustrador italiano Federico Babina mostra no projeto “Archiatric” como os espaços onde vivemos podem influenciar nossas emoções e comportamento.
Transtorno de Humor ou Transtorno Bipolar
TDAH – qual das duas crianças têm ?
Assista o vídeo abaixo. Veja a diferença entre as duas crianças entrevistadas. Uma apresenta Transtorno de Deficit de atenção (TDAH) e outra, não. Perceba a baixa auto estima e a mudança de humor da criança com TDAH.
Depressão em Atletas
Narguilé faz mal.
Cada vez mais me preocupo com os jovens que usam narguilé e que pensam ser modernos e
mais naturais. Esses jovens em grande maioria fazem uso em casa, com a aprovação dos pais,
como se fosse uma forma mais saudável de fumar e de interagir com os amigos. Eles acreditam
que o narguilé é menos nocivo e que o aproxima dos amigos. Vejo no meu consultório que
muitos pais apoiam o filho usar em casa na companhia dos amigos. Assim, acreditava estar o
protegendo por ficar mais em casa e conhecer os seus amigos. Entretanto, também vejo que
esses pais também não sabiam o mal que o narguilé faz a saúde.
O fumo do narguilé não tem nada de moderno. Ele foi produzido na Índia no século 16 e se
popularizou para o restante do oriente e ocidente na década de 1990.
O narguilé é um fumo criado com uma mistura de tabaco, frutas, aromatizantes e melaço. É
fumada através de um cachimbo que queima o fumo e o mistura a água. A fumaça é inalada
através de uma mangueira pela boca. Parece um decantador. Alguns tem várias mangueiras
para que vários possam fumar ao mesmo tempo.
Muitos supõem por haver mistura com água, limparia as impurezas e filtraria elementos
nocivos, com isso não seria prejudicial à saúde. Isso não é verdade.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta que o narguilé é mais tóxico que o cigarro.
Compara que em uma rodada de uma hora de narguilé equivale a 100 cigarros fumados. Além
disso, a pessoa que fuma um cigarro dura de 5 a 10 minutos fumando, a pessoa que fuma
narguilé fica de uma a duas horas seguidas.
O Instituo Nacional do Câncer (INCA) e o Departamento de Pulmão e Tórax do A. Camargo
Cancer Center relatam em diversas publicações que o tabaco quando queimado em carvão
em brasa lilbera mais toxinas. Além de que o monóxido de carbono inalado é maior que no
cigarro pela ausência de filtro.
Outra preocupação é que o uso de narguilé está associado, muitas vezes, ao
consumo de outras drogas. Já tem relatos de pessoas colocarem bebida
alcoólica, ao invés da água, e de misturarem maconha ou crack. Nessas
situações, o narguilé se torna uma verdadeira bomba. Além do álcool, que é volátil,
a pessoa também inala as substâncias tóxicas do tabaco, das outras drogas e da
fumaça do carvão, completa Jefferson Luiz Gross, diretor do Departamento de
Pulmão e Tórax do A. Camargo Cancer Center .
O consumo de narguilé aumenta a chance de desenvolver câncer de pulmão, boca
e bexiga, doenças cardíacas e enfisemas. Além de desenvolver outras doenças
infecciosas pelo compartilhamento do narguilé, como herpes, tuberculose e
hepatite.
No Brasil há uma lei que restringe à venda e o consumo de narguilé apenas aos
maiores de 18 anos em bares e restaurantes. Mas aqui, vemos que ela está
sendo muito mais difundida em uso na casa de amigos e, com isso temos muitos
adolescentes se tornando fumantes e dependentes de narguilé.
O uso de narguilé no Brasil vem aumentando e, geralmente, as pessoas
desconhecem as consequências desse uso.
Segurança de creche coloca fogo em crianças, funcionária e em si mesmo.
Vício em Pornografia
Houve um aumento nos últimos vinte anos de pessoas com vício em
pornografia online.
Sempre houve interesse pelos jovens em ver fotos de nudez e de vídeos
pornôs. Antigamente, o jovem comprava revistas como “Playboy” e
atendia a sua curiosidade, vendo e revendo diversas vezes as fotos. Usava
a sua imaginação para diversos cenários fantasiosos durante a
masturbação. O mesmo ocorria com filmes “pornô” que assistia,
rebobinava a fita e fantasiava. O estímulo que o jovem tinha para obter o
orgasmo era similar.
A facilidade de acesso à internet em tablets, laptops e smartphones
aumentou o vício em pornografia por duas razões. A primeira razão seria
a facilidade de se ter privacidade, mesmo se em viagem ou ambiente de
trabalho. Antes o computador tinha um local de destaque na casa, o que
dificultava o uso para esse fim. O outro motivo é de que a pessoa pode,
a cada click, mudar a foto ou o vídeo com diferentes estímulos, o que não
o provoca desinteresse pela repetição. Em cinco minutos, ele pode ter
vivido dezenas de estímulos diferentes. Nesses cinco minutos, ele pode ter
tido mais estímulos de que já teve com qualquer outra pessoa no passado,
mesmo tendo sido sexualmente bem ativo.
O que temos vendo na prática são jovens entre 18 e 25 anos se viciando
em pornografia online. Esses jovens acabam desenvolvendo disfunções
sexuais, como redução da libido e disfunção eréctil. Buscam clínicos e
urologistas, que descartam qualquer alteração física ou hormonal que
justifique a queixa.
Nesse grupo de pacientes devemos investigar o padrão de masturbação e
quanto consome de pornografia online. Ao conversar com eles reclamam:
“Nada mais me estimula”; “Eu gosto e quero ter com a minha namorada,
mas não rola”, “Doutora, ela é linda e faz de tudo para me agradar. O
problema sou eu”.
Para entender o porquê da dependência de pornografia online,
primeiramente precisamos compreender o desejo sexual. O desejo ou
interesse sexual desperta a liberação do neurotransmissor dopamina. O
ápice da liberação da dopamina acontece durante o orgasmo. A dopamina
regulariza o ciclo de recompensa no cérebro, é responsável pelo prazer. Se
não bem regulada, facilita a compulsão (vício). A dopamina não é liberada
apenas como prazer durante uma história sexual, mas também por
diferentes estímulos prazerosos. Por exemplo, quando comemos um
chocolate, nos sentimos bem porque houve liberação de dopamina.
Quando comemos alface, por mais que gostemos de salada, há uma
liberação bem menor de dopamina. Por isso é muito mais fácil
desenvolver compulsão por chocolate do que por alface. Voltando para a
esfera sexual, quando há o estímulo sexual, vem a liberação da dopamina,
e em seu auge, ocorre com o orgasmo.
A dopamina é mais facilmente liberada com novos estímulos dentro da
sua área de interesse. Ou seja, quando se vê a mesma foto ou o mesmo
filme repetidas vezes o estímulo será menor.
O seu cérebro se acostuma rapidamente aos estímulos. Cada vez mais
pede novos. Quando mais a pessoa usa mais aparece a necessidade por
novos estímulos, em busca do prazer. Quanto mais esse circuito de
liberação de dopamina é estimulado mais o cérebro pede novos impulsos
para continuar vivenciando o prazer.
Existe outro empurrão para o vício: com esse estímulo rápido do ciclo de
recompensa, provocado pelo vídeo pornográfico ou foto, você acaba
apresentando deficiência de dopamina em outras situações de sua vida.
Situações que antes lhe davam prazer já geram desinteresse. A
desmotivação em outras áreas de sua vida faz com que cada vez mais use
a pornografia online em buscar prazer. Nessa fase, o viciado em
pornografia começa a usar alguns argumentos de defesa para não buscar
ajuda, tais como “não faço mal a ninguém”, “é melhor que usar pessoas
como muitos dos meus amigos fazem”, “tive um dia muito ruim no
trabalho”, “mereço essa recompensa” e assim vai. Quando mais estímulo
há nessa área cerebral, maior a neuroplasticidade dessa região, com
facilitação do impulso elétrico para esse circuito. Com isso o cérebro vai
reprogramando o seu funcionamento para buscar a pornografia online,
recompensando com a liberação de dopamina.
Sem tratamento, cada vez mais o seu cérebro vai buscar maiores
estímulos para se conseguir o prazer rápido. Quanto mais viciado, mais
tolerante fica ao estímulo. Funciona como um dependente químico que se
acostuma com determinada droga, desenvolve certa tolerância, e passa a
buscar drogas mais pesadas para ter o mesmo efeito de antes.
É comum iniciar o vício com fotos e vídeos com pessoas próximas da
beleza socialmente comum e com o tempo buscarem cenas de violência,
com animais e de outra orientação sexual. Apesar de relatarem que
acham muito esquisito e que não teriam coragem de praticar esse ato
sexual, só conseguem se masturbar com esse estímulo bizarro.
Esses pacientes passam a apresentar angústia, disfunção eréctil, redução
da libido diante de um estímulo considerado “normal” do parceiro sexual,
culpa por precisar assistir filmes que não refletem sua orientação ou
interesse sexual, dificuldade de concentração, falta de motivação e prazer
na vida. Normalmente associa quadro de depressão e ansiedade.
Temos que estar atentos ao vício em pornografia sempre que alguém
mostre esses sintomas. A ausência de reconhecimento do seu vício e
vergonha dificultam o relato espontâneo ao médico ou psicólogo.
Você precisa de um psiquiatra?
Suicídio: falar é urgente para quebrar tabus
Notificação de Tentativa de Suicídio Pelo Profissional de Saúde
Se você é profissional da saúde e atende pacientes que tentaram suicídio, encaminhe e notifique a rede de atenção á saúde mental do seu município.
A portaria número 1.271/2014 do Ministério da Saúde no artigo quarto, determina que seja compulsório a notificação de tentativas de suicídio em até vinte e quatro horas de seu atendimento á Secretaria de Saúde de sua prefeitura.
A notificação ajudará esse paciente e familiar , assim como estabelecer estratégias de saúde para vigilância de morbidade e mortalidade das doenças, bem como acompanhamento de suas causas. Com essas medidas, você ajudará a salvar vidas na sua cidade.
Veja o link da portaria do Ministério da Saúde :
Avaliação Neuropsicológica
Este artigo foi escrito pela neuropsicologa Marcia Ferreira em que ela explica a importância da avaliação neuropsicológica.
A avaliação neuropsicológica é realizada por um profissional especialista em Neuropsicologia.
A Neuropsicologia é uma ciência que busca relacionar a manifestação comportamental de transtornos cognitivos, emocionais e da personalidade à problemas estruturais ou funcionais do cérebro. De forma resumida, a Neuropsicologia é o estudo das relações entre o cérebro e o comportamento.
Avaliação Neuropsicológica é um método empírico de exame que se aplica a vários contextos e que possibilita o mapeamento de funções cognitivas deficitárias e preservadas, assim como características comportamentais relacionadas ao desenvolvimento da personalidade.
Na avaliação neuropsicológica são utilizados questionários, entrevistas, escalas e testes específicos e normatizados, que permitem além da mensuração dos resultados quantitativos de cada tarefa específica, a análise qualitativa do desempenho , o que é de grande importância na compreensão geral do paciente, seja esse criança ou adulto.
Após o levantamento dos dados é possível identificar se existe ou não um déficit, suas características clínicas, cognitivas e emocionais e os impactos que causam á vida acadêmica, profissional e social do paciente.
A avaliação neuropsicológica ajuda a família, a escola e os profissionais envolvidos na compreensão do comportamento do paciente, assim como suas capacidades e limitações. Ajudando no diagnóstico e no tratamento mais indicado.
Antidepressivos podem fazer mal?
Como qualquer outra classe de remédio se não forem bem indicados, podem trazer malefícios à saúde do indivíduo. Por exemplo, um anti hipertensivo se for prescrito para uma pessoa que não é hipertensa, vai levar a todos os malefícios de uma hipotensão.
Fico muito assustada com o uso indiscriminado de antidepressivos por psiquiatras e especialmente, por outros especialistas.
Todo dia recebo pacientes novos no consultório e, que na sua história já fizeram na maioria das vezes, uso de mais de um antidepressivo. Também na sua grande maioria prescrito por não psiquiatras e não neurologistas.
Ontem mesmo recebi um paciente de primeira vez que tem uma história de altos e baixos de humor acompanhado de irritabilidade que vem prejudicando o seu convívio familiar. Se trata de um adulto não sedentário e que vem também sofrendo estresse no trabalho. Apresentou um pico hipertensivo e, saiu com uma receita de anti hipertensivo e do antidepressivo fluoxetina. O mesmo paciente já tinha feito uso no passado de escitalopram prescrito por não especialista.
Vamos lá, se o psiquiatra que deve estar constantemente se atualizando com participação em congressos, cursos e artigos comete erros e tem dificuldades no diagnóstico e na prescrição do melhor fármaco, como pode ser visto na reportagem no link abaixo, imagine-se que existe um maior risco de erro por não especialistas. Assim como, a escolha do melhor anticoncepcional por um não ginecologista , por exemplo.
Nessa reportagem, psiquiatra prescreveu um antidepressivo para um jovem que talvez tenha o diagnóstico de Esquizofrenia, Esquizoafetivo, Transtorno de Personalidade ou Transtorno Bipolar, e que parece pelo julgamento do seu crime que o antidepressivo provocou um quadro de agressividade, falta de juízo crítico e, talvez, um delírio associado.
http://www.bbc.com/portuguese/geral-40751859?SThisFB
Como psiquiatra, fico cautelosa ao prescrever o antidepressivo para o paciente e na escolha do tipo de antidepressivo que melhor responderá ao quadro, fico cada vez mais assustada com a quantidade de antidepressivos prescritos pelos meus colegas médicos não especialistas.
O meu objetivo é alertar aos colegas para serem mais cautelosos. Assim, como provocar a atenção a todos que tomam antidepressivos a buscarem informações com o médico especialista. É claro, que o caso desse paciente agressor descrito na reportagem, é um caso muito severo e menos comum. Mas muitos antidepressivos levam a muitas interações medicamentosas, alteração do sono, aumento da irritabilidade, aumento da desinibição e que causam prejuízos no seu dia a dia, sem haver a percepção da mudança de quadro associado ao mau emprego do antidepressivo.
Os Pais Precisam Preparar os Filhos para a Vida
Autora: Elizabete Possidente
No O Globo de 8 de agosto de 2017 na sessão do Ancelmo Gois a nota “Madame não educa” em que uma mãe não sabendo dizer “não” ao filho, pede à escola para não autorizar a presença do pipoqueiro na saída da escola.
O pior que não representa um caso isolado porque vemos isso no nosso dia a dia essa necessidade dos pais de agradarem os filhos o tempo todo.
Os pais precisam deixar os seus filhos se frustrarem ainda na Infância como papel educador.
Se a criança não perceber que a vida é feita de momentos bons e ruins, não vai saber que aquele momento ruim vai passar também.
Deixar o seu filho decepcionar-se com coisas normais do seu cotidiano, como, receber um “não” para comprar pipoca na saída da escola.
Deixe ele saber que a vida tem regras. Precisamos respeitá-las. Nesse exemplo, a mãe criou a regra que não tem pipoca na saída da escola. Essa é uma oportunidade de saber que precisa cumprir uma regra por mais desagradável que possa parecer.
Se isso não ocorrer, a criança cresce achando que tudo na vida tem que dar certo e que precisa ser feliz o tempo todo.
Quando crescer, ele vai receber muitos “não” na vida. Ele vai achar que o mal estar de receber a negativa será o fim mundo e que nunca irá acabar a sensação de angústia ao ser frustrado. Isto porque ele não foi educado pelos pais a ser preparado para a vida desde pequeno. Com isso, cada vez mais recebemos no dia a dia do consultório, jovens que tem crises de agressividade, ideias suicidas, se cortam ou ingerem álcool em grande quantidade ou drogas por não saber aceitar que o “não” faz parte da vida. Que esse mal estar passa e que precisa focar no plano B para essa fase passar mais rápido.
Caso queira ler mais sobre isso, recomendo as seguintes postagens sobre o tema:
http://vidaepsiquiatria.blogspot.com.br/search?q=Limites&m=1
http://vidaepsiquiatria.blogspot.com.br/2013/01/a-importancia-de-deixar-os-filhos-terem.html?m=1
Fim do Preconceito à Saúde Mental
De acordo com a Healthline, cerca de 5 milhões de americanos receberam algum diagnóstico psiquiátrico.
A melhor maneira de ajudá-los é não estigmatizar.
Uma das grandes divulgadoras em quebrar esse tabu é a cantora Demi Lobato que foi ao público falar que sofre de Transtorno Bipolar. Ela falou de suas crises e da melhora com o tratamento adequado.
Porém também falou sobre não gostar de ser rotulada como “bipolar”. A bipolaridade faz parte da vida dela, mas ela não pode ser resumida a essa doença.
Veja no link abaixo a reportagem:
https://estilo.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2017/08/03/demi-lovato-explica-motivo-de-nao-querer-ser-rotulada-como-bipolar.htm
Outro post que recomendo para complementar a leitura foi publicado nesse blog: http://vidaepsiquiatria.blogspot.com.br/2017/07/quebrando-o-tabu-sobre-doenca-mental.html?m=1















