Depressão e Hepatite C

Cerca de 170 milhões de pessoas estão infectadas com o vírus da Hepatite C no mundo.
Sabemos que as medicações usadas para tratar a hepatite C no momento são o interferon e a ribavarina, dependendo do genótipo . Os efeitos colaterais mais comuns desses psicofármacos  são neuropsiquiátricos: depressão, alucinação,ideação suicida,  prejuízo cognitivo, ansiedade e alteração do sono.
Quando consideramos diversos estudos, que publicaram que cerca de 85% dos pacientes, ao receberem o diagnóstico de hepatite C, tem comorbidade psiquiátrica , é preciso muita cautela ao indicar o tratamento clínico cujo  efeito colateral é desencadear ou exacerbar sintomas psíquicos. Portanto, é recomendada uma avaliação neuropsiquiátrica nos pacientes com hepatite C, para prevenir manifestações psíquicas.
Em muitos casos se recomenda o uso de antidepressivo para reduzir o risco de depressão e ideação suicida.

Como Definir Limites Para Adolescentes

Autora: Elizabete Possidente

Cada vez mais sou acionada no consultório para avaliar adolescentes que não conseguem seguir limites e regras. A adolescência sempre foi uma fase difícil, compreendida entre a Infância e a vida adulta. É uma fase difícil de definir por se tratar de uma etapa onde os jovens não são mais crianças, aprendem muitas coisas da vida adulta e ainda são dependentes economicamente de seus pais. Não é a toa que essa etapa é conhecida como “aborrecência”, porque sempre foi conhecida pelo destaque da desobediência aos limites.É importante os pais saberem que tendo “aborrecentes” em casa é normal os filhos quererem infringir regras. Nessa fase é fundamental os pais manterem regras claras, e mostrarem as consequências de não segui-las. E no caso de aceitação e compreensão, esses jovens devem ser elogiados.

Os pais devem compreender as características normais dessa idade. São mais questionadores, mas sem faltar o respeito. Tem momentos de irritabilidade e de depressão, em que querem ficar mais isolados no seu quarto (desde que não seja todo o tempo). Chegam da rua, às vezes transtornados, porque se frustraram no colégio. Muitas vezes, não conseguem “chegar na menina” que gostariam, ou não são populares como gostariam. Nessa hora, não adianta discutir. Depois, no momento oportuno, tem que retomar uma conversa para saber qual a dificuldade enfrentada naquele dia, para poder orientar.Não perca oportunidades quando quiserem falar sobre as suas dificuldades. Escutem e não interrompam com lições de moral. Ouça, ouça e ouça. Depois faça as considerações necessárias. Não tenham medo de parecer “caretas”. Converse e deixe as regras claras. Seja objetivo e claro no que acha correto e ético.

Converse sobre sexualidade em casa, deixando claro que há diferença entre liberdade sexual e libertinagem. Converse sobre o que acha certo. Fale também o que é errado, dando exemplo de consequências. Apesar do adolescente parecer não ouvir e fingir que já sabe tudo, sempre converse esse tema para inserir os conceitos que você acha correto para a sua família. Fale também sobre o uso de álcool e drogas, sempre associando que não é um “mico” dizer não a essas ofertas. É importante saber beber, aí sim seria “mico”.

Seja coerente com as normas da casa e a idade. O adolescente de 13 anos não pode chegar em casa no mesmo horário do irmão de 19 anos. As regras tem que mudar com a conquista da responsabilidade e da idade cronológica. Não se pode começar liberando tudo para um adolescente que começou agora a sair de casa sozinho ou no início de um namoro. Tem que haver coerência nessas regras e acordos. Estimule positivamente cada conquista ou responsabilidade das suas vitórias escolares, esportivas ou sociais. Elogie cada sinal de responsabilidade que teve também fora da escola, como iniciativa em arrumar as suas coisas ou ajudar o irmão e pais nas tarefas domésticas. São essas atitudes que reforçam uma boa autoestima, que muitas vezes na adolescência está baixa, por não se achar tão atraente como gostaria de ser.

Nunca deixem que saiam de casa sem saber aonde vão e com quem estão. Mesmo que reclamem que os pais pegam no seu pé. Eles precisam saber que amor é querer cuidar do outro. Os pais também devem comentar em casa aonde vão e que horas aproximadamente retornarão.Lembre-se que ser autoritário não é ser agressivo. Converse e mostre que com a perda de confiança perdem-se alguns direitos conquistados pela idade. Reforce que é preciso ter mais maturidade para reconquistar o tal direito perdido.Sempre os pais devem estar seguros ao conversar ou colocar limites ao seu adolescente. Para isso, os pais devem ser responsáveis e éticos para servirem de exemplo aos adolescentes. Apesar dos adolescentes falarem que querem ser bem diferentes dos seus pais, eles se espelham nas atitudes dos pais.

Os pais não podem cobrar postura ética quando não demonstram essa mesma postura. Os filhos escutarem pais que contam vantagem por ganharem uma promoção no trabalho, porque conseguiram burlar um concorrente, ou que adoraram uma determinada saída porque beberam muito, ou ainda que conseguiram sair do estacionamento sem pagar, não servem como bons exemplos.

Como Definir Limites em Nossas Crianças no Mundo de Hoje

Autora: Elizabete Possidente

É muito comum pais chegarem com esse questionamento ao consultório, e sempre dizem que quando criança as coisas eram mais fáceis. Citam exemplos, de que se o pai desse somente uma olhada parava imediatamente de fazer a tal travessura, ou se a mãe chamasse pelo nome (e não pelo apelido) imediatamente paravam. Nessa época não perguntavam o porquê , apenas obedeciam. Mas esses mesmos pais se defendem, alegando que agora as coisas são muito mais difíceis, que as crianças parecem nascer “com um chip” para desafios e questionamentos.

Essa dificuldade em colocar limites se entende ao ambiente escolar porque ouvimos as mesmas queixas dos professores.Esses pais não perceberam que não colocar limites não significa que você não está protegendo a criança para o mundo, pelo contrário. É importante proibir quando se infringe as regras. Para isso, é importante que as regras de casa ou da escola estejam claras para os adultos e para as crianças envolvidas nesse contexto. Quando não se obedece ou se burla uma regra, é importantíssimo que haja repreensão e que seja realçada a proibição de manter tal postura.Quando repreendemos estamos protegendo as nossas crianças. Com o lidar com o “não”, essa criança está amadurecendo e percebendo que existem outros além dela e se torna responsável pelos seus atos. A criança que não passa por essa situação de receber um “não” pode buscar esse limite na vida. Ou seja, ela precisa e busca esse “não”, e vai buscar em situações de risco, caso não receba em casa ou na escola.É importante que os pais tenham noção dessa situação.

Atendo muitos pais que por medo de não receber o amor ou não ter a amizade dos seus pimpolhos não dizem “não”, não colocam de castigo, não repreendem. Os pais precisam saber que essa criança, na medida em que vai se tornando um cidadão, ou seja, faz parte de uma sociedade, vai absorver as leis dessa mini sociedade que convive (família e escola), para poder se tornar um adulto preparado para o mundo. Não adianta pais colocarem seus filhos nos melhores colégios, ensinar diversos idiomas, se essas crianças não estiverem preparados para receber e dar “não” para as ofertas da vida adulta. Não vão ter o jogo de cintura necessário para se tornar um adulto responsável e bem sucedido na vida.Quando colocamos limites para nossas crianças ensinamos a elas que direitos e deveres são para todos, que elas não são únicas no mundo, que os pais e a vida vão dizer “sim” sempre que possível e não quando querem. Mostramos que a vida é dessa forma, que existem coisas que podem ser feitas e outras que não devem ser seguidas, ensinamos a tolerar as frustrações (que na vida serão muitas), saber que as pessoas não estão ali para satisfazer suas vontades. Eles devem aprender a distinguir o que é uma necessidade ou apenas um desejo e, principalmente, saberem que os pais estão ali para amar e proteger, e não são meros “empregados” para satisfazer suas vontades. 

Uma das causas das dificuldades dos pais de colocar limites está relacionada à idealização de que fazem desse projeto o bebê perfeito. Antes dessa criança nascer, seus pais já planejaram tudo da vida da criança. Já sabem que atividades extras acham interessante para criança (dança, tênis etc.), estilo de se vestir, idiomas, intercâmbios e até o colégio. Os pais não se preparam para as intercorrências que vão surgindo, como doenças, medos, birras, gostos, falta de jeito (não ter jeito para atividade esportiva, por exemplo) e personalidade da criança.É necessário que os pais e as crianças saibam e aprendam a lidar com o “não”. Os pais devem viver um luto dessas suas fantasias que o seu bebê não é a sua continuidade, ele tem gostos e personalidades. E as crianças precisam receber esse “não” e aprenderem a lidar com essa frustração com o carinho e apoio dos pais.Quando pequenos, os primeiros “não” que recebem é de proteção física. Não podem colocar objetos na boca ou não podem engatinhar, ou descer do berço. As crianças vão reagir com choro ou, quando um pouco maior, vão lidar com uma hiperatividade. Surge a oposição ou o desafio já em bebês, quando, por exemplo, não deixamos colocar o celular novo do pai na boca. Nesse momento é importante os pais dizerem “não” e não cederem à oposição do seu bebê.

A dificuldade em colocar limites que os pais sentem nesse momento está muito relacionada à culpa de estar pouco tempo com os seus filhos. Acabam sendo permissivos, na tentativa de aliviar a sua culpa. Não entendem que o afeto que demonstra ao seu filho não está relacionado à quantidade de horas que se dedica ao filho, e sim a qualidade da atenção que se dedica ao filho.Essa dificuldade em colocar limites nos seus pequenos reforça uma relação equivocada de pais e filhos. Inicia uma relação baseada no querer da criança, onde os pais precisam satisfazer essa vontade. Eles não aprendem que devem amar os seus pais, mas que os pais estão ali para servir as suas vontades. Nesse momento, o bebê deveria aprender que os pais estão ali para ensinar a crescer, e para isso, vão ter que aprender a enfrentar frustrações na vida. O ideal para aprender a lidar com frustração é nesse momento em que recebem o colinho, o “porto seguro” dos seus pais.

Síndrome das Pernas Inquietas

 A Síndrome das pernas inquietas (SPI) é um distúrbio sensório motor que se manifesta por uma sensação desconfortável nos membros inferiores , como se recebendo agulhadas,  com dormência , prurido intenso, além de poder  vir acompanhado de repuxões. Esses sintomas são aliviados com movimentos das pernas.

Esse quadro pode acontecer em qualquer horário quando as pernas estão em repouso, mas é mais freqüente à noite. É bastante prejudicial na qualidade de vida do indivíduo porque leva a insônia e as suas conseqüências, sonolência diurna, ansiedade e falhas de memória. Em casos mais graves surgem diversos episódios durante dia e noite, levando o indivíduo a ter dificuldade em ficar com as pernas em repouso, por exemplo, durante a leitura ou uma viagem mais longa.

Apesar de ser uma síndrome descrita há muito tempo (relatos desde 1861) e que afeta 5% da população ainda não se descobriu a causa. Sabe-se que um terço dos pacientes tem familiares com o mesmo distúrbio,  que é mais comum em mulheres e na velhice. Também existem especulações sobre relação com a dopamina e deficiência de ferro como fatores contribuintes. É também comum aparecer em gestantes, geralmente no último trimestre, e que melhoram após o primeiro mês do parto.O exame neurológico e de eletromiografia são normais. O tratamento é com uso de medicamentos. Existem quatro classes de medicamentos que aliviam a síndrome das pernas inquietas (agentes dopaminérgicos, opióides, benzodiazepínicos e anticonvulsivantes). Estes devem ser prescritos pelo médico, considerando a história clínica e sintomas ou doenças concomitantes.

Meu filho não quer dormir na sua cama

Autora: Elizabete Possidente
É comum a criança entre 2 e 5 anos querer dormir na cama dos pais. Mas é fundamental que ela durma na sua própria cama e no seu quarto, podendo até dividir esse espaço com os irmãos,  desde cedo.
É importante que a criança durma numa rotina de horário (mais cedo que os adultos) e seja no cômodo em que ficam suas coisas, roupas, brinquedos e livros. É o espaço onde ela pode ser criança. Claro, os pais devem ajudar nessa tarefa, a casa tem que estar mais tranqüila, um dos pais devem conduzir a criança para a sua cama e momentos antes de dormir sempre buscar atividades calmas para não agitar a criança.
Quando dorme com os pais na mesma cama ou no quarto dos pais ela passa a querer dormir no mesmo horário dos adultos, confunde o seu papel de criança com os pais, passando inclusive a querer se impor e não respeitas os pais como figura de segurança e hierarquia na estrutura familiar.
Além disso, a criança que dorme com os pais ela passa a acreditar que ela não é capaz de dormir sozinha. Quando cresce essa criança passa a achar que não consegue fazer ou resolver outros problemas do cotidiano sozinho. Passam a ser indivíduos  inseguros e com dificuldade de enfrentar os seus medos, tendem a desenvolver uma perversidade como fonte de disfarce das suas inseguranças.
Muitas das vezes os pais permitem que a criança durma em seu quarto por cansaço, medo de dizer não, por achar gostoso ou se sentir culpado, ou até para encobrir problemas no relacionamento conjugal. Não podem nem ceder às manhas, pois as crianças tentam chantagens para conseguir o que querem. Outro grande problema é quando os pais não sabem se posicionar diante da criança, deixando as regras claras e seguindo uma rotina. Um dia pode, no outro não. Isso gera muita ansiedade e insegurança para a criança.
Nessa fase é também comum as crianças buscarem a cama dos pais porque tiveram pesadelos, ou simplesmente acordaram à noite e se viram sozinhas. Nesse caso, é importante que os pais a tranqüilizem e conduzam a criança de volta para a sua cama, para dormir sozinhas, mesmo que isso aconteça muitas vezes na mesma noite. Cedendo uma noite,  aumentará as dificuldades da criança para dormir sozinha nas próximas.
A criança poder dormir sozinha significa que está ficando autônoma e segura para resolver assuntos longe dos pais. Quanto mais tempo a criança dormir com os pais mais problemas emocionais vão surgir para essa criança e mais dificuldade os pais vão ter para deixá-las dormirem em seu quarto.


Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)

O Transtorno de ansiedade generalizada (TAG) é um sentimento de uma apreensão constante, uma preocupação exagerada e de difícil controle, que causa prejuízo na vida do indivíduo.
O TAG tem manifestações físicas e emocionais. Os sintomas físicos mais comuns são tensão muscular, dores de cabeça, sudorese, náusea, diarréia, dores generalizadas pelo corpo, boca seca, palpitações, sensação de fôlego curto, sensação de desmaio, vontade de urinar a todo instante, mãos e/ou pés frios, sensação de vazio no estômago. Os sintomas emocionais mais freqüentes são irritabilidade, insegurança, esquecimento, insônia, dificuldade em se concentrar, medos e preocupação exagerada.
As causas do TAG são multifatoriais, ou seja, tem diversos fatores. Há uma predisposição genética, causas ambientais e história de vida. Tem algumas substâncias que contribuem para o surgimento do TAG, tais como nicotina, energéticos e cafeína.
O diagnóstico é feito pelo médico e deve-se descartar outras causas orgânicas que levam a sintomas semelhantes, tais como uso abusivo de substâncias, alteração tireoidiana e diabetes. Devemos também avaliar se não há outra doença neuropsiquiátrica associada. Sabemos por exemplo que 60% dos casos de TAG estão associados a depressão.
É necessário buscar a avaliação médica o mais breve possível para se iniciar o tratamento em farmacológica associado à psicoterapia. Quanto mais cedo iniciar o tratamento menor o prejuízo na qualidade de vida do indivíduo acometido.

Doença de Alzheimer

Com o aumento da expectativa de vida, a incidência de demência vem aumentando muito na população do mundo, sendo a doença de Alzheimer (DA) responsável por 60% dos casos. A DA é uma doença neurodegenerativa e progressiva, e se apresenta clinicamente por perda de memória  e prejuízo funcional, com comprometimento de suas atividades da vida diária.
Está cada vez mais preocupante o impacto dessa doença no mundo. Nos EUA está sendo a quinta causa de morte nas pacientes acima de 65 anos. No Brasil o número de óbitos por DA nos últimos 10 anos  subiu 100% nos idosos.
O custo com os cuidados com pacientes com doença de Alzheimer é muito alto, trazendo muito impacto na economia dos familiares e do governo. Desses pacientes com DA cerca de 20% chegam ao estágio grave manifestando-se por dificuldade na deambulação, controle dos esfíncteres, dificuldade na comunicação e na capacidade de deglutição. Nesse estágio é necessário cuidados de enfermagem e cuidados de uma equipe multidisciplinar (neuropsiquiatra, clínico geral ou geriatra, nutricionista, fonoaudiologia e fisioterapeuta).
A maioria dos protocolos de tratamento medicamentoso enfoca os estágios leves e moderados. Mas dificilmente a família busca avaliação médica na fase inicial, o que retarda muito o diagnóstico e tratamento precoce. O médico deve acompanhar o paciente através de exames complementares, escala de Mini Exame do Estado Mental e avaliação do exame físico/mental do doente. Com esses valores deve buscar o melhor tratamento medicamentoso.
 Alguns medicamentos são específicos para o tratamento da DA e tentam retardar a evolução da doença, além de melhorar o comportamento, o funcionamento global e cognitivo. Outros medicamentos são associados, especialmente no estágio avançado para combater as manifestações neuropsiquiátricas (alteração do sono, agitação psicomotora, delírios, alucinações).

Como saber o que é um esquecimento normal do envelhecimento ou uma Doença de Alzheimer?

São muito comuns idosos que chegam ao consultório com queixa de redução da memória. Depois de muitas reclamações desse tipo, pedimos para exemplificar em que momento surge o problema e qual o prejuízo notório no seu dia a dia. Nesse instante verificamos que, apesar da reclamação de esquecimento estar presente, não existe prejuízo ou implicação clínica na vida do paciente.

Às vezes, os idosos lembram fatos do passado com muita clareza, mas não se recordam do que fizeram na semana passada. É preciso uma anamnese (história clínica completa), realização de alguns testes e se necessário exames complementares para se fazer o diagnóstico correto.
Esse esquecimento pode ser decorrente de desinteresse, depressão e efeitos colaterais de alguns fármacos (por exemplo, benzodiazepínicos).

Na dúvida, diante de um paciente idoso com queixa de esquecimento, deve-se procurar o médico para fazer uma avaliação. Assim se evita passar desapercebido um diagnóstico precoce de doença de Alzheimer.

Narcolepsia

A narcolepsia é caracterizada por episódios de sono irresistíveis durante o dia. Na prática, o paciente chega ao consultório com prejuízo social e profissional por cair em sono profundo em momentos inapropriados, como numa reunião, numa conversa ou na direção.
Geralmente começa na adolescência e perdura por toda a vida. Por se iniciar cedo, o indivíduo e familiares envolvidos acreditam ser uma preguiça crônica.
O diagnóstico é feito através da anamnese e polissonografia do sono. É causada por uma deficiência de um neurotransmissor chamado orexina (ou hipocretina).
Pode ser agravada em situações de estresse, redução do número de horas de sono à noite, alterações hormonais, infecções e doenças auto-imunes.
O seu tratamento é feito com medicamentos psicoestimulantes e mudança do estilo de vida.


Transtorno Afetivo Bipolar

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Transtorno Bipolar foi a sexta causa de incapacidade no mundo na última década. A taxa de mortalidade é alta, por acidentes automobilísticos, suicídio, abuso de álcool e drogas, nessas pessoas.
É um distúrbio crônico caracterizado por alteração de humor, que se manifesta em graus diferentes de intensidade, de episódios que variam de bem estar/euforia, irritabilidade e até a depressão. Esse distúrbio tem causa genética, que é influenciada pelo meio.
É difícil de fazer o diagnóstico. O paciente não procura a ajuda médica. Acha que a sua oscilação de humor é justificada por “personalidade difícil ou forte”, “temperamento” ou pela “vida difícil”. É reforçado pelo fato de muitas vezes ter convivido com pelo menos uma pessoa que também sofria do mesmo mal, com menor ou maior intensidade, passando assim a achar natural. Ou ainda quando viu uma pessoa da família ter um caso muito intenso, e ver o quadro grave como doença, mas um sintoma mais leve não seria um distúrbio.
Muitas das vezes, procuram o médico apenas com o quadro depressivo. Nesse momento se o médico não investigar a oscilação do humor ou a história de vida conturbada, o profissional não faz o diagnóstico de bipolar. Nessa situação trata apenas como um deprimido e pode por falta de conhecimento agravar o Transtorno Bipolar.
Às vezes, procuram o psiquiatra por outras comorbidades, tais como obesidade, transtorno de pânico, uso de álcool e drogas. E que o sucesso no tratamento só acontecerá se tratar o Transtorno Bipolar concomitante.
Os sinais e sintomas do Transtorno bipolar variam de intensidade num mesmo paciente em diferentes períodos de sua vida. O Tratamento adequado faz com que o paciente leve uma vida normal com estabilidade e qualidade de vida.
É fundamental o tratamento medicamentoso para tratar a fase aguda (crise) e prevenir recaídas. O tratamento psicológico é importante para dar suporte emocional, compreensão da doença e auxílio na adesão ao tratamento medicamentoso. É também necessário orientar a família quanto à necessidade de apoio ao tratamento,  e que se trata de uma doença crônica.

Dejà Vu

Essa sensação seria a impressão de já ter visto ou experimentado algo antes, mas se tem a certeza que é a primeira vez que se vive aquela situação. Por exemplo, você está visitando pela primeira vez uma cidadezinha e para numa esquina para pedir informação a um guarda. Nesse momento você tem a impressão que já viveu essa experiência, na mesma cidade, mesma esquina e com mesmo guarda para pedir informação. Mas você tem a certeza que isto é uma ilusão, porque nunca esteve naquele local antes.
O dejà vu acontece em todas as faixas etárias, mas especialmente quando as pessoas estão cansadas ou muito focadas num estresse. A pessoa identifica como não real, sabe que não é uma alucinação. Se acontece com muita freqüência deve-se procurar um médico para fazer o diagnóstico diferencial com uma epilepsia temporal .
Antigamente se dava explicações psicanalíticas, ou espirituais (lembranças de outras vidas) mas se sabe que é decorrente de um fenômeno neurofisiológico complexo, que não acarreta nenhum prejuízo a pessoa.

Boa Memória se consegue com uma boa noite de sono

Enquanto dormimos nosso cérebro está ocupado processando todas as informações colhidas durante o dia. Igualmente quando somos estudantes e passamos a matéria a limpo, enfatizamos o que é importante e cortamos o que não é relevante. É dormindo que fazemos a associação com o que já vivenciamos no passado e fixamos o aprendizado.
Antigamente pensava-se que o cérebro se desligava durante o sono, mas sabemos que na verdade é nesse momento que investimos na memória e no aprendizado. É óbvio que não dormir bem ou pouco é prejudicial ao processo mnêmico.  Isso é muito preocupante, já que  na sociedade atual cada vez se dorme menos. As pessoas têm considerado perda de tempo e preferem economizar horas dormidas para dar conta da distância trabalho/escola, das jornadas extensas de trabalho, dos emails, Facebook, filmes, telefonemas etc.
Os indivíduos não sabem que podem estar atrapalhando a sua capacidade cognitiva, o mais importante hoje em dia para dar conta de tantas informações que recebemos todo o dia.
Na clínica, muitos pacientes chegam apenas com queixa de memória. Muitas vezes a única prescrição recomendada é de dormir melhor. Isso vem acontecendo com pacientes de todas as faixas etárias e vem aumentando muito como sintoma nos adolescentes. Se você ainda acha que dormir é uma perda de tempo reflita e me diga se já aconteceu de você adormecer achando que um problema não tem solução, e ao acordar verificar que o imenso problema não é tão complicado assim. Como uma boa noite de sono faz a diferença…

Tricotilomania

É o impulso de arrancar os cabelos sem finalidade estética. Também pode se caracterizar com o ato de arrancar também os pêlos e cílios. Às vezes se manifesta com um interesse grande em acompanhar os fios do cabelo ou ficar enrolando esses fios entre os dedos. Sempre está acompanhado de uma intensa ansiedade ou vontade de difícil controle, seguida de intenso prazer e alívio ao fazer.
Alguns casos, em crianças, são acompanhados de tricotilofagia (hábito de engolir os cabelos arrancados). Nesse caso, as crianças perdem o apetite e sofrem de náusea e vômito.
Esse ritual acontece quando normalmente estão em sala de aula, assistindo TV ou falando ao telefone. Ocorre na Infância e vida adulta.
Muitas vezes acabam procurando o tratamento psicológico ou psiquiátrico após consulta com dermatologista, que detecta as falhas no couro cabeludo ou calvície.
As causas são multifatoriais. Sabe-se que tem influência genética (freqüência maior de 5% a 8% acima da média se outro familiar tem história de tricotilomania). Problemas emocionais contribuem para o desenvolvimento dessa patologia: medos, insegurança, estresse, ansiedade e depressão. Estudos neurobiológicos já comprovaram a deficiência de serotonina  nesses pacientes.
O tratamento consiste em psicoterapia e alguns casos, antidepressivos (do tipo inibidor da recaptação de serotonina).

Vício no Uso da Internet pelos Adolescentes

Autora: Elizabete Possidente
Um em cada 25 adolescentes nos Estados Unidos têm uma “fissura” (necessidade irresistível ) de estar conectado a Internet. Quando não estão “plugados” queixam-se de sintomas de ansiedade, sensação de vazio, preocupação de que algo muito importante está acontecendo e que está perdendo, que não terá mais amigos, ou não se sente interessante.
Isso é um grande alerta para os pais e educadores, pois, para que esses adolescentes chegarem a serem dependentes de Internet é porque autorizamos um acesso fácil e ilimitado desses jovens a Internet.
Nos casos mais graves, ou seja, quando essa compulsão afeta a vida pessoal e profissional do indivíduo, um psiquiatra deve ser procurado, para que seja adotada uma estratégia de tratamento com uso de medicamentos associados à terapia.  

Vicío em Jogos On Line

Autora: Elizabete Possidente
A revista científica médica “The Lancet” afirma que o vício em jogos online vem crescendo muito em todo o mundo. Isto se deve à disponibilidade de acesso (24 horas ao dia) que existe atualmente e a facilidade de não ser necessário sair de casa para jogar.
Calcula-se que hoje,  em Hong-Kong, um em cada vinte habitantes sofrem desse mal. Lá inclusive foram criados diversos  centros de reabilitação de jogadores compulsivos online. É comum se usar como referência a experiência dos habitantes da região, já que recentemente têm surgido muitas publicações de incidência e tratamento por esses profissionais.
Isso se torna muito mais preocupante, quando conhecemos o funcionamento do cérebro e sabemos que dificilmente haverá apenas essa doença mental. O jogador patológico tem freqüentemente depressão, ansiedade e muito mais chance de dependência de álcool e drogas.
O tratamento consiste em tratamento psicoterápico cognitivo comportamental e psiquiátrico com uso de drogas psicoativas (especialmente antidepressivos).

Suicídio na Infância e Adolescência

Autora: Elizabete Possidente
Nos últimos dez anos tem aumentado a freqüência de suicídio na adolescência em todo o mundo. Trata-se da terceira causa de morte mais comum nessa faixa etária. Estudos demonstram que 98% têm uma doença mental na época do evento. O que preocupa bastante é que vários outros artigos publicados referem que 70% das crianças e adolescentes possuem doença mental não diagnosticada ou não tratada adequadamente.
A OMS (Organização Mundial de Saúde) estima que a cada vinte segundos uma pessoa morre por suicídio. Devemos imaginar que existe uma freqüência muito maior de tentativas de suicídio e que familiares e amigos tendem a esconder, por vergonha ou culpa. No Brasil não sabemos o certo de prevalência do suicídio porque a maioria não preenche a causa determinada de morte.
Sabe-se que a freqüência dos adolescentes do sexo masculino  é quatro vezes maior do que nas meninas. Mas também se sabe que elas tentam suicídio em maior freqüência , mas com formas mais leves e sem sucesso que os do sexo masculino. Talvez a causa dessa diferença seja a patologia envolvida. As meninas geralmente sofrem de depressão, tentam suicídio com ingesta de medicamentos, dando tempo da família buscar auxílio. Já os meninos têm com freqüência dependência de uso de drogas, alteração de conduta, associado a alteração do humor. Nesse caso procuram formas mais violentas como armas de fogo, enforcamento e se jogam de uma grande altura.
O período mais comum de ocorrência de suicídio é no final da adolescência e início da vida adulta. Nos adolescentes a taxa de suicídio vem aumentando muito, mundialmente.  No Brasil essa taxa aumentou 20 vezes nos últimos 10 anos. Sabe-se que a maior parte dos atendimentos de emergência psiquiátrica em centros especializados em crianças e adolescentes é a ideação com tentativa de suicídio.
Todos devemos estar atentos às mudanças de comportamento das crianças e adolescentes, buscando uma avaliação médica e diminuindo essa triste estatística fornecida pela OMS.

Descoberto O Cromossomo Associado a Depressão

Vale a pena ler: depressão é doença com causa genética identificada e está sendo considerada a patologia mais comum até 2020.

http://oglobo.globo.com/vivermelhor/mat/2011/05/16/cientistas-descobrem-ligacao-entre-depressao-cromossomo-especifico-924471582.asp

Discalculia

É um dos transtornos de aprendizagem que causa dificuldade na capacidade de compreender e manipular números. Essa dificuldade em Matemática não é uma preguiça da criança e também não é decorrente de dificuldade auditiva, visual ou de leitura. Pode se manifestar  como dificuldade com números, contas, em diferenciar direito e esquerdo, em distinguir o número maior e menor, em julgar a passagem do tempo, em ver horas em relógio analógico, em compreender um planejamento financeiro (mesmo de um orçamento doméstico) , de estimar medidas de um objeto ou distância e de manter uma contagem durante um jogo que esteja acompanhando. Esses sinais que podem ser identificados desde a idade pré escolar , quando a criança não consegue distinguir, por exemplo, que o número 10 é maior que o número 9 . Adultos também podem apresentar esses sinais.
Essas dificuldades , se não tratadas, tendem a causar uma baixa auto estima, ansiedade, dificuldade nas habilidades sociais, irritabilidade e uma fobia de matemática. Se sabe que é parcialmente hereditária, pois é comum um dos pais também apresentar sinais, só que em grau mais leve. Sabemos que 60% dos disléxicos podem ter associado a discalculia.
O tratamento consiste em terapia psicopedagógica  com exercícios neuromotores e neuropsicológicos, associados a jogos ou brincadeiras com matemática, que estimulam a área cerebral acometida. É importante o suporte psicoterápico ou às vezes a inclusão de medicação, para aliviar o quadro de ansiedade que acompanha esse quadro, junto ao apoio aos pais e professores.

Dislexia

A dislexia é caracterizada pela dificuldade de aprendizado na decodificação dos símbolos escritos e reconhecimento das palavras. Há um prejuízo na associação do som à letra. Também é comum trocar letras (por exemplo, b por p) ou escrever de forma invertida (espelhada), além de confundir direita com esquerda.
Ocorre em 10% da população.  É muito confundida com TDAH, preguiça de ler e doenças neuropsiquiátricas.  São crianças geralmente diagnosticadas na fase da  alfabetização, até a segunda série, quando se consolida a leitura. O diagnóstico é feito excluindo todas as outras dificuldades de aprendizagem, problemas emocionais e doenças neuropsiquiátricas.
Muitos dos casos, por não conseguirem ler, ficam muito desmotivados, e passam a  apresentar alteração comportamental. Outros tentam compensar e usam mais ainda a área da criatividade.
Essa criança deve estudar em escolas normais. Devem ser estimuladas pelos pais e professores a lerem em voz alta. É trabalhoso, mas o processo de alfabetização ocorre. É necessário acompanhamento fonoaudiológico, psicopedagógico e muitas das vezes neuropsiquiátrico (ansiedade e irritabilidade são freqüentes).
Muitos pais chegam muito preocupados se há acometimento da inteligência. Isso não é verdade. Para tranqüilizar os pais, ilustro alguns famosos que sofriam de dislexia e nem por isso deixaram de ser marcantes em nossa história, como Albert Eisten, Agatha Christie, Charles Darwin, Thomas Edison e Walt Disney.

Tensão Pré-Menstrual

É comum as mulheres sentirem alterações físicas e psíquicas de intensidade leve no período pré-menstrual. Porém, existe um grupo onde esses sintomas são intensos e atrapalham suas atividades no trabalho e relacionamentos. Quando causa esse prejuízo nós consideramos que essas mulheres têm uma patologia chamada Síndrome de tensão pré-menstrual .
A tensão pré-menstrual é codificada na Classificação Internacional de Doenças (CID X) como N 94.3. Muitas pessoas, geralmente homens referem que isso é uma desculpa da mulher moderna. Na verdade é uma doença que foi descrita pela primeira vez como “tensão pré-menstrual” em 1931. Ou seja, não é uma doença dos tempos modernos .
Sua causa ainda é obscura.  Sabe-se que tem um componente de predisposição genética, alteração de neurotransmissores (especialmente serotonina), variação hormonal e alteração do SNC (eixo  hipotálamo – hipófise).
È importante  fazer o diagnóstico caracterizando os sintomas em grupos:
– Psíquicos: choro fácil, irritabilidade, redução da concentração, ansiedade, depressão, insônia ou hipersonia, choro fácil, sentimento de desesperança e dificuldade de memória.
– Comportamentais: redução da iniciativa, aumento do apetite, vontade de se isolar.
-Somáticos: dores musculares, edema, tonteira, cansaço e cefaléia .
Claro, que esses sintomas devem surgir e permanecer no período pré-menstrual. Se persistir durante todo o mês descartamos esse diagnóstico e investigamos outras patologias físicas ou psíquicas.
O tratamento consiste em drogas psicoativas (antidepressivos geralmente), controle do ciclo menstrual,complementos alimentares (vitamina e minerais), prática de exercícios e mudança de hábitos alimentares (redução cafeína,álcool,  ingesta de sal e açúcar).