Vale a pena conhecer alguns bipolares famosos?

Essa foi a minha pergunta para mim mesma diante de alguns pacientes na consulta. Isso porque quando esse diagnóstico é feito, muitas pessoas sentem-se “ rebaixadas”.
Há muito preconceito sobre a doença. Muitas vezes é associado por leigos à loucura, o que só contribui para aumentar o preconceito.
O Transtorno de Humor Bipolar é uma doença com alterações neurobiológicas bem estabelecidas com influências genéticas e ambientais. Segundo a Organização Mundial de Saúde, o transtorno acomete 4% da população e é mais frequente entre mulheres.
Apesar de ser uma doença crônica, como diabetes mellitus e hipertensão arterial, pode ser tratada. Por meio de um tratamento medicamentoso e psicoterápico adequado, as oscilações podem ser controladas e a pessoa leva uma vida normal como todas as outras.
Muitos pacientes e familiares ao ouvir esse diagnóstico, assustam-se por acreditar em sintomas de depressão ou de euforia para sempre. Em sua mente, serão sempre “doentes em crise”. Nunca serão capazes de retomar às suas vidas e carreiras.
Outros negam a possibilidade desse diagnóstico baseados em sua criatividade, inteligência e por serem bem sucedidos profissional e socialmente. Por isso, não poderiam ter essa patologia.
Respondendo à pergunta inicial, acredito que faz-se importante conhecer casos de bipolaridade para melhor entender os aspectos e possíveis perspectivas da doença. Desde ícones da história, que sofreram pela não existência de tratamento,   à personalidades mais atuais que tiveram diagnóstico tardio ou tratamento interrompido, é possível compreender mais sobre os desdobramentos que a patologia pode acometer. Assim, fica claro que a conscientização e aderência ao tratamento levam a uma vida normal.
Segue abaixo uma lista de pessoas famosas que sofreram ou sofrem de bipolaridade.
Artes:
• Amy Lee (cantora do Evanescence), compositora e pianista
• Rita Lee, cantora
• Axl Rose (vocalista do Guns n’ Roses), compositor e pianista
• Kurt Cobain (ex- vocalista do Nivarna)
• Brian Wilson (Beach Boys), compositor
Britney Spears , cantora
• Cazuza, compositor, cantor
• Demi Lovato, atriz, cantora e compositora
• Elvis Presley ,cantor, compositor
• Vincent van Gogh, pintor
• Michelangelo, artista                              
• Wolfgang Amadeus Mozart, compositor
• Paul Gaugin, pintor
• Janis Joplin, cantora
• Thelonius Monk, pianista
• Mozart, compositor
• Sinead O`Connor, cantora                       
• Peter Tchaikovsky, compositor
Ciência e Filosofia:
• Buzz Aldrin, astronauta
• Dimitri Mihalas, cientista
• Isaac Newton, cientista
• Platão, filósofo
Cinema:
• Charles Chaplin, roteirista e diretor
• Ben Stiller, ator, comediante, diretor de cinema
• Cássia Kiss, atriz
• Catherine Zeta- Jones, atriz
• Jean-Claude Van Damme, ator
• Jim Carrey, ator
• Maurício Mattar, ator
• Mel Gibson, ator
• Cary Grant, ator
• Carrie Fisher, escritora, atriz e roteirista
• Elizabeth Taylor, atriz
• Francis Ford Coppola, diretor
• Marilyn Monroe, atriz
• Robin Williams, ator
• Robert Pattinson, ator
• Tim Burton, cineasta norte-americano
• Stephen Fry, ator, comediante e escritor                       
Literatura:
• Agatha Christie, escritor
• Charles Dickens, escritor
• Edgar Allan Poe, autor
• Emile Zola, escritor
• Ernest Hemingway, escritor
• .F. Scott Fitzgerald, escritor
• Virginia Woolf, escritor
• Graham Greene, escritor
• T.S. Eliot, poeta
• Fernando Pessoa, poeta
• Walt Whitman, poeta
Política:
• Abraham Lincoln (presidente dos Estados Unidos)
• Winston Churchill, Primeiro Ministro Britânico
• Ulysses Guimarães (ministro do Brasil)  Sinead O`Connor, cantora  

            

No abismo da Depressão.

A depressão é uma doença que atualmente atinge 11,5 milhões de brasileiros. Muitos não procuram tratamento por falta de informação ou por vergonha.
Portanto, é de extrema importância divulgarmos artigos, relatos pessoais, casos de superação e grupos de apoio para que as pessoas passem a identificar alguém que esteja sofrendo desse mal e possam buscar ajuda adequada.
Segue o link : https://glo.bo/2mDLzps

Recomendações para Adulto com TDAH


– É obrigatório  usar a agenda.
– Automatize o que puder. Por exemplo, a agenda integrada ao celular.
– Faça uma lista do que precisa fazer no dia. Apegue-se a essa lista.
– Comece o seu dia cedo.
– Rotina no horário de dormir e acordar.
– Eliminar atividades noturnas que causem ansiedade ou agitação, evitando adiar o início do sono.
– Limite no seu dia o tempo para cada tarefa. Se for uma pessoa com pouca percepção de tempo, coloque alarmes para esse controle.
– Escreva e-mails ou mensagens curtas.
– Limite a quantidade e tempo das conversas e reuniões.
– Elimine a papelada.
– Organize a mesa de trabalho, deixando apenas o essencial para a atividade do dia.   
– Deve-se ao máximo evitar atividades paralelas (por exemplo, redes sociais).
– Divida as atividades longas em diversas mais curtas. Faça pequenos intervalos.
– Mantenha seus objetos importantes próximos a você.
– Deixe seu celular de lado quando precisar se focar em algo.
– Pague ou programe o pagamento de suas contas de uma só vez. Por exemplo, tire a segunda-feira para pagar todas as contas da semana.
– Se você tiver uma ideia ou lembrança de algo que precisa cumprir, anote. Crie o hábito de anotar sempre.
– Use aplicativos que possam te ajudar.
– Use “post it” ou marcadores com cores para definir prioridades nas atividades.
– Crie o hábito de sempre guardar os objetos no mesmo lugar. Por exemplo, o ticket do estacionamento sempre na carteira.


Precisamos falar sobre Saúde Mental: Depressão afeta mais de 300 milhões no mundo


Esse será o tema de maior destaque no Dia Mundial da Saúde, coordenado pela Organização Mundial de Saúde, no próximo dia 7 de abril.
Houve um aumento de 18% na incidência de depressão entre 2005 e 2015, pelos dados publicados pela OMS em 23 de fevereiro de 2017. Isso significa que mais de trezentos milhões de pessoas sofrem de depressão nesse momento. A OMS também alertou que a depressão é a principal causa de afastamento de atividades laborativas e de suicídio atualmente.
Apesar de existirem tratamentos bem eficientes para a depressão, menos de 10 % recebem ajuda médica adequada. Isso ocorre por falta de médicos especialistas, preconceito e diagnóstico e tratamento inadequados. Isso acontece principalmente nos países menos desenvolvidos.
Cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio por ano. Já se tornou a segunda causa de morte nos jovens. Esse número seria mais alto, se pensarmos também nos casos de tentativas de suicídio frustradas, por conseguir o socorro ou casos que não comprovados, como dirigir em alta velocidade e intoxicação por álcool ou drogas ilícitas.
Portanto, está sendo valorizado a importância da OMS cobrar por políticas de Saúde Mental efetivas, visando atender a população mundial, que vem sofrendo com a depressão e outros distúrbios psíquicos.
Vale a pena ler o artigo abaixo:
Também recomendo ler nesse blog as seguintes postagens: 

A importancia do Não

Vale a pena ver esse vídeo. Fala da importância de limites para nossas crianças, a aprender a conviver com as frustrações. Depende de nós, pais.

https://www.youtube.com/watch?v=Uz52fdi6JXw

Medo de Voar (Fobia de Avião)

Diante da tragédia da queda do avião a caminho de Medellín, que acompanhamos recentemente, é importante entendermos porque algumas pessoas desenvolvem medo de voar, a conhecida Fobia de Avião. 
Conhecendo o mecanismo desse medo, que impede pessoas de voar, você consegue se proteger ou combater os primeiros sintomas. Muitas das vezes, pessoas que não tinham esse medo passam a desenvolver, acompanhando as notícias sobre um acidente aéreo.
O jornal ao noticiar a tragédia e descrever as características de cada vítima nos aproxima muito do acidente e da própria vítima. Como são muitas histórias conhecidas essa bagagem vai potencializando a ansiedade e medo de cada um.
Por isso, a importância de entender a causa, os sintomas e procurar tratamento para esse mal. 
Recomendo assistir o programa apresentado no canal Saúde da Fiocruz sobre o medo de voar. Acesse pelo link abaixo.

A Diferença Entre Querer Morrer e Querer que a Dor Pare

Esse texto foi extraído no site do CVV – Centro de Valorização da Vida

Eu não quero morrer.
Eu só queria que a dor parasse: a dor que rodeava e apertava meu peito, o peso que envolveu meu cérebro na sombra, a agonia que transformou todo o mundo em escuridão.
Eu precisava disso para cessar a dor.
Não foi um grande trauma que me convenceu que a morte era a minha única opção, mas uma série interminável de pequenas dores que roubaram a minha esperança. A pressão da vida cotidiana tornou-se um assalto implacável: uma mão pesada sobre meu ombro que me esmagava.
Uma manhã eu tive uma discussão menor com meu marido e, como diz o proverbio sobre colocar mais a lenha na fogueira, essa discussão me deixou em pedaços.
E então eu decidi que tinha apenas uma escolha que fazia algum sentido. Senti que todo mundo estaria melhor sem mim.
Eu fiz um plano. Eu escrevi cartas para a minha família. Chorando, telefonei para o meu amado irmão para dizer adeus.
Entretanto, levou poucos momentos para ele compreender o que eu estava fazendo e, em seguida, rapidamente, ele entrou em ação.
Ele me cortou, desligou na minha cara e chamou meu marido imediatamente.
Meu marido correu de seu prédio de escritórios e, frenético, me procurou usando um aplicativo em seu telefone. Ele chamou um policial. Chamou uma ambulância. Levou-me para o hospital.
Deram-me uma bebida lamacenta em um copo de papel enquanto eu estava deitada na maca, e eu chorei.
Eu não quero morrer.
Eu só quero que a dor parasse.
A escuridão que eu tinha mergulhado era muito espessa. Eu não conseguia mais enxergar meus filhos. Eu não conseguia mais enxergar a vida que eu tinha construído com o homem que eu havia escolhido 25 anos atrás. Eu não podia enxergar minha família, os irmãos que me conheciam desde o nascimento, os pais que me apoiaram desde antes que eu pudesse lembrar. Eu não  podia enxergar meus amigos, que teriam ficado extremamente entristecido comigo se eu tivesse de deixa-los.
Eu não podia ver o amor.
´Havia amor em volta de mim, mas esse amor foi empurrado pela escuridão, com força despejado de minha consciência pelo preto sufocante.
No hospital psiquiátrico, eu estava cercada por pessoas cujas experiências foram muito parecidas com a minha. Ouvi histórias familiares. eu aprendi novas formas de lidar com a minha dor. Percebi que tinha opções. Mais importante, vi que não estava sozinha.
Eu tenho um bom diagnóstico e fui colocada sob medicação que funcionou como um raio de luz no meu cansado cérebro, confuso.
Isso não aconteceu da noite para o  dia.
Levou algum tempo para encontrar as doses certas e as prescrições corretas, mas eu perseverei. Eu mantive firmemente a esperança de que o antídoto certo  para a escuridão poderia ser encontrado. 
Eu não quero morrer.
Eu só queria que a dor parasse.
E ela parou.
Lenta, mas seguramente, com a terapia e o tempo, a dor parou.
Estou aqui hoje para lutar junto com você: Não desista.
Há uma razão para que você esteja lendo isso agora, nesse exato momento no tempo.
Essa é uma mensagem que você precisa ouvir. Você não está sozinho. O próprio mundo anseia para você ficar, anseia para você permanecer. A Terra está chamando ouça! Lá está no calor dos raios do sol em cima de seu rosto virado para cima, na brisa fresca que acaricia a sua pele, no canto de um pássaro, a maravilhosa de folhas e flores. A Terra está implorando para você não desistir.
Para toda escuridão há um facho de luz pelo qual é possível andar, basta apenas que os olhos sejam liberados do desespero.
Buscar. Falar com alguém. Há amor lá fora; há amor ao seu redor. Só porque você não pode sentir isso agora não significa que ele se foi. Não acredite na escuridão. Ele é uma mentirosa e uma ladra.
Estou feliz por estar aqui hoje.
A chuva cai e o sol brilha. Posso ver meus filhos riem e chorarem e lutar e crescer.
Meus pais estão agradecidos. Meu marido é cuidadoso. Meus irmãos me apoiam. Meus amigos me querem bem. Todo dia eu vejo o amor que eu não podia ver antes.
Eu acreditava nas mentiras que a escuridão me falou, e eu tentei tirar a minha vida.
As vezes a vida é uma luta. As vezes o amor parece desaparecer e parece estar longe. Há dias em que eu acordo desanimada e me sinto derrotada. Tem dias que eu ainda quero deixar esse mundo ( e todas as suas tribulações) para trás. Mas eu continuo colocando um pé na frente do outro, e eu agarro a esperança. Eu falo com os que me rodeiam. Eu tenho uma boa noite de sono. Um novo amanhecer. Eu me sinto melhor.
Eu não tinha que morrer para que a dor parasse.
Você também não tem que querer.

Se você ou alguém que você conhece precisa da ajuda, por favor, ligue para o telefone do CVV 141, e procure ajuda médica psiquiátrica.

O TDAH ao Longo da História

O TDAH não é um transtorno novo, como já ouvi  algumas vezes. Ele é um distúrbio descrito por pelo menos 200 anos.
Entretanto, os sintomas foram melhor descritos a partir de 1960.

Segue abaixo o link sobre o TDAH ao longo  da história. 

 http://psicoedu.com.br/historia-origem-do-tdah/

Falando sobre TDAH em adultos

Participei do programa “Ligado em Saude” da Fiocruz. Falamos sobre TDAH em adultos, vale a pena ver.

https://youtu.be/PCWe2WDrPOw

Direitos do Paciente com TDAH


Não existe  uma legislação específica que proteja o portador de TDAH na esfera nacional. Há um projeto de lei 7081/10, em andamento apoiado pela Associação Brasileira de Déficit de Atenção, que ajudará as pessoas com essa patologia. Caso deseje ler na íntegra, acesse o link:

http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra;jsessionid=B271CBB1D9A129AF658A22F62ACD95A5.proposicoesWeb1?codteor=1343620&filename=Tramitacao-PL+7081/2010
O munícipio do Rio de Janeiro foi o primeiro a se preocupar com a adaptação às necessidades desse grupo.  Existe a lei número 5416, de 29 de maio de 2012, e o projeto de lei 710/2010, que garantem direitos aos alunos com TDAH. Veja detalhes no link: http://vidaepsiquiatria.blogspot.com.br/2012/06/o-prefeito-do-municipio-do-rio-de.html. Com isso, muitas escolas, através de laudos e acompanhamento terapêutico, conseguem adaptar-se melhor ao aluno e suas necessidades.
No momento, o ENEM auxilia o paciente de TDAH, que possua laudo médico atualizado de um especialista, permitindo a realização da prova em sala separada e com  adição de  uma hora, em relação aos demais. O laudo deverá ser apresentado na inscrição para obter os direitos mencionados.
Converse com o seu médico para receber todas as orientações.

Causa e Efeito : Quem será o nosso adulto daqui a 10 anos?


Esse texto foi escrito em parceria com a neuropsicóloga Marcia Ferreira.
Quem será o nosso adulto daqui a 10 anos ? É hoje uma criança perversa, sem empatia e  sem respeito por seus pares?

Resolvemos escrever sobre esse tema, por estarmos chocadas com o volume de crianças buscando atendimento psicológico ou psiquiátrico, vítimas da perversidade dos colegas de classe. Geralmente somos procuradas por pais de meninas, entre 6 e 9 anos. Primeiro é feita uma anamnese com os pais, sem a presença da criança. No campo da queixa principal, sempre os mesmos sintomas: autoestima baixa, insegurança, medos, apatia, daí finalmente a criança começa criar desculpas para não ir à escola.

Quando avaliamos a criança, ela relata fatos dolorosos. Conta como é xingada, excluída e anulada pelas coleguinhas de turma. Os efeitos psicológicos na vida dessa criança “vítima” são imensuráveis.

Me pergunto: quem será e como será essa criança agressora quando chegar na fase adulta?

Não vamos falar de “bullying”, até porque esse tipo de comportamento sempre existiu. Inclusive na nossa época escolar. O que nos chama atenção é que esse comportamento era comum nas escolas públicas e mais populares, hoje nosso público no consultório é formado pelas escolas de “Elite” , das escolas “caras” e que melhor preparam para o ENEN.
Então voltamos a questionar: O que está acontecendo? Como serão nossos futuros adultos? Sem amor ao próximo, sem respeito às diferenças e se achando acima de todos? Serão esses os nossos príncipes e princesas de hoje, os quais seus pais terceirizam seus cuidados para as babás, escolas e centros de atividades esportivas?
Convivam com seus filhos, para que possamos ter adultos melhores. Talvez nós estejamos criando indivíduos que no futuro serão como as pessoas de hoje que julgamos e criticamos.

Anticoncepcional Hormonal e Anticonvulsivantes


A escolha do método contraceptivo hormonal em mulheres que usam anticonvulsivantes é de suma importância.

É relevante por dois fatores principais:

1.    Existe interação medicamentosa entre o anticonvulsivante e o anticoncepcional hormonal.
2.    Os anticonvulsivantes são usados de uma forma contínua em mulheres com Transtorno de Humor (ou bipolares), epilepsia e enxaquecas.

Por essa razão, é muito importante ter cautela ao prescrever essa classe medicamentosa em mulheres na idade fértil. É fundamental ter o conhecimento da interação hormonal do método anticoncepcional. Existem diversas combinações progesterona e estrogênio, algumas dessas podem agravar a crise epiléptica. Outras combinações em associação ao uso de determinados anticonvulsivantes podem levar a falha do anticoncepcional oral.

O psiquiatra ou neurologista, com o ginecologista, devem discutir o melhor anticoncepcional hormonal para cada paciente, seja anticoncepcional oral combinado, anel vaginal, pílulas de uso vaginal, implante subdérmico, adesivo e dispositivo intrauterino. Podem também concluir que a melhor indicação pode ser o método não hormonal.

Essa escolha vai depender de diferentes fatores, tais como idade, história familiar de câncer, doença neurológica ou psiquiátrica, comorbidades clínicas, tabagismo ou história de trombose.
Portanto, a mulher deve estar segura e amparada numa equipe multidisciplinar para melhor qualidade ao seu tratamento medicamentoso. 

Dificuldade no Reconhecimento do TDAH em Mulheres

Cada vez mais mulheres procuram tratamento médico ou psicológico para ansiedade, depressão e baixa autoestima. Muitas dessas pacientes tem a sua vida repleta de desorganização, disfunção executiva e desatenção, com todas as  características de  um TDAH (Transtorno de déficit de atenção e / ou hiperatividade).
Esses sintomas normalmente iniciaram na Infância e foram se agravando na vida adulta, quando precisa dar conta de muito mais afazeres. Esse quadro acaba levando a depressão, ansiedade, baixa autoestima e insônia. Essas queixas são o que motiva a busca de auxilio profissional.
O TDAH é um distúrbio neurobiológico crônico, que se desenvolve antes dos 12 anos de idade. Os sintomas vem desde a fase de criança  e se mantém  na vida adulta. Como se tem muitos anos de evolução, raramente a mulher adulta traz esses sintomas como um problema. Ela já aceita esse quadro como “o seu jeito de lidar com a vida”.
Ao entrevistar essas pacientes, percebo o prejuízo em sua vida. Entretanto, elas parecem “jogar a toalha” por achar que isso não tem solução, por fazer parte do seu temperamento. Vejo constantemente no meu consultório pacientem adultas que me procuram para depressão ou ansiedade, mas que seu diagnóstico principal é o TDAH.
O estudo publicado recentemente no Journal Psychiatry confirma o que venho percebendo na minha prática clínica. Veja o artigo publicado em 2015 no link abaixo.
Recomendo também a leitura dos seguintes artigos nesse blog.
Entenda o TDAH – 13/12/12

Poucas horas de sono leva a ganho de peso

Um estudo da Universidade de Chicago mostra que a privação do sono tem relação direta com o ganho de peso. Esse efeito teria mecanismo semelhante ao efeito causador do aumento de apetite dos usuários de maconha (popularmente conhecido como “larica”).
 
A autora desse estudo revela que a privação do sono pode aumentar os níveis de endocanabinoiide 2- araquidonoilglicerol, que aumenta o desejo de ingestão de alimentos.Essas pessoas tem um pico dos níveis dessa substancia entre 14h e 21h. Por isso, aumenta a vontade de fazer os “lanchinho da noite”.
 
Essa associação privação de sono e  ganho de peso é de grande relevância clinica porque no mundo atual percebemos que cada vez mais se dorme menos e cada vez mais se luta contra a balança. Existe outra preocupação complementar nessa descoberta:. sabemos também que a população dorme menos porque se distrai com produtos eletrônicos. Esses aparelhos estimulam o cérebro, levando a uma alteração do relógio biológico, agravando ainda mais a associação privação de sono e obesidade.A privação do sono é mais grave ainda na população jovem, que já sofre essas ações a nível cerebral desde pequenos
 
Deve ser informado á população geral sobre a importância de uma boa noite de sono como preventivo a uma série de doenças, incluída a obesidade..
 
Sugiro a leitura nesse blog dos seguintes artigos.
 
Importância do sono das crianças publicado em 1/11/15
Insônia em 18/3/11
Dormir mal em 3/4/11
Veja também o link publicado no O Globo sobre essa pesquisa.
 

Refletindo Sobre o Papel dos Pais

Autora: Elizabete Possidente

Saiu na Revista O Globo de 6 de março de 2016, na sessão colunista convidado, a reportagem “A Reinvenção do Pai” com a psicanalista Malvine Zalcberg.

Malvine disserta sobre as atitudes dos pais hoje em dia em relação ao comportamento dos filhos, a partir de uma noticia recente, em que jovens alunas de escolas tradicionais de São Paulo e Porto Alegre, inconformadas com a proibição de usar shorts durante as aulas, protestaram através de abaixo assinado e redes sociais. A diretora da escola explicou que o colégio tem regras e que tantos meninos e meninas só podem usar bermudas na altura do joelho.

Está ai a palavra chave: REGRAS. Porque hoje em dia os jovens têm tanta dificuldade em seguir regras?

No passado, na época em que eu era aluna do ensino medio, achava horroroso usar uniforme mas seguia as regras. O que mudou da minha época de jovem para hoje é que existiam pais, no sentido da figura responsável em impor limites necessários para o meu crescimento e desenvolvimento como pessoa. Esses pais eram educadores, mesmo correndo o risco de cometer erros ou excessos. Sabia que a Sociedade era fornada de regras e hierarquia que começava dentro de casa. Todos os jovens reclamavam dos pais, mas os amavam, e entendiam essa necessidade com o passar dos anos.

Hoje os pais querem sempre parecer mais jovens e amigos dos filhos. Com isso, tentam agradar ao máximo, sem ensinar os limites, por medo de não serem amados pelos filhos. As crianças crescem achando que a sociedade funciona como dentro de casa,. acreditam que devem aceitar apenas o que gostam. Devem discutir regras porque fazem isso com os pais o tempo todo. A discussão é sadia, porém a responsabilidade da palavra final é dos pais, independente do quão antipática possa parecer essa decisão. Amigos ele vai encontrar na escola, faculdade e eventos sociais, pai e mãe ele precisa ter em casa.

Para essa reflexão sugiro também a leitura no blog dos seguintes artigos.

A necessidade de não premiar comportamento ruim de seu filho (publicado em 26/1/15)
Como criar as crianças sem deixá las mimadas (publicado em 30/04/14)
Seu filho precisa mesmo ser feliz? (publicado em 28/4/14)
A importância de deixar os filhos terem frustrações (publicado em 20/1/13)
Como definir limites para adolescentes (publicado em 8/11/11)
Como definir limites em nossas crianças no mundo de hoje (publicado em 7/11/11)

Mutismo Eletivo

O Mutismo Eletivo é uma doença descrita pela Organização Mundial de Saúde no capítulo dos Transtornos Mentais e comportamentais e representado pelo código F94.0. É caracterizado pela recusa da criança em falar em alguns locais, em algumas ocasiões ou com certas pessoas. As crianças compreendem a linguagem e são capazes de falar adequadamente. É uma patologia pouco conhecida, presente em menos de 1% da população com distúrbios psiquiátricos. Segundo a “American of Child and Adolescent”, têm  mutismo eletivo 7 entre cada 1000 crianças.

Essas crianças têm o interesse em se comunicar. Interagem através do olhar, gestos, sinais e pela linguagem corporal. Quando diante de um adulto desconhecido ou pouco íntimo tende a baixar o olhar pela timidez. Ela consegue falar normalmente em casa ou até pelo telefone, mas se mantém muda fora do ambiente doméstico.

O mutismo eletivo pode ocorrer em qualquer faixa etária da criança. É mais comum ter o seu início antes dos cinco anos. É também mais frequente em meninas. A percepção dessa criança é que ela é o centro das atenções, isso provoca uma intensa ansiedade. Esse desconforto é tão grande que inibe a sua fala.
A causa do mutismo eletivo é multifatorial, são diversos elementos que precisam estar presentes para desenvolver esse transtorno. É necessário nascer com uma predisposição genética para desenvolver uma síndrome ansiosa diante de um estresse. É preciso ter um temperamento mais tímido. Normalmente existe relato prévio de ter sido uma criança muito tímida e pouco sociável. É também encontrada uma interação familiar com características de simbiose, geralmente essa relação de dependência ocorre com a mãe.
Também contribui para o desenvolvimento do Mutismo Eletivo a forma como os pais influenciam a criança, por exemplo, demonstrando que pensam na interação com outras pessoas como uma situação desagradável e problemática. Em poucos casos o início ocorre após um trauma, mas sempre é encontrado com intensidade menor do que os casos relacionados com os fatos anteriormente citados.
Essas crianças desejam se comunicar mas não conseguem fora do seu ambiente “seguro”. Esse é um grande diferencial para não dar erroneamente o diagnóstico de Autismo. É comum estar presente timidez exagerada, ataques de birra, agressividade, raiva, mudança de humor e intensa ansiedade. Alguns relatos falam de crianças em que os sintomas desapareceram espontaneamente. A maioria dessas crianças leva à cronicidade, caso não buquem tratamento, logo após início do quadro.
O tratamento do Mutismo Eletivo não é bem descrito na literatura. O foco do tratamento é a psicoterapia individual e familiar. É necessário atenuar as manifestações comportamentais dessa criança através de melhora da sua sensação de segurança, aumento da autoestima e redução da ansiedade.O uso de psicofarmacos pelo neuropsiquiatra é restrito para combater os sintomas de raiva, agressividade, ansiedade e mudanças de humor. Também pode ser indicado o medicamento quando o especialista diagnostica outras comorbidades ao mutismo nessa criança.

Crianças com TDAH Vivem Menos que a População Geral

Esse estudo foi realizado pelos pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino. Foi publicado na “Frontiers of Molecular Neuroscience” e no site “EurekAlert”, em setembro de 2015.
Sempre se soube que a criança de TDAH impacta a família sob o aspecto emocional e social, devido ao quadro de desatenção e especialmente pela hiperatividade. O que até então não se sabia é que o TDAH influencia o DNA dos portadores e de seus familiares, aumentando o risco de envelhecimento precoce e o surgimento de novas doenças. Isso levaria a redução da expectativa de vida.
Os pesquisadores identificaram que os telômeros estão reduzidos nas crianças com TDAH e em suas mães. Os telômeros são marcadores biológicos que ficam na ponta dos cromossomos e que se desgastam com o tempo e fatores estressores, levando ao envelhecimento precoce.
Nesse estudo foi analisado material genético de crianças de 6 a 16 anos com TDAH e de seus pais. Observou-se que tanto no grupo de crianças com TDAH quanto no e de suas mães havia redução dos telômeros. Essa redução não foi encontrada no grupo de pais. Acredita-se que a diminuição dos telômeros ocorreu no grupo de mães e não no de pais porque são as genitoras que ficam maior tempo responsável pelos filhos.
Essa pesquisa revelou que a criança com TDAH não envolve a família apenas pelo efeito emocional. Há acometimento biológico e que pode afetar futuras gerações. O encurtamento do telômero pode ser passado para os filhos.
Isso aumenta a importância de se iniciar o mais cedo possível o tratamento da criança com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade.

Terapia Cognitivo Comportamental – TCC


Este artigo, escrito em parceria com a neuropsicóloga Marcia Ferreira, fala sobre TCC e sua importância no tratamento de vários quadros e distúrbios.
A Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) é a abordagem psicoterápica que mais cresceu nos últimos anos junto com a Neurociência. Existem muitos estudos comprovando a sua eficácia através de abordagens clínicas com entrevistas semiestruturadas, questionários específicos e neuroimagem funcional.
A TCC foi criada em 1960 por Aaron T. Beck e desenvolvida com a ajuda de diversos psiquiatras e psicólogos da época. Ela se baseia na função cognitiva se responsabilizando pelo aspecto emocional e comportamental do indivíduo. 
Desde a Antiguidade até os tempos atuais, filósofos descreviam o indivíduo como decorrente do seu pensar (função cognitiva). Pesquisas demonstram a eficácia da terapia cognitiva comportamental na mudança das cognições de medo, depressão e ansiedade. Portanto, para muitos pacientes o tratamento ideal consiste na associação TCC e medicamentos específicos para sua patologia.
A Terapia Cognitivo comportamental é utilizada a curto prazo, geralmente por cerca de vinte sessões.  Quando existem diferentes comorbidades, situações de cronicidade ou dificuldade de compreensão da doença, é necessário estender esse projeto terapêutico por mais tempo. Sempre esse trabalho é feito em conjunto, neuropsicólogo e psiquiatra, para determinar a melhor estratégica para cada paciente, levando em consideração sua história de vida passada e atual, doença, estressores do meio, ausência ou presença de apoio familiar.
A TCC é basicamente trabalhar o aqui e o agora. Com isso, mais rápido o indivíduo alcança a sua qualidade de vida. É claro que mesmo enfatizando o momento atual a TCC não perde a perspectiva longitudinal do indivíduo. Para ajuda-lo e ter uma eficácia no presente é preciso também avaliar a primeira infância do paciente, histórico familiar, traumas, experiências positivas e negativas, educação, história de trabalho e influências sociais, para que possamos compreender melhor o paciente. Desse modo podemos planejar o tratamento mais adequado a esse indivíduo. 
O terapeuta de TCC é bem ativo nos atendimentos. Ele ajuda a estruturar a sessão, dá feedback da evolução e passa atividades a serem feitas dentro e fora da sessão, para que seja atingida mais rápido a melhora. Os pacientes também são orientados a todo o momento de como a TCC exercita a sua cognição e aprendem a utilizar essas técnicas no seu dia a dia. Ela trabalha o autoconhecimento, onde o paciente percebe e identifica os seus pensamentos disfuncionais.  Aprende a usar técnicas para a detecção e modificação de pensamentos que desencadeiam os sintomas patológicos, de medos, ansiedade, depressão, compulsões, raiva e outros.  

Dislexia

A dislexia ocorre em 10% das crianças, geralmente confundidas como preguiçosas.
É caracterizada por uma dificuldade de aprendizado na decodificação de símbolos escritos e reconhecimento de palavras.
Recomendo ler artigo publicado neste Blog em 13 de maio de 2011.
Segue abaixo link de um vídeo onde um professor explica o que significa a Dislexia. Ele dismistifica o distúrbio através de dislexicos famosos.

Transtorno Afetivo Bipolar ou Transtorno de Humor

O Transtorno Afetivo Bipolar acomete homens e mulheres. Inicia-se na adolescência e em adultos jovens, podendo também acometer crianças. É a sexta maior causa de afastamento de atividades profissionais pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e se encontra em cerca de 4% da população mundial.
A sua causa é multifatorial, através da associação de componentes genéticos, psicológicos e ambientais. 
Não se trata de desvio de caráter ou falha de educação, é uma doença, e normalmente algum familiar vai ter também.
Quando alguém próximo apresenta esse diagnóstico, deve-se ficar atento ao desenvolvimento, sobretudo se for uma criança. É importante evitar diversos fatores ambientais, como uso de drogas, e diversos efeitos psicológicos, como alguns fatores estressores.
A atenção a esses pacientes deve ocorrer sempre, mesmo quando eles se acham bem e que não se sentem doentes. Esse grupo tem 19% de mortes causadas por suicídio. Isso significa trinta vezes mais chances de suicídio de que qualquer outra pessoa.
O diagnóstico deve ser feito por um psiquiatra, que fará entrevista detalhada da história de vida desse paciente. O tratamento deve ser imediato para combater a alteração neurobiológica que se manifesta no comportamento.
Existem em algum momento de vida desses pacientes episódios depressivos. Geralmente a procura de ajuda profissional ocorre nesse momento. A depressão é caracterizada por tristeza, dificuldade de organização, dificuldade de planejamento, falta de energia, falhas de memória, dificuldade em se concentrar, dores, insônia etc.
Na fase de euforia ou mania, temos humor eufórico ou expansivo, insônia e com necessidade de poucas horas de sono, irritabilidade, raiva, hiperatividade (se envolve em diferentes atividades ao mesmo tempo), busca de atividades prazerosas, impulsividade (muitas das vezes se lançam em  projetos mais ousados), maior gastos em  compras, maior ingesta de  álcool ou  drogas, prejuízo do senso de perigo, aumento de energia física ou do pensamento, maior necessidade de sexo (aumento da libido), sintomas psicóticos (nos casos, mais graves), entre outros. Existem também os quadros de hipomania, que são os sintomas da euforia (sem sintomas psicóticos) de forma mais branda.
O curso é muito variado. Pode haver ciclos rápidos ou ciclos bem determinados com fases de ausência de mudança de humor no decorrer dos anos. Existem os estados mistos em que podem ocorrer esses sintomas ao mesmo tempo. Por exemplo, queixa de depressão, mas também relata pensamento acelerado. Nesse caso é muito comum ter confusão diagnóstica, porque normalmente o paciente relata apenas a depressão. 
Se o médico não for experiente não investiga os outros sinais, como o pensamento estar muito rápido. Com isso muitos são  tratados erroneamente como apenas um quadro de  depressão. Isso só faz piorar o seu quadro, pois nesse caso na maioria das vezes se utiliza apenas o antidepressivo.
O tratamento consiste em tirar o paciente da mania ou da depressão na fase aguda em um primeiro momento. Depois é preciso manter o paciente estável, sem oscilar nas mudanças de humor. Nesse caso, utilizam-se os estabilizadores de humor.
Os estabilizadores de humor são sais de lítio, alguns anticonvulsivantes (divalproato, lamotrigina, carbamazepina, oxcarbamazepina) ou antipsicóticos atípicos (risperidona, aripiprazol, quetiapina).
Como a maioria dos pacientes demora muito a receber o diagnóstico e o tratamento correto,  demora um pouco para se definir o melhor estabilizador de humor ou a melhor associação deles para cada paciente.
É fundamental estar associado uma terapia para que possam ser trabalhados aspectos psicológicos e estressores, associado a uma psicoeducação do Transtorno Afetivo Bipolar. Nessa parceria Psiquiatria e Psicologia é muito importante que ambos estejam trabalhando em sintonia para estabilidade do quadro de bipolaridade do paciente.
O tratamento é para toda a vida, pois se trata de uma doença neurobiológica. Outras dicas importantes, além de aliar o tratamento psiquiátrico e o psicológico do Transtorno Afetivo Bipolar, é evitar ingesta álcool, nunca usar drogas, sempre dormir bem, atividade física regular e evitar os estressores psicológicos e ambientais determinados na terapia.
Sugiro assistir o vídeo abaixo. Um programa de Bipolar com participação de professores e pesquisadores da área e relato de pacientes. Assim como ler os artigos publicados nesse blog em 28 de junho de 2011, 25 de setembro de 2012, 28 de abril de 2014, 6 de fevereiro de 2014, 28 de abril de 2014 e 5 de fevereiro de 2014.