A Super proteção desprotege o filho para a vida

Autora: Elizabete Possidente

Deixar seus filhos passarem por frustrações é a forma de prepará los para
enfrentar os momentos ruins da vida de uma maneira menos sofrida. 
Lembre-se a super proteção desprotege o seu filho para a vida. 
No curta “Piper”, se a mãe tivesse dado a comida sempre que o seu filho
pedisse e, não ensinasse a ele a buscar resolver suas necessidades, a
criança não aprenderia e seria reforçado por sua mãe que não era capaz.
Se depois do medo gerado após o estresse sofrido, sua mãe não o insistisse
de forma cautelosa para seu enfrentamento, ele se sentiria mais uma vez
atestado como incapaz por seu responsável. 
Isso é o que percebo, em muitos adultos jovens que atendo em meu consultório. Eles
apresentam muita angustia, insegurança e muitos medos diante de
situações estressoras do dia a dia. Na entrevista durante a consulta,
vemos que muitas das vezes, vem de uma criação super protegida.
Se você tem essa dificuldade, vale a pena assistir o Vídeo de desenho
animado de 6 minutos que conta sobre o ocorrido com Piper. 
Já escrevi também sobre esse tema no Post abaixo :

Por que o jovem bebe tanto? Qual é a responsabilidade dos pais nesse cenário?

É considerado crime, desde 2015, a venda e o fornecimento de álcool para menores de 18 anos pela lei 13/106 no Brasil.

A ingesta alcoólica na adolescência traz diversos problemas. O circuito cerebral da recompensa está formado desde a vida intra uterina. Porém, o circuito neuronal responsável por planejamento e controle de impulsos no córtex pré-frontal é a última parte a se apresentar totalmente desenvolvida; acontece por volta dos 21 anos.

Na adolescência os jovens ainda não conseguem controlar totalmente seus impulsos, fazer a análise criteriosa das situações que os coloquem em risco, especialmente se o centro da recompensa estiver ativado. Mas eles não sabem disso, pelo contrário, por estarem na adolescência acreditam ser “adultos maduros”. Muitas das vezes essa “crença” de que já sabe das coisas é reforçada pelos adultos que o cercam. Muitos desses adultos podem ser os pais, que dão liberdade aos filhos para viverem determinadas situações, para as quais não estão preparados, como certas “baladas”, ” resenhas”, ” calangos”, viagens e intercâmbios. Alguns pais realmente acreditam que seus filhos são maduros o suficiente para enfrentar algumas dessas experiências, o que nem sempre é verdade. Cada um é de um jeito, cada um alcança a maturidade a seu tempo, mas nem sempre a “percepção” dessa maturidade adquirida é acertada. Algumas opiniões sócio-políticas muito bem estruturadas, relatos do que os amigos fazem de errado (nesse caso, já ouvi relatos de adolescentes que afirmam falar “o que o pai quer ouvir”) ou notas boas no colégio geralmente dão essa impressão de maturidade aos pais.

Encontramos pais se consideram muito amigos de seus filhos e por isso não conseguem dizer  o ” não” tão importante nessa fase. O medo de ser desagradável e não ser amado por esses filhos muitas vezes os impedem de exercer sua principal função, que é educar, impor limites e formar o caráter.
Existem pais que simplesmente “permitem tudo”, afirmam que seus pais “me proibiam e eu fazia mesmo assim”. Acreditam que é melhor deixar fazer na sua frente. Não leva em conta que quase todo “aborrecente” vive um “vulcão hormonal”, normalmente precisará fazer algo “errado” para burlar uma regra da casa. Se tudo é permitido, o que ele vai fazer para burlar essas regras? Sempre recomendo aos pais que me procuram “rédea curta”. Você tem obrigação de proteger o seu filho, essa é função do responsável. Se burlar uma regra é inevitável, que seja dentro de uma margem de segurança. Se você autoriza tudo não haverá margem de segurança.
Por último, temos os pais autoritários. Esses não conversam sobre nada com seus filhos e seus filhos não se sentem a vontade para conversar com os pais. Esses pais não conhecem seus filhos e não serão procurados diante de uma situação estressante porque não existe essa construção de diálogo em casa.

Deve haver um equilíbrio na relação pais e filhos. Existir muita conversa, respeito e regras bem claras. Essas regras devem ser colocadas de forma clara, definindo o que pode e o que não pode ser feito na idade. Imagine o adolescente passando pela fase de transição da Infância para a vida adulta, quando desconhece onde se encaixa no mundo, acompanhada de muitas alterações hormonais, pressão da escolha profissional, das descobertas do seu corpo, do interesse sexual, dos medos do seu futuro profissional e pessoal, sem regras bem definidas em casa. O resultado será maior angústia e insegurança.
Fazendo um paralelo, é como se os pais escolhessem uma escola para o seu filho em que não se soubesse o que está sendo ensinado. Uma escola que não definisse o uniforme, a grade das matérias, os professores e o horário de entrada e saída. Você se sentiria seguro com essa escola? Muitos pais fazem isso, sem perceber. Por exemplo, muitos pais proíbem a bebida, mas bebem muito na frente dos filhos. Falam mal da conduta de jovens alcoolizados, mas seu filho toma um “porre” e esse mesmo pai atenua a situação. A responsabilidade dos responsáveis é enorme, e agindo assim não serão um ponto de segurança para seus filhos, ou referência de comportamento.

Agora, vamos imaginar passar por tudo isso, sob influencia do alcool. Os jovens estão bebendo cada vez mais cedo e em maior quantidade. Se colocam em diversas situações de risco, se tornam mais agressivos e desinibidos. Com isso se envolvem em muito mais situações de risco: brigas, sexo precoce, abuso sexual, drogas e acidentes. Tudo isso com um certo aval de seus pais, quando autorizam diretamente o uso de bebida, negligenciam ou atenuam a gravidade da situação.

Voltando para o olhar neuroanatomico, o jovem estará vivendo essa  situação com a ativação da via neuronal do prazer/recompensa com o uso do álcool. Isso vai levar a querer sempre repetir o uso do álcool pela associação ao momento de felicidade de estar com um copo na mão. Muitas das vezes ele faz o link que só consegue se divertir, se comunicar, ser extrovertido ou se sentir desejado sob o efeito do álcool. E vai querer sempre mais. Por isso cada vez mais eles bebem: se encontram antes da festa para beber (não basta beber durante o evento, é preciso já chegar alcoolizado). Não bebem apenas para se sentir mais “soltos”, eles bebem para quase perder sentidos.
Segundo levantamento realizado pelo Instituto Nacional de Políticas Públicas de Álcool e Drogas (Inpad), ligado à Universidade Federal de São Paulo, cerca de 50% dos brasileiros com idade entre 12 e 17 anos já beberam. É muito alarmante esse padrão de consumo abusivo. Esses jovens normalmente ficam algum tempo sem beber, e quando bebem é de forma bem intensa. Entre meninas, nesse mesmo levantamento, registrou-se ainda um aumento da ingestão exagerada: cinco doses ou mais num mesmo evento. Os jovens referem a situação como “o beber para ficar bêbado”, comportamento conhecido pelo termo em inglês “binge”.

Os pais e responsáveis precisam entender a seriedade do uso precoce  da ingesta alcoólica, para mudar determinadas posturas que empurrão os seus filhos para essa situação. Precisam ter noção da responsabilidade que tem nos ombros, que precisam exercer seu papel de pais, mesmo que nesse momento tenham que ir contra a vontade de seus filhos, e sua intenção de não magoá-los.

Seus filhos vão amá-los no futuro, reconhecerão o que foi feito para o bem deles. Mas para isso, eles precisam ter um futuro.

OS EFEITOS DE 13 REASONS Why

Autora: Elizabete Possidente
Na última semana, alguns pais me procuraram ponderando se poderiam autorizar os seus filhos adolescentes a assistir a série. Comentei sobre a mensagem do filme, que não é estimular o suicídio, e sim alertar responsáveis para ficarem atentos ao comportamento de seus filhos. Pais precisam conversar e acompanhar a vida de seus filhos, o tempo todo.

Vemos nessa série que os pais, não apenas os de Hanna, a protagonista da série, como todos os outros, não sabem o que vem ocorrendo com os seus filhos. O suicídio entre jovens vem aumentando em todo o mundo e, aqui no Brasil, nunca houve uma campanha preventiva de suicídio na infância e adolescência. Precisamos falar mais sobre isso para que jovens e pais fiquem alerta aos sinais e sintomas de depressão. Possam assim buscar ajuda especializada.

Como qualquer outra patologia, a informação é uma forma de prevenção. Não é como muitos pensam, que falar sobre isso é estimular o suicídio.
Essa série mostra como os jovens estão abusando da ingesta alcoólica, usando drogas e se colocando em diversas situações de risco. Os pais não autorizam esse comportamento, porem não percebem o que está acontecendo, não acompanham o filho. Citando uma cena: Jessyca está bebendo no seu quarto embaixo de coberta. Seu pai abre a porta e de pé, pergunta se está tudo ok. Sai do quarto, e não percebe que a sua filha estava se alcoolizando.

A elevada procura pelo CVV (Centro de Valorização da Vida) confirma: segundo a entidade, o recebimento de e-mails mais do que dobrou de sábado (01/04) até terça-feira (04/04). Pelo menos 50 pessoas citaram diretamente “13 Reasons Why” em seus e-mails.

A importância da serie e abrir essa porta para o debate e conscientização da sociedade para a importância do assunto.

http://m.huffpostbrasil.com/2017/04/05/como-13-reasons-why-nos-alerta-das-metaforas-do-desespero-adol/

Vale a pena conhecer alguns bipolares famosos?

Essa foi a minha pergunta para mim mesma diante de alguns pacientes na consulta. Isso porque quando esse diagnóstico é feito, muitas pessoas sentem-se “ rebaixadas”.
Há muito preconceito sobre a doença. Muitas vezes é associado por leigos à loucura, o que só contribui para aumentar o preconceito.
O Transtorno de Humor Bipolar é uma doença com alterações neurobiológicas bem estabelecidas com influências genéticas e ambientais. Segundo a Organização Mundial de Saúde, o transtorno acomete 4% da população e é mais frequente entre mulheres.
Apesar de ser uma doença crônica, como diabetes mellitus e hipertensão arterial, pode ser tratada. Por meio de um tratamento medicamentoso e psicoterápico adequado, as oscilações podem ser controladas e a pessoa leva uma vida normal como todas as outras.
Muitos pacientes e familiares ao ouvir esse diagnóstico, assustam-se por acreditar em sintomas de depressão ou de euforia para sempre. Em sua mente, serão sempre “doentes em crise”. Nunca serão capazes de retomar às suas vidas e carreiras.
Outros negam a possibilidade desse diagnóstico baseados em sua criatividade, inteligência e por serem bem sucedidos profissional e socialmente. Por isso, não poderiam ter essa patologia.
Respondendo à pergunta inicial, acredito que faz-se importante conhecer casos de bipolaridade para melhor entender os aspectos e possíveis perspectivas da doença. Desde ícones da história, que sofreram pela não existência de tratamento,   à personalidades mais atuais que tiveram diagnóstico tardio ou tratamento interrompido, é possível compreender mais sobre os desdobramentos que a patologia pode acometer. Assim, fica claro que a conscientização e aderência ao tratamento levam a uma vida normal.
Segue abaixo uma lista de pessoas famosas que sofreram ou sofrem de bipolaridade.
Artes:
• Amy Lee (cantora do Evanescence), compositora e pianista
• Rita Lee, cantora
• Axl Rose (vocalista do Guns n’ Roses), compositor e pianista
• Kurt Cobain (ex- vocalista do Nivarna)
• Brian Wilson (Beach Boys), compositor
Britney Spears , cantora
• Cazuza, compositor, cantor
• Demi Lovato, atriz, cantora e compositora
• Elvis Presley ,cantor, compositor
• Vincent van Gogh, pintor
• Michelangelo, artista                              
• Wolfgang Amadeus Mozart, compositor
• Paul Gaugin, pintor
• Janis Joplin, cantora
• Thelonius Monk, pianista
• Mozart, compositor
• Sinead O`Connor, cantora                       
• Peter Tchaikovsky, compositor
Ciência e Filosofia:
• Buzz Aldrin, astronauta
• Dimitri Mihalas, cientista
• Isaac Newton, cientista
• Platão, filósofo
Cinema:
• Charles Chaplin, roteirista e diretor
• Ben Stiller, ator, comediante, diretor de cinema
• Cássia Kiss, atriz
• Catherine Zeta- Jones, atriz
• Jean-Claude Van Damme, ator
• Jim Carrey, ator
• Maurício Mattar, ator
• Mel Gibson, ator
• Cary Grant, ator
• Carrie Fisher, escritora, atriz e roteirista
• Elizabeth Taylor, atriz
• Francis Ford Coppola, diretor
• Marilyn Monroe, atriz
• Robin Williams, ator
• Robert Pattinson, ator
• Tim Burton, cineasta norte-americano
• Stephen Fry, ator, comediante e escritor                       
Literatura:
• Agatha Christie, escritor
• Charles Dickens, escritor
• Edgar Allan Poe, autor
• Emile Zola, escritor
• Ernest Hemingway, escritor
• .F. Scott Fitzgerald, escritor
• Virginia Woolf, escritor
• Graham Greene, escritor
• T.S. Eliot, poeta
• Fernando Pessoa, poeta
• Walt Whitman, poeta
Política:
• Abraham Lincoln (presidente dos Estados Unidos)
• Winston Churchill, Primeiro Ministro Britânico
• Ulysses Guimarães (ministro do Brasil)  Sinead O`Connor, cantora  

            

No abismo da Depressão.

A depressão é uma doença que atualmente atinge 11,5 milhões de brasileiros. Muitos não procuram tratamento por falta de informação ou por vergonha.
Portanto, é de extrema importância divulgarmos artigos, relatos pessoais, casos de superação e grupos de apoio para que as pessoas passem a identificar alguém que esteja sofrendo desse mal e possam buscar ajuda adequada.
Segue o link : https://glo.bo/2mDLzps

Recomendações para Adulto com TDAH


– É obrigatório  usar a agenda.
– Automatize o que puder. Por exemplo, a agenda integrada ao celular.
– Faça uma lista do que precisa fazer no dia. Apegue-se a essa lista.
– Comece o seu dia cedo.
– Rotina no horário de dormir e acordar.
– Eliminar atividades noturnas que causem ansiedade ou agitação, evitando adiar o início do sono.
– Limite no seu dia o tempo para cada tarefa. Se for uma pessoa com pouca percepção de tempo, coloque alarmes para esse controle.
– Escreva e-mails ou mensagens curtas.
– Limite a quantidade e tempo das conversas e reuniões.
– Elimine a papelada.
– Organize a mesa de trabalho, deixando apenas o essencial para a atividade do dia.   
– Deve-se ao máximo evitar atividades paralelas (por exemplo, redes sociais).
– Divida as atividades longas em diversas mais curtas. Faça pequenos intervalos.
– Mantenha seus objetos importantes próximos a você.
– Deixe seu celular de lado quando precisar se focar em algo.
– Pague ou programe o pagamento de suas contas de uma só vez. Por exemplo, tire a segunda-feira para pagar todas as contas da semana.
– Se você tiver uma ideia ou lembrança de algo que precisa cumprir, anote. Crie o hábito de anotar sempre.
– Use aplicativos que possam te ajudar.
– Use “post it” ou marcadores com cores para definir prioridades nas atividades.
– Crie o hábito de sempre guardar os objetos no mesmo lugar. Por exemplo, o ticket do estacionamento sempre na carteira.


Precisamos falar sobre Saúde Mental: Depressão afeta mais de 300 milhões no mundo


Esse será o tema de maior destaque no Dia Mundial da Saúde, coordenado pela Organização Mundial de Saúde, no próximo dia 7 de abril.
Houve um aumento de 18% na incidência de depressão entre 2005 e 2015, pelos dados publicados pela OMS em 23 de fevereiro de 2017. Isso significa que mais de trezentos milhões de pessoas sofrem de depressão nesse momento. A OMS também alertou que a depressão é a principal causa de afastamento de atividades laborativas e de suicídio atualmente.
Apesar de existirem tratamentos bem eficientes para a depressão, menos de 10 % recebem ajuda médica adequada. Isso ocorre por falta de médicos especialistas, preconceito e diagnóstico e tratamento inadequados. Isso acontece principalmente nos países menos desenvolvidos.
Cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio por ano. Já se tornou a segunda causa de morte nos jovens. Esse número seria mais alto, se pensarmos também nos casos de tentativas de suicídio frustradas, por conseguir o socorro ou casos que não comprovados, como dirigir em alta velocidade e intoxicação por álcool ou drogas ilícitas.
Portanto, está sendo valorizado a importância da OMS cobrar por políticas de Saúde Mental efetivas, visando atender a população mundial, que vem sofrendo com a depressão e outros distúrbios psíquicos.
Vale a pena ler o artigo abaixo:
Também recomendo ler nesse blog as seguintes postagens: 

A importancia do Não

Vale a pena ver esse vídeo. Fala da importância de limites para nossas crianças, a aprender a conviver com as frustrações. Depende de nós, pais.

https://www.youtube.com/watch?v=Uz52fdi6JXw

Medo de Voar (Fobia de Avião)

Diante da tragédia da queda do avião a caminho de Medellín, que acompanhamos recentemente, é importante entendermos porque algumas pessoas desenvolvem medo de voar, a conhecida Fobia de Avião. 
Conhecendo o mecanismo desse medo, que impede pessoas de voar, você consegue se proteger ou combater os primeiros sintomas. Muitas das vezes, pessoas que não tinham esse medo passam a desenvolver, acompanhando as notícias sobre um acidente aéreo.
O jornal ao noticiar a tragédia e descrever as características de cada vítima nos aproxima muito do acidente e da própria vítima. Como são muitas histórias conhecidas essa bagagem vai potencializando a ansiedade e medo de cada um.
Por isso, a importância de entender a causa, os sintomas e procurar tratamento para esse mal. 
Recomendo assistir o programa apresentado no canal Saúde da Fiocruz sobre o medo de voar. Acesse pelo link abaixo.

A Diferença Entre Querer Morrer e Querer que a Dor Pare

Esse texto foi extraído no site do CVV – Centro de Valorização da Vida

Eu não quero morrer.
Eu só queria que a dor parasse: a dor que rodeava e apertava meu peito, o peso que envolveu meu cérebro na sombra, a agonia que transformou todo o mundo em escuridão.
Eu precisava disso para cessar a dor.
Não foi um grande trauma que me convenceu que a morte era a minha única opção, mas uma série interminável de pequenas dores que roubaram a minha esperança. A pressão da vida cotidiana tornou-se um assalto implacável: uma mão pesada sobre meu ombro que me esmagava.
Uma manhã eu tive uma discussão menor com meu marido e, como diz o proverbio sobre colocar mais a lenha na fogueira, essa discussão me deixou em pedaços.
E então eu decidi que tinha apenas uma escolha que fazia algum sentido. Senti que todo mundo estaria melhor sem mim.
Eu fiz um plano. Eu escrevi cartas para a minha família. Chorando, telefonei para o meu amado irmão para dizer adeus.
Entretanto, levou poucos momentos para ele compreender o que eu estava fazendo e, em seguida, rapidamente, ele entrou em ação.
Ele me cortou, desligou na minha cara e chamou meu marido imediatamente.
Meu marido correu de seu prédio de escritórios e, frenético, me procurou usando um aplicativo em seu telefone. Ele chamou um policial. Chamou uma ambulância. Levou-me para o hospital.
Deram-me uma bebida lamacenta em um copo de papel enquanto eu estava deitada na maca, e eu chorei.
Eu não quero morrer.
Eu só quero que a dor parasse.
A escuridão que eu tinha mergulhado era muito espessa. Eu não conseguia mais enxergar meus filhos. Eu não conseguia mais enxergar a vida que eu tinha construído com o homem que eu havia escolhido 25 anos atrás. Eu não podia enxergar minha família, os irmãos que me conheciam desde o nascimento, os pais que me apoiaram desde antes que eu pudesse lembrar. Eu não  podia enxergar meus amigos, que teriam ficado extremamente entristecido comigo se eu tivesse de deixa-los.
Eu não podia ver o amor.
´Havia amor em volta de mim, mas esse amor foi empurrado pela escuridão, com força despejado de minha consciência pelo preto sufocante.
No hospital psiquiátrico, eu estava cercada por pessoas cujas experiências foram muito parecidas com a minha. Ouvi histórias familiares. eu aprendi novas formas de lidar com a minha dor. Percebi que tinha opções. Mais importante, vi que não estava sozinha.
Eu tenho um bom diagnóstico e fui colocada sob medicação que funcionou como um raio de luz no meu cansado cérebro, confuso.
Isso não aconteceu da noite para o  dia.
Levou algum tempo para encontrar as doses certas e as prescrições corretas, mas eu perseverei. Eu mantive firmemente a esperança de que o antídoto certo  para a escuridão poderia ser encontrado. 
Eu não quero morrer.
Eu só queria que a dor parasse.
E ela parou.
Lenta, mas seguramente, com a terapia e o tempo, a dor parou.
Estou aqui hoje para lutar junto com você: Não desista.
Há uma razão para que você esteja lendo isso agora, nesse exato momento no tempo.
Essa é uma mensagem que você precisa ouvir. Você não está sozinho. O próprio mundo anseia para você ficar, anseia para você permanecer. A Terra está chamando ouça! Lá está no calor dos raios do sol em cima de seu rosto virado para cima, na brisa fresca que acaricia a sua pele, no canto de um pássaro, a maravilhosa de folhas e flores. A Terra está implorando para você não desistir.
Para toda escuridão há um facho de luz pelo qual é possível andar, basta apenas que os olhos sejam liberados do desespero.
Buscar. Falar com alguém. Há amor lá fora; há amor ao seu redor. Só porque você não pode sentir isso agora não significa que ele se foi. Não acredite na escuridão. Ele é uma mentirosa e uma ladra.
Estou feliz por estar aqui hoje.
A chuva cai e o sol brilha. Posso ver meus filhos riem e chorarem e lutar e crescer.
Meus pais estão agradecidos. Meu marido é cuidadoso. Meus irmãos me apoiam. Meus amigos me querem bem. Todo dia eu vejo o amor que eu não podia ver antes.
Eu acreditava nas mentiras que a escuridão me falou, e eu tentei tirar a minha vida.
As vezes a vida é uma luta. As vezes o amor parece desaparecer e parece estar longe. Há dias em que eu acordo desanimada e me sinto derrotada. Tem dias que eu ainda quero deixar esse mundo ( e todas as suas tribulações) para trás. Mas eu continuo colocando um pé na frente do outro, e eu agarro a esperança. Eu falo com os que me rodeiam. Eu tenho uma boa noite de sono. Um novo amanhecer. Eu me sinto melhor.
Eu não tinha que morrer para que a dor parasse.
Você também não tem que querer.

Se você ou alguém que você conhece precisa da ajuda, por favor, ligue para o telefone do CVV 141, e procure ajuda médica psiquiátrica.

O TDAH ao Longo da História

O TDAH não é um transtorno novo, como já ouvi  algumas vezes. Ele é um distúrbio descrito por pelo menos 200 anos.
Entretanto, os sintomas foram melhor descritos a partir de 1960.

Segue abaixo o link sobre o TDAH ao longo  da história. 

 http://psicoedu.com.br/historia-origem-do-tdah/

Falando sobre TDAH em adultos

Participei do programa “Ligado em Saude” da Fiocruz. Falamos sobre TDAH em adultos, vale a pena ver.

https://youtu.be/PCWe2WDrPOw

Direitos do Paciente com TDAH


Não existe  uma legislação específica que proteja o portador de TDAH na esfera nacional. Há um projeto de lei 7081/10, em andamento apoiado pela Associação Brasileira de Déficit de Atenção, que ajudará as pessoas com essa patologia. Caso deseje ler na íntegra, acesse o link:

http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra;jsessionid=B271CBB1D9A129AF658A22F62ACD95A5.proposicoesWeb1?codteor=1343620&filename=Tramitacao-PL+7081/2010
O munícipio do Rio de Janeiro foi o primeiro a se preocupar com a adaptação às necessidades desse grupo.  Existe a lei número 5416, de 29 de maio de 2012, e o projeto de lei 710/2010, que garantem direitos aos alunos com TDAH. Veja detalhes no link: http://vidaepsiquiatria.blogspot.com.br/2012/06/o-prefeito-do-municipio-do-rio-de.html. Com isso, muitas escolas, através de laudos e acompanhamento terapêutico, conseguem adaptar-se melhor ao aluno e suas necessidades.
No momento, o ENEM auxilia o paciente de TDAH, que possua laudo médico atualizado de um especialista, permitindo a realização da prova em sala separada e com  adição de  uma hora, em relação aos demais. O laudo deverá ser apresentado na inscrição para obter os direitos mencionados.
Converse com o seu médico para receber todas as orientações.

Causa e Efeito : Quem será o nosso adulto daqui a 10 anos?


Esse texto foi escrito em parceria com a neuropsicóloga Marcia Ferreira.
Quem será o nosso adulto daqui a 10 anos ? É hoje uma criança perversa, sem empatia e  sem respeito por seus pares?

Resolvemos escrever sobre esse tema, por estarmos chocadas com o volume de crianças buscando atendimento psicológico ou psiquiátrico, vítimas da perversidade dos colegas de classe. Geralmente somos procuradas por pais de meninas, entre 6 e 9 anos. Primeiro é feita uma anamnese com os pais, sem a presença da criança. No campo da queixa principal, sempre os mesmos sintomas: autoestima baixa, insegurança, medos, apatia, daí finalmente a criança começa criar desculpas para não ir à escola.

Quando avaliamos a criança, ela relata fatos dolorosos. Conta como é xingada, excluída e anulada pelas coleguinhas de turma. Os efeitos psicológicos na vida dessa criança “vítima” são imensuráveis.

Me pergunto: quem será e como será essa criança agressora quando chegar na fase adulta?

Não vamos falar de “bullying”, até porque esse tipo de comportamento sempre existiu. Inclusive na nossa época escolar. O que nos chama atenção é que esse comportamento era comum nas escolas públicas e mais populares, hoje nosso público no consultório é formado pelas escolas de “Elite” , das escolas “caras” e que melhor preparam para o ENEN.
Então voltamos a questionar: O que está acontecendo? Como serão nossos futuros adultos? Sem amor ao próximo, sem respeito às diferenças e se achando acima de todos? Serão esses os nossos príncipes e princesas de hoje, os quais seus pais terceirizam seus cuidados para as babás, escolas e centros de atividades esportivas?
Convivam com seus filhos, para que possamos ter adultos melhores. Talvez nós estejamos criando indivíduos que no futuro serão como as pessoas de hoje que julgamos e criticamos.

Anticoncepcional Hormonal e Anticonvulsivantes


A escolha do método contraceptivo hormonal em mulheres que usam anticonvulsivantes é de suma importância.

É relevante por dois fatores principais:

1.    Existe interação medicamentosa entre o anticonvulsivante e o anticoncepcional hormonal.
2.    Os anticonvulsivantes são usados de uma forma contínua em mulheres com Transtorno de Humor (ou bipolares), epilepsia e enxaquecas.

Por essa razão, é muito importante ter cautela ao prescrever essa classe medicamentosa em mulheres na idade fértil. É fundamental ter o conhecimento da interação hormonal do método anticoncepcional. Existem diversas combinações progesterona e estrogênio, algumas dessas podem agravar a crise epiléptica. Outras combinações em associação ao uso de determinados anticonvulsivantes podem levar a falha do anticoncepcional oral.

O psiquiatra ou neurologista, com o ginecologista, devem discutir o melhor anticoncepcional hormonal para cada paciente, seja anticoncepcional oral combinado, anel vaginal, pílulas de uso vaginal, implante subdérmico, adesivo e dispositivo intrauterino. Podem também concluir que a melhor indicação pode ser o método não hormonal.

Essa escolha vai depender de diferentes fatores, tais como idade, história familiar de câncer, doença neurológica ou psiquiátrica, comorbidades clínicas, tabagismo ou história de trombose.
Portanto, a mulher deve estar segura e amparada numa equipe multidisciplinar para melhor qualidade ao seu tratamento medicamentoso. 

Dificuldade no Reconhecimento do TDAH em Mulheres

Cada vez mais mulheres procuram tratamento médico ou psicológico para ansiedade, depressão e baixa autoestima. Muitas dessas pacientes tem a sua vida repleta de desorganização, disfunção executiva e desatenção, com todas as  características de  um TDAH (Transtorno de déficit de atenção e / ou hiperatividade).
Esses sintomas normalmente iniciaram na Infância e foram se agravando na vida adulta, quando precisa dar conta de muito mais afazeres. Esse quadro acaba levando a depressão, ansiedade, baixa autoestima e insônia. Essas queixas são o que motiva a busca de auxilio profissional.
O TDAH é um distúrbio neurobiológico crônico, que se desenvolve antes dos 12 anos de idade. Os sintomas vem desde a fase de criança  e se mantém  na vida adulta. Como se tem muitos anos de evolução, raramente a mulher adulta traz esses sintomas como um problema. Ela já aceita esse quadro como “o seu jeito de lidar com a vida”.
Ao entrevistar essas pacientes, percebo o prejuízo em sua vida. Entretanto, elas parecem “jogar a toalha” por achar que isso não tem solução, por fazer parte do seu temperamento. Vejo constantemente no meu consultório pacientem adultas que me procuram para depressão ou ansiedade, mas que seu diagnóstico principal é o TDAH.
O estudo publicado recentemente no Journal Psychiatry confirma o que venho percebendo na minha prática clínica. Veja o artigo publicado em 2015 no link abaixo.
Recomendo também a leitura dos seguintes artigos nesse blog.
Entenda o TDAH – 13/12/12

Poucas horas de sono leva a ganho de peso

Um estudo da Universidade de Chicago mostra que a privação do sono tem relação direta com o ganho de peso. Esse efeito teria mecanismo semelhante ao efeito causador do aumento de apetite dos usuários de maconha (popularmente conhecido como “larica”).
 
A autora desse estudo revela que a privação do sono pode aumentar os níveis de endocanabinoiide 2- araquidonoilglicerol, que aumenta o desejo de ingestão de alimentos.Essas pessoas tem um pico dos níveis dessa substancia entre 14h e 21h. Por isso, aumenta a vontade de fazer os “lanchinho da noite”.
 
Essa associação privação de sono e  ganho de peso é de grande relevância clinica porque no mundo atual percebemos que cada vez mais se dorme menos e cada vez mais se luta contra a balança. Existe outra preocupação complementar nessa descoberta:. sabemos também que a população dorme menos porque se distrai com produtos eletrônicos. Esses aparelhos estimulam o cérebro, levando a uma alteração do relógio biológico, agravando ainda mais a associação privação de sono e obesidade.A privação do sono é mais grave ainda na população jovem, que já sofre essas ações a nível cerebral desde pequenos
 
Deve ser informado á população geral sobre a importância de uma boa noite de sono como preventivo a uma série de doenças, incluída a obesidade..
 
Sugiro a leitura nesse blog dos seguintes artigos.
 
Importância do sono das crianças publicado em 1/11/15
Insônia em 18/3/11
Dormir mal em 3/4/11
Veja também o link publicado no O Globo sobre essa pesquisa.
 

Refletindo Sobre o Papel dos Pais

Autora: Elizabete Possidente

Saiu na Revista O Globo de 6 de março de 2016, na sessão colunista convidado, a reportagem “A Reinvenção do Pai” com a psicanalista Malvine Zalcberg.

Malvine disserta sobre as atitudes dos pais hoje em dia em relação ao comportamento dos filhos, a partir de uma noticia recente, em que jovens alunas de escolas tradicionais de São Paulo e Porto Alegre, inconformadas com a proibição de usar shorts durante as aulas, protestaram através de abaixo assinado e redes sociais. A diretora da escola explicou que o colégio tem regras e que tantos meninos e meninas só podem usar bermudas na altura do joelho.

Está ai a palavra chave: REGRAS. Porque hoje em dia os jovens têm tanta dificuldade em seguir regras?

No passado, na época em que eu era aluna do ensino medio, achava horroroso usar uniforme mas seguia as regras. O que mudou da minha época de jovem para hoje é que existiam pais, no sentido da figura responsável em impor limites necessários para o meu crescimento e desenvolvimento como pessoa. Esses pais eram educadores, mesmo correndo o risco de cometer erros ou excessos. Sabia que a Sociedade era fornada de regras e hierarquia que começava dentro de casa. Todos os jovens reclamavam dos pais, mas os amavam, e entendiam essa necessidade com o passar dos anos.

Hoje os pais querem sempre parecer mais jovens e amigos dos filhos. Com isso, tentam agradar ao máximo, sem ensinar os limites, por medo de não serem amados pelos filhos. As crianças crescem achando que a sociedade funciona como dentro de casa,. acreditam que devem aceitar apenas o que gostam. Devem discutir regras porque fazem isso com os pais o tempo todo. A discussão é sadia, porém a responsabilidade da palavra final é dos pais, independente do quão antipática possa parecer essa decisão. Amigos ele vai encontrar na escola, faculdade e eventos sociais, pai e mãe ele precisa ter em casa.

Para essa reflexão sugiro também a leitura no blog dos seguintes artigos.

A necessidade de não premiar comportamento ruim de seu filho (publicado em 26/1/15)
Como criar as crianças sem deixá las mimadas (publicado em 30/04/14)
Seu filho precisa mesmo ser feliz? (publicado em 28/4/14)
A importância de deixar os filhos terem frustrações (publicado em 20/1/13)
Como definir limites para adolescentes (publicado em 8/11/11)
Como definir limites em nossas crianças no mundo de hoje (publicado em 7/11/11)

Mutismo Eletivo

O Mutismo Eletivo é uma doença descrita pela Organização Mundial de Saúde no capítulo dos Transtornos Mentais e comportamentais e representado pelo código F94.0. É caracterizado pela recusa da criança em falar em alguns locais, em algumas ocasiões ou com certas pessoas. As crianças compreendem a linguagem e são capazes de falar adequadamente. É uma patologia pouco conhecida, presente em menos de 1% da população com distúrbios psiquiátricos. Segundo a “American of Child and Adolescent”, têm  mutismo eletivo 7 entre cada 1000 crianças.

Essas crianças têm o interesse em se comunicar. Interagem através do olhar, gestos, sinais e pela linguagem corporal. Quando diante de um adulto desconhecido ou pouco íntimo tende a baixar o olhar pela timidez. Ela consegue falar normalmente em casa ou até pelo telefone, mas se mantém muda fora do ambiente doméstico.

O mutismo eletivo pode ocorrer em qualquer faixa etária da criança. É mais comum ter o seu início antes dos cinco anos. É também mais frequente em meninas. A percepção dessa criança é que ela é o centro das atenções, isso provoca uma intensa ansiedade. Esse desconforto é tão grande que inibe a sua fala.
A causa do mutismo eletivo é multifatorial, são diversos elementos que precisam estar presentes para desenvolver esse transtorno. É necessário nascer com uma predisposição genética para desenvolver uma síndrome ansiosa diante de um estresse. É preciso ter um temperamento mais tímido. Normalmente existe relato prévio de ter sido uma criança muito tímida e pouco sociável. É também encontrada uma interação familiar com características de simbiose, geralmente essa relação de dependência ocorre com a mãe.
Também contribui para o desenvolvimento do Mutismo Eletivo a forma como os pais influenciam a criança, por exemplo, demonstrando que pensam na interação com outras pessoas como uma situação desagradável e problemática. Em poucos casos o início ocorre após um trauma, mas sempre é encontrado com intensidade menor do que os casos relacionados com os fatos anteriormente citados.
Essas crianças desejam se comunicar mas não conseguem fora do seu ambiente “seguro”. Esse é um grande diferencial para não dar erroneamente o diagnóstico de Autismo. É comum estar presente timidez exagerada, ataques de birra, agressividade, raiva, mudança de humor e intensa ansiedade. Alguns relatos falam de crianças em que os sintomas desapareceram espontaneamente. A maioria dessas crianças leva à cronicidade, caso não buquem tratamento, logo após início do quadro.
O tratamento do Mutismo Eletivo não é bem descrito na literatura. O foco do tratamento é a psicoterapia individual e familiar. É necessário atenuar as manifestações comportamentais dessa criança através de melhora da sua sensação de segurança, aumento da autoestima e redução da ansiedade.O uso de psicofarmacos pelo neuropsiquiatra é restrito para combater os sintomas de raiva, agressividade, ansiedade e mudanças de humor. Também pode ser indicado o medicamento quando o especialista diagnostica outras comorbidades ao mutismo nessa criança.

Crianças com TDAH Vivem Menos que a População Geral

Esse estudo foi realizado pelos pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino. Foi publicado na “Frontiers of Molecular Neuroscience” e no site “EurekAlert”, em setembro de 2015.
Sempre se soube que a criança de TDAH impacta a família sob o aspecto emocional e social, devido ao quadro de desatenção e especialmente pela hiperatividade. O que até então não se sabia é que o TDAH influencia o DNA dos portadores e de seus familiares, aumentando o risco de envelhecimento precoce e o surgimento de novas doenças. Isso levaria a redução da expectativa de vida.
Os pesquisadores identificaram que os telômeros estão reduzidos nas crianças com TDAH e em suas mães. Os telômeros são marcadores biológicos que ficam na ponta dos cromossomos e que se desgastam com o tempo e fatores estressores, levando ao envelhecimento precoce.
Nesse estudo foi analisado material genético de crianças de 6 a 16 anos com TDAH e de seus pais. Observou-se que tanto no grupo de crianças com TDAH quanto no e de suas mães havia redução dos telômeros. Essa redução não foi encontrada no grupo de pais. Acredita-se que a diminuição dos telômeros ocorreu no grupo de mães e não no de pais porque são as genitoras que ficam maior tempo responsável pelos filhos.
Essa pesquisa revelou que a criança com TDAH não envolve a família apenas pelo efeito emocional. Há acometimento biológico e que pode afetar futuras gerações. O encurtamento do telômero pode ser passado para os filhos.
Isso aumenta a importância de se iniciar o mais cedo possível o tratamento da criança com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade.