Aspectos Neuropsiquiátricos da Rosácea

Rosácea é uma doença inflamatória crônica com agudizações com uma ruborização em face. Há uma influência de alimentos, clima, efeitos gastrointestinais e psicológicos.Ocorre freqüentemente em mulheres, porém nos homens há manifestação da forma mais grave.

A idade varia de 30 a 60 anos, sendo mais comum entre a quarta e a quinta décadas. Geralmente ocorre em pessoas com pele mais clara. Parece que há uma predisposição genética.

Os aspectos emocionais que contribuem para a agudização da doença são a ansiedade, o abuso de álcool e a depressão. Cerca de 75% dos pacientes, após diagnóstico, sofrem de depressão, caracterizada por baixo auto estima, isolamento social e tristeza. Muitos desses sintomas passam despercebidos pelo especialista por parecerem secundários à rosácea, mas estes não desaparecem com a melhora clínica dermatológica.

Deve haver uma avaliação neuropsiquiátrica para melhorar o prognóstico, porque se sabe que a piora do aspecto emocional exacerba a rosácea.

Aspectos Neuropsiquiátricos da Alopecia Areata

Alopecia areata é um tipo de calvície que consiste na perda repentina de cabelos ou pelos numa região específica. Geralmente surge no couro cabeludo. Mas pode ocorrer na barba, supercílio e púbis.
A incidência é igual em homens e mulheres. Pode ocorrer em qualquer faixa etária, porem é mais prevalente entre a terceira e quinta década de vida.
Existem alguns estudos que demonstram que cerca de 90% dos pacientes tem causas emocionais envolvidas, como ansiedade, dificuldade de ajustamento e depressão.  Isso sugere que pacientes com distúrbios neuropsiquiátricos têm maior chance de desenvolver alopecia areata.
A avaliação neuropsiquiátrica ou psicológica se faz necessário nesses pacientes para melhorar o prognóstico e evitar recidiva clínica, que pode afetar a qualidade de vida desses pacientes.

Aspectos Neuropsiquiátricos Comuns da Acne

A acne é uma doença auto limitada com causa genética e hormonal caracterizada por comedões  e pústulas. Dependendo da intensidade pode evoluir para abscessos e cicatrizes. É típico em adolescentes pela alteração hormonal. Cerca de 60% das meninas e 70% dos meninos sofrem de acne na puberdade.
Por surgir numa época em que eles estão muito vulneráveis a crítica dos seus pares e inseguros. As situações de exposição ao sexo oposto, por exemplo, contribuem para um maior quadro de ansiedade, fobia social e depressão, favorecendo o surgimento da acne.
Estudos sugerem que o estresse também contribui para agravamento da acne nos adolescentes, por aumentar os níveis de glicocorticóides e androgênios através da via do eixo hipotálamo pituitário adrenal.
Portanto, o tratamento associado com psicoterapia, e o uso de medicamentos que reduzem a ansiedade e a depressão, melhoram a qualidade de vida desses jovens.

Aspectos Neuropsiquiátricos Comuns em Paciente com Psoríase

A psoríase é caracterizada por lesões na pele avermelhadas e com descamações esbranquiçadas de evolução crônica. Geralmente surgem em couro cabeludo, cotovelos, joelhos e troncos. Como toda doença crônica tem um ciclo de melhoras e pioras, bastante relacionado aos aspectos emocionais do indivíduo.
Tem picos de predomínio de surgimento dessa doença, antes dos 30 anos e deppis dos 65 anos. Quanto mais precoce o surgimento pior o prognóstico e maior o impacto no emocional do indivíduo.

O estresse e ansiedade agravam muito a evolução da psoríase. Assim como a piora da psoríase agrava a ansiedade e o estresse da pessoa acometida. Esse ciclo, se não for interrompido com um tratamento multidisciplinar – dermatologia, psicoterapia e psiquiatria, fica num continum de piora e melhora.
Esse quadro vicioso leva a baixo auto estima, vergonha, isolamento social, agravamento da ansiedade, depressão e isolamento social.  Esses sintomas ainda mais agravam o quadro dermatológico da psoríase.

Doenças de Pele Associado a Doenças Mentais

A pele, por ser o órgão mais extenso do corpo, e onde qualquer patologia é vista socialmente, traz um grande impacto na esfera mental. Mesmo alterações fisiológicas nesse órgão já demonstram reações emocionais desse indivíduo. Por exemplo, ao ficar envergonhado, a pessoa sofre enrubescimento, ao ganhar um susto empalidece, ao ficar ansioso tem sudorese excessiva, ao ter frio apresenta piloereção.

Nós comunicamos as nossas emoções para o meio externo através da pele, imagine que quando sofremos algum distúrbio emocional mostramos através dessa interface. Por isso, estudos demonstratm que entre 30 e 40% dos pacientes dermatológicos apresentam doença psiquiátrica associada.

Podem surgir doenças mentais pelo próprio isolamento ou vergonha da aparência, como efeitos adversos de drogas usadas para melhorar a doença cutânea  e  como comorbidade pela própria genética (pele e sistema nervoso tem a mesma origem embrionária). Dessa forma, diversas alterações de pele são resultado de doenças psicossomáticas e da cronificação de algumas doenças mentais.

Encefalopatia Hepática – Sintomas Neuropsiquiátricos de Doenças Hepáticas

Muitas vezes somos chamados para avaliar pacientes que estão confusos, desorientados, insones, esquecidos e irritados (sem história prévia de manifestação psiquiátrica). Quando se trata de um idoso pode ocorrer confusão com o quadro de demência. Mas na verdade podemos estar diante de uma encefalopatia hepática.
A encefalopatia hepática ocorre quando o fígado adoece e acarreta alteração no cérebro. Isso porque o fígado é responsável pelo metabolismo de diversas substâncias. Quando alterado deixa diversas substâncias tóxicas no organismo caírem na corrente sanguínea, atravessarem a BHE (barreira hamatoencefálica) e atingirem o cérebro. O paciente não percebe as alterações da encefalopatia hepática.
Essas alterações comportamentais dos pacientes são vistas pelos familiares ou cuidadores, que referem que eles às vezes agem de maneira estranha, ora deprimidos, ora irritados. Costumam trocar o dia pela noite, ou seja, dormem de dia e se agitam à noite. Podem também agir de forma bizarra, como urinar no sofá da sala, como se estivessem no banheiro.
No exame, observamos que esses pacientes têm flapping da mão. Quando se pede para estender o braço, notamos que ocorre movimento para cima e para baixo de forma denteada. Se não tratados adequadamente podem evoluir para delírios, agitação psicomotora e alucinações.
A encefalopatia hepática atinge de 50 a 70% dos cirróticos, sendo que a causa mais comum de cirrose atualmente é a hepatite viral crônica. As hepatites mais comuns no Brasil são A, B, C e E. Mas os tipos B e C tem uma probabilidade grande de cronificação. Quando referimos cronificação queremos dizer que o estado inflamatório contínuo altera o tecido funcional do fígado.
A OMS estima que cerca de 5 milhões de brasileiros são portadores de vírus B e C. È importante fazer o diagnóstico o mais cedo possível da encefalopatia hepática, para intervirmos na proteção desse fígado acometido. Na maioria das vezes iniciamos um psicofármaco para melhorar a alteração de comportamento enquanto não se restitui um pouco o funcionamento hepático.

Depressão e Doença Cardiovascular

Cerca de 23% dos pacientes com doença cardiovascular tem depressão. Existem diversos fatores que contribuem com essa associação, tais como sedentarismo, tabagismo, estresse, desregulação do sistema autonômico, aumento de plaquetas e coagulação, aumentos de marcadores inflamatórios e aterogênese.
É fundamental cautela na escolha do antidepressivo, pois devemos considerar eficácia, interação com as medicações clínicas e segurança cardiovascular. Sabe-se que o uso do antidepressivo adequado nesses pacientes melhora a depressão, reduz o risco de eventos subseqüentes cardíacos e mortalidade.
Ressalto que para se escolher a medicação antidepressiva adequada o médico deve conhecer quadro clínico, meia vida, afinidades dos receptores, efeitos adversos, enzimas de eliminação e efeitos adversos. Sabendo disso não há necessidade de ter medo de se tomar mais um medicamento, porque haverá segurança e melhora na qualidade de vida desse paciente.


Depressão em pacientes Oncológicos

O diagnóstico de depressão é muito confuso nesses pacientes. Há queixa de cansaço, tristeza, desânimo, pessimismo, isolamento, dispersão, falta de prazer, dificuldade de concentrar, negativismo, alteração do sono, irritabilidade e insegurança.
Esses sintomas muitas vezes passam despercebidos pela equipe médica e pelos familiares. Isto acontece por duas razões: todos estão com o foco no tratamento do câncer (quimioterapia ou radioterapia) ou são considerados sintomas normais pela fase difícil que o paciente está passando. Entretanto, estudos demonstram que a prevalência de depressão varia de 42% a 87% dos pacientes em tratamento em hospital dia.
É tão preocupante a incidência da depressão nesses pacientes, pois agravam o prejuízo da qualidade de vida já reduzida pela patologia, que o National Comprehensive Cancer Network desenvolveu, como parte de todas as consultas oncológicas, uma entrevista padrão para auxiliar a equipe na avaliação do sofrimento psíquico. Conforme o relato deles foi tão importante e tão agregador na avaliação clínica que eles colocaram as sugestões online e com acesso gratuito a todos em seu site.
É direito do paciente que seu estado mental seja avaliado por profissional da Saúde Mental, para que haja reconhecimento, orientação e tratamento ao lidar com esse momento difícil, tratamento com efeitos colaterais e o ajustamento da doença ao momento de vida.

Depressão e Hepatite C

Cerca de 170 milhões de pessoas estão infectadas com o vírus da Hepatite C no mundo.
Sabemos que as medicações usadas para tratar a hepatite C no momento são o interferon e a ribavarina, dependendo do genótipo . Os efeitos colaterais mais comuns desses psicofármacos  são neuropsiquiátricos: depressão, alucinação,ideação suicida,  prejuízo cognitivo, ansiedade e alteração do sono.
Quando consideramos diversos estudos, que publicaram que cerca de 85% dos pacientes, ao receberem o diagnóstico de hepatite C, tem comorbidade psiquiátrica , é preciso muita cautela ao indicar o tratamento clínico cujo  efeito colateral é desencadear ou exacerbar sintomas psíquicos. Portanto, é recomendada uma avaliação neuropsiquiátrica nos pacientes com hepatite C, para prevenir manifestações psíquicas.
Em muitos casos se recomenda o uso de antidepressivo para reduzir o risco de depressão e ideação suicida.

Como Definir Limites Para Adolescentes

Autora: Elizabete Possidente

Cada vez mais sou acionada no consultório para avaliar adolescentes que não conseguem seguir limites e regras. A adolescência sempre foi uma fase difícil, compreendida entre a Infância e a vida adulta. É uma fase difícil de definir por se tratar de uma etapa onde os jovens não são mais crianças, aprendem muitas coisas da vida adulta e ainda são dependentes economicamente de seus pais. Não é a toa que essa etapa é conhecida como “aborrecência”, porque sempre foi conhecida pelo destaque da desobediência aos limites.É importante os pais saberem que tendo “aborrecentes” em casa é normal os filhos quererem infringir regras. Nessa fase é fundamental os pais manterem regras claras, e mostrarem as consequências de não segui-las. E no caso de aceitação e compreensão, esses jovens devem ser elogiados.

Os pais devem compreender as características normais dessa idade. São mais questionadores, mas sem faltar o respeito. Tem momentos de irritabilidade e de depressão, em que querem ficar mais isolados no seu quarto (desde que não seja todo o tempo). Chegam da rua, às vezes transtornados, porque se frustraram no colégio. Muitas vezes, não conseguem “chegar na menina” que gostariam, ou não são populares como gostariam. Nessa hora, não adianta discutir. Depois, no momento oportuno, tem que retomar uma conversa para saber qual a dificuldade enfrentada naquele dia, para poder orientar.Não perca oportunidades quando quiserem falar sobre as suas dificuldades. Escutem e não interrompam com lições de moral. Ouça, ouça e ouça. Depois faça as considerações necessárias. Não tenham medo de parecer “caretas”. Converse e deixe as regras claras. Seja objetivo e claro no que acha correto e ético.

Converse sobre sexualidade em casa, deixando claro que há diferença entre liberdade sexual e libertinagem. Converse sobre o que acha certo. Fale também o que é errado, dando exemplo de consequências. Apesar do adolescente parecer não ouvir e fingir que já sabe tudo, sempre converse esse tema para inserir os conceitos que você acha correto para a sua família. Fale também sobre o uso de álcool e drogas, sempre associando que não é um “mico” dizer não a essas ofertas. É importante saber beber, aí sim seria “mico”.

Seja coerente com as normas da casa e a idade. O adolescente de 13 anos não pode chegar em casa no mesmo horário do irmão de 19 anos. As regras tem que mudar com a conquista da responsabilidade e da idade cronológica. Não se pode começar liberando tudo para um adolescente que começou agora a sair de casa sozinho ou no início de um namoro. Tem que haver coerência nessas regras e acordos. Estimule positivamente cada conquista ou responsabilidade das suas vitórias escolares, esportivas ou sociais. Elogie cada sinal de responsabilidade que teve também fora da escola, como iniciativa em arrumar as suas coisas ou ajudar o irmão e pais nas tarefas domésticas. São essas atitudes que reforçam uma boa autoestima, que muitas vezes na adolescência está baixa, por não se achar tão atraente como gostaria de ser.

Nunca deixem que saiam de casa sem saber aonde vão e com quem estão. Mesmo que reclamem que os pais pegam no seu pé. Eles precisam saber que amor é querer cuidar do outro. Os pais também devem comentar em casa aonde vão e que horas aproximadamente retornarão.Lembre-se que ser autoritário não é ser agressivo. Converse e mostre que com a perda de confiança perdem-se alguns direitos conquistados pela idade. Reforce que é preciso ter mais maturidade para reconquistar o tal direito perdido.Sempre os pais devem estar seguros ao conversar ou colocar limites ao seu adolescente. Para isso, os pais devem ser responsáveis e éticos para servirem de exemplo aos adolescentes. Apesar dos adolescentes falarem que querem ser bem diferentes dos seus pais, eles se espelham nas atitudes dos pais.

Os pais não podem cobrar postura ética quando não demonstram essa mesma postura. Os filhos escutarem pais que contam vantagem por ganharem uma promoção no trabalho, porque conseguiram burlar um concorrente, ou que adoraram uma determinada saída porque beberam muito, ou ainda que conseguiram sair do estacionamento sem pagar, não servem como bons exemplos.

Como Definir Limites em Nossas Crianças no Mundo de Hoje

Autora: Elizabete Possidente

É muito comum pais chegarem com esse questionamento ao consultório, e sempre dizem que quando criança as coisas eram mais fáceis. Citam exemplos, de que se o pai desse somente uma olhada parava imediatamente de fazer a tal travessura, ou se a mãe chamasse pelo nome (e não pelo apelido) imediatamente paravam. Nessa época não perguntavam o porquê , apenas obedeciam. Mas esses mesmos pais se defendem, alegando que agora as coisas são muito mais difíceis, que as crianças parecem nascer “com um chip” para desafios e questionamentos.

Essa dificuldade em colocar limites se entende ao ambiente escolar porque ouvimos as mesmas queixas dos professores.Esses pais não perceberam que não colocar limites não significa que você não está protegendo a criança para o mundo, pelo contrário. É importante proibir quando se infringe as regras. Para isso, é importante que as regras de casa ou da escola estejam claras para os adultos e para as crianças envolvidas nesse contexto. Quando não se obedece ou se burla uma regra, é importantíssimo que haja repreensão e que seja realçada a proibição de manter tal postura.Quando repreendemos estamos protegendo as nossas crianças. Com o lidar com o “não”, essa criança está amadurecendo e percebendo que existem outros além dela e se torna responsável pelos seus atos. A criança que não passa por essa situação de receber um “não” pode buscar esse limite na vida. Ou seja, ela precisa e busca esse “não”, e vai buscar em situações de risco, caso não receba em casa ou na escola.É importante que os pais tenham noção dessa situação.

Atendo muitos pais que por medo de não receber o amor ou não ter a amizade dos seus pimpolhos não dizem “não”, não colocam de castigo, não repreendem. Os pais precisam saber que essa criança, na medida em que vai se tornando um cidadão, ou seja, faz parte de uma sociedade, vai absorver as leis dessa mini sociedade que convive (família e escola), para poder se tornar um adulto preparado para o mundo. Não adianta pais colocarem seus filhos nos melhores colégios, ensinar diversos idiomas, se essas crianças não estiverem preparados para receber e dar “não” para as ofertas da vida adulta. Não vão ter o jogo de cintura necessário para se tornar um adulto responsável e bem sucedido na vida.Quando colocamos limites para nossas crianças ensinamos a elas que direitos e deveres são para todos, que elas não são únicas no mundo, que os pais e a vida vão dizer “sim” sempre que possível e não quando querem. Mostramos que a vida é dessa forma, que existem coisas que podem ser feitas e outras que não devem ser seguidas, ensinamos a tolerar as frustrações (que na vida serão muitas), saber que as pessoas não estão ali para satisfazer suas vontades. Eles devem aprender a distinguir o que é uma necessidade ou apenas um desejo e, principalmente, saberem que os pais estão ali para amar e proteger, e não são meros “empregados” para satisfazer suas vontades. 

Uma das causas das dificuldades dos pais de colocar limites está relacionada à idealização de que fazem desse projeto o bebê perfeito. Antes dessa criança nascer, seus pais já planejaram tudo da vida da criança. Já sabem que atividades extras acham interessante para criança (dança, tênis etc.), estilo de se vestir, idiomas, intercâmbios e até o colégio. Os pais não se preparam para as intercorrências que vão surgindo, como doenças, medos, birras, gostos, falta de jeito (não ter jeito para atividade esportiva, por exemplo) e personalidade da criança.É necessário que os pais e as crianças saibam e aprendam a lidar com o “não”. Os pais devem viver um luto dessas suas fantasias que o seu bebê não é a sua continuidade, ele tem gostos e personalidades. E as crianças precisam receber esse “não” e aprenderem a lidar com essa frustração com o carinho e apoio dos pais.Quando pequenos, os primeiros “não” que recebem é de proteção física. Não podem colocar objetos na boca ou não podem engatinhar, ou descer do berço. As crianças vão reagir com choro ou, quando um pouco maior, vão lidar com uma hiperatividade. Surge a oposição ou o desafio já em bebês, quando, por exemplo, não deixamos colocar o celular novo do pai na boca. Nesse momento é importante os pais dizerem “não” e não cederem à oposição do seu bebê.

A dificuldade em colocar limites que os pais sentem nesse momento está muito relacionada à culpa de estar pouco tempo com os seus filhos. Acabam sendo permissivos, na tentativa de aliviar a sua culpa. Não entendem que o afeto que demonstra ao seu filho não está relacionado à quantidade de horas que se dedica ao filho, e sim a qualidade da atenção que se dedica ao filho.Essa dificuldade em colocar limites nos seus pequenos reforça uma relação equivocada de pais e filhos. Inicia uma relação baseada no querer da criança, onde os pais precisam satisfazer essa vontade. Eles não aprendem que devem amar os seus pais, mas que os pais estão ali para servir as suas vontades. Nesse momento, o bebê deveria aprender que os pais estão ali para ensinar a crescer, e para isso, vão ter que aprender a enfrentar frustrações na vida. O ideal para aprender a lidar com frustração é nesse momento em que recebem o colinho, o “porto seguro” dos seus pais.

Síndrome das Pernas Inquietas

 A Síndrome das pernas inquietas (SPI) é um distúrbio sensório motor que se manifesta por uma sensação desconfortável nos membros inferiores , como se recebendo agulhadas,  com dormência , prurido intenso, além de poder  vir acompanhado de repuxões. Esses sintomas são aliviados com movimentos das pernas.

Esse quadro pode acontecer em qualquer horário quando as pernas estão em repouso, mas é mais freqüente à noite. É bastante prejudicial na qualidade de vida do indivíduo porque leva a insônia e as suas conseqüências, sonolência diurna, ansiedade e falhas de memória. Em casos mais graves surgem diversos episódios durante dia e noite, levando o indivíduo a ter dificuldade em ficar com as pernas em repouso, por exemplo, durante a leitura ou uma viagem mais longa.

Apesar de ser uma síndrome descrita há muito tempo (relatos desde 1861) e que afeta 5% da população ainda não se descobriu a causa. Sabe-se que um terço dos pacientes tem familiares com o mesmo distúrbio,  que é mais comum em mulheres e na velhice. Também existem especulações sobre relação com a dopamina e deficiência de ferro como fatores contribuintes. É também comum aparecer em gestantes, geralmente no último trimestre, e que melhoram após o primeiro mês do parto.O exame neurológico e de eletromiografia são normais. O tratamento é com uso de medicamentos. Existem quatro classes de medicamentos que aliviam a síndrome das pernas inquietas (agentes dopaminérgicos, opióides, benzodiazepínicos e anticonvulsivantes). Estes devem ser prescritos pelo médico, considerando a história clínica e sintomas ou doenças concomitantes.

Meu filho não quer dormir na sua cama

Autora: Elizabete Possidente
É comum a criança entre 2 e 5 anos querer dormir na cama dos pais. Mas é fundamental que ela durma na sua própria cama e no seu quarto, podendo até dividir esse espaço com os irmãos,  desde cedo.
É importante que a criança durma numa rotina de horário (mais cedo que os adultos) e seja no cômodo em que ficam suas coisas, roupas, brinquedos e livros. É o espaço onde ela pode ser criança. Claro, os pais devem ajudar nessa tarefa, a casa tem que estar mais tranqüila, um dos pais devem conduzir a criança para a sua cama e momentos antes de dormir sempre buscar atividades calmas para não agitar a criança.
Quando dorme com os pais na mesma cama ou no quarto dos pais ela passa a querer dormir no mesmo horário dos adultos, confunde o seu papel de criança com os pais, passando inclusive a querer se impor e não respeitas os pais como figura de segurança e hierarquia na estrutura familiar.
Além disso, a criança que dorme com os pais ela passa a acreditar que ela não é capaz de dormir sozinha. Quando cresce essa criança passa a achar que não consegue fazer ou resolver outros problemas do cotidiano sozinho. Passam a ser indivíduos  inseguros e com dificuldade de enfrentar os seus medos, tendem a desenvolver uma perversidade como fonte de disfarce das suas inseguranças.
Muitas das vezes os pais permitem que a criança durma em seu quarto por cansaço, medo de dizer não, por achar gostoso ou se sentir culpado, ou até para encobrir problemas no relacionamento conjugal. Não podem nem ceder às manhas, pois as crianças tentam chantagens para conseguir o que querem. Outro grande problema é quando os pais não sabem se posicionar diante da criança, deixando as regras claras e seguindo uma rotina. Um dia pode, no outro não. Isso gera muita ansiedade e insegurança para a criança.
Nessa fase é também comum as crianças buscarem a cama dos pais porque tiveram pesadelos, ou simplesmente acordaram à noite e se viram sozinhas. Nesse caso, é importante que os pais a tranqüilizem e conduzam a criança de volta para a sua cama, para dormir sozinhas, mesmo que isso aconteça muitas vezes na mesma noite. Cedendo uma noite,  aumentará as dificuldades da criança para dormir sozinha nas próximas.
A criança poder dormir sozinha significa que está ficando autônoma e segura para resolver assuntos longe dos pais. Quanto mais tempo a criança dormir com os pais mais problemas emocionais vão surgir para essa criança e mais dificuldade os pais vão ter para deixá-las dormirem em seu quarto.


Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)

O Transtorno de ansiedade generalizada (TAG) é um sentimento de uma apreensão constante, uma preocupação exagerada e de difícil controle, que causa prejuízo na vida do indivíduo.
O TAG tem manifestações físicas e emocionais. Os sintomas físicos mais comuns são tensão muscular, dores de cabeça, sudorese, náusea, diarréia, dores generalizadas pelo corpo, boca seca, palpitações, sensação de fôlego curto, sensação de desmaio, vontade de urinar a todo instante, mãos e/ou pés frios, sensação de vazio no estômago. Os sintomas emocionais mais freqüentes são irritabilidade, insegurança, esquecimento, insônia, dificuldade em se concentrar, medos e preocupação exagerada.
As causas do TAG são multifatoriais, ou seja, tem diversos fatores. Há uma predisposição genética, causas ambientais e história de vida. Tem algumas substâncias que contribuem para o surgimento do TAG, tais como nicotina, energéticos e cafeína.
O diagnóstico é feito pelo médico e deve-se descartar outras causas orgânicas que levam a sintomas semelhantes, tais como uso abusivo de substâncias, alteração tireoidiana e diabetes. Devemos também avaliar se não há outra doença neuropsiquiátrica associada. Sabemos por exemplo que 60% dos casos de TAG estão associados a depressão.
É necessário buscar a avaliação médica o mais breve possível para se iniciar o tratamento em farmacológica associado à psicoterapia. Quanto mais cedo iniciar o tratamento menor o prejuízo na qualidade de vida do indivíduo acometido.

Doença de Alzheimer

Com o aumento da expectativa de vida, a incidência de demência vem aumentando muito na população do mundo, sendo a doença de Alzheimer (DA) responsável por 60% dos casos. A DA é uma doença neurodegenerativa e progressiva, e se apresenta clinicamente por perda de memória  e prejuízo funcional, com comprometimento de suas atividades da vida diária.
Está cada vez mais preocupante o impacto dessa doença no mundo. Nos EUA está sendo a quinta causa de morte nas pacientes acima de 65 anos. No Brasil o número de óbitos por DA nos últimos 10 anos  subiu 100% nos idosos.
O custo com os cuidados com pacientes com doença de Alzheimer é muito alto, trazendo muito impacto na economia dos familiares e do governo. Desses pacientes com DA cerca de 20% chegam ao estágio grave manifestando-se por dificuldade na deambulação, controle dos esfíncteres, dificuldade na comunicação e na capacidade de deglutição. Nesse estágio é necessário cuidados de enfermagem e cuidados de uma equipe multidisciplinar (neuropsiquiatra, clínico geral ou geriatra, nutricionista, fonoaudiologia e fisioterapeuta).
A maioria dos protocolos de tratamento medicamentoso enfoca os estágios leves e moderados. Mas dificilmente a família busca avaliação médica na fase inicial, o que retarda muito o diagnóstico e tratamento precoce. O médico deve acompanhar o paciente através de exames complementares, escala de Mini Exame do Estado Mental e avaliação do exame físico/mental do doente. Com esses valores deve buscar o melhor tratamento medicamentoso.
 Alguns medicamentos são específicos para o tratamento da DA e tentam retardar a evolução da doença, além de melhorar o comportamento, o funcionamento global e cognitivo. Outros medicamentos são associados, especialmente no estágio avançado para combater as manifestações neuropsiquiátricas (alteração do sono, agitação psicomotora, delírios, alucinações).

Como saber o que é um esquecimento normal do envelhecimento ou uma Doença de Alzheimer?

São muito comuns idosos que chegam ao consultório com queixa de redução da memória. Depois de muitas reclamações desse tipo, pedimos para exemplificar em que momento surge o problema e qual o prejuízo notório no seu dia a dia. Nesse instante verificamos que, apesar da reclamação de esquecimento estar presente, não existe prejuízo ou implicação clínica na vida do paciente.

Às vezes, os idosos lembram fatos do passado com muita clareza, mas não se recordam do que fizeram na semana passada. É preciso uma anamnese (história clínica completa), realização de alguns testes e se necessário exames complementares para se fazer o diagnóstico correto.
Esse esquecimento pode ser decorrente de desinteresse, depressão e efeitos colaterais de alguns fármacos (por exemplo, benzodiazepínicos).

Na dúvida, diante de um paciente idoso com queixa de esquecimento, deve-se procurar o médico para fazer uma avaliação. Assim se evita passar desapercebido um diagnóstico precoce de doença de Alzheimer.

Narcolepsia

A narcolepsia é caracterizada por episódios de sono irresistíveis durante o dia. Na prática, o paciente chega ao consultório com prejuízo social e profissional por cair em sono profundo em momentos inapropriados, como numa reunião, numa conversa ou na direção.
Geralmente começa na adolescência e perdura por toda a vida. Por se iniciar cedo, o indivíduo e familiares envolvidos acreditam ser uma preguiça crônica.
O diagnóstico é feito através da anamnese e polissonografia do sono. É causada por uma deficiência de um neurotransmissor chamado orexina (ou hipocretina).
Pode ser agravada em situações de estresse, redução do número de horas de sono à noite, alterações hormonais, infecções e doenças auto-imunes.
O seu tratamento é feito com medicamentos psicoestimulantes e mudança do estilo de vida.


Transtorno Afetivo Bipolar

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Transtorno Bipolar foi a sexta causa de incapacidade no mundo na última década. A taxa de mortalidade é alta, por acidentes automobilísticos, suicídio, abuso de álcool e drogas, nessas pessoas.
É um distúrbio crônico caracterizado por alteração de humor, que se manifesta em graus diferentes de intensidade, de episódios que variam de bem estar/euforia, irritabilidade e até a depressão. Esse distúrbio tem causa genética, que é influenciada pelo meio.
É difícil de fazer o diagnóstico. O paciente não procura a ajuda médica. Acha que a sua oscilação de humor é justificada por “personalidade difícil ou forte”, “temperamento” ou pela “vida difícil”. É reforçado pelo fato de muitas vezes ter convivido com pelo menos uma pessoa que também sofria do mesmo mal, com menor ou maior intensidade, passando assim a achar natural. Ou ainda quando viu uma pessoa da família ter um caso muito intenso, e ver o quadro grave como doença, mas um sintoma mais leve não seria um distúrbio.
Muitas das vezes, procuram o médico apenas com o quadro depressivo. Nesse momento se o médico não investigar a oscilação do humor ou a história de vida conturbada, o profissional não faz o diagnóstico de bipolar. Nessa situação trata apenas como um deprimido e pode por falta de conhecimento agravar o Transtorno Bipolar.
Às vezes, procuram o psiquiatra por outras comorbidades, tais como obesidade, transtorno de pânico, uso de álcool e drogas. E que o sucesso no tratamento só acontecerá se tratar o Transtorno Bipolar concomitante.
Os sinais e sintomas do Transtorno bipolar variam de intensidade num mesmo paciente em diferentes períodos de sua vida. O Tratamento adequado faz com que o paciente leve uma vida normal com estabilidade e qualidade de vida.
É fundamental o tratamento medicamentoso para tratar a fase aguda (crise) e prevenir recaídas. O tratamento psicológico é importante para dar suporte emocional, compreensão da doença e auxílio na adesão ao tratamento medicamentoso. É também necessário orientar a família quanto à necessidade de apoio ao tratamento,  e que se trata de uma doença crônica.

Dejà Vu

Essa sensação seria a impressão de já ter visto ou experimentado algo antes, mas se tem a certeza que é a primeira vez que se vive aquela situação. Por exemplo, você está visitando pela primeira vez uma cidadezinha e para numa esquina para pedir informação a um guarda. Nesse momento você tem a impressão que já viveu essa experiência, na mesma cidade, mesma esquina e com mesmo guarda para pedir informação. Mas você tem a certeza que isto é uma ilusão, porque nunca esteve naquele local antes.
O dejà vu acontece em todas as faixas etárias, mas especialmente quando as pessoas estão cansadas ou muito focadas num estresse. A pessoa identifica como não real, sabe que não é uma alucinação. Se acontece com muita freqüência deve-se procurar um médico para fazer o diagnóstico diferencial com uma epilepsia temporal .
Antigamente se dava explicações psicanalíticas, ou espirituais (lembranças de outras vidas) mas se sabe que é decorrente de um fenômeno neurofisiológico complexo, que não acarreta nenhum prejuízo a pessoa.

Boa Memória se consegue com uma boa noite de sono

Enquanto dormimos nosso cérebro está ocupado processando todas as informações colhidas durante o dia. Igualmente quando somos estudantes e passamos a matéria a limpo, enfatizamos o que é importante e cortamos o que não é relevante. É dormindo que fazemos a associação com o que já vivenciamos no passado e fixamos o aprendizado.
Antigamente pensava-se que o cérebro se desligava durante o sono, mas sabemos que na verdade é nesse momento que investimos na memória e no aprendizado. É óbvio que não dormir bem ou pouco é prejudicial ao processo mnêmico.  Isso é muito preocupante, já que  na sociedade atual cada vez se dorme menos. As pessoas têm considerado perda de tempo e preferem economizar horas dormidas para dar conta da distância trabalho/escola, das jornadas extensas de trabalho, dos emails, Facebook, filmes, telefonemas etc.
Os indivíduos não sabem que podem estar atrapalhando a sua capacidade cognitiva, o mais importante hoje em dia para dar conta de tantas informações que recebemos todo o dia.
Na clínica, muitos pacientes chegam apenas com queixa de memória. Muitas vezes a única prescrição recomendada é de dormir melhor. Isso vem acontecendo com pacientes de todas as faixas etárias e vem aumentando muito como sintoma nos adolescentes. Se você ainda acha que dormir é uma perda de tempo reflita e me diga se já aconteceu de você adormecer achando que um problema não tem solução, e ao acordar verificar que o imenso problema não é tão complicado assim. Como uma boa noite de sono faz a diferença…