Como os Pais Podem Aconselhar Os Filhos Em Relação ao Sexting?

Autora: Elizabete Possidente


É importante que os pais mantenham uma relação de confiança e de conversa com os filhos. Precisam esclarecer o que é e todos os perigos que o sexting oferece.
O ideal é que essas Informacoes sejam passadas antes das primeiras trocas de mensagens indevidas, como uma prevenção.
Caso isso não seja mais possível, os pais precisam falar sobre os perigos dessas ações, devem não perderem a cabeça para que o jovem perceba que vocês estão disponíveis para ajudar caso esteja passando por alguma ameaça. Muitas vezes, por medo se serem castigados, os adolescentes escondem os fatos dos pais.
Segue algumas dicas para essa conversa:

  • Não espere que aconteça um incidente desse para a dialogar sobre o assunto sexting, sexo e sexualidade.
  • Estabeleça regras para o uso de eletrônicos;
  • Mostre os perigos e as consequências do envio de conteúdos sexuais;
  • Coloque-se se à disposição para tirar dúvidas e a novas conversas;
  • Oriente a excluir imagens sexuais caso receba esse conteúdo de terceiros. 
  • Se o seu filho foi forçado a enviar conteúdo sexual para um adulto, busque a polícia.
  • Se o seu filho fez sexting por vontade própria alerte sobre os perigos e consequências.
  • Busque ajuda de uma equipe de saúde mental para orientar o jovem e aos pais de como lidarem com essa situação é de grande importância.

Sexting: O Que É e Quais São Os Riscos Para os Jovens

Autora: Elizabete Possidente

Sexting é o ato de usar redes sociais, aplicativos e whatsapps para produzir e compartilhar imagens de nudez e sexo. Envolve mensagens de texto com convites e insinuações sexuais para amigos , pretendentes e namorados.

Quando se pergunta aos adolescentes sobre sexting, nem sempre eles conhecem ou usam essa palavra. É a junção da palavra sex (sexo) + texting (torpedo), surgiu quando a Internet nem era 3G e as pessoas enviavam mensagens de texto por sms de caráter erótico, hoje as mensagem contém fotos e vídeos.

Mandar mensagens como forma de comunicação passou a ser uma forma rápida, barata e é muito comum entre os brasileiros. Isso passa a contribuir pela banalização do sexting.

Os jovens não percebem que se não tomarem certos cuidados podem esses vídeos serem divulgados nas redes sociais, em outros grupos e até em sites de pornografia.

Em abril de 2018 houve um estudo publicado no Jama Pediatrics sobre sexting. Mostrou que 1 em cada 7 adolescentes menores de 18 anos já praticaram sexting e que 1 a cada 4 já receberam conteúdo erótico de algum conhecido. Nesse mesmo artigo foi comentado ser muito mais frequente em adolescentes mas já tinham crianças entre 10 a 12 anos praticando sexting.

Os jovens na maioria das vezes mandam essas mensagens para pessoas conhecidas. Entretanto, muitos acreditam que pessoas que conheceram na internet já podem ser consideradas conhecidas.

Ele não percebe que pode estar conversando com um pedófilo, traficante de pessoas ou um pervertido sexual, sem ter noção alguma do perigo.

Precisamos sempre alertar que não há controle nenhum sobre o que acontece com o conteúdo das mensagens após serem enviadas.

Outro risco é que a amizade virtual pode dar uma falsa sensação de confiança e acabar aceitando um encontro presencial, e surgir o risco de abuso sexual e estupro.

Muitos jovens são chantageados a participar da prática de sexting. Pessoas conhecidas ameaça a divulgar a foto no grupo da escola ou para os pais, em troca de manter a prática de mensagens de cunho erótico.

Precisamos educar os jovens sobre sexualidade e sexo. Sexo é uma das expressões da sexualidade já amadurecida que envolve um(a) parceiro(a) e que pode acontecer a partir do desenvolvimento da puberdade e com maturidade psicológica.

Já a sexualidade está presente em todo o desenvolvimento mas com características diferentes em cada fase da vida. A sexualidade na criança, por exemplo, é muito diferente da sexualidade no adulto.

É preciso ter consciência da importância de haver diálogo sobre sexualidade desde a infância, sem repressão, com esclarecimento e orientação.

“Janeiro Seco”: Benefícios de 1 Mês Sem Álcool

Autora: Elizabete Possidente

Janeiro é o período do ano que é marcado por planos e metas para a maioria das pessoas. Muitos tem preocupação com a saúde e planeja uma vida mais saudável, iniciar uma atividade física e ter uma dieta mais equilibrada. Com isso surgiu um movimento no Reino Unido chamado “Dry January” em 2013 e que já foi adotado por muitos outros países.  O “Janeiro Seco” é o incentivo de não consumir bebidas alcóolicas durante todo esse mês.

O consumo de bebida alcóolica aumentou muito em todo o mundo desde o início da pandemia. Segundo a OMS no Brasil houve um crescimento mais rápido que a média mundial, especialmente entre os mais jovens.

Ainda que o consumo de bebidas alcoólicas tenha aumentado ao longo dos últimos dois anos, o projeto “Dry January” tem efeitos no longo prazo.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Britânico demonstrou que após a Campanha, 7 entre 10 pessoas diminuíram a ingesta de bebida alcóolica, e ¼ das pessoas que bebiam em níveis “prejudiciais” mudavam para a categoria de “baixo risco” após Campanha.

Não será de um dia para outro que o organismo sinta o benefício de “sem  álcool”, pois, sabemos que o álcool permanece em torno de 72 horas no organismo.  

O sucesso da Campanha está associado a percepção pelo próprio indivíduo do impacto positivo no seu bem-estar. Os participantes percebem melhora na qualidade do sono, na disposição para atividade física e maior performance, melhora na concentração, no humor, na imunidade, no funcionamento do intestino e na sensação de bem-estar físico e mental. Também tem impacto positivo na estética por levar a perda de gordura, melhora na queda de cabelo, da pele e na redução de celulite.

O governo britânico percebeu que havia uma melhora na qualidade de saúde observados nos atendimentos a comunidade. Resolveu incentivar ainda mais a Campanha que lançou um aplicativo chamada “Try Dry” para os participantes. Através desse aplicativo há um monitoramento do consumo de álcool, definindo metas individuais e oferecendo informações sobre calorias e economia de dinheiro como estímulo a adotar medidas na redução ou suspensão de ingesta alcóolica durante todo o ano.

Recentemente o Instituto Britânico publicou que os participantes da Campanha Janeiro Seco notaram diversos benefícios nas finanças e na saúde física e mental, tais como:

  • 88% economizaram dinheiro que seria gasto em bebidas.
  • 82% relataram ter maior consciência do prejuízo que o álcool tinha em suas vidas.
  • 80% passaram a ter maior controle na quantidade da ingesta alcoólica.
  • 93% se sentiram realizados por conseguirem um mês sem álcool, aumentando a autoestima.
  • 76% conseguiram entender o motivo que faziam o beber e assim podem criar estratégias para proteger desse mal hábito.
  • 71% entenderam que podem se divertir sem álcool.
  • 58% perderam peso.
  • 57% notaram melhora na concentração
  • 54% notaram melhora na pele.

A grande maioria dos participantes relataram que se sentiram mais seguros a tomar decisões se vale a pena beber ou não e ter controle no tipo de bebida e na quantidade.

Recomendo a todos escolherem um mês para adotarem essa campanha de não ingerir bebida alcoólica. Substitua por sucos, chás gelados e drinks sem álcool. Tem muitas receitas de drinks gostosos e lindos na internet. Vamos cuidar da nossa saúde, pois, merecemos uma qualidade de vida melhor.

Janeiro Branco – A vida Pede Equilíbrio

Autora: Elizabete Possidente

A campanha Janeiro Branco de 2023 tem como tema “A vida pede equilíbrio”. O objetivo é alertar para os cuidados com a saúde mental que precisam de equilíbrio nas atividades do cotidiano.

A pessoa equilibrada emocionalmente é capaz de lidar melhor com as adversidades da vida, o estresse, a ansiedade e é mais segura para tomada de decisões. Ou seja, os problemas continuarão ocorrendo porque são inerentes a vida, mas a pessoa desenvolve habilidades para enfrentar as dificuldades.

O que seria ter saúde mental? É a capacidade de se manter equilibrado emocionalmente nas diversas esferas da vida, tais como via profissional ou acadêmica, vida social, vida familiar e estar bem consigo mesmo. Isso tudo mesmo diante das dificuldades e desafios que a vida nos impõe de forma inesperada. Ou seja, saúde mental não é apenas ausência de doença mental.

A maioria das doenças psiquiátricas têm causas multifatoriais, ou seja, são ocasionadas por diversos fatores. Tem fatores genéticos, personalidade, estressores e habituar a vida de forma desequilibrada como influenciadores para doenças mentais.

A forma como a pessoa está levando a sua vida pode amenizar ou até prevenir diversos sintomas mentais, tais como, ansiedade, insônia, depressão e ataque de pânico.

Conheça e adote algumas práticas que contribuem para melhora da qualidade de vida e promove a saúde mental.

  • Reserve um tempo para si mesmo todos os dias.
  • Faça da atividade física um hábito
  • Mantenha uma dieta saudável
  • Mantenha uma boa hidratação
  • Mantenha uma boa qualidade de sono
  • Reduza exposição excessiva as redes sociais
  • Estimule a cognição
  • Evite automedicação ou abuso de ansiolíticos
  • Aprenda com os seus erros
  • Estabeleça metas na vida
  • Afaste de situações que te geram emoções desagradáveis, quando possível
  • Valorize a sua vida social e o tempo em família
  • Evite ingesta de álcool e drogas  
  • Invista numa psicoterapia para autoconhecimento   
  • Se tem queixas de doença mental busque um especialista
  • Se você tem um diagnóstico de doença psiquiátrica, mantenha a regularidade das consultas médicas

Acione essas medidas no seu dia a dia. Afinal, equilíbrio é um investimento bom para todos.  

Síndrome do Final de Ano

Autora: Elizabete Possidente

Em todo consultório de Psiquiatria no mês de dezembro há muito trabalho. São muitos atendimentos de 1ª vez ou recidivas. Nesse período começam os usuais anúncios de fim-de-ano, que estimulam o conhecido “balanço do ano passado” e promessas de mudanças na vida para o próximo ano. São revividas várias sensações negativas que pensávamos estivessem guardadas no fundo do nosso baú de recordações, mas retornam com o Natal.

O Natal também reacende diversos problemas que a pessoa tentou esconder durante o ano. Muitos conflitos com pais, filhos, sogros, cunhados e outros familiares, com quem invariavelmente temos contato no Natal. Problemas familiares que já existiam e que não foram resolvidos durante o ano ressurgem nesse momento: as desavenças e vaidades pessoais, problemas financeiros são reforçados. No Natal normalmente lembramos de pessoas queridas já falecidas. Vivemos esse luto reforçado por saudades dos momentos felizes. Mesmo não passando o Natal conosco todas as propagandas, outdoors, programas de televisão e conversas com amigos nos remetem às lembranças. Este ano ainda podemos acrescentar motivos relacionados a divisão política, que nunca foi tão forte no nosso país e dentro da família.
No paralelo desses sentimentos somos envolvidos em redes sociais que mostram festas de finais de ano perfeitas e compras, que soam como uma violência para a pessoa que não está vivendo esse clima. Muitos então passam a se sentir fragilizados, vem a angústia, cefaleia, ansiedade, náuseas, dores abdominais e insônia. Muitos passam a comer em excesso, abusar da ingesta de álcool, comprar em excesso para tentar preencher algum sentimento vazio e desperdiçar muito tempo nas redes sociais.
Chega o final de ano, onde se espera a reavaliação do ano através de uma reflexão pessoal. Começam os questionamentos: quem não faz bem ao seu convívio, mesmo que não queira ter essa revelação. Muitos que já não estavam tão bem assim passam por emoções desagradáveis nesse período, é como se você guardasse todas as emoções, em “gavetas de bagunça”, que vemos em várias casas. Não sabemos o que fazer com aquele pensamento e enfiamos na tal “gaveta”. Parece que “a casa está arrumada”, mas na verdade a “bagunça” só foi camuflada.
É comum um sentimento de estranheza, que erradamente interpretamos como fracasso. Você pode não estar feliz, mas não será um “perdedor”. É como num dia de sol, onde todos curtem uma piscina ou praia, mas você pode não estar nesse clima e é perfeitamente normal preferir outra atividade.
Faça uma reflexão para identificar e entender seus conflitos emocionais e tentar chegar à resolução. Na correria do dia a dia é comum as pessoas não se permitirem parar e pensar nos seus problemas. É como se não conseguisse tempo para arrumar os armários e fosse colocando o que não sabe a utilidade numa gaveta ou prateleira “da bagunça”. Com essa atitude, a casa parece estar bem arrumada, mas vai se acumulando de entulhos e objetos inúteis. Os “entulhos” surgem nessa fase do ano e muitas vezes são novamente mascarados por consumo excessivo, encontros sociais diversos e aumento da ingesta alcoólica e de guloseimas. No final do ano, costumamos abrir a “gaveta” e espalhar a “bagunça” pela nossa vida.
Aproveite essa fase para “arrumar a gaveta”, colocando o passado a limpo, revisando atitudes e revendo pessoas e situações que merecem ser valorizadas ou resolvidas. Valorize mais os aspectos psíquicos porque a virada do ano cobra novas metas e medo de repetir alguns dos fracassos e frustrações passadas.

Veja no O Globo:
https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2022/12/sindrome-do-final-de-ano-casos-de-depressao-e-ansiedade-crescem-perto-da-virada.ghtml

Por que Está em Falta Diversos Medicamentos nas Farmácias?

Autora: Elizabete Possidente

Nos últimos meses tem faltado diversos medicamentos nas farmácias. Essa falta é consequência do desabastecimento que vem afetando todo o país.

Segundo um levantamento do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde, diversos municípios relataram falta de mais de 40 medicamentos.

Essa escassez afeta não apenas as farmácias mas também os hospitais e as unidades de emergência. No momento não tem dipirona injetável, por exemplo, em todo o país.

A justificativa está no desabastecimento da falta de insumo farmacêutico ativo (IFA) que é o principal ingrediente de um remédio. Sem ele, é como se o medicamento fosse apenas uma junção de várias substâncias sem efeito nenhum.

O Brasil produz apenas 5% do IFA utilizado por aqui. O restante é importado, sendo que 68% vem da China. Somos também dependente da importação de diversos incipientes medicamentosos (“ingredientes”) e materiais para a embalagem, como blister, tinta, frascos e conta-gotas.

Considerando os lockdowns em Xangai no início deste ano que levaram a uma elevação do do preço da matéria-prima em média 200%. A guerra entre Rússia e Ucrânia prejudicou a logística, que sofreu um aumento de 300%.

Para piorar o cenário, há ainda o aumento da demanda por diversos medicamentos pela covid-19 e suas sequelas, o retorno presencial às atividades e as mudanças de tempo aumentou o surgimento de diversas doenças.

A crise causada pela pandemia da covid-19, a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, alta demanda por medicamentos e as indústrias precisando produzir tudo em uma quantidade grande na mesma época do ano para o mundo todo são os responsáveis pelas prateleiras vazias nas farmácias. Ainda deve demorar um tempo para esse fluxo se normalize no Brasil e no mundo.

A Boa Mãe Se Torna Desnecessária Com O Tempo.

Decidi trazer um texto bastante interessante para reflexão sobre a superproteção dos pais com as crianças.
É comum que o instinto dos pais tentam proteger seus filhotes. Até que ponto isso é bacana? Pois, a superproteção impede que a criança desenvolva independência e resiliência.
O texto abaixo leva a uma reflexão mais minuciosa sobre esse tema.

A mãe desnecessária – por Márcia Neder

A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo. Várias vezes ouvi de um amigo psicanalista essa frase, e ela sempre me soou estranha. Chegou a hora de reprimir de vez o impulso natural materno de querer colocar a cria embaixo da asa,protegida de todos os erros, tristezas e perigos. Uma batalha hercúlea, confesso. Quando começo a esmorecer na luta para controlar a super-mãe que todas temos dentro de nós, lembro logo da frase, hoje absolutamente clara.
Se eu fiz o meu trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária.
Antes que alguma mãe apressada me acuse de desamor, explico o que significa isso.
Ser “desnecessária” é não deixar que o amor incondicional de
mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos,
como uma droga, a ponto de eles não conseguirem ser autônomos,
confiantes e independentes. Prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros também. A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical. A cada nova fase, uma nova perda é um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho.
Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse
vínculo não pára de se transformar ao longo da vida. Até o dia em
que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família e
recomeçam o ciclo. O que eles precisam é ter certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado, o conforto nas horas difíceis.
Pai e mãe – solidários – criam filhos para serem livres. Esse é o
maior desafio e a principal missão.
Ao aprendermos a ser “desnecessários”, nos transformamos em Porto Seguro para quando eles decidirem atracar.
“Dê a quem você Ama :

  • Asas para voar…
  • Raízes para voltar…
  • Motivos para ficar… “

Balenciaga É Acusada de Incitar á Pedofilia

Autora: Elizabete Possidente

A marca de luxo Balenciaga foi acusada de incitar a pedofilia em sua recente campanha de primavera nas redes sociais.  

A grife espanhola mostra fotos de crianças segurando pelúcias vestidos com roupas comuns nas práticas sadomasoquistas. 

A marca Balenziaga já foi alvo de outras polêmicas anteriormente. Entretanto, dessa vez as acusações são extremamente graves: incitação à pedofilia e abuso infantil. 

Com toda a razão, houve uma série de publicações indignadas por mostrar crianças com bolsas de ursos de pelúcias com acessórios de temática sadomasoquistas, além de outros detalhes, como livros e documentos da Suprema Corte que naturalizam a pornografia infantil.

Uma das fotos contém o livro do artista Michael Borremans, quem tem como trabalho mais famoso a obra “Fire From The Sun”, onde crianças estão nuas em uma espécie de ritual.

Em outra foto há um documento da Suprema Corte dos Estados Unidos, que é  uma decisão que reverte uma parte significativa da Lei de Prevenção de Pornografia Infantil de 1996, com a justifica da liberdade de expressão.

A marca tirou a campanha do ar e apagou todas as publicações do seu Instagram.

Não podemos achar isso normal. Vocês não acham?

Um Monte de Exames e um Diagnóstico Absurdo

Autora: Elizabete Possidente


É crescente o número de exames desnecessário a pacientes. O próprio Conselho Regional de Medicina refere que vem aumentando o número de sindicância referentes á solicitação excessiva de exames. Exemplos são as solicitações relacionados a medicina ortomolecular, antianging, antroposófica e de performance esportiva.
Todo dia chega pacientes com uma pilha de exames e de formulações que foram prescritas após realizar algum exame que detectou uma deficiência.
Nesse artigo em anexo o autor faz as críticas sobre esse excesso de exames e compara a falácia do atirador do Texas.
Leia para compreender a minha indignação diante de alguns casos que vejo há minha clínica.

Quer Ser Um Bom Pai ou Mãe?

Autora: Elizabete Possidente

Publicação Instagram @elizabetepossidente

www.instagram.com/p/CSeK0pjLDxK/

CREMERJ Normatiza a Validade da Solicitação de Exames Complementares no Rio de Janeiro

Autora: Elizabete Possidente

O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro – CREMERJ, ressalta que nenhum médico pode realizar algum pedido de exame sem a data. Refere que o descumprimento dessa norma acarretará numa convocação a prestar esclarecimentos no CREMERJ.

Segue abaixo a resolução na íntegra.

A resolução CREMERJ nº344/2022 publicado no Diário Oficial da União em 1 de julho de 2022 na seção 1 na página 307 resolve:

Art. 1º Normatizar a validade das solicitações de exames complementares no Estado do Rio de Janeiro.

Art. 2º A critério do profissional médico, a depender das necessidades do paciente atendido, as solicitações de exames poderão ter validade de até 180 (cento e oitenta) dias, a contar da data de sua emissão.  

Parágrafo único. Quando o médico optar por estipular a validade, esta deverá ser consignada por extenso na solicitação de exame(Revogado Pela Resolução CREMERJ nº 338/2022)

Art. 4º Fica vedada a solicitação de exames sem data.

Art. 5º A presente Resolução passa a vigorar na data de sua publicação.

Resumindo o médico no Estado do Rio de Janeiro está proibido a pedir exames complementares sem data e os planos de saúde devem aceitar até o prazo de 180 (cento e oitenta ) dias, a menos que o médico deixou escrito que deva ser outro prazo de limite.

https://www.cremerj.org.br/resolucoes/exibe/resolucao/1502;jsessionid=DD669EB33DB32E4CDF442503B04AFF17

Nota de Esclarecimento da ABN Sobre a Matéria : “Cannabis: idoso tem reversão de sintomas do Alzheimer com óleo da planta”.

Autora: Elizabete Possidente e Giuliana Possidente

A Academia Brasileira de Neurologia em nota de esclarecimento (anexo ao final) se manifestou em relação à matéria publicada por alguns veículos de imprensa em 26/09/2022, intitulada “Cannabis: idoso tem reversão de sintomas do Alzheimer com óleo da planta”.

A notícia relatava um caso de um paciente de 78 anos diagnosticado com doença de

Alzheimer e que teve seus sintomas supostamente revertidos, com “melhoras no humor, sono e memória, além de a doença se manter estável” após iniciar um experimento com extrato composto por

THC (Tetrahidrocanabinol) e CBD (Canabidiol). Essa mesma reportagem citava que havia mais de 28 casos com resultados semelhantes após 6 meses de tratamento.

Entretanto a matéria não explica que não se pode falar de eficácia ou de não eficácia de tratamento apenas com relatos de casos. É necessário ocorrer diversos ensaios clínicos controlados com placebo antes de se obter conclusões sobre a eficácia ou não de tratamento. É imperativo utilizar dois grupos de pacientes que têm a patologia. Um grupo é selecionado por sorteio para receber o medicamento enquanto o outro recebe um placebo (produto sem efeito no tratamento). Nem os pacientes nem os médicos podem saber quem está tomando o medicamento em teste ou o placebo. Os pacientes e os médicos só sabem quem tomou o medicamento apenas após o fim do estudo (seis meses, um ano ou mais).

Se não for dessa forma os resultados podem ser apenas uma coincidência. No artigo também não se fala de possíveis efeitos colaterais e não sabemos se houve ou não.

De qualquer forma, é uma irresponsabilidade fazer uma chamada dessa na mídia sem ter a comprovação científica de eficácia. Pode ter sido apenas um mero acaso.

O uso de canabinóides para o tratamento de condições neurológicas é atualmente alvo de intensa

pesquisa, com resultados não uniformes até o momento.

Especialistas da Academia Brasileira de Neurologia no período científico Arquivos de Neuropsiquiatria (Brucki SMD et al.Canabinoids in Neurology. Arq. Neuro-Psiquiatr. 79 (04) • Apr 2021) publicaram em 2021 um painel que refere a ausência de evidência científica que apoia o uso do THC ou do CBD como tratamento de sintomas cognitivos ou neuropsiquiátricos da doença de Alzheimer.

 Todos estamos na expectativa de que surjam pesquisas que obedeçam o rigor metodológico com grandes amostras para que tenhamos conclusões.

https://www.abneuro.org.br/2022/09/28/

Os Preocupantes Possíveis Efeitos Colaterais do Mal Uso do Zolpidem

Autora: Elizabete Possidente

A reportagem vinculada no programa Fantástico da Rede Globo sobre o zolpidem não é uma novidade para os médicos prescritores. O FDA já tinha publicado há alguns anos um alerta sobre os medicamentos para dormir zolpidem, eszoplicone e zaleplon que podem provocar comportamentos bizarros quando mal utilizado.

Se pesquisar nas redes sociais vão encontrar diversos relatos de pessoas que tomaram uma dessas pílulas para dormir e que fizeram coisas estranhas. Algumas falam de ter ido à cozinha para comer, ligado para amigos, postados coisas na internet, feito compras e até saído de casa, sem lembrança alguma do feito. Outros já referiram ter alucinações visuais em uso dessas substâncias.

Antes de condenarem esse medicamento entenda que a substância é segura desde que administrada corretamente com a recomendação médica. O remédio precisa ser utilizado na cama, sem nenhum outro estímulo. Como digo aos meus pacientes, apaga a luz, sem eletrônicos e aí sim pode-se usar a pílula.

Aqui no Brasil temos na forma sublingual e oral na dosagem de 5 mg e 10 mg com efeito mais rápido, ou seja, aqueles que tem dificuldade apenas para iniciar o sono. Também temos na dosagem de 6,25 mg e 12,5 mg com a liberação prolongada para aqueles que precisam do efeito durante toda a noite, sofrem com diversos despertares noturnos ou acordam no meio da madrugada. Portanto, o zolpidem é destinado ao tratamento de insônia ocasional, transitória ou crônica, tanto para aqueles que tem dificuldade para adormecer ou para aquelas que tem dificuldade de permanecer dormindo.

O consumo do zolpidem sem a indicação e orientação médica pode provocar tolerância, dependência ou essas situações de sonambulismo ou amnésia.

É muito chocante sabermos que muitas farmácias vendem sem receita ou dispensam um número maior de caixas do que o prescrito pelo médico assistente.  Isso mesmo com o conhecimento de se tratar de uma medicação de receita controlada. Assim como também numa rápida pesquisa nas redes sociais vemos relatos de mal uso para obter efeito alucinógeno, o “barato”.

Para a maioria das pessoas no nosso país dormir a noite toda é considerada um artigo de luxo. A insônia é uma queixa comum encontrado na maioria dos consultórios médicos.  

Segundo a Associação Brasileira de Sono (ABS) cerca de 73 milhões de pessoas sofrem de insônia no país.  

Se você sofre de insônia não deve ter medo de buscar o tratamento. Não dormir bem aumenta a chance de doenças cardiovasculares, obesidade, dislipidemia, hipertensão arterial, ansiedade, fadiga, desatenção, envelhecimento precoce, baixa imunidade, depressão e risco de morte. Além de aumentar a chance de acidentes domésticos, automobilísticos e de trabalho.

Deve-se buscar o médico para realizar o diagnóstico e a indicação do melhor tratamento para a sua condição clínica. O profissional avalia os aspectos emocionais, a história de vida e de hábitos que possam contribuir para a insônia.

Sempre a primeira linha de tratamento é a Terapia cognitivo comportamental que envolve, medidas de higienização do sono, técnicas de relaxamento e de controle de estímulos que mantém a vigília.

Nos casos sem resposta a essas medidas é indicado o tratamento farmacológico. É imperativo avaliar se a insônia não está sendo sintoma de uma doença psiquiátrica, tais como depressão, ansiedade, TDAH e bipolaridade. Nesses casos é necessário iniciar o tratamento da patologia para melhora da insônia.   Como se fosse uma febre que faz parte de um quadro de pneumonia, por exemplo. Nesse caso não adianta ficar utilizando apenas o antitérmico porque precisará tratar a pneumonia com antibiótico.

Se você sofre de insônia agende o médico para a avaliação da insônia e já invista na higienização do sono.   Se após essas medidas o seu médico recomendar um medicamento não tenha medo e tire as suas dúvidas diretamente com ele em consulta.

Pode falar?

Autora: Elizabete Possidente

A UNICEF e outras instituições brasileiras (como o CVV) lançou o programa *Pode Falar*. Se trata de um *canal anônimo de escuta* destinado a adolescentes e jovens entre 13 e 24 anos que sabemos que não gostam de falar ao telefone. .

O objetivo é de de diminuir a violência , abuso infanto-juvenil, autolesões e tentativas de suicídios.

Vamos divulgar esse projeto?

http://www.podefalar.org.br

Rede Social X Sono

Autora: Elizabete Possidente

Estudiosos canadenses publicaram pesquisas recentes que mostram que apenas uma hora de uso da rede social por dia causa um prejuízo na qualidade e na quantidade de sono.

A luz azul emitida pelos dispositivos eletrônicos eleva o estado de alerta. Também existe o fator psicológico de fazer algo que excita a mente durante todos os dias.

Ou seja, o estímulo das redes sociais faz com que nunca descansemos apropriadamente.

Katy Bowman, especialista em biomecânica e autora de Move Your DNA diz ser um paradoxo do mundo moderno que façamos menos atividades físicas do que antes e, que mesmo assim nunca tivemos tão pouco tempo livre. Achei o seu depoimento bastante impactante e reflexivo para todos.

Os estudos recomendam uma desintoxicação tecnológica inicial. Depois o retorno ao uso das redes limites de tempo estabelecidos. Certamente essas medidas ocasionaram uma melhor noite de sono e se menor fadiga ao despertar. Fica a dica para todos nós.

Apresentação Oro-dispersível. Qual é a vantagem?

Autora: Elizabete Possidente

As indústrias farmacêuticas vêm desenvolvendo formulação de medicamentos que sejam funcionais e que oferecem maior margem de segurança e tolerabilidade. Assim, surgiram os comprimidos orodispersíveis que vem se destacando em relação a administração por via oral.  

Os comprimidos orodispersíveis ou ODTs, do inglês orally disintegrating tablets, foram desenvolvidos para desintegra-se rapidamente na saliva, sem a necessidade de ingestão de água. Essa forma de ação ocasiona uma maior biodisponibilidade e um início de ação mais rápido.

Destaco algumas vantagens na administração orodispersível:

  • Administração rápida e fácil, sem necessidade de ingestão de água.
  • É de fácil administração para idosos, pessoas acamadas, pacientes com disfagia e crianças que têm dificuldade na deglutição.
  • Absorção e início de ação mais rápido.
  • Há desintegração rápida na saliva, que leva a maior adesão ao tratamento.
  • A absorção é pré gástrica, reduzindo a demanda hepática. Muitos pacientes tomam diversos fármacos que são metabolizados no fígado e é uma boa alternativa para poupar esse fígado.
  • Sem necessidade de mastigar para garantir a absorção.
  • Pode ser melhor tolerado se o paciente apresentar náusea importante.
  • Pode ser útil quando é preciso verificar se o remédio foi tomada e o paciente esconde o remédio na bochecha.

O comprimido orodispersível é uma forma farmacêutica para muitos fármacos, propiciando uma ação mais rápida, sem a necessidade de ingesta de água e assim sendo mais fácil de administrar em qualquer lugar e a qualquer hora, possibilitando uma maior adesão ao tratamento, especialmente no caso de pacientes que têm dificuldade na deglutição.  

Dicas de Como fazer Provas Objetivas

Autora: Elizabete Possidente e Giuliana Possidente

Ao enfrentarmos uma prova importante em nossas vidas, é bastante comum sentirmos um medo no momento da prova e até uns dias antes. Todos nós já passamos por isso e é claro que um pouco de apreensão nos ajuda a mantermos focados e corrermos atrás do que desejamos. Se não fosse um pouco de adrenalina nos acomodaríamos na nossa zona de conforto e ficaríamos abaixo do nosso potencial e sempre frustrados.

A verdade é que não tem uma fórmula pronta para combatermos esse friozinho na barriga, mas não custa nada seguir algumas dicas que ajudam a realizar uma boa prova.

Manejo do tempo

A maioria das provas decisivas na vida, como por exemplo, concursos públicos e vestibulares, são provas de múltiplas escolhas.

Nas provas de múltipla escolha é necessário separar um tempo para fazer as questões e outro para marcar o cartão resposta.

Geralmente recomenda-se cerca de 20 a 30 minutos para realizar o cartão resposta com tranquilidade, assim evitando erros por falta de atenção.    

Sabe-se que faz bem ao cérebro realizar pausas a cada 50 minutos, aproveite para as necessidades de ir ao banheiro, lanche ou água.

Com isso você precisa subtrair do total de horas da prova 20 a 30 minutos para o cartão resposta e 10 minutos para eventual pausa do banheiro.

Depois pegue o tempo restante da prova e divida pelo número de questões.

Fazendo dessa forma uma prova de 5 horas de duração teriam cerca de 2 minutos e quarenta segundos para cada questão. Lembrando-se que esse tempo seria a média para cada questão e nem todas você leva o mesmo tempo fara resolvê-la.  Algumas tem resultado rápido e outras se perde um pouco mais de tempinho nela. Vai com calma e vai treinando nos simulados em casa.

O que fazer ao receber a prova?

Primeiro passo ao receber a prova é sempre verificar se o caderno está completo. Confirme se tem todas as páginas e questões. Depois leia as instruções e deem uma espiadinha nas perguntas.  Isso porque mesmo sem perceber o seu cérebro já vai buscando conteúdo armazenado a partir de palavras chaves que o seu cérebro captou.  

Depois partir para fazer a prova.

Como realizar as questões?

  • Primeira Passagem

Inicialmente leia o enunciado com atenção mesmo que seja enorme. Marque com a caneta dados importantes desse enunciado.

Circule a pergunta, principalmente se tem expressões como exceto, correta, incorreta, mais provável, melhor resposta.

As questões que você tem certeza da resposta, circule o número correspondente. Isso vai poupar tempo na revisão da prova.

As questões que têm dúvidas marquem com um símbolo grande. Risque a opção que tem certeza de que não está certa.  

É obrigatório ler todas as opções de respostas. As provas costumam ter pegadinhas. Professores de cursos preparatórios comentam que mais comumente é na alternativa A.  

Caso nas opções de respostas tenham alternativas opostas, certamente uma dessas deve ser a resposta.

Dificilmente a resposta contém expressões, como “nunca”, “sempre”, “todos”, “todo”.

  • Segunda Passagem

Depois que fizer todas as questões da prova, repasse aquelas que ficou com dúvidas (as que não estão circuladas). Volte primeiro as que estão na área que tem mais domínio da prova.

Se mesmo no final de segunda ou terceira passagem (quando tem tempo) e não sabe a resposta faça um “chute consciente”.  Se nas opções tiverem combinações sublinhe os termos que mais aparecem, provavelmente uma dessas será a certa.

Cartão Resposta

Marque com atenção a resposta no cartão.

Se mesmo assim perceba que errou ao marcar no cartão, não se desespere, respire com calma e diga para você é importante passar e não precisa gabaritar a prova. Afinal você só quer uma vaga mesmo.

Em Época de Extremos Opostos

Autora: Elizabete Possidente

Um estudo da Universidade de Cambridge mostrou que pessoas com atitudes extremistas tendem a ter problemas com atividades mentais complexas, que exigem um raciocínio organizado e profundo. A pesquisa foi publicada no periódico científico Philosophical Transactions of the Royal Society B.

Os extremistas são mais impulsivos e mais lentos no processamento de informações perceptivas. Independente se o extremismo seja de direita ou de esquerda há dificuldades em realizar tarefas cognitivas mais complexas apesar da tolerância grande ao risco. 

Nesse estudo participaram 522 extremistas. Eles passaram por 37 tarefas cognitivas e 22 testes de personalidade na primeira fase. Depois partiram para a etapa seguinte que era de responder um questionário sobre crenças políticas.

Os pesquisadores identificaram que o extremismo nos 2 lados do espectro apresentavam falta de flexibilidade cognitiva, ou seja,  dificuldade da capacidade de pensar sobre conceitos simultaneamente ou alternar entre formas de pensar.

É sabido que pessoas com pouca flexibilidade cognitiva tendem a  dificuldade na adaptação de tarefas que mudem no decorrer do trajeto. 

Como a Analice Gigliote em seu artigo publicado na revista Veja refere que o cérebro dessa pessoa funciona como se fosse “blindado” a qualquer convicção ou reflexão diferente. Ou seja, nada é capaz de provocar uma reflexão para possível mudança de opinião.

Agora imagina isso reverberado pelas redes sociais e fake news? 

Leia mais em: https://vejario.abril.com.br/coluna/analice-gigliotti/em-tempo-de-polarizacao-tao-importante-quanto-saber-perder-e-saber-ganhar/

CFM Abrirá Consulta Pública Sobre o Canabidiol

Autora: Elizabete Possidente

Após seis dias de restringir o uso de canabidiol à duas patologias, o Conselho Federal de Medicina (CFM) abriu uma consulta pública referente ao uso da substância.

A decisão anterior, que restringia o uso, se apoiou em mais de seis mil artigos científicos, mundialmente reconhecidos. Ainda afirmou que não se conheciam efeitos colaterais, possíveis interações com outras substâncias e o potencial para dependência. Afirmou também não ter encontrado estudos randomizados, duplo-cegos e multicêntricos que comprovem a eficácia do uso de nenhum canabidiol em outras patologias. A Associação Brasileira de Psiquiatria apoiou essa resolução do CFM,afirmando que até o momento não há nenhum estudo de comprovação científica da eficácia e da segurança do emprego de canabidiol em doenças psiquiátricas. Não faz sentido dias depois o CFM iniciar uma consulta à população sobre o uso, decisão que deveria ser baseada nos preceitos elencados pelo próprio conselho anteriormente. É de causar muito estranheza essa mudança tão repentina e em tão pouco tempo.

Nem sempre houve esse rigor para liberação de medicamentos. Isso mudou depois que diversas crianças nasceram com má-formação pelo uso da talidomida pela mãe. A partir daí foram criados critérios para tentar ao máximo evitar que isso ocorresse.

Muitas pessoas culpam um suposto lobby da indústria farmacêutica para a não liberação do uso do canabidiol, o que para mim é uma grande bobagem. Essa liberação traria aos laboratórios a possibilidade de investimento, desenvolvimento, produção e venda do medicamento. Essas mesmas pessoas não percebem que o canabidioltambém está sendo produzidos por indústrias de menor porte e confiabilidade, se comparadas às grandes do setor. No momento não vemos multinacionais conhecidas no mundo todo, como por exemplo Pfizer, Abbott, Merck e Roche, venderem o medicamento. Não faz sentido algumas pessoas pensarem que esses players não querem aumentar seu lucro como qualquer outra entidade com fins lucrativos. Por acaso o cabidiol seria distribuídogratuitamente nas farmácias? Claro que não.

Também não entendo o porquê de não cobrarmos o rigor científico nessa decisão. Por que essas empresas não estão investindo nessas pesquisas? Por que preferem gastar dinheiro na divulgação e mídia não especializada? Seria perfeitamente possível realizar esses estudos e apresentar resultados conclusivos, nesse caso não haveria nenhum questionamento. 

Fica uma dúvida no ar sobre o motivo da maioria dos canabidióides entrarem na Anvisa para serem liberadas como suplemento alimentar e não como medicamento. Parece claro que o motivo é fugir das regras mais rígidas de liberação para uso. O mesmo ocorre no FDA.

Será que estamos falando de um assunto em que a população deva ser ouvida? Será que existem informações suficientes e bagagem de conhecimento técnico para um leigo opinar sobre um tema que tem tão grande polêmica no mundo científico? Não estamos falando sobre nada estético ou que dependa de opinião ou gosto pessoal, mas sim do uso de uma substância química, que pode afetar de maneira importante a saúde de um indivíduo.

Fico imaginando se no século passado se ouvisse a população sobre a ingesta de determinada dose de bebida alcoólica para tratar a ansiedade, por exemplo. Acredito que a maioria iria responder que é eficaz e é natural. Depois se descobriria que causa dependência, afeta fígado, mata neurônios, além de muitos outros efeitos colaterais.

Segue em anexo o esclarecimento do CFM aos médicos e aos brasileiros sobre a mudança de posição.

Conselho Federal de Medicina (CFM) Atualiza a Prescrição de Canabidiol como Terapêutica Médica

Autora: Elizabete Possidente

Segundo a Resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) publicada em 14 de outubro de 2022, os médicos só poderão prescrever o canabidiol para dois tipos de epilepsia, ficando proibido o uso do produto para outras doenças, bem como da planta in natura ou outros derivados dela para uso medicinal.

O CFM após revisões científicas sobre as aplicações terapêuticas e a segurança do canabidiol de publicações feitas de dezembro de 2022 a agosto de 2022 concluiu que até o momento só tem efeitos positivos na prescrição do canabidiol em síndromes convulsivas, como Lennox-Gastaut e Dravet.

A Associação Brasileira de Psiquiatria se posicionou corroborando com as informações contidas no documento do CFM de 14/10/2022 em 17 de outubro de 2022. A ABP reforçou que “não há nenhum registo em nenhuma agência reguladora internacional de nenhum canabinóide para tratamento de nenhuma doença psiquiátrica”.

Por fim, tanto o CFM como a ABP referem que “pesquisas sobre o canabidiol devem continuar, assim como  estudos sobre os efeitos colaterais e a probabilidade de dependência também devem ser realizados e intensificados”.