Dia mundial da saúde mental 2020 – ação pela saúde mental: vamos investir

Todo dia 10 de outubro é celebrado o Dia Mundial da Saúde Mental. É o dia que há divulgação e conscientização da importância da saúde mental em todo o mundo. A cada ano um tema é escolhido para que se tenha debates e estratégias voltadas a valorização e redução do preconceito.

O tema desse ano é: “ação pela saúde mental: vamos investir”.

Tema de muita relevância para todos nós que vivemos as consequências da pandemia pelo SARS Covid -2.

Além de diversos estressores que todos já enfrentamos no nosso cotidiano, cresceram dificuldades causadas pela pandemia.

Cada indivíduo desse planeta está enfrentando as consequências dessa pandemia, como: a sobrecarga de trabalho e a sensação de impotência dos profissionais de saúde diante de muitos doentes, desemprego, falência de empresas, isolamento social, afastamento das pessoas queridas, não acompanhar familiar em internação e até no velório, mortes de amigos, medo de adoecer, medo de morrer quando contaminado, obrigatoriedade na aquisição de novos hábitos ( uso de máscaras, home office, aulas online, limpar compras com álcool gel, etc.), aumento da ingestão de álcool e outras substâncias , a incerteza da vacina e do futuro.

A campanha tem como objetivo aumentar significativamente o apoio às necessidades de saúde mental nos próximos meses, é mais importante que nunca.

Por isso, a campanha do Dia Mundial da Saúde Mental de 2020 tem como objetivo aumentar os investimentos em favor de saúde mental pelos nossos governantes e por cada um de nós.

Você está investindo na sua saúde mental? Lembre-se: não há saúde física sem saúde mental.

Precisamos conhecer o Transtorno do Espectro Autista (TEA)

O Autismo ou Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento, ou seja, os sinais ou sintomas começam a se manifestar nos primeiros anos de vida da criança. Os déficits são persistentes e significativos na comunicação e interação social, bem como comportamentos repetitivos e interesses restritos são os critérios para o TEA de acordo com o DSM V (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders). Contudo, muitos só recebem o diagnóstico quando ocorre um grave prejuízo nas demandas sociais. O nível de gravidade do TEA é baseado nos prejuízos da comunicação social e pelos padrões repetitivos. Existem quadros leve, moderados ou graves.

Muitos podem ter o diagnóstico e não sabem. Alguns adultos buscam tratamento psiquiátrico ou psicológico para ansiedade ou depressão pela dificuldade de compreender ou interagir com o mundo. Se tivessem sido diagnosticados precocemente teriam sido estimulados no desenvolvimento de certas habilidades.

Vejo no meu consultório pais comentam ter percebido algo diferente no comportamento dos filhos e que já conversaram com o pediatra ou outros profissionais sobre o percebido. Vários afirmam que receberam a seguinte resposta: “cada criança tem o seu tempo de desenvolvimento”. É verdade que o desenvolvimento das crianças não é igual para todos, mas existe uma variedade dentro de um limite que é considerado um desenvolvimento normal. Fora dessa margem é necessária avaliação de um profissional.

Existem alguns sinais de risco:

– Comportamento repetitivo e restritivo

– Déficit de comunicação social

– Déficit na interação social

O pediatra deve estar habilitado a reconhecer sinais e sintomas que podem surgir desde muito jovem. A avaliação é realizada pelo psiquiatra ou neuropediatra com auxílio de equipe multiprofissional. Todos precisam ter experiência nos critérios de desenvolvimento global, cognição, motricidade, comportamento e sensorialidade. A equipe, após a avaliação da criança, cria um projeto terapêutico único para ela. O tratamento multiprofissional é baseado nas necessidades daquele momento de vida da criança e da família.

A intervenção precoce está diretamente relacionada ao melhor prognóstico, podendo atenuar sintomas e aumentar a possibilidade de atingir melhores resultados.

A visão de mundo das pessoas com TEA é um pouco diferente da nossa.  Conheça a história de William Chimura, que descreve bem o quadro de TEA e relata muitos dos seus desafios.

Depressão e ansiedade: doença inflamatória multisistêmica

Depressão, bipolaridade e ansiedade estão entre as doenças psiquiátricas mais comuns no momento.

Atualmente já se sabe que a fisiopatológico da depressão não restringe a uma doença do cérebro e sim uma doença inflamatória multisistêmica. O estresse numa pessoa com propensão genética serve de gatilho para diversas alterações morfológicas, neuroquímicas, inflamatórias e hormonais no quadro depressivo e/ou ansioso.

Sempre é muito gratificante poder divulgar a importância do tratamento adequado de depressão e ansiedade para os meus pacientes e pessoas em geral, ainda mais após o convite para ministrar uma aula para diversos colegas médicos, nesse último mês.

Quando estamos de um paciente depressivo ou ansioso, estamos diante de uma pessoa que tem uma vulnerabilidade genética e que diante dos estressores da vida desenvolvem a patologia. Esses pacientes irão apresentar uma hiperativação da região cerebral chamada amigdala, além de uma hipoativação do hipocampo. Há redução de diversos neurotransmissores, como, serotonina, dopamina, noradrenalina e GABA.

Diversas alterações de neurocircuitos ocorrem e provocam a redução da produção de BDNF (fator neurotrófico do cérebro) nos neurônios. Com menor BDNF teremos um neurônio mais doente por não ser capaz de se adaptar a novas situações de estresse. Tem dificuldade em formar maior números de conexões para dar conta do novo evento. Além também de menor capacidade antioxidante ocorre nos neurônios. A menor presença de BDNF no sistema nervoso central faz com que tenhamos menor neurogênese, ou seja, menor produção de  novos neurônios.

Também existe uma disfunção do eixo hipotálamo- hipófise- adrenal, que fez com que a Associação Americana de Cardiologista considerasse a depressão como fator de risco para desenvolver doenças cardiovasculares. Há liberação maior de CRF pela hipófise que ocasiona a maior produção de ACTH.

O ACTH na glândula supra renal estimula a liberação de cortisol. A elevação de cortisol provoca aumento das catecolaminas, aumento de insulina, aumento de glicose, aumento de colesterol, aumento de pressão arterial, aumento de agregação plaquetária, alteração de endotélio e liberação de proteínas inflamatórias, além de provocar uma ação cerebral que leva a atrofia e morte de neurônios. Por isso, a depressão é considerada uma doença inflamatória multisistêmica, não somente restrita ao cérebro.

É de extrema importância todos terem esse conhecimento e procurarem o tratamento adequado para evitar todas essas consequências no organismo. No meu cotidiano vejo a falta de conhecimento dos médicos que tendem a relacionar o aumento de pressão arterial ou a hiperinsulinemia, por exemplo, como causados pelo medicamento empregado na Psiquiatria, de uma forma generalizada e simplista. Isso leva muitas das vezes ao abandono da medicação e ao agravamento da doença.

O psiquiatra precisa deixar claro para o paciente a importância dessas informações e sempre que necessário solicitar que qualquer dúvida de algum outro médico que atenda o paciente deve ser trabalhada com o psiquiatra, deve haver um contato entre os profissionais. Só assim haverá um maior entendimento do quadro do paciente e uma melhor proposta terapêutica. Só o paciente sai ganhando com essa troca.

Palavra cruzada : passatempo ou exercício de memória?

Palavras cruzadas e Soduku são mais que um passatempo por fazerem bem ao seu cérebro. O hábito de fazer palavras cruzadas ativa as áreas da linguagem e da memória verbal.

A memória verbal é o vocabulário que aprendemos ao longo da vida. Sendo que tem algumas palavras que não utilizamos no cotidiano e a palavra cruzada pode auxiliar no acesso a essas palavras. Com isso, o passatempo faz com que esse vocabulário continue ativo.

A Universidade de Exeter, na Inglaterra, divulgou um estudo realizado com mais de 19 mil voluntários e recebeu o nome Protect. Resultou que o hábito de realizar passatempos que envolvem palavras cruzadas ou números (como o clássico Sudoku) ajudam a deixar o cérebro em bom funcionamento em pessoas de qualquer idade.

Os participantes foram convidados a responder sobre o número de vezes que tinham contato com palavras cruzadas e jogos envolvendo números. Depois eram desafiados a resolver questões que envolviam cognição.

O resultado foi que os que responderam de maneira positiva ao hábito de utilizar esses passatempos no seu cotidiano

se saíram melhor nas tarefas de memória, atenção e raciocínio.

Outro fato desses estudo é que aqueles que regularmente usavam passatempos do gênero tinham funções cognitivas parecidas com às pessoas com menos de 10 anos da sua idade cronológica em relação a tarefas que exigem memória curta.

MTHFR e Depressão

Tema de extrema relevância e feliz por estar ministrando essa aula para os meus colegas médicos. Essa informação contribui no conhecimento de mais uma ferramenta que podemos utilizar a favor do tratamento dos nossos pacientes.

Cerca de 70% dos deprimidos têm algum tipo de polimorfismo do gene MTHFR (metilenometiltetrahidrofolato redutase).

Isso acarretará má resposta ao antidepressivo e maior possibilidade de recidivas e recorrências.

Se o indivíduo tiver algum polimorfismo do gene MTHFR haverá menor produção das monomanias ( serotonina, noradrenalina e dopamina) e maior destruição de dopamina.

Com isso, aumenta a probabilidade de desenvolvimento ou agravamento de diversas doenças psiquiátricas, como, a depressão.

Na direção da vida – depressão sem tabu

O girassol sempre busca o sol,
seguindo a luminosidade toda manhã para crescer e florescer. Mesmo quando o sol está escondido entre as nuvens, a flor gira persistente, apesar da dificuldade, em direção à luz.
Esse comportamento da natureza, fez com que o girassol fosse escolhido como símbolo da campanha Na Direção da Vida – Depressão sem Tabu do Setembro Amarelo.
Tem como objetivo alertar sobre depressão e risco de suicídio.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) refere que a cada 40 segundos, uma pessoa morre por suicídio no mundo. Isso representa, em um ano, mais de 800 mil pessoas.
A OMS, também, mostra que nove entre dez casos poderiam ser prevenidos com o tratamento adequado.
A depressão é o diagnóstico mais frequente em todas as faixas etárias,porém nota-se aumento de suicídio entre os mais jovens, tornando-se a segunda maior causa de morte.

A informação é a melhor forma de prevenção. A pessoa que está sofrendo precisa ter noção de que seu sentimento é sintoma de uma doença e que deve procurar ajuda. Os familiares ou amigos podem identificar os sinais e sintomas e levar o paciente para um especialista.
Por isso, é imprescindível que todos apoiem essa campanha do Setembro Amarelo.
Você já ajuda muito divulgando na na sua rede de amigos matéria sobre o tema, quebrando o tabu e conscientizando a população.

Por que setembro também é verde?

Setembro Verde é uma campanha que leva a sociedade a refletir sobre os direitos das Pessoas com Deficiência no Brasil.

O Dia Nacional da luta da pessoa com deficiência Luta foi criado em 1982 para promover e debater a inclusão social.

A cor não é por acaso, mas por ser o verde a cor que representa esperança, por inclusão social das pessoas com deficiência.

O dia 21 de setembro foi escolhido para coincidir com o Dia da Árvore, representando, o nascimento das reivindicações de cidadania e a participação em igualdade de condições.

A pessoa com deficiência sofre por ainda ser tratada por muitos como alguém inferior.

Em 2015, O Brasil aprovou a Lei nº 13.146, que institui a Lei Brasileira de Inclusão – LBI (Estatuto da Pessoa com Deficiência).

A maioria dos deficientes no Brasil tem dificuldade no acesso a direitos básicos, como saúde, educação, habitação e trabalho.

A imagem representativa do Setembro Verde é um laço verde , com um coração verde escuro no centro. Nesse centro tem os símbolos em branco das deficiências: visual, física, intelectual e auditiva

Ainda que tenhamos avançado, ainda há necessidade de refletirmos em relação à inclusão social da pessoa com deficiência.

Ansiedade na Infância e adolescência quando se torna um problema?

Público aqui o vídeo da minha participação no Simpósio Psicopatologias da Infância e Adolescência.

Setembro amarelo: mês de prevenção ao suicídio

Setembro é o mês em que ocorre a campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio, sendo o dia 10 , o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Essa campanha, conhecida como “Setembro Amarelo”, foi criada no Brasil, em 2015, pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Essa é uma campanha de extrema importância, uma vez que o suicídio é um problema grave de saúde pública e que, muitas vezes, pode ser evitado.

Essa campanha já existia pela Organização Mundial de Saúde (OMS) desde 2003 com o dia 10 de setembro como o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, e o amarelo do mustang de Mike como a cor representativa . Veja como se deu início à campanha de divulgação a prevenção de suicídio chamada “fita amarela” (“Yellow Ribbon”) conhecendo a história de Mike no link https://possidente.org/2018/09/11/c

Setembro passou a ser dedicado ao tema suicídio, esclarecendo dúvidas sobre o tema e compartilhando informações importantes sobre seu combate.

Sabemos que 90% dos casos de suicídio são decorrentes de doenças psiquiátricas. Entre 50% e 60% desses casos nunca buscaram tratamento psiquiátrico.

A informação é a melhor forma de prevenção. A pessoa que está sofrendo precisa ter noção de que seu sentimento é sintoma de doença e procurar ajuda. Ou o familiar ou amigo precisa identificar os sinais e sintomas e levar o paciente para um especialista.

Por isso, é imprescindível que todos apoiem essa campanha do Setembro Amarelo. Você já ajuda muito divulgando na na sua rede de amigos matéria sobre o tema.

Integração Saúde Mental e Saúde Física no atendimento pediátrico.

Autores: Elizabete Possidente e Giuliana Possidente

Na revista online JAMA Pediatric de 20 de julho de 2020, encontra-se publicado o resultado de uma avaliação de mais de 100.000 consultas por ano durante 10 anos em atendimento de pediatria.

Foi utilizado o checklist de sintomas pediátricos (Pediatric Symptom Checklist) recomendado pela American Academy of Pediatrics.

O checklist não demora nem 5 minutos para ser preenchido e verifica a resposta da criança sobre o seu cotidiano: atividades, família, escola, amigos e humor. Uma situação de estresse é revelada por uma pontuação elevada.

Cerca de 12% das crianças tiveram pontuação acima do limiar. Antes da puberdade, os meninos apresentavam mais problemas que as meninas e, na puberdade, essa relação se invertia.

Houve um aumento significativo no número de encaminhamentos para o serviço de Saúde mental quando ocorre essa investigação na consulta de triagem da pediatria.

É de extrema importância avaliar a saúde mental da mesma forma que se avalia a saúde física.

Ter estudos que comprovam a importância da integração saúde física e mental vai levar a melhora da eficácia do tratamento dessa criança e combater o estigma da saúde mental.

Muitos médicos afirmam que avaliar os aspectos psicossociais são tão importantes como avaliar os sinais vitais de uma criança.

Ansiedade na Infância e Adolescente quando se torna um problema? Apresentação no Simpósio Psicopatologias da Infância e Adolescência – Dia 05/09/2020

Para quem quiser e tiver interesse, publico aqui os slides da minha participação no Simpósio Psicopatologias da Infância e Adolescência. Espero que todos tenham aproveitado ao máximo.

“Mentalize: sinal amarelo para atenção à saúde mental”

O Ministério da Saúde promove uma série de ações com o objetivo de informar à população sobre questões envolvendo doenças mentais. A primeira iniciativa consiste em programa com três partes. Os temas Saúde da Criança e do Adolescente, Saúde do Trabalhador e Saúde do Idoso serão discutidos on-line por especialistas.

É o Mentalize: Um sinal Amarelo para Atenção à Saúde Mental. “Nós temos, à semelhança do que acontece no mundo inteiro, inúmeros agravos à saúde mental que agora poderão ser prevenidos, orientados com a ajuda do Ministério da Saúde”, disse Mayra Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde.

A estratégia do Governo surge na preocupação do distanciamento social, pois, no mundo inteiro, haverá um aumento de pessoas com sintomas e agravamento da doença mental.

O Mentalize vai abordar temas, que podem ser associados à pandemia, por meio de palestras on line, ajudar a conhecer temas relacionados à saúde mental, reduzindo o estigma e prevenindo doenças. As palestras serão sempre às 19 horas, no canal do youtube do Ministério da Saúde.

No dia 25 de agosto, será realizada palestra voltada à saúde da criança e do adolescente. É uma oportunidade para esclarecer aos pais e professores temas relacionados à Covid, como hiperatividade e exposição prolongada à internet.

Nos dias 26 e 27, as palestras serão voltadas, respectivamente, à saúde mental dos trabalhadores e dos idosos.

Segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), que é parceira do Ministério da Saúde neste projeto, hoje 10% da população mundial tem algum transtorno psiquiátrico , e 20 a 25% da população têm, teve ou terá um quadro de depressão.

“A psiquiatria não é a UTI das doenças mentais. Ela é a porta de entrada. E se você entra logo no início, é fácil de tratar. É fácil de recuperar”, disse Antônio Geraldo da Silva, presidente da ABP.

Ansiedade na Infância e Adolescência quando se torna um problema ?

Tema que será apresentado no Simpósio Psicopatologias da Infância e Adolescencia no dia 5 de setembro.

Se quer saber mais sobre esse tema convido a participar do evento.

Inscrição no site : http://www.praxispsi.com.br

TOC-TOC

Autora: Elizabete Possidente

O documentário espanhol “TOC-TOC”, da Netflix, é uma narrativa envolvendo seis pessoas com Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC).  Inicialmente esses personagens estão sozinhos, lidando com as suas diversas “manias”, alguns de forma bem aparente, outros nem tanto. Todos eles estão se preparando em suas casas para ida a uma consulta médica, com seu psiquiatra.  

Um erro na agenda do médico coloca esses pacientes no mesmo horário de consulta, o que provoca um encontro na sala de espera do psiquiatra. Informados pela secretária que o médico está retornando de um congresso e está atrasado, todos resolvem aguardar o especialista. Todos eles se vêm obrigados a interagir e lidar com as suas próprias manias além das manias dos outros.

Os traços obsessivos compulsivos ficam mais aparentes à medida que o tempo passa e a ansiedade para chegada do médico aumenta. O documentário mostra o sofrimento dos pacientes com TOC, com um tom cômico, que ajuda a dar leveza a um tema tão sério. Também conduz à reflexão sobre a doença mental e contribui para reduzir o estigma que existe em torno dos temas abordados, que se relacionam com a saúde mental.  

Amor No Espectro

Autora: Elizabete Possidente e Giuliana Possidente

Amor no Espectro é uma série/documentário da Netflix, em 5 episódios, que aborda jovens autistas buscando um namoro, na Austrália.
Sabemos que pacientes do Transtorno do Espectro Autista (TEA) têm dificuldades de comunicação, interação social, além de comportamentos e interesses repetitivos. A maioria dos jovens entrevistados nunca tiveram um relacionamento, apesar do desejo. Relatam as dificuldades que têm para conseguir investir numa relação de proximidade com alguém e de encontrar seu par romântico dentro das características que idealizam.
Duas especialistas abordam com esses jovens, em atendimentos individuais e em grupos, ferramentas para desenvolver habilidades sociais necessárias para uma amizade ou namoro. Com isso, conseguem trabalhar a confiança e ajudar no enfrentamento do medo do primeiro encontro. Elas dão dicas a cada um deles de como se apresentar, conversar, demonstrar interesse e evitar aquele “silêncio constrangedor” do primeiro encontro.
Enxerguei muitos aspectos positivos nessa série, na direção de reduzir o estigma do TEA. Mostra que eles são pessoas diferentes entre si, com características próprias, o que é desconhecido pela maioria das pessoas. Têm empatia e querem ser respeitados como qualquer outra pessoa. Têm interesses próprios, em muitos casos restritivos, que podem ser trabalhados, para a melhora de autoestima pessoal e profissional. Vemos as dificuldades que apresentam para manter relacionamentos, que podem ser atenuadas com a ajuda profissional e apoio familiar. O sofrimento que muitos enfrentam na maioria dos casos se deve ao diagnóstico tardio e por não serem atendidos por profissionais treinados.
Quando recebem o diagnóstico precocemente o prognóstico é muito favorecido. Ganham a oportunidade de aprender técnicas que facilitam a comunicação verbal e não verbal. Podem entender que são diferentes, mas não são “errados” por se comportarem de modo pouco usual ou terem determinados interesses específicos. Podem conviver com família e amigos que entendem alguns comportamentos normalmente evitados por todos, ou algumas manias que podem incomodar pessoas desinformadas. Algumas situações do cotidiano se tornam estressoras, esses pacientes precisam de ajuda para reduzir a ansiedade e facilitar o enfrentamento.
Muitas mensagens favoráveis são passadas nesse programa, entretanto fiquei um pouco incomodada pela forma infantilizada que foram apresentados alguns personagens da história, como se fosse uma característica do TEA. Mostrar que os jovens com TEA buscam ser amados como qualquer outro jovem é o principal ponto do programa. Poder dar voz a eles vale muito, todos deveriam assistir.

Diretrizes de conduta para TDAH em crianças e adolescentes (AAP 2019)


A American Academy of Pediatrics (AAP) publicou diretrizes para diagnóstico, avaliação e tratamento do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH).Recomendam que qualquer jovem dos 4 aos 18 anos com queixas escolares ou comportamentais, sintomas de desatenção, hiperatividade ou impulsividade devem ser avaliadas quanto ao TDAH.Quando crianças em idade pré-escolar (4 a 6 anos) são diagnosticadas com TDAH o médico deve prescrever, como primeira linha de tratamento, treinamento em tratamento do comportamento (TPTC), baseado em evidências dos pais, além de intervenções comportamentais em sala de aula. Quando essas intervenções não forem suficientes o uso do metilfenidato deve ser recomendado. Quando crianças do ensino fundamental (6 a 12 anos) forem diagnosticadas com TDAH, o médico deve prescrever medicamentos aprovados pela FDA para o TDAH, juntamente com TPTC e intervenção comportamental em sala de aula.Para adolescentes (12 a 18 anos), o médico deve prescrever medicamentos aprovados pela FDA. Também deve prescrever intervenções de treinamento baseadas em evidências e intervenções comportamentais.

Semana da Valorização do Aleitamento Materno

Entre 1 e 8 de agosto teremos a semana de valorização do aleitamento materno.
A amamentação até os seis meses de vida reduz em 13% a mortalidade infantil até os cinco anos, evita diarreia e infecções respiratórias, diminui o risco de alergias, diabetes, colesterol alto e hipertensão, leva a uma melhor nutrição e reduz a chance de obesidade.
Veja abaixo artigo já publicado anteriormente sobre outros aspectos que devem ser também destacados sobre o aleitamento materno.

A importância da Rede para o aleitamento materno

Psicofobia é crime previsto em lei

Psicofobia é o termo que trata atitudes preconceituosas e/ou discriminatórias contra os deficientes e portadores de doenças mentais. Esse termo Psicofobia é crime previsto em lei e está tramitando no Senado Federal no projeto de lei 74/2014 de autoria do senador Paulo Davim que torna a Psicofobia um crime, assim como a Homofobia e o Racismo.

Infelizmente, em pleno 2020, ainda me deparo com pacientes que tiveram recorrência clínica diante dahumilhação de seu transtorno ou discriminação por seu tratamento psiquiátrico. Fico mais entristecida quando o preconceito é proveniente de profissionais da área dasaúde que tem obrigação de conhecer a doença e ser defensor da psicofobia se tornar lei. Todos deveríamos saber que saúde não engloba somente a doença física e sim diversas nuances do psicológico e emocional que por si só já são aspectos da saúde global, mas também são capazes de agravar ou até mesmo desencadear alterações físicas.

A seguir, destacarei alguns exemplos que ocorreram recentemente no meu consultório.

Uma paciente em tratamento de ansiedade generalizada com ataques de pânico e episódios de falta de ar recorrentes. Solicitava auxílio de seu médico clínico que respondia ser tudo fantasia de sua cabeça e ignorava suas queixas. Os dias foram piorando e quando resolveu entrar em contato comigo, percebi que mal conseguia falar ao telefone devido a tamanho desconforto respiratório. Encaminhei-a prontamente para a emergência onde fora diagnosticada franca crise de asma. Seu sofrimento poderia ter sido poupado com um olhar mais atento de seu clínico.

Outra de minhas pacientes vinha sofrendo de depressão pós parto por tempo prolongado, mas seu psicólogo e homeopata afirmavam ser um momento comum e indicaram evitar a procura por um psiquiatra, pois apenas a entupiria de calmantes e prejudicaria o cuidado de seubebê. Não consideraram a severidade de sua situação. 

Um paciente teria recebido indicação para um procedimento cirúrgico inesperado. Além de ter sido pego de surpresa com a notícia, foram utilizados termos e expressões médicas que não compreendia, deixando-o ainda mais atordoado. O profissional que estava acompanhando relacionou a dificuldade de entendimento do paciente a sua doença psiquiátrica, não levando em consideração impacto de uma notícia ruim e a forma como foi contada a ele. 

Outro paciente que se encontra estável há anos com a medicação e que com a pandemia ficou mais sedentária e passou a comer mais bobagens apresentou aumento de insulina em seus exames de rotina. Foi ao clínico que sem conhecer sua prescrição e história clínica associou imediatamente o desequilíbrio ao remédio psiquiátrico.

Também quase diariamente escuto de pacientes que outros especialistas questionam o uso da medicação prescrita pelo psiquiatra. Esses profissionais dizem que o paciente “está bem” e que não há necessidade de uma medicação contínua, ignorando a possibilidade de sua estabilidade clínica ser graças ao uso do fármaco correto na forma correta. 

A falta de conhecimento sobre doenças psiquiátricas e seus tratamentos junto ao desinteresse em contatar o psiquiatra e a procurar entender a saúde integral de seus pacientes,dificultam muito a nossa prática clínica. Aliado a isso, existe um estigma e preconceito enraizado à visão que muitos têm da Psiquiatria, que deve ser fortemente combatido.

Da mesma forma que não podemos subestimar o sofrimento do paciente com câncer ou da estabilidade de um paciente em uso contínuo de medicamentos, como anti-hipertensivos ou hipoglicemiantes orais, também não podemos descriminar os pacientes que sofrem de alguma doença mental ou que fazem uso regular de anticonvulsivantes, estabilizadores de humor, antidepressivos, entre outros.

Importante nos informar e divulgar a campanha Psicofobia é crime.

FDA autoriza jogo eletrônico para tratamento complementar no TDAH

Desde 15 de junho de 2020 o FDA (Food and Drug Administration) autorizou médicos a utilizarem um jogo eletrônico específico, o EndeavorRX, no tratamento de crianças entre 8 e 12 anos, com TDAH. É a primeira vez que algum “videogame” é comercializado com o objetivo de tratamento médico.

Essa autorização está causando polêmica na classe médica. Apesar do FDA ser conhecido como criterioso na autorização e comercialização de alimentos e medicamentos nos Estados Unidos, muitos estão questionando essa aprovação. A maioria dos médicos que tiveram contato com o jogo referem que não é diferente de um game como outros existentes, onde personagens enfrentam obstáculos e inimigos para conquistar participação em novas fases.

O alerta foi intensificado na classe médica com a divulgação pelo portal americano “The Verge” que publicou que a aprovação teria se baseado num estudo onde apenas  médicos contratados pela empresa responsável participaram.

A empresa em questão, a “Akili Interactive”, se defende alegando que realizou sete anos de estudos para comprovar a eficácia em crianças do grupo de abordagem, sem uso de medicamentos associados, em vinte instituições dos EUA. Mostraram que 1/3 dos pacientes, com 25 minutos de jogo em 5 dias na semana, por um período de 30 dias, tiveram melhora na atenção objetiva por posteriores 30 dias, sem influência em outros sintomas.  

Levando em conta as informações divulgadas desse  tratamento complementar para pacientes com TDAH é prudente aguardar a evolução dos resultados por algum tempo mais antes de aplicarmos essa indicação terapêutica.

Sancionado projeto que prorroga validade de receitas médicas durante pandemia

Foi sancionado projeto de lei (LEI Nº 14.028, DE 27 DE JULHO DE 2020) que prorroga a validade de receitas médicas ou odontológicas de medicamentos sujeitos à prescrição e de uso contínuo. A exceção foi aberta apenas pelo período que durarem as medidas de isolamento, adotadas em meio à pandemia do coronavírus. O texto foi publicado na ultima terça-feira no Diário Oficial da União (DOU).
A iniciativa não estende a regra para medicamentos de uso controlado, como remédios “tarja preta” ou antibióticos, por exemplo, mantendo as regras previstas pela ANVISA.