O balconista da farmácia não pode fazer a indicação de nenhum medicamento. Ele só deve entregar ao cliente.
As orientações quanto ao uso, doses e possíveis efeitos colaterais são realizados pelo farmacêutico, não pelo atendente.
De acordo com a Lei federal nº 9787 apenas o farmacêutico tem permissão para a troca de um medicamento de referência por um genérico ou vice-versa. O medicamento similar só pode ser vendido com a indicação do médico na receita.
A substituição ilegal de medicamentos similares deve ser denunciada à Vigilância Sanitária Municipal. A má conduta do farmacêutico pode ser notificada ao Conselho Regional de Farmácia. A comprovação da troca de medicamento é feita pela comparação entre a receita entregue pelo médico e a nota fiscal da compra na farmácia.
Autora: Elizabete Possidente e Giuliana Possidente
Você iria a um médico sabendo que ele recebe comissão do que prescreve? Por que aceita a recomendação do balconista?
Reportagem no g1 do Rio Grande do Sul e outros jornais comentam e mostram uma notícia exibida no Fantástico de 2021, despontando que alguns laboratórios farmacêuticos pagam comissões de até 30% e até premiam com viagens internacionais aos balconistas de farmácias que indicam certos medicamentos e vitaminas aos clientes.
O ponto de partida da reportagem investigativa foi uma pesquisa em 48 ações trabalhistas de 8 tribunais de trabalho em Porto Alegre, nos quais os vendedores descreviam os esquemas. Ao deixarem o emprego, eles ingressaram com ações para ajuntar as comissões, pagas por fora do contracheque.
Eu mesma já escrevi a minha indignação quando pacientes pioram de seu quadro clínico após troca de medicamento de receita controlada por indicação de balconistas. Eu não autorizei e nem recomendei a troca, mas as farmácias o fazem mesmo assim. O pior se o paciente não melhora é sempre a culpa do médico e, nunca da qualidade do remédio.
Fiocruz lançou no dia 11 de abril de 2022, uma campanha para alertar sobre os riscos do uso e da possível liberação dos dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs) no Brasil.
Na campanha tem diversos materiais informativos com foco nas redes sociais, ainda contém um abaixo assinado para que as pessoas se manifestem contra a autorização dos cigarros eletrônicos pela ANVISA.
Os cigarros eletrônicos, vaper, pod, e-cigarette, entre outras nomenclaturas, têm a venda,a importação e a propaganda proibidas por resolução da Anvisa. Apesar disso, a BAT Brasil (antiga Souza Cruz), a maior empresa de tabaco do país estima que 2 milhões de brasileiros fazem uso dos cigarros eletrônicos.
Segundo o Centro de Estudos sobre Tabaco e Saúde da ENSP/Fiocruz, nos últimos anos, a indústria do tabaco tem pressionado a Anvisa para a liberação dos cigarros eletrônicos. A ANVISA iniciou, em 2019, um processo regulatório para informações técnicas sobre o tema. No início deste mês iniciou a etapa que há recebimento da participação social de evidências técnicas e científicas relacionadas ao uso desses dispositivos. A decisão final cabe à Diretoria Colegiada.
Estudo publicado pelo INCA em maio de 2021demonstrou que o uso de cigarro eletrônico aumenta em mais de 3 vezes o risco de experimentação de cigarro convencional entre não fumantes, e mais de 4 vezes o risco de uso regular do cigarro.
Se hoje com o produto proibido os jovens já estão apresentando um aumento considerável do uso de cigarros eletrônicos. Se for aprovado venderá em todos os locais e com apelos das propagandas haverá um aumento exponencial do uso e a elevação de muitas doenças.
Apesar de ser modinha entre os jovens e também muitos médicos ainda desconhecerem o seu potencial danoso, a ANVISA proibiu a comercialização dos cigarros eletrônicos ou vapes desde agosto de 2009.
Está proibida a venda, importação e propaganda de todos os dispositivos eletrônicos para fumar (DEF) no Brasil.
A proibição leva em conta à ausência de dados científicos que comprovem que os equipamentos têm controle de segurança, risco de desenvolver diversas doenças e o combate ao tabagismo as gerações mais jovens.
Existem outros 30 países que também apresentam o mesmo tipo de proibição. Enquanto mais de 100 países já apresentam regras bem definidas de regulamentação do uso, como até imposição de limites de idade.
Restringir o acesso aos equipamentos pelos pais, responsáveis e pelos profissionais de saúde é fundamental para investirmos na saúde da população como um todo.
Cigarros eletrônicos são também conhecidos como vape, jull e pod. Têm em formato de uma caneta ou de um pen drive. Seu uso se popularizou especialmente entre os jovens.
Os fabricantes propagam que seria uma alternativa aos cigarros convencionais e que poderiam servir para redução do tabagismo. Não existe estudo que comprove isso e nem se há segurança do seu uso.
Os cigarros eletrônicos operam a partir da calefação do líquido, que lança o vapor inalado pelos usuários. A composição do aerossol é determinada pela temperatura e pelas substâncias encontradas no líquido. É comum que o líquido tenha nicotina e outras substâncias como glicerina, aromatizantes, acroleína, propilenoglicol e outras não-nicotínicos. É importante saber que essas substâncias estão presentes mesmo nos cigarros eletrônicos que não contêm nicotina.
O vapor emitido pelos dispositivos pode causar ou elevar as chances a infecções pulmonares conforme o INCA. Pesquisas indicam que os vapes fazem mal à saúde, mesmo no caso das opções sem nicotina.
Os cigarros eletrônicos podem provocar dermatite, doenças cardiovasculares e câncer.
Os dispositivos eletrônicos admitem a pessoa a dar mais tragadas em um curto período do que com o cigarro convencional. A nicotina chega no cérebro entre 7 e 19 segundos após a tragada, ocasionando o prazer e levando a dependência e os efeitos nocivos cerebrais mais rapidamente.
Outro risco está relacionado às toxinas presentes no líquido, que estão ligadas a maior risco de câncer de pulmão, estômago e esôfago, formação de placas ateroscleróticas, que eleva a complicações como acidente vascular cerebral (especialmente em mulheres em uso de anticoncepcional oral).
Há também indícios de que o vapor emitido pelos cigarros eletrônicos leve metais pesados ao organismo, mas ainda não se sabe exatamente as possíveis consequências desse fator.
Os cigarros eletrônicos não são inofensivos. Além disso está provocando um aumento da experimentação de cigarros eletrônicos entre não fumantes, especialmente os adolescentes, o que leva dependência de nicotina e a maior probabilidade de se tornar um fumante convencional também.
Como médica recomendo os pais e responsáveis a se informarem e conversarem sobre esses dados alarmantes de risco a saúde pelo consumo de vapes. Também reforço que até o momento no Brasil toda comercialização, importação e propaganda de todos os cigarros eletrônicos são proibidos.
O Dia Mundial de Combate ao Câncer é comemorada todo 8 de abril.
O objetivo é conscientizar a todos sobre os cuidados de prevenção da 2ª doença que mais mata pessoas em todo o mundo: o câncer.
As causas para o inicio do câncer são várias . Existem fatores externos, como substâncias químicas, radiação e vírus. Existem os fatores internos como hormônios, condições imunológicas e genética.
No Brasil, também é a segunda doença que mais leva a óbito, em especial o câncer de pele.
O Dia Mundial do Combate ao Câncer informa sobre a importância das pessoas devconsultar médicos e estar atento à saúde, para evitar o crescimento ou surgimento dessa doença.
Os brasileiros celebram ainda o Dia Nacional de Combate ao Câncer em 27 de novembro.
Conforme o Instituto Nacional do Câncer – INCA, os tipos mais comuns no Brasil são:
câncer de pele
câncer de próstata
câncer de mama
câncer de cólon e reto
câncer de pulmão
câncer de estômago
Se essa patologia for detectada precocemente costuma haver diversas formas de tratamento eficaz. O câncer não é uma doença única e sim uma complexidade com mais de 200 tipos já identificados.
Autores: Elizabete Possidente e Giuliana Possidente
A ONU (Organização das Nações Unidas) em 2017 definiu todo 2 de abril como sendo o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, quando cartões-postais de todo o planeta se iluminam de azul — no Brasil, o mais famoso é o Cristo Redentor — para lembrar a data e chamar a atenção da sociedade para o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).
O tema de 2022 é “Lugar de autista é em todo lugar”, com a hashtag #AutistaEmTodoLugar nas redes sociais. Desde 2020, a comunidade envolvida com a causa do autismo no Brasil todo segue, unida, em uma campanha nacional com tema único. Em 2020/2021 o tema foi: “Respeito para todo o espectro” — hashtag #RESPECTRO.
Quando uma pessoa não apresenta um boa noite de sono, seja por insônia ou por vontade própria, há um impacto no seu sistema imunológico. A privação do sono eleva os marcadores de atividade inflamatória. Esse estado pró inflamatório incrementa o desenvolvimento ou a gravidade de estresse, depressão, doenças oncológicas e cardiovasculares.
Pesquisas nacionais e internacionais sugerem um índice alto de problemas para dormir na pandemia. No Brasil, a Fiocruz divulgou recentemente uma pesquisa feita com 44 mil voluntários e mostrou que 35% passaram a ir para cama pelo menos duas horas depois do horário habitual.
Por que passamos a dormir mal durante a pandemia?
Há uma série de fatores. O mais comum foi a mudança abrupta de rotina. A maioria das pessoas deixaram de ter horários regulares para acordar, sair de casa, das refeições e de dormir.
Ficamos com menor exposição a luz solar que também participa na regularização do ciclo circadiano. Quando a luz incide no nosso olho, essa informação de presença de luz chega ao núcleo supraquiasmático, onde situa o nosso relógio biológico. A percepção de claro e escuro regulariza o nosso relógio interno que é o chamado de ritmo circadiano. A luz artificial constante confunde o relógio circadiano.
A mudança de comportamento imposto pelo isolamento em casa também contribuiu para a piora do sono. Sem sair de casa para trabalhar ou estudar, muitos não trocavam de roupa e ligavam o laptop da cama embaraçando o nosso relógio biológico.
O uso mais acentuado à luz dos dispositivos eletrônicos, principalmente durante a noite, também confundira a percepção de claro/escuro natural, um modulador do nosso relógio.
A redução de atividade física e as mudanças de hábitos alimentares levaram a um ganho ponderal. A OMS publicou que a maioria das pessoas, engordaram cerca de 3 kg no ano de 2020, com exceção da África e dos países do sudeste asiático. O aumento do peso leva a uma maior fragmentação do sono e coopera para a alteração imunológica.
O próprio estresse pelas incertezas da economia, medo de contrair a doença, preocupação com entes queridos, medo da morte, luto por amigos e familiares e o excesso de informações negativas também colaboraram para a piora do sono.
O aumento da ingesta de álcool e /outras drogas também influenciaram muito na perda da qualidade do sono.
O uso de corticoides, uma das medicações utilizadas para tratar a covid e a internação em UTI contribuem para a piora do sono.
Indivíduos com insônia têm aumento das citocinas inflamatórias, principalmente de interleucinas 6 e de fator de necrose tumoral. O aumento desses marcadores inflamatórios acresce o estresse, a ansiedade, a depressão e todas as outras doenças psiquiátricas.
Devemos sempre cuidar do nosso sono. Todos os profissionais de saúde devem investigar a qualidade do sono dos nossos pacientes, tratar ou encaminhar sempre que necessário.
Muitas pessoas utilizam variados tipos de bebidas alcoólicas como forma de socialização e de relaxamento. Nesses dois últimos anos de pandemia houve um aumento considerável da ingesta de bebida alcoólica.
O Instituto Brasileiro do Fígado em 2021 mostrou que 55% dos brasileiros com mais de 18 anos consomem bebidas alcóolicas e 32% afirmam consumi-las semanalmente.
Recomendo a leitura do artigo da psiquiatra Analice Gigliotti “Só bebo socialmente” . Ela descreve os cuidados que devemos ter com os mitos de consumo e do comportamento associado ao uso de bebida alcóolica.
Quem é você com 13 anos? Red: Crescer é uma Fera, nova animação Pixar tenta responder essa pergunta. Conta a história de Meilin Lee que é a adolescente que vive dividida entre dois mundos.
Um mundo em que ela é divertida, tem as suas amigas cúmplices, tem interesse nos meninos e é apaixonada por uma banda pop.
No outro mundo ela é a filha certinha, ainda muito menina e tenta ser perfeita para não decepcionar a sua mãe.
Essa mãe é a mãe helicóptero que fica observando, sobrevoando e cuidando de tudo relacionado a filha. É uma mãe que está tão envolvida na vida da filha, sendo superprotetora e supercontroladora, buscando que tudo seja sempre perfeito.
Um dia essa adolescente acorda e percebe que virou um urso panda – vermelho. Sem saber direito o que estava acontecendo, ela descobre que esse panda é ativado quando fica muito irritada ou muito empolgada.
O urso panda faz uma metáfora com as mudanças hormonais da puberdade, o momento confuso de transformações no corpo e de novas sensações.
A personagem do filme tenta se achar nessa nova fase da vida, de forma a querer encontrar a sua personalidade e ser aceita pela mãe.
A mensagem do filme é útil para os pais, crianças e adolescentes. Mostram que os pais precisam aceitar o crescimento dos filhos e precisam entender que não mais serão o centro da vida deles. Os filhos precisam de liberdade para terem novas experiências, mas sabendo que os pais irão intervir sempre que necessário.
Autora: Elizabete Possidente e Giuliana Possidente
A Organização Européia de Doenças Raras (Eurodis) criou a data em 2008 para alertar a todos sobre a existência dessas doenças, divulgando informações sobre essas doenças ratas e incentivando à pesquisa. No Brasil, a data foi instituída pela Lei nº 13.693/2018. Doença rara é a que afeta até 65 pessoas em cada 100.000 indivíduos. Não é conhecido o número certo das doenças mas estima-se que existam de 6.000 a 8.000 tipos diferentes dessas doenças no mundo. As doenças raras têm uma grande variedade de sinais e sintomas por doença, e de pessoa para pessoa com a mesma condição. Com isso, a clínica pode ser confundidas com patologias comuns, atrasando o diagnóstico e o tratamento adequados. Geralmente, essas doenças são crônicas, progressivas e incapacitantes, afetando a qualidade de vida dos pacientes e familiares. Também algumas das doenças raras não tem cura e o tratamento até o momento. Nesses casos o tratamento é meramente clínico, fisioterápico, fonoaudiológico e psicoterápico, entre outros, com o objetivo de atenuar os sintomas ou retardar a evolução. Algumas das doenças raras são citadas abaixo: – Acromegalia; – Anemia aplástica, mielodisplasia e neutropenias constitucionais; – Angioedema; – Aplasia pura adquirida crônica da série vermelha; – Artrite reativa; – Biotinidase; – Deficiência de hormônio do crescimento – hipopituitarismo; – Dermatomiosite e polimiosite; – Diabetes insípido; – Distonias e espasmo hemifacial; – Doença de Crohn; – Doença falciforme; – Doença de Gaucher; – Doença de Huntington; – Doença de Machado-Joseph; – Doença de Paget – osteíte deformante; – Doença de Wilson; – Epidermólise bolhosa; – Esclerose lateral amiotrófica; – Esclerose múltipla; – Espondilite ancilosante; – Febre mediterrânea familiar; – Fenilcetonúria; – Fibrose cística; – Filariose linfática; – Hemoglobinúria paroxística noturna; – Hepatite autoimune; – Hiperplasia adrenal congênita; – Hipertensão arterial pulmonar; – Hipoparatireoidismo; – Hipotireoidismo congênito; – Ictioses hereditárias; – Imunodeficiência primária com predominância de defeitos de anticorpos; – Insuficiência adrenal congênita; – Insuficiência pancreática exócrina; – Leucemia mielóide crônica; – Lúpus eritematoso sistêmico; – Miastenia gravis; – Mieloma múltiplo; – Mucopolissacaridose tipo I; – Mucopolissacaridose tipo II; – Osteogênese imperfeita; – Púrpura trombocitopênica idiopática; – Sarcoma das partes moles; – Síndrome hemolítico-urêmica atípica (Shua); – Síndrome de Cushing; – Síndrome de Guillain-Barré; – Síndrome de Turner; – Síndrome nefrótica primária em crianças e adolescentes; – Talassemias; – Tumores neuroendócrinos (TNEs).
Autores: Elizabete Possidente e Giuliana Possidente
Crianças com TDAH ficam enfadadas facilmente e precisam de algumas medidas um pouco menos rígida.
Algumas dicas podem auxiliar no aprendizado das crianças com TDAH:
• A criança deve sentar-se próximo aos professores na primeira fileira, sempre que possível.
• Manter a criança de frente para o quadro e com os colegas fora de vista durante as aulas.
•Cerque a criança com alunos interessados no estudo para servir de modelo.
• Incentive que todos tirem dúvidas. Assim poderá ter noção do entendimento da matéria da criança com TDAH.
• Evite elementos distratores, como sentar perto de janelas e portas. Não permitir o celular durante as aulas para todos.
.Ter um relógio a vista na sala para que o aluno visualize quanto tempo resta para terminar um dever, uma avaliação ou a aula.
•A maioria das crianças com TDAH não se adaptam bem com mudanças. Evite alterações no cronograma do dia.
•Tenha uma tabela de horários de fácil visualização para que a criança possa acompanhar as atividades do dia.
•Durante as instruções orais mantenha contato visual com os alunos.
•As instruções devem ser ditas de forma clara, curta e direta. Evite comandos múltiplos.
• Verifique se a criança compreendeu a atividade antes de iniciar a tarefa.
• Repita quando preciso,de forma tranquila. Voz muito alta ou irritada chamará a atenção da criança com TDAH para o tom da voz e não para o conteúdo do que está sendo falado.
•Cobre uma tarefa de cada vez.
. A aula precisa ser dinâmica.
. Faça perguntas durante a aula. Por exemplo, faça algumas questões no início da aula, como um desafio para encontrarem a resposta no assunto da aula. Pode ainda motivar com algum benefício como incentivo a atenção de conteúdo mais densos.
. Regras e limites precisam estar estabelecidos desde o primeiro dia de aula. Crianças com TDAH têm dificuldade de ter noção de limites.
• Se necessário algumas tarefas precisam ser adaptadas para criança com TDAH e não chamar a atenção dos demais para essa situação.
. Se necessário tempo adicional para realizações das avaliações em sala,seja trabalhos, testes ou provas.
. Não se esqueça que crianças com TDAH são frustradas facilmente e podem levar a um descontrole emocional que irá conturbar todo o grupo. Devem estar atentos a evitar um crescente nessa situação.
Os educadores devem conhecer a patologia TDAH. Não basta só receber o relatório do médico. Precisa saber que a patologia não se trata apenas de desatenção e hiperatividade, mas também de problemas de função executiva, memória de trabalho, memória operacional não verbal, atenção sustentada, atenção plena, desregulação emocional etc
Também deve estar atento se a criança mantém o tratamento terapêutico e/ou medicamentoso de forma regular para estabilidade clínica. Infelizmente muitos pais levam a criança para uma única consulta para buscar o laudo para documentar na escola apenas.
O Transtorno compulsivo alimentar (TCA) é caracterizado por episódios de compulsão alimentar (comer em grande quantidade) e a sensação de perda de controle sobre o ato de comer, de forma recorrente, por no mínimo 3 meses.
Ainda é preciso apresentar pelo menos 3 das seguintes características:
Comer muito mais rápido do que o normal
Comer até se sentir desconfortável
Comer sozinho por ter vergonha da quantidade do que está comendo
Comer grandes quantidades de comida mesmo sem fome
Sentir-se enojado consigo mesmo, angustiado, culpado ou deprimido pela quantidade de comida ingerida
É importante não apresentar mecanismos compensatórios, como vômitos, jejum prolongado, uso de diuréticos ou laxantes e excesso de atividade física na tentativa de aliviar a angústia ou culpa.
Estudos apontam que o TCA ocorre mais no sexo feminino. É bastante comum estar associado a algumas comorbidades como TDAH, Transtorno de personalidade borderline, Transtorno de personalidade evitativo, Transtorno de personalidade histriônico, Transtorno de ansiedade generalizada, Transtorno bipolar e Transtorno de impulso (como a tricotilomania).
Cerca de 7% das mulheres com TCA desenvolveram no primeiro ano do ensino superior. Isso acaba provocando queda de desempenho acadêmico e automutilação.
Resumidamente, temos que avaliar os seguintes aspectos:
Ocorrência dos episódios de compulsão alimentar, sendo objetivos quantidade de comida ingerida e perda de controle
A recorrência: maior ou igual a uma vez por semana nos últimos 3 meses
Presença de angústia, tristeza ou culpa
Ausência de comportamentos compensatórios inadequados
O foco no tratamento do Transtorno Compulsivo Alimentar é reduzir bastante ou eliminar os sintomas de compulsão alimentar, reduzir clinicamente o peso corporal e tratar a psicopatologia do TCA e suas comorbidades. Se as comorbidades não forem tratadas dificilmente haverá sucesso no tratamento do TCA à médio e longo prazo.
Ellen Forney foi diagnosticada com Transtorno Bipolar tipo I por volta dos seus 30 anos. Nessa consulta com a sua psiquiatra, ela encontrava-se maníaca. Teve muito medo de que as medicações, reduzissem a sua criatividade. Ela é uma quadrinista e a criatividade é o fundamento da sua profissão.
Devido ao medo das medicações e por negar a doença, alegando que era o seu modo “artista louco”, ela travou uma luta que durou alguns anos até atingir a estabilidade clínica.
Ela encontrou inspiração na sua própria história e na obra de outros artistas e escritores que também eram bipolares para relatar a sua vida na história em quadrinho Parafusos – Mania, Depressão, Michelangelo e Eu.
A procura em compreender sua doença, a tornou uma pesquisadora do tema dentro do campo das artes. Identificou personalidades, cartas e diários de diversos artistas que tinham Transtorno bipolar, como Van Gogh, Sylvia Plath, Edgar Alan Poe, entre outros. Cada um deles lidando da melhor maneira possível com a patologia e transformando-a em produção artística.
Ela conta sua trajetória e a reconstrução de sua vida ao aceitar o tratamento da bipolaridade.
Ao receber o diagnóstico teve a percepção de um fardo e, que perderia a sua criatividade. Não saberia como se sustentar se perdesse a sua capacidade criadora.
A autora narra em quadrinhos as consultas, altos e baixos de humor, conflitos emocionais, história familiar, medos, efeitos dos medicamentos e as “loucuras”. Ao descrever o seu quadro clínico e tratamento, ela contribui muito com informações sobre a questão.
Ela mantém o tratamento psiquiátrico medicamentoso e psicoterápico para estabilidade clínica. Continua trabalhando como quadrinista e ministra palestras com depoimentos sobre a sua vida com Transtorno Bipolar, sem perder a criatividade.
Autores: Giuliana Possidente e Elizabete Possidente
O tema central no 66th Annual Scientific Sessions of The American College of Cardiology (ACC) em março de 2017 foi depressão duplica risco de morte a longo prazo após diagnóstico de doença cardíaca. Desde então, vem se divulgando a importância da avaliação psíquica dos pacientes que realizam tratamento por doença cardíaca.
O médico avaliar sintomas de depressão em seus pacientes com cardiopatia é fundamental e, presente deve encaminhar para o especialista.
Os pacientes com a associação à doença cardíaca e à depressão apresentavam o dobro de chance de ir a óbito.
Os estudos comprovam que o risco de mortes é mais acentuado tanto no grupo que desenvolve depressão logo após a coronariopatia quanto no que apresentou anos depois. Ou seja, torna-se necessário o acompanhamento de todo paciente para evitar ou tratar precocemente uma síndrome depressiva e aumentar, assim, não só sua expectativa de vida como também sua qualidade.
Os pesquisadores observam que é um caminho de mão dupla entre esses dois diagnósticos. Os deprimidos têm maior chance de doenças cardíacas e os que sofrem de doenças cardíacas têm mais chance de desenvolver a depressão.
Já se sabia da chance aumentada de depressão a curto prazo do diagnóstico de doença coronariana, mas agora se sabe que também existe o efeito depressivo a longo prazo, prejudicando o paciente.
Pesquisadores americanos demonstraram a importância de incluir a avaliação de depressão no “follow up” dos pacientes. Dentro de uma análise de 25000 pacientes que foram acompanhados durante 10 anos após o diagnóstico da coronariopatia no Intermountain Healthcare, apenas 15% foram também avaliados sobre depressão. Esse dado confirma a importância do acompanhamento na recuperação do doente.
Passa, então, a ser defendida a ideia de que devem ser incluídos questionários específicos de depressão na avaliação de seus pacientes junto ao acompanhamento padrão de doenças coronarianas.
Pacientes deprimidos sem tratamento adequado sentem mais dores, usam mais analgésicos e anti-inflamatórios, reduzem atividade física, descuidam da alimentação, aumentam o tabagismo e a ingestão alcoólica, fatores que agravam a doença coronariana.
Autores: Elizabete Possidente e Giuliana Possidente
A prevalência mundial de TDAH em pré-escolares fica em torno de 10.5%, é maior que a média de TDAH em crianças e adolescentes que está em torno de 5,9 a 7,1%. Nos EUA, estima-se TDAH em crianças pré-escolares varie de 2%-7,9%, com prevalência média de 4,2%. Recentemente o National Survey of Children’s Health relatou que a prevalência de TDAH nos EUA em pré-escolares vem aumentando nos últimos anos. Publicou que era de 1% em 2007-2008, 1,5% em 2011-2012 e 2,1% em 2016. Quando a análise é feita em cima de relatos dos pais a prevalência de TDAH por lá em crianças de 4 a 17 anos aumentou 42% de 2003-2011, e o uso de medicamento nessa faixa etária aumentou 28% de 2007 a 2011. Cerca de 70 % dos pré-escolares com TDAH apresentam uma comorbidade associada, como Transtorno desafiador de oposição (TOD), Transtorno do espectro autista (TEA), Transtornos da comunicação e Transtornos de ansiedade. O início precoce de sintomas de TDAH aumentou a chance de desenvolver comorbidade, comportamento disruptivo, sintomas de desatenção com prejuízo na vida escolar e nas atividades do cotidiano, dificuldades cognitivas e de habilidades de leitura. Acidentes com crianças pré-escolares com TDAH são maiores. A taxa de ferimento é de 19,3% quando comparados a crianças sem o TDAH. Quando as crianças são tratadas com medicamentos a taxa de ferimento cai para 43% A Academia Americana de Pediatria e a Academia Americana de Psiquiatria recomendam terapia comportamental como 1ª opção de tratamento para o TDAH em pré-escolar e treinamento a pais e professores. Se os prejuízos continuarem muito intensos ou se agravarem apesar da terapia comportamental e treinamento parental está indicado o uso de medicamentos. O especialista fará a escolha do fármaco levando em consideração o quadro clínico, possíveis efeitos adversos e fatores farmacocinéticos. Muitos pacientes dessa faixa etária não engolem comprimido, cortá-los ou amassá-los interfere na sua biodisponibilidade e na resposta terapêutica.
Em 29 de janeiro de 2004, pela primeira vez no Brasil um grupo de ativistas transgêneros foi ao congresso Nacional reivindicar respeito pela Campanha “Travesti e Respeito”.
Desde então, esse dia passou a ser marcado como o Dia da Visibilidade Trans, uma demanda em dar visibilidade as necessidades das pessoas transgêneras.
Na época coincidiu com uma ação do Ministério da Saúde de adotar diversas medidas de combate as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Devido ao preconceito a essa população muitos não conseguem emprego, perdem apoio da família e são forçados a prostituição para sustento, se colocando no grupo de risco para ISTs.
Há um reforço de alertar a população que devemos combater o preconceito aos trans. O Brasil lidera o ranking de violência contra transgêneres no mundo conforme a publicação de novembro de 2021 pela ONG Transgender Europe (TGEU).
Com essa visibilidade as pessoas trans conquistaram a alteração de prenome e gênero nos registros de nascimento, casamento, nas lápides e no atestado de óbito por meios administrativos. Não há mais a obrigatoriedade de comprovação da cirurgia de redesignação sexual ou de decisão judicial. Tudo é realizado direto no cartório desde 29 de junho de 2018.
Anteriormente, as pessoas trans precisavam passar por um processo judicial demorado. A maioria dos juízes exigiam laudos com psiquiatra, psicólogo, endocrinologista, ginecologista/urologista, dificultando e atrasando muito a resolução. Também poderia ser exigido a comprovação da cirurgia de redesignação sexual (“cirurgia de mudança de sexo”).
Em comemoração a esse dia está sendo divulgado muitas histórias de trans em que falam sobre a família, relacionamentos amorosos, vida escolar, vida profissional e sobre como vivem contra o preconceito. O objetivo dessas narrativas é influenciar as pessoas a mudarem a postura preconceituosa sobre as pessoas trans e melhoria de diversas questões políticas relacionadas a elas.
A Síndrome de Burnout foi oficializada recentemente pela OMS na nova Classificação Internacional de Doenças (CID-11), que entrou em vigência em 1º de janeiro de 2022.
Anteriormente a Síndrome de Burnout consistia no código Z73.0 no CID – 10, ou seja, era uma enfermidade ocupacional e não era uma condição médica.
Na CID-11 ele muda para o código QD85 e é explicado mais minuciosamente como “Síndrome conceituada como resultante do estresse crônico no local de trabalho que não foi gerenciado com sucesso. Burnout refere-se especificamente a fenômenos no contexto ocupacional e não deve ser aplicado para descrever experiências em outras áreas da vida”.
Na CID 11 essa síndrome está num capítulo específico que aborda problemas associados ou gerados pelo emprego e/ou desemprego. Não está no capítulo de transtornos mentais, de neurodesenvolvimento ou comportamentais.
Portanto, para a OMS (Organização Mundial da Saúde), a síndrome de burnout é resultado de um estresse crônico no local de trabalho que a pessoa não administrou devidamente.
Todos os sintomas são apostos na área profissional, ou seja, somente se enquadram no ambiente trabalhista.
Publiquei no site um post explicando como identificar os sintomas e algumas informações do tratamento da Síndrome de Burnout.
Autores: Elizabete Possidente e Giuliana Possidente
Na publicação “The pandemic generation” de 13 de janeiro de 2022 da revista científica Nature os pesquisadores mostram que os bebês nascidos durante a pandemia tendem a atraso no desenvolvimento neuropsicomotor.
Dami Dumitriu, pesquisadora de neurodesenvolvimento Infantil e a equipe do NewYork–Presbyterian Morgan Stanley Children’s Hospital de Nova York pesquisam neurodesenvolvimento infantil desde final de 2017. Aproveitaram e descreveram o impacto do vírus SARS – CoV-2 nos recém-nascidos da pandemia.
Eles ficaram aliviados quando analisaram que os bebês expostos ao Covid – 19 não tinham defeitos congênitos, como provocados pelos efeitos da Zika e de outros vírus.
Os bebês foram incluídos no acompanhamento do neurodesenvolvimento que já vinha acontecendo por esse grupo desde 2017.
Depois resolveram dividir as informações em dois grupos, os nascidos antes da pandemia e os nascidos na pandemia para comparação.
Observaram que os bebês nascidos durante a pandemia tinham uma pontuação mais baixa que a média dos nascidos antes. Ocorria nos testes de motricidade grossa, motricidade fina e habilidades de comunicação.
Não encontraram nenhuma associação se os pais tinham ou não contraído Covid – 19.
Concluíram que estavam associados aos estresses, isolamento social e as incertezas provocados pela pandemia, tais como:
Estresse da mãe durante o período gestacional, afetando o desenvolvimento do feto.
Pouca interação com o bebê pelos pais pelo cansaço, ocasionando pouco estímulo cerebral.
Pais envolvidos no trabalho doméstico ou em home office, não sobrando tempo para se envolver exclusivamente com o seu bebê.
Pelo isolamento social imposto pelo momento, não havendo estímulo de interação com familiares, amigos, barulhos da rua e mudanças de ambiente que contribuem para o desenvolvimento neuromotor.
Muitos artigos de diversas equipes de pesquisadores no mundo também relatam que os bebês nascidos nos últimos dois anos estão com atraso no neurodesenvolvimento.
Não chega a ser um problema de saúde pública porque o cérebro dessas crianças dessa faixa etária ainda são muito plásticos e podem recuperar esse tempo de atraso. Os pais devem estar atentos para conversar mais, brincar e estimular maior interação com outros adultos e crianças para estimular o neurodesenvolvimento de seus filhos.