BULLYING

Bullying é um comportamento individual ou em grupo que se repete ao longo do tempo feito com intenção de machucar outro ou outros, fisicamente ou psicologicamente.

Trata-se de um problema infelizmente comum no cotidiano de muitas crianças e adolescentes. Em um estudo nacional feito no Reino Unido em 2006 chamado “bullying UK”, 85% das crianças declararam ter testemunhado uma situação de bullying e 69% reportaram sofrerem bullying. Essas taxas assustam todos educadores, pais e profissionais da área de saúde e alertam para a necessidade de mais atenção de todos.

As razões do bullying estão relacionadas ao praticante do bullying que muitas vezes apresenta numerosos problemas sociais e emocionais. Eles tendem a procurar outro que parece vulnerável, tímido, não-agressivo, autoestima baixa e que tipicamente são mais fracos fisicamente do que eles.

O “bully” geralmente encontra um foco para o Bullying como o peso, aparência, cor da pele, cultura, religião ou uma deficiência da criança, como ela anda, fala ou simplesmente por ter um nome pouco usual. O bullying ocorre na maior parte na escola durante os intervalos e recreios, mas também pode ocorrer no curso de inglês, treino de futebol, dentro do condomínio, etc.

O bullying pode ser dos seguintes tipos:

• Bullying físico: empurrar, chutar, bater, morde, beliscar, roubar pertences… (mais comum em meninos)

• Bullying verbal: zombar, xingar, ameaçar, criar rumores…

• Bullying social: ocorre indiretamente quando espalham rumores, fofocas, ignoram, causam rejeição e exclusão social (mais comum em meninas)

• Cyberbullying: acontece dentro e fora da escola envolvendo internet e celulares com objetivo de ameaçar, zombar e causar mal às vítimas. Pode incluir mensagens ofensivas, circular imagens ofensivas ou intimas. É estimado que 25% dos jovens sofrem cyberbullying em algum momento.

Como identificar o Bullying? Os sintomas podem ser bem claros quando prestamos atenção às nossas crianças, como por exemplo, recusa a frequentar a escola, falta de concentração, notas baixas, dores de cabeça, dores de barriga, xixi na cama (noctúria), dificuldades de dormir, ansiedade e até auto-mutilação. Deve-se perguntar

Como lidar com o bullying?

• As considerações da criança devem ser levadas a sério, nuca menosprezar.

• Não culpar a criança.

• Não ignorar o problema.

• Reassegurar à criança de que a situação tem solução e que ela pode pedir ajuda, ela não está sozinha

• Perguntar sobre o bullying, há quanto tempo isso acontece, se a escola ou professor sabe, quando ocorre, como costuma acontecer, quem está envolvido, se já pediu ajuda para alguém…

• Orientar como reagir quando isso acontecer sem que ataque de volta

• Ensinar a ignorar e sair de perto quando começar

• Fazer afirmações com confiança e não-agressivas

• Orientar a buscar ajuda de um adulto

• Certificar-se de supervisão dos pais no uso da internet

• Encorajar à criança a não responder a mensagens maldosas, não postar fotos e vídeos que eles não gostariam que outros vissem e evitar sites adultos

• Procurar ajuda profissional de psicólogos, fonoaudiólogos e professores

Como lidar se seu filho faz bullying?

• Explicar que não é diversão e não pode ser tolerado

• É crime e, portanto, tem consequências sérias para ele e sua família

• Causa danos muito maiores do que ele pode imaginar para suas vítimas

• Auxiliar seu filho para identificar e resolver seus próprios problemas sociais e emocionais

• Procurar ajuda profissional quando necessário

Bullying é crime deve ser reconhecido e evitado a todo custo. Todas as escolas devem adotar políticas anti-bullying desde pequenos, encorajando-os respeitar o próximo, identificar logo de início, reportar aos adultos, ajudar quem precisa. As escolas devem oferecer aconselhamento aos alunos e pais.

Informações essenciais para Pais de crianças diagnosticadas com TDAH:

TDAH é uma condição médica conhecida por afetar entre 3 e 5% das crianças em idade escolar, tornando-se um dos distúrbios mais comuns em crianças. Ele afeta as partes do cérebro responsáveis pela concentração, atenção e comportamento impulsivo gerando impulsividade, hiperatividade e dificuldade de concentração.

Seus comportamentos, muitas vezes, se mostram mais extremos do que a simples “falta de educação”.  Se não tratados, a criança pode acabar por ter uma pior performance na escola, em casa e outros cenários. Essas crianças sem o acompanhamento adequado, provavelmente desenvolverão dificuldade de criar amizades com outros crianças.

O tratamento deve ser sempre multidisciplinar com psicólogos, psiquiatras, educadores e os pais. O acompanhamento deve ser regular e deve ser realizado por profissionais de sua confiança que sejam capacitados em distúrbios de comportamento infantil.

O tratamento medicamentoso é feito através de uma substância que age sobre os compostos químicos do cérebro que entregam mensagens e ajudam a controlar o comportamento. Esse ato baseia-se apenas na correção do desequilíbrio químico responsável pelo TDAH.

O medicamento deve ser tomado diariamente pela manhã de forma ininterrupta. É recomendado que seja feito perto do café da manhã, pois sua medicação é mais bem absorvida com alimentos e seus benefícios persistirão por mais tempo. Então, o desjejum torna-se uma importante e indispensável refeição para as crianças.

Como toda medicação, efeitos colaterais são possíveis de ocorrer, sendo os mais comuns irritabilidade e insônia. Assim que percebidos devem ser relatados para seu médico para ajuste do esquema terapêutico empregado. Importante lembrar que todas as medicações utilizadas têm segurança e aprovação pela Organização mundial de saúde e pela ANVISA. Então, não precisa ter medo de oferecer aos seus filhos desde que mantenham um acompanhamento regular e constante.

Se seu filho, tiver dificuldades em engolir suas cápsulas, podem ser abertas e seu conteúdo pode ser misturado com líquidos ou alimentos semissólidos como suco de laranja ou iogurtes. A cápsula não pode ser mastigada, pois compromete a absorção adequada de seu princípio ativo.

Preocupações sobre o Retorno às aulas

Ouvi de vários pais comentários de como aguardam ansiosamente a reabertura das escolas e o reingresso de seus filhos à rotina. Porém, antes do retorno às aulas presenciais, temos que observar comportamentos que recentemente apareceram, provocados pela Pandemia, que continuarão caso os responsáveis não atuarem.

Muitos pais enfrentam certa dificuldade em fazer com que seus filhos sigam as novas rotinas acadêmicas, como assistir aulas online, deveres de casa e estudos. Isso vem quase sempre acompanhado de uma crença, quase uma esperança, que como um passe de mágica, ao entrar pelo portão da escola, tudo será resolvido. Eu não teria tanta certeza disso. Os sintomas pouco valorizados de irritabilidade, mudança do padrão de sono, ansiedade, tiques, enurese noturna, depressão, TOC, medos, restrição alimentar e agressividade se mostram claramente e não vão desaparecer de uma hora para outra.

O uso exagerado de jogos eletrônicos, internet e televisão não desaparecerão apenas com o retorno às aulas presenciais. Os conflitos, brigas e agressões que podem ter acontecido durante a quarentena não se resolverão imediatamente quando a professora entrar pela porta da sala de aula.

Vamos a um exemplo prático sobre como a situação pode ter saído do controle. Filhos que não demonstraram compreensão com os pais em momentos que estão trabalhando de casa, não colaboram com cuidados básicos da casa, não demonstram empatia as dificuldades vividas pelos pais, tudo isso pode sinalizar que existem problemas que continuarão mesmo com “o retorno à normalidade” e precisam ser tratados.

Antes de pensar na abertura das escolas, seria muito importante alertar os pais sobre medidas que precisam ser tomadas para tratar alguns desses problemas que surgiram nesse período da pandemia. O prejuízo do aprendizado das aulas online, em sua maioria improvisadas (ninguém estava preparado para o que ocorreu) não será o maior problema, de alguma maneira as boas escolas irão se organizar e recuperar o terreno perdido ao longo dos períodos letivos. A real dificuldade será reconquistar esse aluno, revalorizar a importância dos estudos e dos deveres escolares.

Me preocupam os jovens que não receberam limites bem definidos em seus lares, que precisam que regras básicas sejam reforçadas. Esses jovens, diante de pais fragilizados pelo estresse, por seus temores e conflitos, podem não receber as orientações e fronteiras básicas do comportamento social. Se não respeitam os seus pais, não percebem neles um “Porto Seguro” essencial em suas vidas.

Nova mudança no uso de receitas amarela e azul na Pandemia

A subsecretaria de Vigilância, Fiscalização e Controle de Zoonoses publicou uma nova nota técnica, número 05/2020, sobre alterações nas regras da prescrição e dispensação de medicamentos controlados durante a Pandemia do Sars-Cov-2.
Com essa norma técnica cai em desuso as normativas publicadas anteriormente nesse período, como a RDC número 357/2020 e a nota técnica SVS/SES- RJ número 19/2020, onde tinha sido autorizado prescrição eletrônica, com assinatura digital do médico, para medicamentos que utilizam receituários tipo A (“Amarela”) e tipo B (“Azul”).
Com a publicação no Diário Oficial de 03 de julho de 2020 os medicamentos de receita A e B voltam a ser permitidos apenas utilizando receituário físico, em papel.

Gestantes na Pandemia tem maior chance de ansiedade e depressão

Tenho atendido gestantes e parturientes que se queixam frequentemente sobre não viver como esperado. Sonhavam em ser “paparicadas” pelos familiares e amigos durante a gestação, participavam e organizavam eventos e aguardavam ansiosamente pelos seus, algum dia. Imaginavam-se ir na maternidade, com os familiares ansiosos pelo nascimento do bebê. Muitas fotos, alegrias, distribuir a cada visitante a lembrança da maternidade, escolhida com tanto prazer.

Nesse momento de Pandemia, muitas mencionam o medo de se contaminar e ao seu bebê. Sentem-se muito fragilizadas e sem o controle de suas vidas, sozinhas, sem poder ter ajuda da família num momento tão novo e estressante.

Quando se trata de primeira gestação é ainda mais preocupante. A maior frustração costuma ser o filho mais velho não poder conhecer o irmãozinho na maternidade como prometido, ou o marido não poder acompanhar o parto por algum risco de contaminação associado à profissão, por exemplo. São referenciados temores tanto no pré como no pós-natal o tempo inteiro. Veio daí a motivação de pesquisar publicações relacionadas à saúde mental das grávidas na Pandemia.

Um estudo específico me chamou a atenção, que ocorreu em Quebec, no Canadá, onde 1258 gestantes preencheram um questionário sobre saúde mental, relacionado ao estresse antes e depois do parto. Foram também utilizados questionários de 496 mulheres preenchidos antes da Pandemia. Os pesquisadores observaram que mulheres vivenciando a gestação durante o período da pandemia apresentaram mais sintomas claros de depressão e ansiedade, mais pessimismo e maiores alterações cognitivas e de humor do que aquelas que vivenciaram a gestação antes desse período. A diferença entre esses grupos foi de quase o 100%, quando comparados os valores percentuais (10,9% contra 6,0%). Nesse estudo não foram avaliadas as gestantes após o parto. Essas informações têm grande importância pois sabemos que sintomas de depressão, ansiedade e eventos traumáticos aumentam significantemente o desenvolvimento de depressão pós-parto. Outros dados vindos da China confirmam esse obtidos pelo estudo, que mostram que medo, isolamento social e falta de suporte familiar provocam efeitos negativos na saúde mental das grávidas, potencialmente afetando seus bebês.

É preciso investigar em toda consulta pré e pós-parto o humor dessas mulheres. Também é importante que amigos e familiares se preocupem em dar suporte emocional às gestantes e mamães recentes, especialmente nesse momento da pandemia.

Violência à criança e adolescente agravados na pandemia

Gostaria de chamar atenção a alguns dados que me deparei esses dias e que me chocaram de uma forma bem negativa… Devemos tomar consciência e fazer nossa parte.

Cerca de 24% dos crimes contra crianças ocorrem antes dos quatro anos de idade.

Em 2017, foram registrados 126.230 casos de violência a menores, mas com certeza, esses números ainda são subestimados.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicou uma nota de alerta intitulada “Combate ao Abuso e à Exploração Sexual e Outras Violências Contra Crianças e Adolescentes em Tempo da Quarentena por Covid-19”. Foi divulgado no Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Infantil, 18 de maio.

Na nota de alerta, a SBP resume o problema da violência contra a criança no Brasil e destaca o isolamento social pela pandemia do Covid-19 como uma preocupação para a maior incidência de violência contra as crianças e adolescentes.

A maioria dos agressores das crianças são os pais ou os adultos de seu convívio próximo. Ou seja, a maioria dessas crianças estão em quarentena com os seus agressores, sendo obrigados a passar 24/dia de todos os dias por meses sob medo e tensão. O ambiente de ameaças e recorrente cenas de violência comprometem imensamente o desenvolvimento, crescimento e aprendizado dessas crianças.

Esses responsáveis também estão sofrendo as incertezas, os medos, perda de algum parente ou conhecido, desemprego e outros estressores que podem contribuir ainda mais para seu comportamento violento.

A ingesta de bebida alcoólica também aumentou muito nesse período de pandemia, o que também acaba por aumentar a impulsividade e irracionalidade dos mais velhos. Esse fator também é um importante contribuinte para esse cenário.

Com o isolamento social, o violador não precisa se preocupar com marcas e machucados, pois não poderão ser vistos por terceiros.

Essas crianças em ambientes abusivos enxergam a escola, o futebol, o curso de inglês como uma válvula de escape ou até mesmo um lugar seguro, onde tem contato com pessoas que podem ajudar em algum momento de sufoco.

Durante o isolamento, eles se encontram privados dessa proteção.

A violência doméstica vem aumentando muito durante a quarentena em todo o país, não só às crianças e adolescentes, mas também às mulheres. Devemos nos alertar a esse fato e fazer nossa parte. Cabe a nós, prestar atenção ao nosso redor nos sinais que estão ao nosso alcance. Oferecer apoio a quem necessita e em casos suspeitos ou confirmados, denunciar prontamente. Podemos, as vezes, de nossa casa mudar ou até mesmo salvar a vida de alguém.

O plantão judiciário do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro informou no dia 23 de março, um aumento de 50% no número de denúncias de vítimas de violência doméstica e familiar. Isso ainda nas primeiras semanas de pandemia, imaginemos como esses números estarão hoje.

Não temos o registro de quantas crianças estão sendo agredidas, ameaçadas e violentadas ou que presenciam cotidianamente violência em seus lares.

Também a SBP publicou a importância dos cuidados com a internet das crianças e adolescentes nesse período isoladas e com maior tempo nas redes sociais. Os abusadores, psicopatas, pedófilos e outras perversidades também estão com mais tempo para encontrar suas vítimas nas redes.

Como suspeitar da violência

Em um protocolo de atendimento a vítimas de violência publicado em 2018, a SBP destaca como os médicos que atendem crianças podem suspeitar que algo está errado.

Por exemplo, o médico deve suspeitar de pais que omitem total ou parcialmente a história de algum trauma ou que mudam a história quando perguntados mais de uma vez, de explicações contraditórias ou que mudam de um familiar para outro e da demora inexplicável na procura de atendimento médico. Machucados antigos, fraturas mau consolidadas, marcas de dedos, mãos, objetos no corpo dessas crianças são sinais de alerta.

Além disso, algumas condições sociais familiares são consideradas de maior risco de violência contra a criança ou adolescente, tais como uso de álcool ou outras drogas, história de violência doméstica contra outros membros da família, doenças psiquiátricas, história de maus-tratos aos pais durante a infância deles, perda de controle emocional por parte dos familiares ou expectativa irreal dos pais em relação ao filho.

No exame físico, o médico deve estar atento à presença de lesões que não se justifiquem pelo mecanismo do trauma relatado; que não sejam compatíveis com o desenvolvimento neuropsicomotor da criança; que estejam em múltiplas partes do corpo, em localizações não usuais ou em áreas usualmente cobertas ou protegidas; além de lesões em diferentes estágios de evolução e cicatrização. Devem observar todo o corpo da criança, analisando a constância das lesões.

É dever de todo profissional de saúde que se depara com uma história com suspeita de violência, denunciá-la o mais rápido possível para que os casos possam ser investigados e medidas corretas tomadas.

Abordagem por telemedicina

Com a autorização do Conselho Federal de Medicina para a realização de consultas médicas por meio de ferramentas de telemedicina, surge a possibilidade de o médico se deparar com algum caso suspeito de violência em uma consulta realizada virtualmente.

Na pandemia, mesmo que as consultas sejam por vídeos com recursos da internet, o profissional deve ficar atento aos diversos sinais e sintomas. Na dúvida, deve convidar o paciente e familiares para uma consulta presencial. O profissional deve compulsoriamente preencher a

ficha de notificação de violência no site do Ministério da Saúde e informar ao Conselho Tutelar ou a uma Delegacia.

Familiares, amigos e escola quando já suspeitava de histórico de violência doméstica devem manter o contato com essa criança e adolescente para observar o seu comportamento e oferecer acolhimento e apoio para qualquer dificuldade que possa estar ocorrendo.

Se souber da violência contra a criança também deve denunciar ao Conselho Tutelar ou a delegacia da área de abrangência do bairro de residência dessa família.

Receita Amarela no Rio de Janeiro no período da Pandemia

A receita tipo A, conhecida como “receita amarela”, sempre foi controlada e distribuída para os médicos pela Vigilância Sanitária Estadual. Existe um controle rigoroso da prescrição e venda dos medicamentos cuja prescrição obrigatoriamente deve utilizar esse tipo de receituário.

No Rio de Janeiro o local onde é possível se obter esses talonários de receita tipo A encontra-se fechado desde o início da pandemia. Por isso foi publicado em Diário Oficial em 08/04/2020, número 065-A, página 6, que em todo o Estado do Rio de Janeiro esses medicamentos poderão ser prescritos em receituário de controle especial, conhecido como “receita branca”, enquanto durar o fechamento da Vigilância Sanitária estadual.

Sabemos que diversas medidas já publicadas autorizam que as receitas brancas sejam válidas em todo o território nacional, independente do estado de emissão, e podem ser digitalizadas. Mesmo assim existe grande desinformação entre os profissionais de saúde e farmácias, muitas se recusando a aceitar esse tipo de receituário, que apesar de autorizados, sua aceitação não é mandatória. Para evitar desgaste e exposição ao vírus pelo paciente seria esperado que as farmácias não tivessem esse tipo de atitude, mas infelizmente algumas optaram por não aceitar. Para o paciente ter que ficar buscando uma farmácia que aceite a receita digital é um risco que ele não precisaria correr. Também acontece com certa frequência recusa na aceitação de receita prescrita por médico de outro estado.

Essa atitude é um contrassenso, já que a telemedicina está em franca ascensão e sendo largamente utilizada. Com isso recentemente houve a publicação da medida provisória número 983 de 16 de junho de 2020 (veja o post https://possidente.org/2020/06/28/receitas-e-documentos-medicos-digitalizados-no-periodo-da-pandemia/) que visa reforçar essas novas regras para o período da pandemia e evitar o deslocamento desnecessário de pessoas.

Receitas e documentos médicos digitalizados no período da pandemia

Com a pandemia diversas medidas foram aprovadas pelo Ministério da Saúde, Anvisa e Conselho Federal de Medicina, referente à telemedicina, receitas digitalizadas e diversos documentos médicos com a assinatura digital. Com a extensão do período de pandemia fez-se necessário ajustes nas publicações anteriores.

A mais recente é a Medida Provisória número 983 publicada no Diário Oficial da União em 16 de junho de 2020. Essa medida dispõe sobre assinaturas eletrônicas em comunicações com entes públicos e questões de saúde.

Destaco abaixo os pontos principais relacionados ao cotidiano da prática clínica.

  • O artigo sexto do capítulo 2 refere que todos os documentos subscritos por profissionais de saúde no atendimento são válidos com a assinatura digital.
  • O artigo sétimo do capítulo 2 refere que as receitas por meio eletrônico serão válidas desde que sejam assinadas eletronicamente pelo profissional e contenha data, endereço do consultório, número do CRM, nome e endereço do paciente. Diz também que o receituário de medicamentos terá validade em todo território nacional, independente do estado onde foi emitido, incluindo os receituários de medicamentos sujeitos à controle sanitário especial.

Recomendo a todos a terem em fácil acesso a medida provisória na íntegra, caso haja necessidade de validar

http://www.in.gov.br/en/web/dou/-/medida-provisoria-n-983-de-16-de-junho-de-2020-261925303

Família e a Doença Mental na abordagem da Minissérie “I Know This Much is True”

Autora: Elizabete Possidente

Há pouco tempo lançada pela HBO, a minissérie “I Know This Much is True”, inspirada no livro homônimo publicado em 1998 por Wally Lamb, me levou à certas considerações.

A série gira em torno da vida de dois irmãos gêmeos, um deles com diagnóstico de esquizofrenia e o outro baseia sua vida no suporte ao irmão. Através de vários acontecimentos dolorosos e realistas acompanhamos a relação desses irmãos.

A esquizofrenia é uma doença psiquiátrica crônica que geralmente se inicia na adolescência, mas pode ocorrer até os 25 anos. Nesse momento é normal observar que reações conhecidas ficam estranhas e desajustadas, sem demonstração de emoção ou reações esperadas. É comum comportamentos como impressão constante de que algo está errado, que há pessoas desejando sua morte ou que é um ser especial que recebe mensagens de Deus ou de alguma força superior em que acredita, por exemplo. Podem ter alucinações auditivas e táteis, acompanhadas de diversas percepções errôneas do seu redor. O doente realmente acredita nisso, o que provoca um sofrimento muito grande. Diante disso, pode levar a automutilação, agressão à terceiros ou danos materiais, na tentativa de obedecer à “voz” ou parar as perturbações em sua mente. Pode também levar a suicídio pela intensa tristeza que vivem ou por não verem outra saída para esse martírio vivido.

Para quem deseja entender e refletir um pouco sobre a esfera mental dessa doença a minissérie levanta diversas questões. Vamos a elas.

Gêmeos deveriam estudar na mesma turma?

Não existe uma regra definindo o certo ou errado. Depende por exemplo da idade dos pacientes ou de como a família atua na criação desses gêmeos. Quando entram na fase pré-escolar / maternal, existe uma tendência a se manter na mesma turma para melhor adaptação da criança, já que geralmente é o primeiro momento de separação dos pais. Já em idade mais avançada, dos 6 a 9 anos, se a família quer estimular a individualidade, características pessoais e independência, estudar em turmas diferentes seria o mais indicado.

No exterior a tendência é separação desde pequenos. Culturalmente as crianças são condicionadas para a individualidade e responsabilidades. Sabem desde pequenos que independente do que escolherem mais velhos, o normal é cada um partir para uma faculdade distante de casa.

No Brasil existem poucos estudos sobre o comportamento das famílias com gêmeos e quase nenhum que acompanhe a evolução desses irmãos. Um estudo mais amplo realizado na USP demonstrou que famílias com maior recurso financeiro tendem a valorizar a independência dos gêmeos. Famílias com menos recurso normalmente prefere reforçar o vínculo familiar, valorizando a cumplicidade e amizade entre os irmãos. Devemos levar em conta nesse caso que pela menor disponibilidade de renda influencia em manter os irmãos juntos, pois sabemos que é mais prático e barato irem para a mesma escola e realizarem juntos atividades extraclasse.

Gêmeos que estudam separados apresentam maior segurança, pela valorização de seus gostos e interesses, desvinculando a ideia de que tudo deve combinar com o irmão. Devido ao aumento de autoestima e da independência tendem a ter menor nível de competitividade entre eles, facilitando a relação familiar.  Não são conhecidos como os “gêmeos” pelos professores e amigos e sim pelo próprio nome. Apesar de no início sentirem a separação, existem muitos pontos positivos.

Falando especificamente da série, vemos que os protagonistas são conhecidos como gêmeos, inclusive convivem com uma outra dupla de gêmeos que estudam na mesma turma. A tendência e sempre manter os irmãos próximos, inclusive com os outros dois gêmeos da turma.

A responsabilidade de cuidar do doente deve ser de um indivíduo específico da família, no caso do irmão?

Um irmão deve ser responsável em cuidar do outro?

Na prática, muitas famílias estimulam essa obrigatoriedade. Quando isso ocorre, de tempos em tempos, esse irmão deveria ser beneficiado por assumir essa responsabilidade e assim se sentir valorizado dentro dessa família. O irmão cuidado naturalmente se beneficia com o companheirismo do irmão e por ter sempre apoio em novas atividades. Entretanto o irmão cuidador perde sua liberdade e tempo livre e o irmão cuidado pode criar uma relação de dependência ocasionaria em sequelas na sua vida adulta.

Quando falamos de crianças que convivem com irmão que tem alguma doença crônica, ela pode suprimir suas necessidades à medida que se adapta às mudanças da família, centrada na criança que necessita de cuidados especiais. Essas crianças também podem sentir raiva e sensação de injustiça porque a atenção está voltada para outra criança da casa. Muitos pais acham que os filhos saudáveis estão lidando muito bem com a situação e que adoram cuidar do irmão, a criança pode passar essa imagem pois percebe que precisará dar conta de suas próprias demandas emocionais, acha que não pode dar mais trabalho ou verbalizar qualquer descontentamento, para poupar os pais. Com o tempo essa criança “saudável” vai tendo dificuldade de identificar suas próprias emoções e interesses, que a leva a problematizar todos os tipos de relacionamento, até a vida adulta.

Se são notadas mudanças de seu comportamento nessas crianças, deve-se procurar o mais rápido possível a avaliação de um psiquiatra. Quanto mais cedo esse jovem receber o diagnóstico melhor será a evolução clínica. Normalmente é necessário tratamento com uso de medicamentos, terapia e oficinas de terapia ocupacional para conseguir a estabilidade. Esse paciente precisará sempre do acompanhamento próximo de uma equipe multidisciplinar pois com isso terá apoio para ele e a família, identificará de forma clara os sinais e sintomas da doença e terá adesão ao tratamento medicamentoso.

É necessário paciente e familiar terem consciência que a doença pode apresentar melhora dos sintomas delirantes, mas mesmo assim nunca poderá ser suspenso o uso das medicações de controle. Apesar da maioria dos pacientes não terem a consciência de sua morbidez a equipe e a família devem ter laços estreitados para boa condução do tratamento. 

Pandemia, OMS e Minions para as Crianças

Os minions e os personagens da família do vilão Gru, são os protagonistas de um vídeo publicado em 27 de maio no Twitter da Organização Mundial da Saúde (OMS). Nesse vídeo eles explicam algumas das regras para nos mantermos protegidos durante a pandemia do Covid-19. 

“Os minions e o Gru estão apoiando a OMS para garantir que as pessoas de todas as idades se mantenham seguras e saudáveis durante esta pandemia”, diz a legenda do vídeo.

Alguns dos conselhos para se manterem protegidos e não pirar nessa época de pandemia que eles recomendam são:

⁃ Distanciamento físico

⁃ Praticar atividades em casa, como dança e experimentar pratos novos.

⁃ Fazer reuniões importantes por vídeo.

⁃ Leitura

Termina com eles dizendo:

“E lembrem-se: Estamos nisto juntos… mas totalmente separados. Percebem o que eu quero dizer?”, diz Gru. 

Uma forma lúdica de trazer a criançada para essa importante causa.

Segue o link para assistir o vídeo:

https://youtu.be/KGBl-IFAXkI

A responsabilidade na Venda de medicamentos controlados na Pandemia

Motivado pela situação da pandemia do Covid-19 o Diretor-Presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) autorizou mudanças nas regras de prescrição e dispensação dos medicamentos controlados.  A medida foi determinada por meio da RDC 357/20, publicada no Diário Oficial da União (D.O.U.) de 24 de março de 2020. 

Uma das alterações é o aumento da quantidade máxima de medicamentos permitidos na venda numa receita de controle especial. Inicialmente foi autorizado que, para as receitas emitidas antes da publicação dessa RDC 357/20, quando dentro do prazo de validade, teria a farmácia a autorização de vender uma quantidade superior  ao que foi prescrito pelo médico, seguindo a quantidade definida descrita em tabela.

Essas normas são válidas por seis meses, contados a partir da publicação no D.O.U. Podem ser renovadas, ou revogadas, quando o Ministério da Saúde reconhecer o fim das medidas de emergência ocasionadas pela pandemia.

A Anvisa não levou em consideração o risco inerente ao consumo de medicamentos controlados sem supervisão de um profissional. Existe uma razão para que determinados medicamentos necessitem de receita especial: esses remédios devem ser supervisionados e controlados por um médico, pois há o risco de dependência, tolerância (aumento de dose para ter o mesmo efeito) ou intoxicação, além da necessidade de avaliação clínica da evolução da patologia. Subitamente essas preocupações se tornaram irrelevantes.

Sabemos que culturalmente no Brasil já é comum o hábito da automedicação. Não é sem motivo que a proporção de farmácias por habitante no país é de 3000 para cada estabelecimento, quando a OMS considera ideal a proporção de 8000 habitantes por farmácia. Sempre tivemos no Brasil problemas em relação ao uso de medicamentos controlados, imagine agora, quando é possível comprar pelo menos três vezes a quantidade de medicamento presente na prescrição.

O uso por conta própria traz prejuízo para saúde do indivíduo. A medicação sem controle pode mascarar sintomas mais sérios, que levariam a buscar ajuda médica. O uso concomitante com outro medicamento regular pode causar interações medicamentosas, que sem a supervisão médica, pode ocasionar problemas sérios ao organismo. O uso por conta própria pode levar à superdosagem ou utilização da substância por mais tempo do que o indicado, trazendo malefícios importantes.  Sem falar que ter em sua posse uma quantidade grande de medicamentos facilita medicação de terceiros, por exemplo vizinho, amigo ou familiar.

Essas medidas também provocam outro grande problema, que é a venda ilegal de medicamentos. Isso pode ocorrer por exemplo na seguinte situação.

Um cidadão vai até a farmácia comprar uma caixa de Rivotril. É dito que ele pode comprar mais duas caixas. Ele pode até não optar pela compra, mas abre-se aí a possibilidade dessas caixas extras serem vendidas para outro indivíduo, que deseja comprar sem a devida receita.  Ou ainda, esse mesmo individuo resolve comprar o maior número de caixas possível e medicar familiares ou vender ilegalmente.

Vamos às consequências: estudo recente da UERJ confirmou que houve um aumento de 90% de casos de depressão, 71% de ansiedade e 40% de estresse agudo, ao avaliar uma amostra de indivíduo em 23 estados brasileiros. Quantos desses devem estar em uso de medicamentos controlados sem supervisão médica?

Fazendo um levantamento nesses três meses de pandemia percebi que muitos dos meus pacientes estabilizados tiveram uma piora. Uma parcela piorou pelo momento de incertezas que vivemos e com a continuidade do tratamento se estabilizam dentro das limitações do momento. Mas uma parcela significativa desmarcou consultas, alegando estabilidade e que tem medicamento por um período prolongado. Muitos estão retomando o atendimento em caráter de urgência por piora acentuada, pelo descrito acima. Esses me motivaram a compartilhar minha preocupação, como alerta. Esses casos clínicos abaixo podem ilustrar bem o problema.

Caso 1: M.P., 27 anos. Estável do quadro de ansiedade e depressão com o uso regular do antidepressivo. Resolveu encarar o desafio de fazer um curso de pós graduação no exterior. Tinha uma preocupação de encarar a viagem de avião com diversas escalas sozinha.  Prescrevi um S.O..S para a véspera da viagem e para o voo, caso necessário. Com a pandemia, o balconista da farmácia ofereceu um maior número de caixas do que o prescrito. Levando em conta que o antidepressivo custaria cerca de R$ 150 e o medicamento de socorro por volta de R$ 4, M.P. resolveu comprar mais caixas do medicamento socorro. Dias depois seu pai sofreu uma perda significativa nas finanças e precisou adiar a sua viagem. Resolveu cancelar a consulta, alegando “estar bem e ter remédio”. Resolveu por conta própria reduzir à metade o medicamento de maior valor e associar o medicamento socorro. Isso resultou em atendimento de urgência por ataques de pânico, crises de choro, insônia e vontade de morrer. Ainda contou que dividiu o medicamento SOS com o seu pai que estava “nervoso”.   

Caso 2 – E. G., 15 anos. Adolescente e que mantinha estabilidade do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). A mãe, por “ter conseguido remédio”, adiou a consulta. Não percebeu que E.G. tinha sintomas de depressão desencadeado pelo isolamento social. Quando seus pais perceberam tinha tomado uma caixa do remédio do pai para dormir, na tentativa de não acordar mais. Por sorte houve tempo para lavagem estomacal e foi iniciado o tratamento adequado para depressão.

Caso 3 – M. B., 57 anos. Transtorno bipolar estável há anos devido ao controle rigoroso da medicação e consultas mensais, responsáveis pelo ajuste posológico diante de pequenas mudanças clínicas ou preventivas de estressores. O balconista da farmácia ofereceu a venda de medicamentos por um período de seis meses. Segundo ele e a família estava tão bem que não teria risco de desestabilizar com o tempo livre que teria em casa. Com a ausência de rotina e isolamento domiciliar seu quadro de humor piorou, porém foi mascarando com a ingesta abusiva de álcool. Só dormia ou encarar o cotidiano com uma “bebidinha”. Foi preciso fazer uma intervenção medicamentosa em internação domiciliar para melhora clínica do Transtorno Bipolar e do recém-potencializado Transtorno com álcool.

Caso 4 – G.F., 29 anos, da área de saúde. Paciente morando sozinho, com família em outro estado. Sempre se visitavam. Estava muito bem, então resolveu aumentar a quantidade de plantões para se sentir mais útil e juntar uma grana para  uma desejada viagem. Tinha medicamentos estocados com a autorização da farmácia. Disse a família que inicialmente desmarcava as consultas por falta de tempo e depois para economizar dinheiro. Falava aos pais que não precisavam se preocupar porque estava muito feliz, apesar do momento que vivia de estresse no trabalho, mas que sonhava com a viagem. Foi a última vez que a família falou com ele. Foi encontrado sem vida em sua casa.   

Caso 5 – C.C., 39 anos. Encontrava-se em uso de antidepressivo prescrito pela endocrinologista para “auxiliar na ansiedade e na dieta”. Deveria ter retornado após um mês de uso. Não retornou por sentir-se “tão bem como nunca esteve”. Resolveu dobrar a dose do antidepressivo já que tinha uma quantidade grande com ela. Pouco depois, a família agenda consulta de emergência porque C.C. encontrava-se eufórica, insone, falante, desinibida e no meio dessa crise econômica tinha se endividado em compras pela internet, além de se ausentar constantemente da sua função profissional, em home-office.   

Medicamentos controlados não devem ser administrados sem supervisão médica, sob pena de aumentarmos cada vez mais casos como esses acima. É um problema sério de saúde pública, que pode custar milhões ao Sistema de Saúde. A Anvisa certamente tem o conhecimento (ou deveria ter) que doenças psiquiátricas sem tratamento levam a um grande sofrimento psíquico e impacto na Saúde Pública. Estamos falando de abandono dos cuidados com a saúde física, dos cuidados preventivos na pandemia, mal uso das medicações clínicas, aumento do consumo de nicotina, álcool e drogas, para não falar de consequência mais graves, como suicídio, violência doméstica, interação medicamentosa nociva, entre outras.

Quando nós, psiquiatras, recomendamos o intervalo entre consultas, nos baseamos no quadro clínico, controle dos medicamentos e ajustes com os estressores da vida diária.  Nesse momento de pandemia em que convivemos com incertezas do presente e do futuro, não é adequado qualquer estimulo para automedicação ou não frequência regular às consultas recomendadas.      

A Importância de uma Boa Noite de Sono

Para realmente valorizar um boa noite de sono, temos primeiro que entender a definição de ritmo circadiano.
O Ritmo circadiano é um evento que ocorre no organismo a cada ciclo de 24 horas. É esse ciclo   que regulariza nosso relógio biológico. Quando bem ajustado, nos permite um período de sono de qualidade e com isso contribui para importantes fatores de uma boa saúde.
O sono repõe a energia do nosso corpo, equilibra os sistemas imunológico, endocrinológico e neurológico, consolida a memória e auxilia na prevenção de câncer. Também favorece uma melhor resposta terapêutica nas doenças neoplásicas.
O distúrbio mais comum entre os transtornos de sono é a insônia. Ela contribui para o surgimento de diversas doenças físicas e psíquicas.
Existem quatros estágios do sono:
– Estágio 1: ocorre logo que adormecemos. É a transição da vigília para o sono, quando facilmente somos despertados. Geralmente representa 10% do tempo do sono.
– Estágio 2: Início de uma fase de sono mais profundo. Representa 45% do sono. Nessa fase a frequência cardíaca e os músculos relaxam.
– Estágio 3: Sono profundo, onde ocorre a recuperação do organismo. Nessa fase o cérebro se recupera de sua atividade. Representa cerca de 25% da noite de sono.
– Estágio 4: Sono REM – sono restaurador, onde ocorre o descanso profundo e a liberação de hormônios.  A pessoa fica imóvel, há intensa atividade cerebral, ocorrem movimentos dos olhos. É nesse momento que os sonhos ocorrem. Há a consolidação da memória, onde se descartam coisas de pouca importância e guardamos o que é relevante.  
Nos três primeiros estágios temos a restauração dos tecidos, aumento da massa muscular e economia de energia.
Durante uma noite de sono, passamos diversas vezes por essas fases. Na medida que dormimos melhor o estágio do sono REM se prolonga.
Diversos neurotransmissores estão envolvidos nesse “interruptor de sono”. Quando o especialista avalia seu padrão de sono, através da anamnese, ele já está mapeando as substâncias envolvidas. É necessário a ativação de alguns neurotransmissores e inibição de outros para despertar, e de mais alguns para dormir.
Algumas medidas podem melhorar a qualidade do sono, tais como:
– Reduzir a luz do ambiente pelo menos 1 hora antes de dormir.
 Estabelecer um horário padrão para dormir, que deve ser seguido na maioria das noites.
– Evitar alimentos estimulantes como café, refrigerantes, chocolates, chás, pelo menos 6 horas antes de dormir.
– Praticar exercícios regularmente.
– Não procrastine na cama pela manhã ao acordar. Não deite na cama durante o dia. Condicione o seu cérebro para que a cama seja o local para relaxar e dormir.
– Não tire cochilos durante o dia.
– Tome banho de sol regularmente.
 – Mantenha o quarto confortável.
– Crie rituais de relaxamento antes de dormir. Por exemplo, um banho morno, uma leitura, uma música suave etc.
– Adote técnicas de relaxamento. A mais usada é de tensionar e relaxar os grandes musculares de modo sequencial, atento às sensações de tensão e relaxamento.
– Não use todas as dificuldades durante o dia para justificar a noite mal dormida, assim você valoriza o problema e reforça a insônia em sua vida.
– Evite pensamentos durante o dia do tipo “Será que vou conseguir dormir”.
– Evite TV e eletrônicos no quarto.
– Evite bebida alcóolica
 
Se essas medidas não resolverem o problema de noite mal dormida você deve procurar a ajuda médica para a avaliação da insônia e tratamento adequado.
 
Se você tem crianças e adolescentes em sua vida recomendo a leitura dos seguintes posts:

Nota de Esclarecimento Sobre A Ausência de Venvanse

A medicação Lisdexanfetamina, comercializada no Brasil com o nome de Venvanse indicado no tratamento de Transtorno de déficit de Atenção em crianças e adultos, está enfrentando problemas com sua disponibilidade nas farmácias.
A medicação continua sendo segura e eficaz. Ela não foi retirada do mercado. O laboratório fez uma nota de esclarecimento sobre essa oscilação na produção global e das providências tomadas juntos a ANVISA. 
Segue a nota do laboratório.
 

Como não pirar durante a quarentena?

O isolamento domiciliar na quarentena nessa época de pandemia pelo coronavírus não significa férias. É importante permanecer em casa.
Muitos dos meus pacientes estão se queixando de angústia por se sentirem entediados pela obrigação de ficarem em casas.
Outros reclamam que não sabem mais o que fazer seja, sozinhos, com crianças ou com o cônjuge. Dizem que o número de brigas familiares aumentou muito por serem obrigados a estarem juntos o tempo todo.
Aqui não vou ficar falando sobre a importância desse período e, blá blá blá.
Vou me focar em dicas de atividades que podem fazer em casa nesse período de quarentena:
– Iniciar atividades físicas novas, como um funcional em casa, pular corda…
Pode fazer download de aplicativos com instrutor profissional de educação física que disponibilizam diversas séries de exercícios. Há também diversos vídeos no Youtube com treinos para fazer sem sair de casa de diferentes intensidades.
Também pode pular corda, subir as escadas do prédio, andar pelo condomínio, realizar saltos, abdominais e circuitos, por exemplo.
– Colocar a leitura em dia. Está na hora de pegar aquele livro empoeirado da cabeceira. Existem diversas plataformas que disponibilizam obras literárias, como, Dominio Público. A Amazon disponibilizou alguns livros grátis de assuntos variados, também. Se tiver crianças, uma opção é ler em voz alta para elas.
– Ouvir música. Pegue os CDs antigos, aquela playlist que não houve faz tempo. Um bom momento para relembrar os hits da adolescência.
– Assistir concertos e shows. Até o dia 22 de março, Metropolitan Opera está oferecendo concertos gratuitos, por exemplo. No youtube, tem shows de diversos artistas. Uma boa hora para conhecer um novo cantor ou banda.
– Passeios virtuais por museus e galerias ao redor do mundo. O Louvre e o Museu Metropolitano de Nova York disponibilizaram a visita.
– Fazer cursos online como, por exemplo, Escola Virtual da Fundação Bradesco, Fundação Getúlio Vargas e Udemy.
– Meditar. Existem aplicativos que podem te ajudar como o zen e meditopia. É a hora de começar uma atividade nova que nunca teve tempo
– Ouvir Podcasts. Existem sobre tantos assuntos disponíveis online… Procure um que te desperte interesse e enquanto toca pode ir arrumando a casa, lavando louça, fazendo o almoço ou só relaxar…
– Aprender a tocar um instrumento. Diversos vídeos no youtube podem te ajudar nisso.
– Experimentar novas receitas. Tantas coisas gostosas que nunca teve tempo ou disposição.É uma boa hora para tirar o livro de receitas da gaveta e por a mão na massa.
– Rever e organizar as fotos antigas. Os álbuns são um ótimo passatempo, além de te fazer relembrar momentos gostosos com a família, amigos…
– Aprender um novo idioma ou retomar o estudo de algum que ficou para trás. Existem vídeos, exercícios, cursos online.
– Fazer aquela limpa nas papeladas de casa. Aquele monte de documentos, contas, exames antigos. Organize em pastas e jogue fora o que não precisar mais.
– Veja todos os filmes em ordem do Harry Potter, Star Wars, Senhor dos anéis…
– Atualize suas redes sociais. Troque a foto de perfil do facebook, reorganiza o linkedin, poste fotos antigas no instagram…
– Assista documentários, TED talks…
– Comece a reciclar o lixo. Fazer a separação de papel, vidro, plástico…
– Faça uma limpa no seu celular. Apague fotos que não quer mais, números de telefones que nem existem mais, aplicativos que não usa, mensagens antigas, e-mails não respondidos…
– Descobrir novos passatempos para exercitar a mente, como por exemplo; Sudoku, Duolingo, quebra cabeças e Palavras Cruzadas.
– Tirar um tempo para você descansar e relaxar. Não fazer nada.
– Aproveitar para colocar o sono em dia.
– Cuidar da pele e do cabelo. Se tiver crianças as envolva nesse processo. Faça uma máscara facial, existem várias misturinhas fáceis na internet para experimentar. Hidrate o cabelo, esfolie a pele, passe hidratante, óleos de massagem…
– Aprender ou retomar crochê, patchwork, costurar. Bom momento para remendar as roupas furadas, colocar os botões que caíram…
-Organize aquilo que sempre deixa para a última hora e acaba não fazendo. Aquela gaveta, prateleira, aquela parte esquecida do armário. Ponha tudo em ordem! Se sentirá muito bem após o feito.
– Organize a sua coleção, seja lá ela qual for – CDs, DVDs, LPs, Livros, revistas
– Arrume o seu armário. Ponha as roupas que ficam no fundo da gaveta que nunca são usadas para jogo. Experimente roupas antigas que podem não te servir mais, mas podem fazer outra pessoa feliz. Doe as roupas que não usa há bastante tempo, não vai sentir falta.    
Reveja as suas roupas e as organize. Doe o que não precise. Veja o que precisa de peça para dar uma melhorada no visual com o que você já tem.
– Mantenha os hábitos diários, como, horário de dormir e das refeições.
– Faça um tour visual pela Muralha da China.
– Jogos de tabuleiro, como dama, War e Detetive.
– Use facetime, vídeos chamadas, mensagens para conversar com amigos e familiares. Um bom momento para se atualizar sobre a vida de pessoas queridas, mas que na correria do dia a dia não tem tempo.
– Planeje as próximas viagens. Pesquise bastante sobre os pontos turísticos, história local, culinária, melhor época do ano para visitar…
– Reveja filmes clássicos. Pode chamar seus filhos, marido nessa maratona
– Assista novamente sua série favorita com muita pipoca.
– Cuide da sua horta. Plante mais ervas para a cozinha, em 15 dias o vaso vazio poderá ser uma flor. Regue-as e dê mais atenção e carinho.
– Experimente comidas novas. Explore o ifood e outros aplicativos de comida e peça coisas que nunca pediu.
– Faça ioga. Também existem aplicativos e vídeos que podem te orientar
– Alongue-se. Você vai agradecer depois quando voltar a ficar 8 horas sentado atrás de um computador.
– Lave o carro, ouvindo a sua música preferida. Se tem crianças, inclua-as na atividade.
– Experimente as roupas para facilitar novas combinações ao retornar a rotina de trabalho. Se tem crianças, brinque com elas de se vestir e desfilar.
– Escreva uma carta aos seus avós. Ou ligue para eles todos os dias.
– Jogo de cartas e jogos de tabuleiros são ótimos para divertir a família.  Pesquise novos jogos, jogue jogos antigos.
– Aprenda posturas de artes marciais por aplicativos e aulas no youtube. Legal para fazer com as crianças.
– Crie uma coreografia com a sua música preferida. Existem também várias coreografias no youtube para copiar e se divertir, além de ser um bom exercício aeróbico.
– Crie um filme caseiro. Deixe com as crianças a função de filmar o dia em família.
– Retome os estudos. Se atualize em assuntos da sua área com artigos, revistas cientificas. Ou até aprenda sobre outras áreas.
– Veja dicas de fotografia e filmagens, e exercite o que aprendeu.
– Se tem crianças, brinque de pet shop e lave todos os bichos de pelúcia.
– Fazer aquela faxina na casa. Limpar todos os cantinhos, gavetas. Escolha um cômodo por dia, coloque uma música e comece.
– Customize roupas e acessórios. Aquela blusa velha pode ganhar uma nova cara.
– Desenhe, pinte livremente ou com ajuda de diversas aulas no Youtube
– Leia revistas em quadrinhos.
– Curta o escuro com brincadeiras de lanternas. Ou faça um clima romântico com velas.
– Higienize os objetos e brinquedos. Faça em família com música, cantando e dançando.
– Assista canais de Youtube, como de viagens, brincadeiras, neurociência etc
– Faça maratonas com muitos filmes e séries.
– Comece uma dieta saudável, terá tempo para aprender receitas novas e pensar em lanchinhos saudáveis para quando voltar ao trabalho.
– Busque novas ideias para decorar o seu quarto. O Pinterest é um site famoso por dar inspirações de decoração, se jogue nele.
– Aprenda a cozinhar um prato novo. Aquela receita difícil que sempre teve preguiça de fazer…
– Jogue e aprenda novos jogos no vídeo game. Um bom momento para sentar com seu filho e jogar seu jogo favorito.
– Reorganize a casa. Mude os móveis de lugar, objetos de decoração….
– Estipule metas e tarefas para quando voltar o trabalho. Bom voltar com tudo organizado e em dia. Te dará mais tranquilidade na volta.
– Faça uma lista do quer fazer quando tudo isso acabar. Restaurantes, estreias de cinema, trilhas, barzinhos, amigos para rever…
O importante é que esse tempo deve -se aproveitar para reflexão, criar metas e estreitar os laços com os seus familiares e amigos.   
 
 

Medidas Preventivas ao Covid – 19 (coronavírus)

 
As medidas adotadas desde 13 de março em todo o Brasil, incluem o reforço da prevenção individual como cobrir a boca com o antebraço ao tossir ou espirrar,  uso de lenço descartável, isolamento domiciliar ou hospitalar por 14 dias e que pessoas com casos levem busquem orientação com o seu médico ou posto de saúde, sem ir até as emergências. 


As empresas devem considerar redução de horário de trabalho, escalas , dispensa  ou exercício remoto (home office) do trabalho de funcionários, quando possível.  


O transporte coletivo deve ser sempre que possível  evitado ou buscar horários alternativos com menor número de transeuntes. Assim, como devem ser higienizados, especialmente nos locais onde as pessoas costumam colocar as mãos, nas barras, bancos e maçanetas. Os motoristas de táxis e outros aplicativos são orientados a ter álcool gel para uso próprio e para os passageiros. É recomendado cancelamento de qualquer viagem ao exterior ou pelo país.


Ministério da Saúde adotou que qualquer viajante internacional deve ficar em isolamento domiciliar e observar o surgimento de sintomas.


Os vírus respiratórios se espalham rápido pelo contato, por isso a importância da higiene das mãos e dos objetos de uso frequente e de superfície lisa. Temos que também desinfetar celulares, brinquedos, maçanetas, teclado do laptop, botão do elevador e da descarga. Também devemos evitar aperto de mãos, beijos e abraços.
Nos serviços particulares ou públicos também tem recomendações que devem ser cumpridas. Os profissionais devem lavar a mão com frequência, uso de toalhas descartáveis e de álcool em gel a 70 %. Uso de máscaras se estiver atendendo pessoas com queixas respiratórias. Deve evitar sala de espera com muitas pessoas porque não pode haver aglomeração.
A vacina contra o coronavírus ainda não tem. O Ministério da Saúde está disponibilizando a vacina contra a gripe a partir do dia 23 de março. Consulte o período por cada grupo populacional no site do Ministério da Saúde. O grupo inicial será o de maior risco que corresponde aos idosos e profissionais de saúde. A vacina da gripe protege contra três tipos de vírus: H1N1, H3N2 e influenza B. Mesmo que essa vacina não seja eficaz contra o vírus da pandemia atual é uma forma eficaz de proteger contra doenças que provocariam sintomas respiratórios.
Também foi criado um protocolo de entrada em casa que auxilia na prevenção contra o Covid – 19. Ao retornar para a casa, não toque em nada, até tomar o seu banho. Deixe os sapatos no lado de fora ou na área de serviço. Tire a roupa e coloque para lavar, sem reaproveitar em mais de um uso. Deixe a bolsa, chaves e carteira na área de serviço ou a higienize com álcool gel. Sempre que possível tome banho ou lave bem as mãos. Limpe o celular e o óculos com álcool ou água e sabão. Limpe as patas do seu pet.
Em casa, não compartilhe toalhas, talheres e copos. Lave a roupa, toalhas e lençóis com maior frequência. Mantenha distância das outras pessoas. Mantenha os cômodos ventilados. Higienize diariamente superfícies de alto contato.
Ligue para o seu médico ou para o número 136, se houver febre maior de 38 graus e dificuldade para respirar.

Contribuindo com um Mundo Melhor

 Apesar de ser um blog que comento sobre diversos temas referentes à saúde mental, resolvi também divulgar sobre a importância do descarte correto de medicamentos vencidos e das embalagens de remédios. Você pode pensar, inicialmente, que não tem associação com o tema central do meu dia a dia do consultório que é de saúde mental. Mas sim, tem tudo haver.
Escuto com muita frequência sobre a insatisfação com o mundo. Atendo muitos que gostariam de fazer algo para um mundo melhor, mas acreditam não ter tempo ou dinheiro. Ou ainda tem a falsa ideia de que sua ação não fará diferença. Porém toda pequena ação é importante para fazer a diferença.
O nosso Brasil é o sétimo país que mais consome medicamentos no mundo. Aqui não há ainda uma legislação referente ao descarte de medicamentos pessoais vencidos ou sem uso. Existem apenas algumas leis para clínicas e hospitais. O descarte incorreto de medicamentos traz grandes riscos à saúde e ao meio ambiente.
Nos lixões, crianças e animais consomem essas substâncias potencialmente tóxicas propositalmente ou acidentalmente por se misturar a restos de alimentos.
Também é um problema para o meio ambiente. Esses medicamentos formam “micropolientes” mesmo quando são descartados nos vasos sanitários.
O pior é que as pessoas não sabem o mal que estão fazendo ao meio ambiente ao descartar embalagens e medicamentos sem uso ou vencidos no lixo comum ou nos vasos sanitários.
O dano ambiental já ocorre com parte da urina e fezes que são excretados com as substâncias que tomamos.
O mesmo ocorre com os medicamentos de uso veterinário que também contaminam o meio ambiente na mesma proporção.
O destino desses medicamentos são os aterros, lixões, estações de tratamento de água/esgoto, corpos d’água e solo.
Portanto, uma forma de nos sentirmos produtivos na construção de um mundo melhor é termos esse cuidado em seu descarte.
O descarte apropriado das embalagens de remédios e de medicamentos vencidos é uma forma de contribuirmos para um mundo melhor e mais sustentável. Uma maneira que não gasta muito tempo da correria do dia a dia, não onerosa, facilmente alcançável a todos.
Para ajudar, é simples. Só você juntar as embalagens dos medicamentos que faz uso e quando for à farmácia, descartar na máquina de reciclagem.
Abaixo está a foto da máquina que tirei na farmácia em frente ao meu consultório e onde faço os meus descartes dos medicamentos usados por mim e por minha família.
Adote essa ideia!

Janeiro Branco: Quem cuida da mente, cuida da vida.

A campanha Janeiro Branco foi criada em 2014 com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância de cuidar da saúde mental.
Depressão, ansiedade e fobia são alguns dos transtornos que causam um dano na saúde .
O Brasil contabiliza um grande número de indivíduos com problemas mentais.
Com o slogan “Quem cuida da mente, cuida da vida”, os organizadores querem enfatizar  a ligação entre o bem-estar emocional e a qualidade de vida.
Janeiro foi escolhido como o mês para valorizar os aspectos psíquicos porque a virada do ano é causa de ansiedade por cobrar novas metas e medo de repetir alguns dos fracassos e frustrações vividos.
Veja o vídeo da campanha :

https://youtu.be/B7XL0ApjXR8

Google responde: Como fazer as pessoas gostarem de mim?

Nessa pesquisa do Google percebe que no ano 2019 a busca pelo tema “ Como fazer amigos” aumentou consideravelmente em relação aos anos anteriores.
Foi a terceira busca mais procurada no Brasil.
Também chamou a atenção que tiveram dois períodos de pico, um em outubro e outro em dezembro.
Essa pesquisa aponta que o brasileiro está se sentindo muito sozinho e com baixa auto estima.
Aproveitar início de ano para refletir sobre mudanças que deseja para a sua vida. Mudanças ocorrem com alteração de atitudes e aquisição de hábitos mais saudáveis.

Google responde: Como fazer as pessoas gostarem de mim?

https://oglobo.globo.com/sociedade/google-responde-como-fazer-as-pessoas-gostarem-de-mim-24166722

Portadores de Autismo Terão Direito a Identidade Especial

Os pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) têm o direito de mais um benefício adquirido pela aprovação na última semana da Lei Romeo Mion.
Essa lei garante gratuitamente uma Carteira Nacional de Identificação especial do portador do TEA.
Com isso, os portadores poderão ser identificados para terem prioridades no atendimento, evitando o surgimento de crises.

Float da Pixar – Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Outros

Autora: Elizabete Possidente e Giuliana Possidente
Lançado em 12 de novembro de 2019, o novo curta da Pixar “Float” inspirou-se da relação do animador Bobby Rubio com seu filho, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O curta, que em nenhum momento se refere ao autismo, pode ser empregado a qualquer pessoa que tenha familiar considerado “diferente”.
Em Float, o pai nota que seu bebê é diferente. Ele constata que o seu filho flutua, e isso não seria um comportamento comum em outras crianças, atraindo olhares de estranheza e desgosto por parte de outros pais. Essa pressão o leva a, sem sucesso, tentar fazer com que o filho pare de flutuar. Assim, para protegê-la, isola a criança dentro de casa.
Quando necessário sair de casa, o pai obriga o filho a carregar uma mochila cheia de pedras e o prende a uma coleira. Em uma saída, seu filho foge e flutua pelo playground, aterrorizando os pais no parquinho. A criança está, no entanto, feliz. Ao perceber o que acontecia, o pai, muito nervoso, pega seu filho e o afasta do parquinho. Com isso, a criança grita frustrada, como faria qualquer outra. O pai exclama, então, no único momento de diálogo no curta: “Por que você não pode simplesmente ser normal?!” 
Percebendo como entristeceu seu filho, o pai se envergonha e resolve passar a apoiá-lo e ajudá-lo: em vez de isolar a criança das outras pessoas, deixa-a flutuar livremente.
O curta finaliza com uma dedicatória: “Para Alex. Obrigado por me tornar um pai melhor. Dedicado com amor e compreensão a todas as famílias com crianças consideradas diferentes”.
Recomendo assistir o curta da Pixar “ Float”.