Setembro amarelo: mês de prevenção ao suicídio

Setembro é o mês em que ocorre a campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio, sendo o dia 10 , o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Essa campanha, conhecida como “Setembro Amarelo”, foi criada no Brasil, em 2015, pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Essa é uma campanha de extrema importância, uma vez que o suicídio é um problema grave de saúde pública e que, muitas vezes, pode ser evitado.

Essa campanha já existia pela Organização Mundial de Saúde (OMS) desde 2003 com o dia 10 de setembro como o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, e o amarelo do mustang de Mike como a cor representativa . Veja como se deu início à campanha de divulgação a prevenção de suicídio chamada “fita amarela” (“Yellow Ribbon”) conhecendo a história de Mike no link https://possidente.org/2018/09/11/c

Setembro passou a ser dedicado ao tema suicídio, esclarecendo dúvidas sobre o tema e compartilhando informações importantes sobre seu combate.

Sabemos que 90% dos casos de suicídio são decorrentes de doenças psiquiátricas. Entre 50% e 60% desses casos nunca buscaram tratamento psiquiátrico.

A informação é a melhor forma de prevenção. A pessoa que está sofrendo precisa ter noção de que seu sentimento é sintoma de doença e procurar ajuda. Ou o familiar ou amigo precisa identificar os sinais e sintomas e levar o paciente para um especialista.

Por isso, é imprescindível que todos apoiem essa campanha do Setembro Amarelo. Você já ajuda muito divulgando na na sua rede de amigos matéria sobre o tema.

Integração Saúde Mental e Saúde Física no atendimento pediátrico.

Autores: Elizabete Possidente e Giuliana Possidente

Na revista online JAMA Pediatric de 20 de julho de 2020, encontra-se publicado o resultado de uma avaliação de mais de 100.000 consultas por ano durante 10 anos em atendimento de pediatria.

Foi utilizado o checklist de sintomas pediátricos (Pediatric Symptom Checklist) recomendado pela American Academy of Pediatrics.

O checklist não demora nem 5 minutos para ser preenchido e verifica a resposta da criança sobre o seu cotidiano: atividades, família, escola, amigos e humor. Uma situação de estresse é revelada por uma pontuação elevada.

Cerca de 12% das crianças tiveram pontuação acima do limiar. Antes da puberdade, os meninos apresentavam mais problemas que as meninas e, na puberdade, essa relação se invertia.

Houve um aumento significativo no número de encaminhamentos para o serviço de Saúde mental quando ocorre essa investigação na consulta de triagem da pediatria.

É de extrema importância avaliar a saúde mental da mesma forma que se avalia a saúde física.

Ter estudos que comprovam a importância da integração saúde física e mental vai levar a melhora da eficácia do tratamento dessa criança e combater o estigma da saúde mental.

Muitos médicos afirmam que avaliar os aspectos psicossociais são tão importantes como avaliar os sinais vitais de uma criança.

Ansiedade na Infância e Adolescente quando se torna um problema? Apresentação no Simpósio Psicopatologias da Infância e Adolescência – Dia 05/09/2020

Para quem quiser e tiver interesse, publico aqui os slides da minha participação no Simpósio Psicopatologias da Infância e Adolescência. Espero que todos tenham aproveitado ao máximo.

“Mentalize: sinal amarelo para atenção à saúde mental”

O Ministério da Saúde promove uma série de ações com o objetivo de informar à população sobre questões envolvendo doenças mentais. A primeira iniciativa consiste em programa com três partes. Os temas Saúde da Criança e do Adolescente, Saúde do Trabalhador e Saúde do Idoso serão discutidos on-line por especialistas.

É o Mentalize: Um sinal Amarelo para Atenção à Saúde Mental. “Nós temos, à semelhança do que acontece no mundo inteiro, inúmeros agravos à saúde mental que agora poderão ser prevenidos, orientados com a ajuda do Ministério da Saúde”, disse Mayra Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde.

A estratégia do Governo surge na preocupação do distanciamento social, pois, no mundo inteiro, haverá um aumento de pessoas com sintomas e agravamento da doença mental.

O Mentalize vai abordar temas, que podem ser associados à pandemia, por meio de palestras on line, ajudar a conhecer temas relacionados à saúde mental, reduzindo o estigma e prevenindo doenças. As palestras serão sempre às 19 horas, no canal do youtube do Ministério da Saúde.

No dia 25 de agosto, será realizada palestra voltada à saúde da criança e do adolescente. É uma oportunidade para esclarecer aos pais e professores temas relacionados à Covid, como hiperatividade e exposição prolongada à internet.

Nos dias 26 e 27, as palestras serão voltadas, respectivamente, à saúde mental dos trabalhadores e dos idosos.

Segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), que é parceira do Ministério da Saúde neste projeto, hoje 10% da população mundial tem algum transtorno psiquiátrico , e 20 a 25% da população têm, teve ou terá um quadro de depressão.

“A psiquiatria não é a UTI das doenças mentais. Ela é a porta de entrada. E se você entra logo no início, é fácil de tratar. É fácil de recuperar”, disse Antônio Geraldo da Silva, presidente da ABP.

Ansiedade na Infância e Adolescência quando se torna um problema ?

Tema que será apresentado no Simpósio Psicopatologias da Infância e Adolescencia no dia 5 de setembro.

Se quer saber mais sobre esse tema convido a participar do evento.

Inscrição no site : http://www.praxispsi.com.br

TOC-TOC

Autora: Elizabete Possidente

O documentário espanhol “TOC-TOC”, da Netflix, é uma narrativa envolvendo seis pessoas com Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC).  Inicialmente esses personagens estão sozinhos, lidando com as suas diversas “manias”, alguns de forma bem aparente, outros nem tanto. Todos eles estão se preparando em suas casas para ida a uma consulta médica, com seu psiquiatra.  

Um erro na agenda do médico coloca esses pacientes no mesmo horário de consulta, o que provoca um encontro na sala de espera do psiquiatra. Informados pela secretária que o médico está retornando de um congresso e está atrasado, todos resolvem aguardar o especialista. Todos eles se vêm obrigados a interagir e lidar com as suas próprias manias além das manias dos outros.

Os traços obsessivos compulsivos ficam mais aparentes à medida que o tempo passa e a ansiedade para chegada do médico aumenta. O documentário mostra o sofrimento dos pacientes com TOC, com um tom cômico, que ajuda a dar leveza a um tema tão sério. Também conduz à reflexão sobre a doença mental e contribui para reduzir o estigma que existe em torno dos temas abordados, que se relacionam com a saúde mental.  

Amor No Espectro

Autora: Elizabete Possidente e Giuliana Possidente

Amor no Espectro é uma série/documentário da Netflix, em 5 episódios, que aborda jovens autistas buscando um namoro, na Austrália.
Sabemos que pacientes do Transtorno do Espectro Autista (TEA) têm dificuldades de comunicação, interação social, além de comportamentos e interesses repetitivos. A maioria dos jovens entrevistados nunca tiveram um relacionamento, apesar do desejo. Relatam as dificuldades que têm para conseguir investir numa relação de proximidade com alguém e de encontrar seu par romântico dentro das características que idealizam.
Duas especialistas abordam com esses jovens, em atendimentos individuais e em grupos, ferramentas para desenvolver habilidades sociais necessárias para uma amizade ou namoro. Com isso, conseguem trabalhar a confiança e ajudar no enfrentamento do medo do primeiro encontro. Elas dão dicas a cada um deles de como se apresentar, conversar, demonstrar interesse e evitar aquele “silêncio constrangedor” do primeiro encontro.
Enxerguei muitos aspectos positivos nessa série, na direção de reduzir o estigma do TEA. Mostra que eles são pessoas diferentes entre si, com características próprias, o que é desconhecido pela maioria das pessoas. Têm empatia e querem ser respeitados como qualquer outra pessoa. Têm interesses próprios, em muitos casos restritivos, que podem ser trabalhados, para a melhora de autoestima pessoal e profissional. Vemos as dificuldades que apresentam para manter relacionamentos, que podem ser atenuadas com a ajuda profissional e apoio familiar. O sofrimento que muitos enfrentam na maioria dos casos se deve ao diagnóstico tardio e por não serem atendidos por profissionais treinados.
Quando recebem o diagnóstico precocemente o prognóstico é muito favorecido. Ganham a oportunidade de aprender técnicas que facilitam a comunicação verbal e não verbal. Podem entender que são diferentes, mas não são “errados” por se comportarem de modo pouco usual ou terem determinados interesses específicos. Podem conviver com família e amigos que entendem alguns comportamentos normalmente evitados por todos, ou algumas manias que podem incomodar pessoas desinformadas. Algumas situações do cotidiano se tornam estressoras, esses pacientes precisam de ajuda para reduzir a ansiedade e facilitar o enfrentamento.
Muitas mensagens favoráveis são passadas nesse programa, entretanto fiquei um pouco incomodada pela forma infantilizada que foram apresentados alguns personagens da história, como se fosse uma característica do TEA. Mostrar que os jovens com TEA buscam ser amados como qualquer outro jovem é o principal ponto do programa. Poder dar voz a eles vale muito, todos deveriam assistir.

Diretrizes de conduta para TDAH em crianças e adolescentes (AAP 2019)


A American Academy of Pediatrics (AAP) publicou diretrizes para diagnóstico, avaliação e tratamento do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH).Recomendam que qualquer jovem dos 4 aos 18 anos com queixas escolares ou comportamentais, sintomas de desatenção, hiperatividade ou impulsividade devem ser avaliadas quanto ao TDAH.Quando crianças em idade pré-escolar (4 a 6 anos) são diagnosticadas com TDAH o médico deve prescrever, como primeira linha de tratamento, treinamento em tratamento do comportamento (TPTC), baseado em evidências dos pais, além de intervenções comportamentais em sala de aula. Quando essas intervenções não forem suficientes o uso do metilfenidato deve ser recomendado. Quando crianças do ensino fundamental (6 a 12 anos) forem diagnosticadas com TDAH, o médico deve prescrever medicamentos aprovados pela FDA para o TDAH, juntamente com TPTC e intervenção comportamental em sala de aula.Para adolescentes (12 a 18 anos), o médico deve prescrever medicamentos aprovados pela FDA. Também deve prescrever intervenções de treinamento baseadas em evidências e intervenções comportamentais.

Semana da Valorização do Aleitamento Materno

Entre 1 e 8 de agosto teremos a semana de valorização do aleitamento materno.
A amamentação até os seis meses de vida reduz em 13% a mortalidade infantil até os cinco anos, evita diarreia e infecções respiratórias, diminui o risco de alergias, diabetes, colesterol alto e hipertensão, leva a uma melhor nutrição e reduz a chance de obesidade.
Veja abaixo artigo já publicado anteriormente sobre outros aspectos que devem ser também destacados sobre o aleitamento materno.

A importância da Rede para o aleitamento materno

Psicofobia é crime previsto em lei

Psicofobia é o termo que trata atitudes preconceituosas e/ou discriminatórias contra os deficientes e portadores de doenças mentais. Esse termo Psicofobia é crime previsto em lei e está tramitando no Senado Federal no projeto de lei 74/2014 de autoria do senador Paulo Davim que torna a Psicofobia um crime, assim como a Homofobia e o Racismo.

Infelizmente, em pleno 2020, ainda me deparo com pacientes que tiveram recorrência clínica diante dahumilhação de seu transtorno ou discriminação por seu tratamento psiquiátrico. Fico mais entristecida quando o preconceito é proveniente de profissionais da área dasaúde que tem obrigação de conhecer a doença e ser defensor da psicofobia se tornar lei. Todos deveríamos saber que saúde não engloba somente a doença física e sim diversas nuances do psicológico e emocional que por si só já são aspectos da saúde global, mas também são capazes de agravar ou até mesmo desencadear alterações físicas.

A seguir, destacarei alguns exemplos que ocorreram recentemente no meu consultório.

Uma paciente em tratamento de ansiedade generalizada com ataques de pânico e episódios de falta de ar recorrentes. Solicitava auxílio de seu médico clínico que respondia ser tudo fantasia de sua cabeça e ignorava suas queixas. Os dias foram piorando e quando resolveu entrar em contato comigo, percebi que mal conseguia falar ao telefone devido a tamanho desconforto respiratório. Encaminhei-a prontamente para a emergência onde fora diagnosticada franca crise de asma. Seu sofrimento poderia ter sido poupado com um olhar mais atento de seu clínico.

Outra de minhas pacientes vinha sofrendo de depressão pós parto por tempo prolongado, mas seu psicólogo e homeopata afirmavam ser um momento comum e indicaram evitar a procura por um psiquiatra, pois apenas a entupiria de calmantes e prejudicaria o cuidado de seubebê. Não consideraram a severidade de sua situação. 

Um paciente teria recebido indicação para um procedimento cirúrgico inesperado. Além de ter sido pego de surpresa com a notícia, foram utilizados termos e expressões médicas que não compreendia, deixando-o ainda mais atordoado. O profissional que estava acompanhando relacionou a dificuldade de entendimento do paciente a sua doença psiquiátrica, não levando em consideração impacto de uma notícia ruim e a forma como foi contada a ele. 

Outro paciente que se encontra estável há anos com a medicação e que com a pandemia ficou mais sedentária e passou a comer mais bobagens apresentou aumento de insulina em seus exames de rotina. Foi ao clínico que sem conhecer sua prescrição e história clínica associou imediatamente o desequilíbrio ao remédio psiquiátrico.

Também quase diariamente escuto de pacientes que outros especialistas questionam o uso da medicação prescrita pelo psiquiatra. Esses profissionais dizem que o paciente “está bem” e que não há necessidade de uma medicação contínua, ignorando a possibilidade de sua estabilidade clínica ser graças ao uso do fármaco correto na forma correta. 

A falta de conhecimento sobre doenças psiquiátricas e seus tratamentos junto ao desinteresse em contatar o psiquiatra e a procurar entender a saúde integral de seus pacientes,dificultam muito a nossa prática clínica. Aliado a isso, existe um estigma e preconceito enraizado à visão que muitos têm da Psiquiatria, que deve ser fortemente combatido.

Da mesma forma que não podemos subestimar o sofrimento do paciente com câncer ou da estabilidade de um paciente em uso contínuo de medicamentos, como anti-hipertensivos ou hipoglicemiantes orais, também não podemos descriminar os pacientes que sofrem de alguma doença mental ou que fazem uso regular de anticonvulsivantes, estabilizadores de humor, antidepressivos, entre outros.

Importante nos informar e divulgar a campanha Psicofobia é crime.

FDA autoriza jogo eletrônico para tratamento complementar no TDAH

Desde 15 de junho de 2020 o FDA (Food and Drug Administration) autorizou médicos a utilizarem um jogo eletrônico específico, o EndeavorRX, no tratamento de crianças entre 8 e 12 anos, com TDAH. É a primeira vez que algum “videogame” é comercializado com o objetivo de tratamento médico.

Essa autorização está causando polêmica na classe médica. Apesar do FDA ser conhecido como criterioso na autorização e comercialização de alimentos e medicamentos nos Estados Unidos, muitos estão questionando essa aprovação. A maioria dos médicos que tiveram contato com o jogo referem que não é diferente de um game como outros existentes, onde personagens enfrentam obstáculos e inimigos para conquistar participação em novas fases.

O alerta foi intensificado na classe médica com a divulgação pelo portal americano “The Verge” que publicou que a aprovação teria se baseado num estudo onde apenas  médicos contratados pela empresa responsável participaram.

A empresa em questão, a “Akili Interactive”, se defende alegando que realizou sete anos de estudos para comprovar a eficácia em crianças do grupo de abordagem, sem uso de medicamentos associados, em vinte instituições dos EUA. Mostraram que 1/3 dos pacientes, com 25 minutos de jogo em 5 dias na semana, por um período de 30 dias, tiveram melhora na atenção objetiva por posteriores 30 dias, sem influência em outros sintomas.  

Levando em conta as informações divulgadas desse  tratamento complementar para pacientes com TDAH é prudente aguardar a evolução dos resultados por algum tempo mais antes de aplicarmos essa indicação terapêutica.

Sancionado projeto que prorroga validade de receitas médicas durante pandemia

Foi sancionado projeto de lei (LEI Nº 14.028, DE 27 DE JULHO DE 2020) que prorroga a validade de receitas médicas ou odontológicas de medicamentos sujeitos à prescrição e de uso contínuo. A exceção foi aberta apenas pelo período que durarem as medidas de isolamento, adotadas em meio à pandemia do coronavírus. O texto foi publicado na ultima terça-feira no Diário Oficial da União (DOU).
A iniciativa não estende a regra para medicamentos de uso controlado, como remédios “tarja preta” ou antibióticos, por exemplo, mantendo as regras previstas pela ANVISA.

Não sejam pais tóxicos: autorize o seu filho a crescer

Acontece que muitos pais, temendo que seus filhos sofram ou não se sintam amados, ou ainda pela própria violência da cidade e do país, não permitem que eles encontrem seu caminho e independência. Eles deveriam “criarem asas e escolherem seu destino”, mas não conseguem por falta de apoio e às vezes até por “sabotagem” dos próprios pais.
Quando não se autoriza o filho a crescer o tornamos uma pessoa dependente, incapaz para a vida adulta. Passamos a representar um elemento “tóxico” em sua vida.O vídeo abaixo tenta mostrar o mal que se faz aos filhos quando não apoiamos seu crescimento e o corte do cordão umbilical, até a vida adulta.

https://youtu.be/xrN-DQy56e4

Mutações no gene da Metilenotetrahidrofolato Redutase (MTHFR) e transtornos psiquiátricos

O L-metilfolato é um derivado do ácido fólico. Sete vezes mais biodisponível, consegue atravessar a barreira hematoencefálica para atuação cerebral. O ácido fólico, para formar o L–metilfolato, precisa ser processado em diversas cascatas bioquímicas e a chance de problemas na reposição é enorme.

O L-metilfolato ganhou importância com a realização de alguns testes genéticos em pacientes psiquiátricos, que demonstravam gravidade, cronicidade ou resistência medicamentosa.  Pode-se observar na prática que algumas mutações nos genes MTHFR C667T e MTHFR A1298C, que são relacionados à diversas doenças psiquiátricas como depressão, ansiedade, TEA, esquizofrenia e transtornos de humor. Pacientes que apresentam essa alteração podem ter, dependendo da mutação, um comprometimento até 70% menor na produção da forma ativa do folato do que outros indivíduos.

Os resultados são bastante promissores quando se utiliza o L-Metilfolato associado com certos medicamentos psiquiátricos. O CanMat (Canadin Network for Mood and Anxiety Treatments) recomenda L-Metilfolato para certos perfis de pacientes.

O CanMat é extremamente respeitado por psiquiatras no mundo todo. Ele anualmente publica recomendações de protocolos medicamentosos para o tratamento dos transtornos de humor e ansiedade.  

O L-Metilfolato tem relação com diversos processos bioquímicos no organismo. Muitas dessas reações bioquímicas ocorrem em conjunto com a vitamina B12, como fornecedor de Metila na conversão do aminoácido Homocisteína à Metionina.

Mutações no gene da Metilenotetrahidrofolato Redutase levam à redução do L–Metilfolato, que aumenta de homocisteína no organismo. Essas mutações elevam a probabilidade de diversas doenças cardiovasculares, formação de trombos, dificuldade em engravidar, abortos espontâneos, má formação de espinha bífida e doenças neurológicas. Comprometem também a produção de diversos neurotransmissores como Serotonina, Noradrenalina e Dopamina. Isso faz com que aumente a probabilidade de desenvolvimento de diversas doenças psiquiátricas e baixa resposta terapêutica aos psicofármacos. Causam redução nos níveis de metiltetrahidrofolato associado ao aumento dos níveis de metilenotetrahidrofolato, o que prejudica a síntese e o reparo na expressão de DNA, que causa diversos prejuízos na célula, como o câncer.

Essa pareceria do L–Metilfolato com a vitamina B12 exige atenção redobrada em pacientes que realizam alguma dieta mais restritiva, que possuem doenças gastrointestinais ou realizaram cirurgia bariátrica. E necessário observar que certos medicamentos interferem nesse ciclo do L–Metilfolato.

Na prática isso tudo quer dizer que podemos prevenir ou tratar diversos sintomas relacionados a apatia, depressão, falhas cognitivas, desatenção, irritabilidade, astenia e alteração do sono com esse fármaco.

Até pouco tempo não tínhamos o L-Metilfolato no Brasil. Nos EUA, o ele é mais conhecido com o nome comercial de Deplin. Apesar de ser um derivado de vitamina B9, o laboratório responsável pelo Deplin o lançou como medicamento e não como suplemento alimentar, porque deve ser utilizado com indicação médica, para controle de dose, efeitos adversos, interação medicamentosa ou substâncias, eficácia e tempo de uso.

Na minha prática clínica, apesar das evidências científicas, tive que buscar confirmações para acreditar em todas essas características. Solicitei o exame genético nos meus pacientes mais graves ou mais resistentes a medicação, ou mesmo com tempo de doença mais longo. Foram surpreendentes as mutações encontradas nesses pacientes e as respostas na introdução do L-Metilfolato associado ao tratamento farmacológico.  

BULLYING e TDAH

Crianças e adolescentes com TDAH têm risco 3 vezes maior de realizarem bullying com outros e 10 vezes mais chance de serem vítimas de bullying de acordo com pesquisa sueca de 2008. Nessa pesquisa chamada “Bullying and ADHD in 10-year-olds in a Swedish Community” foi demostrado que meninas são mais frequentemente vítimas de bullying e menos relacionadas a causar o bullying em relação aos rapazes.

Crianças portadores de TDAH ou comportamento opositor-agressivo tendem a reagir e atacar mais do que os demais. Elas também têm mais dificuldades com socialização e entendimento de relações sociais.

Outras crianças com deficiências intelectuais ou Transtorno de Espectro Autista (TEA) são consideradas do tipo “passivas”, tornando-as mais vulneráveis ao bullying.

O bullying pode causar efeitos seríssimos e deletérios. Algumas vítimas podem vir a se tornar “bullies” (praticantes), criando um ciclo interminável de maldades. Tanto as vítimas quando os praticamente de bullying tentem a abandonar a escola, ter dificuldades sociais e são mais prováveis de se envolver com cigarros, álcool ou drogas. Já foi reportado que bullies possuem 4 vezes maior envolvimento em comportamentos criminosos quando adultos jovens.

A vítima muitas vezes desenvolve baixa autoestima, ansiedade e depressão. Sua insegurança, medo e culpa são intensificados. Eles tendem a evitar ir para escola, desenvolver problemas de concentração, obter menor rendimento escolar e preferir a solidão. O bullying persistente pode levar a automutilação e depressão severa.

BULLYING

Bullying é um comportamento individual ou em grupo que se repete ao longo do tempo feito com intenção de machucar outro ou outros, fisicamente ou psicologicamente.

Trata-se de um problema infelizmente comum no cotidiano de muitas crianças e adolescentes. Em um estudo nacional feito no Reino Unido em 2006 chamado “bullying UK”, 85% das crianças declararam ter testemunhado uma situação de bullying e 69% reportaram sofrerem bullying. Essas taxas assustam todos educadores, pais e profissionais da área de saúde e alertam para a necessidade de mais atenção de todos.

As razões do bullying estão relacionadas ao praticante do bullying que muitas vezes apresenta numerosos problemas sociais e emocionais. Eles tendem a procurar outro que parece vulnerável, tímido, não-agressivo, autoestima baixa e que tipicamente são mais fracos fisicamente do que eles.

O “bully” geralmente encontra um foco para o Bullying como o peso, aparência, cor da pele, cultura, religião ou uma deficiência da criança, como ela anda, fala ou simplesmente por ter um nome pouco usual. O bullying ocorre na maior parte na escola durante os intervalos e recreios, mas também pode ocorrer no curso de inglês, treino de futebol, dentro do condomínio, etc.

O bullying pode ser dos seguintes tipos:

• Bullying físico: empurrar, chutar, bater, morde, beliscar, roubar pertences… (mais comum em meninos)

• Bullying verbal: zombar, xingar, ameaçar, criar rumores…

• Bullying social: ocorre indiretamente quando espalham rumores, fofocas, ignoram, causam rejeição e exclusão social (mais comum em meninas)

• Cyberbullying: acontece dentro e fora da escola envolvendo internet e celulares com objetivo de ameaçar, zombar e causar mal às vítimas. Pode incluir mensagens ofensivas, circular imagens ofensivas ou intimas. É estimado que 25% dos jovens sofrem cyberbullying em algum momento.

Como identificar o Bullying? Os sintomas podem ser bem claros quando prestamos atenção às nossas crianças, como por exemplo, recusa a frequentar a escola, falta de concentração, notas baixas, dores de cabeça, dores de barriga, xixi na cama (noctúria), dificuldades de dormir, ansiedade e até auto-mutilação. Deve-se perguntar

Como lidar com o bullying?

• As considerações da criança devem ser levadas a sério, nuca menosprezar.

• Não culpar a criança.

• Não ignorar o problema.

• Reassegurar à criança de que a situação tem solução e que ela pode pedir ajuda, ela não está sozinha

• Perguntar sobre o bullying, há quanto tempo isso acontece, se a escola ou professor sabe, quando ocorre, como costuma acontecer, quem está envolvido, se já pediu ajuda para alguém…

• Orientar como reagir quando isso acontecer sem que ataque de volta

• Ensinar a ignorar e sair de perto quando começar

• Fazer afirmações com confiança e não-agressivas

• Orientar a buscar ajuda de um adulto

• Certificar-se de supervisão dos pais no uso da internet

• Encorajar à criança a não responder a mensagens maldosas, não postar fotos e vídeos que eles não gostariam que outros vissem e evitar sites adultos

• Procurar ajuda profissional de psicólogos, fonoaudiólogos e professores

Como lidar se seu filho faz bullying?

• Explicar que não é diversão e não pode ser tolerado

• É crime e, portanto, tem consequências sérias para ele e sua família

• Causa danos muito maiores do que ele pode imaginar para suas vítimas

• Auxiliar seu filho para identificar e resolver seus próprios problemas sociais e emocionais

• Procurar ajuda profissional quando necessário

Bullying é crime deve ser reconhecido e evitado a todo custo. Todas as escolas devem adotar políticas anti-bullying desde pequenos, encorajando-os respeitar o próximo, identificar logo de início, reportar aos adultos, ajudar quem precisa. As escolas devem oferecer aconselhamento aos alunos e pais.

Informações essenciais para Pais de crianças diagnosticadas com TDAH:

TDAH é uma condição médica conhecida por afetar entre 3 e 5% das crianças em idade escolar, tornando-se um dos distúrbios mais comuns em crianças. Ele afeta as partes do cérebro responsáveis pela concentração, atenção e comportamento impulsivo gerando impulsividade, hiperatividade e dificuldade de concentração.

Seus comportamentos, muitas vezes, se mostram mais extremos do que a simples “falta de educação”.  Se não tratados, a criança pode acabar por ter uma pior performance na escola, em casa e outros cenários. Essas crianças sem o acompanhamento adequado, provavelmente desenvolverão dificuldade de criar amizades com outros crianças.

O tratamento deve ser sempre multidisciplinar com psicólogos, psiquiatras, educadores e os pais. O acompanhamento deve ser regular e deve ser realizado por profissionais de sua confiança que sejam capacitados em distúrbios de comportamento infantil.

O tratamento medicamentoso é feito através de uma substância que age sobre os compostos químicos do cérebro que entregam mensagens e ajudam a controlar o comportamento. Esse ato baseia-se apenas na correção do desequilíbrio químico responsável pelo TDAH.

O medicamento deve ser tomado diariamente pela manhã de forma ininterrupta. É recomendado que seja feito perto do café da manhã, pois sua medicação é mais bem absorvida com alimentos e seus benefícios persistirão por mais tempo. Então, o desjejum torna-se uma importante e indispensável refeição para as crianças.

Como toda medicação, efeitos colaterais são possíveis de ocorrer, sendo os mais comuns irritabilidade e insônia. Assim que percebidos devem ser relatados para seu médico para ajuste do esquema terapêutico empregado. Importante lembrar que todas as medicações utilizadas têm segurança e aprovação pela Organização mundial de saúde e pela ANVISA. Então, não precisa ter medo de oferecer aos seus filhos desde que mantenham um acompanhamento regular e constante.

Se seu filho, tiver dificuldades em engolir suas cápsulas, podem ser abertas e seu conteúdo pode ser misturado com líquidos ou alimentos semissólidos como suco de laranja ou iogurtes. A cápsula não pode ser mastigada, pois compromete a absorção adequada de seu princípio ativo.

Preocupações sobre o Retorno às aulas

Ouvi de vários pais comentários de como aguardam ansiosamente a reabertura das escolas e o reingresso de seus filhos à rotina. Porém, antes do retorno às aulas presenciais, temos que observar comportamentos que recentemente apareceram, provocados pela Pandemia, que continuarão caso os responsáveis não atuarem.

Muitos pais enfrentam certa dificuldade em fazer com que seus filhos sigam as novas rotinas acadêmicas, como assistir aulas online, deveres de casa e estudos. Isso vem quase sempre acompanhado de uma crença, quase uma esperança, que como um passe de mágica, ao entrar pelo portão da escola, tudo será resolvido. Eu não teria tanta certeza disso. Os sintomas pouco valorizados de irritabilidade, mudança do padrão de sono, ansiedade, tiques, enurese noturna, depressão, TOC, medos, restrição alimentar e agressividade se mostram claramente e não vão desaparecer de uma hora para outra.

O uso exagerado de jogos eletrônicos, internet e televisão não desaparecerão apenas com o retorno às aulas presenciais. Os conflitos, brigas e agressões que podem ter acontecido durante a quarentena não se resolverão imediatamente quando a professora entrar pela porta da sala de aula.

Vamos a um exemplo prático sobre como a situação pode ter saído do controle. Filhos que não demonstraram compreensão com os pais em momentos que estão trabalhando de casa, não colaboram com cuidados básicos da casa, não demonstram empatia as dificuldades vividas pelos pais, tudo isso pode sinalizar que existem problemas que continuarão mesmo com “o retorno à normalidade” e precisam ser tratados.

Antes de pensar na abertura das escolas, seria muito importante alertar os pais sobre medidas que precisam ser tomadas para tratar alguns desses problemas que surgiram nesse período da pandemia. O prejuízo do aprendizado das aulas online, em sua maioria improvisadas (ninguém estava preparado para o que ocorreu) não será o maior problema, de alguma maneira as boas escolas irão se organizar e recuperar o terreno perdido ao longo dos períodos letivos. A real dificuldade será reconquistar esse aluno, revalorizar a importância dos estudos e dos deveres escolares.

Me preocupam os jovens que não receberam limites bem definidos em seus lares, que precisam que regras básicas sejam reforçadas. Esses jovens, diante de pais fragilizados pelo estresse, por seus temores e conflitos, podem não receber as orientações e fronteiras básicas do comportamento social. Se não respeitam os seus pais, não percebem neles um “Porto Seguro” essencial em suas vidas.

Nova mudança no uso de receitas amarela e azul na Pandemia

A subsecretaria de Vigilância, Fiscalização e Controle de Zoonoses publicou uma nova nota técnica, número 05/2020, sobre alterações nas regras da prescrição e dispensação de medicamentos controlados durante a Pandemia do Sars-Cov-2.
Com essa norma técnica cai em desuso as normativas publicadas anteriormente nesse período, como a RDC número 357/2020 e a nota técnica SVS/SES- RJ número 19/2020, onde tinha sido autorizado prescrição eletrônica, com assinatura digital do médico, para medicamentos que utilizam receituários tipo A (“Amarela”) e tipo B (“Azul”).
Com a publicação no Diário Oficial de 03 de julho de 2020 os medicamentos de receita A e B voltam a ser permitidos apenas utilizando receituário físico, em papel.

Gestantes na Pandemia tem maior chance de ansiedade e depressão

Tenho atendido gestantes e parturientes que se queixam frequentemente sobre não viver como esperado. Sonhavam em ser “paparicadas” pelos familiares e amigos durante a gestação, participavam e organizavam eventos e aguardavam ansiosamente pelos seus, algum dia. Imaginavam-se ir na maternidade, com os familiares ansiosos pelo nascimento do bebê. Muitas fotos, alegrias, distribuir a cada visitante a lembrança da maternidade, escolhida com tanto prazer.

Nesse momento de Pandemia, muitas mencionam o medo de se contaminar e ao seu bebê. Sentem-se muito fragilizadas e sem o controle de suas vidas, sozinhas, sem poder ter ajuda da família num momento tão novo e estressante.

Quando se trata de primeira gestação é ainda mais preocupante. A maior frustração costuma ser o filho mais velho não poder conhecer o irmãozinho na maternidade como prometido, ou o marido não poder acompanhar o parto por algum risco de contaminação associado à profissão, por exemplo. São referenciados temores tanto no pré como no pós-natal o tempo inteiro. Veio daí a motivação de pesquisar publicações relacionadas à saúde mental das grávidas na Pandemia.

Um estudo específico me chamou a atenção, que ocorreu em Quebec, no Canadá, onde 1258 gestantes preencheram um questionário sobre saúde mental, relacionado ao estresse antes e depois do parto. Foram também utilizados questionários de 496 mulheres preenchidos antes da Pandemia. Os pesquisadores observaram que mulheres vivenciando a gestação durante o período da pandemia apresentaram mais sintomas claros de depressão e ansiedade, mais pessimismo e maiores alterações cognitivas e de humor do que aquelas que vivenciaram a gestação antes desse período. A diferença entre esses grupos foi de quase o 100%, quando comparados os valores percentuais (10,9% contra 6,0%). Nesse estudo não foram avaliadas as gestantes após o parto. Essas informações têm grande importância pois sabemos que sintomas de depressão, ansiedade e eventos traumáticos aumentam significantemente o desenvolvimento de depressão pós-parto. Outros dados vindos da China confirmam esse obtidos pelo estudo, que mostram que medo, isolamento social e falta de suporte familiar provocam efeitos negativos na saúde mental das grávidas, potencialmente afetando seus bebês.

É preciso investigar em toda consulta pré e pós-parto o humor dessas mulheres. Também é importante que amigos e familiares se preocupem em dar suporte emocional às gestantes e mamães recentes, especialmente nesse momento da pandemia.